Camiseta Skullz
Desenhada para ser a base da sua identidade urbana.
3 minutos
Tabela de conteúdos
Você já sentiu como se não estivesse sozinho, mesmo com a porta trancada por dentro? No centro de São Paulo, o silêncio nunca é absoluto; ele pulsa. O que aconteceu comigo neste apartamento na Bela Vista vai desafiar tudo o que você acredita sobre o medo e a própria sanidade.
Meu nome é Carlos Côrtes. Recentemente, cometi o erro — ou tive o chamado — de me mudar para um edifício de arquitetura art déco decadente no coração da Bela Vista. O pé-direito alto e o assoalho de taco original pareciam charmosos, até o sol se pôr e as sombras se tornarem densas demais para um ambiente urbano.
O Som do Inevitável
Era uma noite de terça-feira, o tipo de noite em que a garoa paulistana abafa o som dos trólebus. Eu estava sozinho, tentando ignorar o frio que emanava das paredes grossas. De repente, um estalo seco. Não foi o prédio “assentando”. Foi o som de algo com peso se deslocando no quarto dos fundos.
Investigar foi um erro instintivo. Cada passo no taco rangia como um grito sufocado, ecoando em um corredor que parecia subitamente mais longo do que a planta do imóvel permitia.
A Anatomia do Medo
Quando abri a porta, o ar gelou. A luz da rua, filtrada pelas persianas de madeira, criava um padrão de listras pretas e brancas — um cenário digno de um noir expressionista. E lá estava “ele”.
Nas sombras, dois pontos de luz avermelhada me encaravam. Não eram olhos humanos; faltava-lhes a humanidade da dúvida. Era uma presença maligna, algo que parecia ter sido emparedado naquela estrutura de concreto e poeira há décadas.
O pânico não é como nos filmes; ele é uma paralisia térmica. A criatura se moveu. Não andava, ela deslizava, distorcendo a perspectiva do quarto. Corri em direção ao banheiro, mas o corredor do apartamento se transformou em um looping infinito atemporal com cheiro de mofo.
O Reflexo no Espelho
Trancado no banheiro, com o coração martelando contra as costelas, encarei o espelho manchado pelo tempo. Foi ali que a ficha caiu. A verdadeira ameaça não estava apenas no quarto ao lado.
A física do horror sugere que certas frequências de som em prédios antigos podem causar alucinações, mas o que eu vi no reflexo não foi ciência. Foi o reconhecimento. O que aconteceu naquela noite me persegue. A dúvida permanece: o apartamento está assombrado ou ele apenas serviu de moldura para o que já estava dentro de mim?
E você? Já sentiu a vigília constante das paredes de um prédio antigo? Deixe sua experiência nos comentários — se tiver coragem.
Este microconto de suspense é uma adaptação do vídeo original publicado no Canal Escreva seu Livro em dezembro de 2023.
