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- O que é Werwulf — o lobisomem medieval de Robert Eggers
- Por que o lobisomem nunca morre — a besta que o metal reconhece
- 80 anos de licantropia — a história completa dos filmes de lobisomem
- Os filmes de lobisomem que todo fã do gênero precisa conhecer
- O que esperar de Werwulf — e por que Robert Eggers é a pessoa certa
- Perguntas frequentes para posers
- Leia também
Pontos-chave
- Werwulf, o novo filme de Robert Eggers, estreia em 25 de dezembro de 2026 nos EUA e 7 de janeiro de 2027 no Brasil.
- O filme se passa na Inglaterra do século XIII e apresenta um elenco estelar, incluindo Aaron Taylor-Johnson e Willem Dafoe.
- Robert Eggers busca retornar às raízes brutais do folclore europeu, prometendo uma história sombria e visceral.
- A história do lobisomem no cinema é rica, com mais de 80 anos de filmes que moldaram o gênero e suas principais características.
- Werwulf promete ser uma obra que mistura horror psicológico com rigor histórico, elevando o subgênero a novos patamares.
Você, headbanger que sabe a diferença entre medo de verdade e jump scare de segunda categoria, já tem data marcada: Werwulf, o novo terror de Robert Eggers, está vindo para dezembro de 2026. Mas antes de falar do futuro, precisamos falar do passado — porque o lobisomem no cinema tem uma história rica, sangrenta e absolutamente digna da sua atenção. Este é o guia definitivo sobre tudo que o gênero já produziu, do preto-e-branco dos anos 40 até o caos medieval que Eggers promete despejar na tela.
Robert Eggers não faz filme pra todo mundo. The Witch, The Lighthouse, Nosferatu — cada um é um soco no estômago embrulhado em beleza cinematográfica. Werwulf promete ser mais sombrio do que tudo que ele já fez. Estamos falando de transformações físicas viscerais, de um século XIII nebuloso e brutal, e de Aaron Taylor-Johnson se contorcendo nu numa metamorfose que — segundo quem viu o trailer na CinemaCon 2026 — faz a sequência de Um Lobisomem Americano em Londres parecer um cartoon.

Portanto, antes de a besta chegar às telas, é hora de se ambientar com o gênero. Desde os estúdios da Universal Pictures nos anos 40 até os filmes independentes que reinventaram a maldição, passando pelos marcos que moldaram a cultura de horror que você respira.
O que é Werwulf — o lobisomem medieval de Robert Eggers
Werwulf — a palavra em alemão para “lobisomem” — é o próximo projeto de Robert Eggers, previsto para chegar às telas em 25 de dezembro de 2026 nos Estados Unidos, e 7 de janeiro de 2027 no Brasil. A história se passa na Inglaterra do século XIII, onde uma criatura misteriosa aterroriza os habitantes de um vilarejo enevoado. O roteiro foi escrito por Eggers em parceria com Sjón, o poeta islandês que já colaborou com ele em O Homem do Norte.
O elenco é de fazer qualquer fã de horror perder o fôlego: Aaron Taylor-Johnson no papel principal, Lily-Rose Depp, Willem Dafoe e Ralph Ineson — que você certamente lembra como o pai patriarcal e perturbador de The Witch. O trailer exibido na CinemaCon 2026 mostrou imagens em preto-e-branco de cadáveres mutilados, túmulos profanados e aldeões apavorados correndo pela neve. Num momento que já virou assunto em todo canto, Taylor-Johnson aparece nu se contorcendo na transformação, espuma saindo da boca aberta em presas enormes. Sem corte de misericórdia. A câmera fica lá.
Eggers declarou que Werwulf é a coisa mais sombria que ele já escreveu. E olha que The Lighthouse fez gente passar mal no cinema. A escolha do alemão arcaico no título não é capricho estético — é declaração de intenção. Eggers quer voltar às raízes brutas do folclore europeu que existia muito antes de Hollywood domesticar e padronizar o mito. Assim como The Witch (2015) foi filmado a partir de registros históricos reais, Werwulf parece seguir o mesmo caminho: rigor histórico aliado a terror psicológico de primeira.
Por que o lobisomem nunca morre — a besta que o metal reconhece
Veja bem — o lobisomem não é só um monstro. Ele é a metáfora mais honesta que a ficção de horror produziu. A criatura que não escolhe ser o que é. A besta que existe debaixo da pele civilizada. A transformação dolorosa e incontrolável que acontece na escuridão, longe dos outros. Se você já se sentiu deslocado no mundo “normal”, se já se perguntou se existe algo dentro de você que a sociedade prefere não ver — você já entendeu o lobisomem de um jeito que a maioria das pessoas nunca vai entender.
O heavy metal trabalha exatamente nesse território. Bandas como Powerwolf, Moonspell, Cradle of Filth, Type O Negative e Metallica orbitaram ao redor da criatura — ora literalmente, ora como metáfora da desumanização, da ira animal, da transformação que a sociedade não tolera mas o underground celebra. Faz sentido, portanto, que o gênero do lobisomem no cinema seja tão próximo da estética que o fã de metal reconhece: visual sombrio, narrativa de isolamento, tensão corporal que antecede o caos.
Além disso, a figura do lobisomem tem uma carga que os vampiros nunca tiveram: suor, lama, pelo, sangue — nada de glamour gótico. O lobisomem é visceral, físico, animal. É a criatura do esforço, da dor, da transformação que custa caro no corpo. Isso também é muito metal.
80 anos de licantropia — a história completa dos filmes de lobisomem
A história cinematográfica do lobisomem começa muito antes do que a maioria imagina. Em 1913, o curta-metragem The Werewolf — dirigido por Henry MacRae — foi o primeiro registro da criatura nas telas. Era o cinema mudo, e a transformação era feita com truques primitivos de dissolução de imagem. Vinte e dois anos depois, em 1935, a Universal Pictures lançou Werewolf of London, seu primeiro teste com o personagem, e estabeleceu o que seria uma obsessão de estúdio.
Mas foi em 1941 que tudo mudou. The Wolf Man (O Lobisomem), dirigido por George Waggner e com Lon Chaney Jr. no papel de Larry Talbot, é o ponto zero da mitologia moderna do lobisomem. O maquiador Jack Pierce passou até seis horas por dia transformando Chaney Jr. a cada filmagem. O resultado foi um personagem trágico, simpático e aterrorizante ao mesmo tempo — e um filme que estabeleceu quase todo o folclore que usamos até hoje: a prata como fraqueza, a lua cheia como gatilho, a mordida como vetor de transmissão. Antes de The Wolf Man, o mito era fragmentado. Depois dele, o lobisomem tinha regras.

Lon Chaney Jr. reprisa o papel em quatro sequências ao longo dos anos 40, incluindo o delicioso Frankenstein Meets the Wolf Man (1943), onde os dois monstros icônicos da Universal finalmente dividem a tela. Era a época dos monster mashes — quando o estúdio percebeu que o público queria seus monstros favoritos juntos. Funcionou muito bem.
1981: o ano que explodiu o gênero
Pulamos algumas décadas — o gênero dormiu um pouco nos anos 50 e 60, com alguns esforços europeus interessantes mas nada transformador — e chegamos em 1981, de longe o ano mais importante na história do lobisomem no cinema. Em apenas doze meses, três filmes fundamentais chegaram às telas: Wolfen, The Howling e Um Lobisomem Americano em Londres.
The Howling (Uivos), de Joe Dante, trouxe efeitos práticos aterrorizantes e um humor negro inteligente. Foi um sucesso que gerou uma franquia longa — e desigual. Mas foi Um Lobisomem Americano em Londres (An American Werewolf in London), dirigido por John Landis, que virou lenda absoluta. A sequência de transformação de David Naughton, executada pelo mestre Rick Baker sem nenhum CGI, ganhou o primeiro Oscar da história para a categoria de Melhor Maquiagem. Cada osso que se entorta, cada centímetro de pelo que irrompe da pele, cada grito de dor que mistura horror e descrença — é insuportável e perfeito ao mesmo tempo.
Os anos 80 e 90 trouxeram mais experimentos: Silver Bullet (1985), baseado em Stephen King; The Company of Wolves (1984), de Neil Jordan, que levou o conto de Chapeuzinho Vermelho a territórios sombrios e sexualmente carregados; Wolf (1994), com Jack Nicholson num papel mais psicológico que físico. O gênero dava sinais de cansaço quando, em 2000, o cinema independente canadense aplicou um choque elétrico na criatura.
Ginger Snaps, Dog Soldiers e a reinvenção independente
Ginger Snaps (2000), de John Fawcett, é o tipo de filme que o grande público ignorou e a cena underground adotou como filho. A história de duas irmãs góticas adolescentes que confrontam a licantropia como metáfora da puberdade e da marginalidade feminina é inteligente, sombria e visceralmente eficaz. É o filme que você recomenda pra quem pensa que lobisomem é coisa de blockbuster sem alma.
Dois anos depois, Dog Soldiers (2002), de Neil Marshall, colocou soldados britânicos numa operação de campo contra um bando de lobisomens. É brutal, engraçado e tecnicamente competente de um jeito que muitos filmes com dez vezes o orçamento não conseguem alcançar. Por isso mesmo, tornou-se cult absoluto entre os fãs de horror que valorizam substância sobre espetáculo vazio. Underworld (2003) tomou um caminho diferente — misturou vampiros e lobisomens numa estética de ação gótica que agradou ao mainstream sem envergonhar o underground. A franquia rendeu cinco filmes e um público fiel.
Os filmes de lobisomem que todo fã do gênero precisa conhecer
Além dos marcos já citados, o gênero tem títulos essenciais que ficam fora dos radares. The Company of Wolves (1984) é cinema de arte com presas — Neil Jordan transformou o imaginário dos contos de fada em algo perturbador e belíssimo. Late Phases (2014) colocou um veterano de guerra cego num bairro residencial infestado de lobisomens, e é surpreendentemente eficaz. Bad Moon (1996) é esquecido por muitos, mas tem uma das presenças físicas de lobisomem mais ameaçadoras dos anos 90.
Em 2010, The Wolfman, de Joe Johnston, foi o remake hollywoodiano com Benicio del Toro e Anthony Hopkins. A produção foi turbulenta — o filme passou por re-filmagens extensas — e o resultado foi irregular. Mas o design da criatura, ainda baseado na maquiagem clássica de Jack Pierce, foi um acerto visual e um aceno respeitoso para Lon Chaney Jr. Em 2024, Wolf Man, de Leigh Whannell, transformou a licantropia em metáfora do trauma hereditário masculino — uma abordagem intimista que dividiu opiniões. Dividir opiniões é o que todo filme de terror corajoso faz.
Por isso mesmo, o gênero nunca parou de se mover. E agora, com Werwulf chegando, ele está prestes a dar mais um salto definitivo.
O que esperar de Werwulf — e por que Robert Eggers é a pessoa certa
Werwulf não é só mais um filme de lobisomem. É o encontro de um diretor no auge da forma — Eggers tem sido consistente a ponto de irritar os medíocres — com um subgênero que não recebia atenção de autor faz décadas. O século XIII como cenário é uma escolha inteligente: sem a domesticação moderna do mito, sem as regras hollywoodianas de “como um lobisomem deve se comportar”. A criatura medieval é muito mais perturbadora exatamente porque é indefinida.
O trailer revelado na CinemaCon mostrou uma paleta visual em preto-e-branco que imediatamente evoca os clássicos da Universal, mas com a brutalidade de composição que Eggers desenvolveu em The Lighthouse. Cadáveres ensanguentados, crianças correndo pela neve, sinos de aldeia tocando em pânico. Aaron Taylor-Johnson em plena transformação física — sem edição de corte rápido, sem alívio cômico, sem corte de misericórdia.
Por isso mesmo, Willem Dafoe num papel ainda não totalmente revelado é outro ponto de tensão deliciosa. Em Nosferatu, Dafoe foi o caçador de criaturas. Em Werwulf, não sabemos de que lado ele está. Essa incerteza, combinada com a atmosfera medieval opressiva que Eggers domina como ninguém, é suficiente para colocar Werwulf no topo de qualquer lista de espera para 2026. Além disso, o fato de Sjón ter co-escrito o roteiro garante que a narrativa vai operar em múltiplos níveis — folclore, psique, mitologia — sem nunca virar explicação didática.

Perguntas frequentes para posers
Werwulf tem estreia prevista para 7 de janeiro de 2027 no Brasil. Nos Estados Unidos, o lançamento está marcado para 25 de dezembro de 2026.
O filme de Robert Eggers conta com Aaron Taylor-Johnson no papel principal, Lily-Rose Depp, Willem Dafoe e Ralph Ineson. O roteiro foi escrito por Eggers em parceria com o poeta islandês Sjón.
Um Lobisomem Americano em Londres (1981), de John Landis, é amplamente considerado o maior filme de lobisomem da história — especialmente pela transformação de Rick Baker, que ganhou o primeiro Oscar de Maquiagem da história do cinema. The Wolf Man (1941) e Ginger Snaps (2000) também figuram entre os essenciais absolutos do gênero.
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