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Sumário
- O que é o Megadeth e por que você precisa entender a origem
- Por que a história do Megadeth importa para quem vive o metal
- O ônibus, o cupcake e os primeiros guerreiros do Megadeth
- Killing is My Business — gravado na miséria, lançado na raça
- Peace Sells, But Who’s Buying? — a frase que virou lenda
- A MTV, o Motörhead e a morte de Cliff Burton
- Perguntas frequentes para posers
- Leia também
Pontos-chave
- Dave Mustaine foi demitido da Metallica e voltou para a Califórnia, onde encontrou motivação para criar o Megadeth.
- A banda nasceu da humilhação e da raiva, e conquistou um lugar na história do thrash metal com álbuns icônicos.
- Megadeth destaca-se por sua identidade brutal e intensa, refletindo a realidade dos músicos que lutam para sobreviver.
- O nome Megadeth surgiu de uma frase sobre guerra nuclear que Mustaine encontrou em um panfleto durante sua viagem de volta.
- A história do Megadeth exemplifica que o thrash metal originou-se da necessidade visceral, longe de estúdios confortáveis.
Se você chegou até aqui, provavelmente já sabe que Dave Mustaine foi mandado embora da Metallica. Mas a versão resumida que circula no mundo acima do underground não faz jus à brutalidade real do episódio. Em abril de 1983, enquanto os outros dormiam, Dave foi colocado num ônibus de volta para a Califórnia — sem um dólar no bolso, com uma mala de roupa suja, a guitarra e quatro dias de viagem pela frente. Para não morrer de fome, teve que pedir trocados a passageiros desconhecidos. A mesma dignidade de quem seria, em poucos meses, o arquiteto de um dos álbuns mais importantes do thrash metal da história.
No chão daquele ônibus, Dave encontrou um panfleto do senador da Califórnia Alan Cranston sobre a ameaça da guerra nuclear. Uma frase estava em negrito: “O arsenal da morte não pode ser eliminado independente dos tratados de paz.” Dave pediu emprestado um lápis e começou a escrever num papel de embrulho de cupcake. O título da música: Mega Death. Ele ainda não sabia que estava nomeando a banda que consumiria os próximos quarenta anos da sua vida.

A história do Megadeth é isso: raiva transformada em riff. É um homem humilhado que decidiu fazer a banda mais rápida, mais pesada e mais intensa do planeta — e quase conseguiu. Quase, porque o caminho até lá foi uma sequência de vício em drogas, brigas violentas, contratos horríveis e talento absurdo coexistindo no mesmo espaço caótico. Senta aí, vou contar tudo.
O que é o Megadeth e por que você precisa entender a origem
O Megadeth é uma banda de thrash metal fundada em Los Angeles em 1983 por Dave Mustaine — guitarrista que havia sido demitido da Metallica — e pelo baixista David Elleffson. Ao longo da carreira, a banda vendeu mais de 38 milhões de álbuns, ganhou Grammy e foi responsável por clássicos como Peace Sells… but Who’s Buying?, Rust in Peace e Countdown to Extinction. Mas a história do Megadeth não começa com sucesso. Começa com humilhação e fome.
Dave voltou para a Califórnia e descobriu que Lars Ulrich havia ligado para os amigos em comum avisando que ele tinha sido demitido — não que tinha saído por vontade própria. O golpe foi duplo: perdeu a banda e a narrativa. Isso cristalizou algo nele. O Megadeth não seria apenas uma banda. Seria uma vingança com distorção.
Por que a história do Megadeth importa para quem vive o metal
Porque ela é a prova de que o thrash metal não nasceu de estúdios confortáveis nem de planos de negócio bem estruturados. Nasceu de necessidade visceral, de gente dormindo em van, pedindo trocado, empenhando instrumento pra comprar droga e ainda assim aparecendo pra ensaiar. A história do Megadeth é o oposto de uma narrativa de sucesso corporativo — e é exatamente por isso que ressoa tão fundo com quem carrega a identidade metal de verdade.
Quando o Metallica lançou Kill ‘Em All em julho de 1983, quatro músicas com crédito de composição de Dave Mustaine estavam no disco. Ninguém pediu permissão. Ninguém avisou. O nome de Dave aparecia por último na ficha técnica. Naquele dia, ele decidiu que o Megadeth teria que ser melhor que o Metallica em tudo. Mais rápido. Mais pesado. Mais intenso.
O ônibus, o cupcake e os primeiros guerreiros do Megadeth
De volta à Califórnia, Dave foi morar com a mãe. Começou a trabalhar fazendo vendas por telefone — foi lá que encontrou os primeiros membros, numa banda chamada Falling Angels. O plano era simples e brutal: montar a melhor formação possível e ir substituindo os elos fracos conforme fosse ficando mais forte.
Em 1º de junho de 1983, dois amigos de Minnesota chegaram ao apartamento abaixo do de Dave no Hollywood Boulevard: David Elleffson e Greg Handevidt, frescos do ensino médio. Na manhã seguinte, começaram a tocar Running with the Devil do Van Halen. O vizinho de cima gritou pra pararem. Quando não pararam, um vaso de cerâmica voou pela janela.
Aquele cara era Dave Mustaine. No dia seguinte, eles subiram e bateram na porta. Dave abriu com uma corrente ainda presa, copo de vinho na mão. Quando pediram indicação de onde comprar cigarros, ele bateu a porta na cara. Na segunda tentativa, perguntou se tinham idade para comprar cerveja — e aí convidou pra entrar. Assim começou uma das parcerias mais importantes da história do metal pesado.
Killing is My Business — gravado na miséria, lançado na raça
O nome da banda veio de Greg: “Por que não Mega Death?” Dave não curtiu a palavra death — clichê de metal. Com interesse em numerologia, tirou o segundo A para o nome ter oito letras, o número do infinito. Greg saiu logo depois — Dave achou que ele não tinha a aparência necessária. O Megadeth nunca foi um exercício em democracia.
O baterista Gar Samuelson chegou por indicação de Jay Jones — gerente informal e traficante de drogas. Gar apareceu para a audição já chapado, dormindo numa cadeira com um cigarro aceso entre os dedos. Mesmo assim, quando acordou e começou a tocar, ficou óbvio que o estilo jazz progressivo dele era exatamente o que o Megadeth precisava. O guitarrista Chris Poland veio no pacote — amigo de Gar, também com background jazzístico e os mesmos problemas com substâncias.
O contrato com a Combat Records foi, nas palavras do próprio Dave, o pior negócio da história do rock and roll. Orçamento: 8.000 dólares. Metade sumiu em comida e drogas na primeira semana. Com 12.000 dólares no total, gravaram o Killing is My Business and Business is Good. A arte da capa se perdeu misteriosamente na gravadora. O que voltou parecia adereços de Halloween. Lição aprendida: confiança no mercado fonográfico é ingenuidade com outro nome.
Peace Sells, But Who’s Buying? — a frase que virou lenda
Fique comigo aqui, porque esse é o ponto que separa o Megadeth de todo o resto. Numa manhã no galpão onde estavam morando e ensaiando, Dave pegou uma Reader’s Digest e encontrou um artigo de Patti Smith — a madrinha do punk. A frase: “Peace sells, but nobody’s buying it.” Dave ajustou: “Peace sells… but who’s buying?” — e escreveu na parede com marcador. O álbum estava nomeado.
O conceito da capa surgiu numa conversa de almoço em Nova York, em frente à sede da ONU: Vic Rattlehead diante das Nações Unidas após um holocausto nuclear. A tipografia do novo logo veio do pôster do Conan, o Bárbaro. Orçamento: 25.000 dólares — mais que o dobro do primeiro álbum. Dava pra trabalhar.
O álbum foi gravado no Music Grinder Studio em Hollywood. Mas a tensão interna estava no limite. Gar e Chris exigiram divisão igual dos lucros. Dave recusou: quem escreve as músicas, recebe mais. Localizar os dois antes de cada sessão significava atravessar os piores bairros de cada cidade. O talento era real — o estilo jazzístico deles dava ao Megadeth uma textura única — mas a banda era maior que qualquer um dos seus membros.
A MTV, o Motörhead e a morte de Cliff Burton
O sucesso do Peace Sells trouxe algo inesperado: a MTV passou a usar o riff de abertura como vinheta do noticiário. Sem permissão. Sem pagar. A melodia havia sido cortada na medida exata para escapar dos royalties — e funcionou por dez anos. Dave ficou furioso, mas toda vez que a notícia passava na TV, o nome Megadeth estava ali. Propaganda gratuita na maior emissora de música do planeta.
No outono de 1986, o Megadeth entrou em turnê com o Motörhead e o Cro-Mags. O Megadeth estourava o set de 30 minutos de propósito, o técnico cortava o som, Dave ia pro microfone reclamar pro público, o Motörhead saía do palco e varria a banda de lá fisicamente. A tensão escalou até o Megadeth ser removido das últimas três datas. Se a história do Megadeth tem uma constante, é essa: nunca foi manso.
Em outubro de 1986, uma ligação mudou o clima de toda a cena. Cliff Burton havia morrido num acidente de ônibus durante a turnê do Metallica na Suécia. Dave ficou sem palavras. Naquele mesmo dia, compôs In My Darkest Hour de uma só vez — carregada pela dor da perda e pela crise no relacionamento com sua namorada Diana. Em San Francisco, os pais de Cliff foram ao show do Megadeth. Dave os apresentou ao público: a próxima é pro Cliff. Então tocaram In My Darkest Hour. Há momentos em que o metal pesa de verdade — e esse foi um deles.

Perguntas frequentes para posers
Dave Mustaine criou o Megadeth após ser expulso do Metallica em 1983. Revoltado, ele decidiu formar uma banda ainda mais agressiva e técnica dentro do thrash metal.
O disco consolidou o Megadeth como uma das maiores bandas do thrash metal dos anos 1980. Lançado em 1986, o álbum trouxe maior qualidade de produção, letras mais políticas e músicas que se tornaram clássicos do gênero.
A formação de Peace Sells… but Who’s Buying? contava com Dave Mustaine nos vocais e guitarra, David Ellefson no baixo, Chris Poland na guitarra solo e Gar Samuelson na bateria.
Além do riff e da linha de baixo marcantes, “Peace Sells” ganhou enorme destaque na MTV e se tornou um símbolo do thrash metal dos anos 80. A música aborda política, Guerra Fria e críticas sociais, ajudando a levar o Megadeth ao mainstream.
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23/05/2026 @ 17:47
Megadeth ou Metallica — e não aceito “os dois”.
Todo mundo que entrou no metal pelos anos 90 teve que escolher um lado em algum momento. E a escolha dizia muito sobre quem você era.
Se você foi pro lado do Dave Mustaine, provavelmente preferiu raiva com inteligência a sucesso com conforto. Se ficou no lado do Hetfield… bom, esse é outro papo.
Deixa aqui embaixo: qual foi a primeira música do Megadeth que você ouviu? E qual álbum você colocaria como obrigatório pra quem nunca ouviu a banda? 👇