O matinal “Pontapé Inicial”, da ESPN Brasil (canal 70), é praticamente o programa da Ana Maria Brega pra homens, mas sem receitas de bolo, globais, nem papagaio. Em compensação, tem nome besta, dicas culturais, papagaiadas a granel e, lógico, notícias sobre esporte futebol.
Vez ou outra rola ainda algum músico tocando ao vivo por ali. Maioria deles, de MPB (que acho que deveriam mudar o nome pra MPBD – Música Pra Boi Dormir), que é preferência declarada dos decanos da emissora. Raramente rola algo que fuja desse cardápio.
Assim foi na última 3ª feira, em que uma dupla de violeiros, Ricardo Vignini e Zé Helder, esteve ali tocando, pra promover “Moda De Rock – Viola Extrema”, álbum por eles recém-lançado que não chega a ser de black metal ou coisa do tipo, mas duma abordagem sonora curiosa, INUSITADA: versões instrumentais de sons classic rock e heavy metal em viola caipira.

Ah, claro que o whiplash já andou divulgando a respeito em notinhas, mas peguei na hora em que estavam tocando “Kashmir” do Led Zeppelin. (E haviam iniciado com “Aces High”, que perdi). E ver ao vivo é mais interessante.
Mais interessante ainda é entrar no site do projeto, www.modaderock.com.br, e poder ouvir o álbum inteiro em suas 11 versões:
- “Kashmir” [Led Zeppelin]
- “Master Of Puppets” [Metallica]
- “Norwegian Wood” [Beatles]
- “In the Flesh” [Pink Floyd]
- “Kaiowas” [Sepultura]
- “May This Be Love” [Jimi Hendrix]
- “Aces High” [Iron Maiden]
- “Mr. Crowley” [Ozzy Osbourne]
- “Smells Like Teen Spirit” [Nirvana]
- “Hangar 18″ [Megadeth]
- “Aqualung” [Jethro Tull]

E minhas impressões positivas – mesmo ainda não tendo ouvido tudo – vão pras versões de “Aces High” e “Master Of Puppets”, bastante fiéis, inclusive nos solos. O ineditismo dalgumas versões como “Hangar 18″ comparece, assim como o espanto de terem também feito a parte cadenciada (meio samba, meio baião) final, com alguns dos solos constando: só achei que faltou fazer a soloiada toda, caralho!
A versão pra “Kashmir” faz total sentido, já que Jimmy Page nunca escondeu o apreço pelo blues estadunidense, de alguma semelhança tonal e timbrística com as modas de viola daqui. Achei bola dentro, assim como também a “Kaiowas” (zeppeliniana até o caroço, e daí pertinente), que ao mesmo tempo não achei tão fiel à original: por incrível que pareça, a do Sepultura tem mais groove. Talvez a dupla tenha querido fugir do óbvio scanner interpretativo, sei lá.
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As impressões negativas eu dou a “Smells Like Teen Spirit” e “In the Flesh”, que talvez eu estivesse lesado, por mal reconhecer elementos das originais nelas. E à obviedade de coverizarem “Aqualung” (acho incrível que muita gente talvez ache que Jethro Tull só teve ela a oferecer…), que aí já é chatice assumida deste que vos bosta (digo, bloga).
Assim como ao projeto em si, animador numa 1ª vista e ouvida, mas redundante e constante na mesma prateleira de versões inusitadas de hordas insólitas tipo Beatallica, Dread Zeppelin, Dokaka, Bloco Vomit, Apocalyptica e Señor Coconut, sendo dessas coisas que a gente ouve e desencana, servindo vez ou outra pra mostrar pra alguma visita curiosa que vem em casa.

Achei legais as ENTORTADAS RÍTMICAS concedidas aos sons, parecendo coisas compostas por aqueles violeiros do interiorzão. Será que rolará de tocarem em programas de Inezita Barroso ou Rolando Boldrin?
Chatices, ambivalências e prazos de validade à parte, acho que só me espantarei com álbum de versões agora que for de covers fiéis de Slayer tocados por filarmônica de agogôs e berimbaus.
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