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NÃO SAIU EM CD

“First”, Volkana, 1991, Eldorado

sons: DARKNESS / TO DIE IS NOT TO DIE / PET SEMATARY [Ramones] / THAT’S MY VICTORY / DESCENT TO HELL / SCRATCH NOISE / WAR? WHERE MY ENEMY LIES / SILENCE CITY / HIDE / VOLKANAS

formação: Karla Carneiro (guitar), Marielle Loyola (vocal), Mila Menezes (bass).

Special appearances: Sergio Facci (drums), Mariel Loyola (voice in “That’s My Victory”), Thayde (rap in “War? Where My Enemy Lies”), DJ Hum (scratch in “War?…”, “Descent to Hell” e “Scratch Noise”), Carlos Eduardo Miranda (noise guitar in “Descent to Hell”, tambourine in “That’s My Victory”)

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Em 1989 eu estudava na 8ª série e começava a ouvir metal. Por conta dos headbangers do fundão, começavam a me soar familiares nomes como Metallica, Slayer, Sepultura, Testament. (Gravei meus primeiros Slayer em fita, e ganhei no Natal daquele ano o vinil duplo do “…And Justice For All”). Gente que conheço hoje viu o Testament e o Nuclear Assault ao vivo naquele ano. E o Metallica no Ginásio do Ibirapuera (porra, foram 3 shows!). Tem gente que também viu o Nasty Savage, que voltou (e parece que não virou) e eu nem teria feito questão.

E eu ainda não lia a Rock Brigade. Revista de música que eu acompanhava era a extinta – e já decadente – Bizz. Que na edição de agosto de 89 (já tá acabando a introdução), em uma exígüa seção de ‘bandas novas’, falava e mostrava (em uma foto), o Volkana. Banda de metal só de mulher.

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Claro, eu ainda era novato na coisa, e tinha 14 anos. Portanto, a foto influiu BASTANTE na vontade de querer ver algum show ou comprar o disco delas logo que saísse. O disco, este “First”, só foi lançado em 1991, mas até aquele momento já tinha ido a uns 2 ou 3 shows delas. O 1º, no Centro Cultural Vergueiro, abrindo pros Inocentes (e ainda com uma baterista, Débora); outro, no Dama Xox, abrindo pro Vodu (que era horroroso – isso eu já falei aqui – e lançava um ep tosco, o “No Way”), e algum outro sei lá onde (abrindo pro Golpe de Estado?). Ambos já com o sumido Sérgio Facci, jamais efetivado, sempre dado como ‘músico convidado’.

Hoje vejo que nem eram tão gostosas. Jeitosinhas talvez (a baixista Mila tocando de shortinho, meiões e botas de boxe ainda considero uma ÓTIMA IDÉIA, e me chamava mais atenção). Mas por conta do ineditismo – “a 1ª banda feminina de thrash metal de que se tem notícia no Brasil”, “nova coqueluche (sic – argh!) roqueira do Planalto e tem levado mais de 300 pessoas a seus shows”, dizia o texto que acompanhava a foto na revista – elas até que tiveram ótima divulgação: tocavam direto no “Matéria Prima” e no “Som Pop” (tv Cultura), tiveram show transmitido em rádio (89 fm).


O som era thrash, mas não o Bay Area (palheteiro, técnico e seco), muito menos o europeu (de mais riffs e pegada): diria ser um thrash metal bem idiossincrático. Pois a Karla compensava limitações (apenas 3 sons no disco têm “tentativas” de solos) em palhetadas semi-punk, cujos buracos eram preenchidos pelo baixo motörheadiano da Mila (que usava Tagima – era endorsse; foram dos primeiros casos por aqui – que soava como Rickenbacker). O toque metal era cortesia do baterista, que longe de ser firulento ou carregado de 2 bumbos (usava pedal duplo na maioria das vezes), tinha uma pegada firme, viradas de acordo, um estilo próprio. E era titular no Vodu.

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E o vocal, em que se pesassem outras limitações, era o verdadeiro CALCANHAR DE AQUILES. Até hoje não consigo precisar se era um tom de voz inadequado (muito agudo, feminino demais, sei lá), ou se pelas linhas melódicas – em sua maioria bem aleatórias – mas Marielle segurava as pontas com algum carisma e boas letras. Embora destoando um pouco do som.

Sons mais rápidos como “Descent to Hell”, “War? Where My Enemy Lies” e “Silence City” (com vocalizações também mais graves) ainda descem redondo nesse quesito. Essas duas últimas, junto a “Hide”, “That’s My Victory” e “To Die Is Not to Die” [hit por aqui na Rádio Exílio] ainda contam com refrões marcantes que também compensavam. Porém, “Volkanas” e “Pet Semetary” (desnecessária – inclusive em suas vozes sobrepostas) ficaram estranhas.

Essas 2 últimas citadas são as que considero as mais fracas dum disco bastante homogêneo e até experimental. Não era tão moda ainda fundir metal e rap, e “Descent to Hell” e “Scratch Noise” (vinheta construída com scratches a partir de bases e grooves da banda), contêm intervenções do DJ Hum. “War?…” contém um rap em português entoado pelo Thayde que, salvo engano, é alguma citação de Shakespeare. Em “That’s My Victory”, o que rola é uma vocalização árabe próxima ao refrão, em época ainda anterior às fusões do heavy metal com tantos outros estilos. Legal.

“Darkness” tratava de aids e teve um clipe razoável, filmado ao vivo (mas com áudio do disco) nalgum show em Santo André, que passou bastante no Fúria Metal. Não só essa, mas também as demais letras, têm assuntos um algo mais interessantes que a média de clichês que a maioria das bandas brasucas apresentava. [E ainda apresenta]

“First” retratava uma banda inexperiente, porém promissora que, sei lá por que (só me resta hipotetizar), não deslanchou. Apesar dos pesares, um disco interessante que, inexplicavelmente – ainda – não saiu em cd (puta omissão da Eldorado essa), e que apontava caminhos pra banda. Exemplo: “Volkanas” tem uma levada meio “Kill ‘Em All” e ficou bastante heterogênea em suas várias partes, em estilo de composição que talvez se aperfeiçoasse em futuros lançamentos.

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E os futuros lançamentos FOI um 2º disco, “Mindtrips”, bastante descaracterizado dessa proposta raçuda inicial. Contava já com uma 2ª guitarrista mais técnica – uma tal Selminha – e uma vocalista idem (Cláudia França, que pra não soar perfeita ia muito na escola dos vocais James Hetfield pigarreados). As músicas vieram mais concisas, letras idem – e bem mais clichês – e meio que dali elas foram sumindo…

Da última que soube delas, tinham uma formação toda feminina novamente (talvez tivesse sido sempre o objetivo, o que acho meio besteira), com aquisição da ex-baterista do Kleiderman, Roberta Parisi, mas nem de show se ouvia falar mais. Uma última gravação que da banda tenho é versão fiel da mediana “I Love Rock’n'Roll” (Joan Jett), incluída numa coletânea indie obscura e metida a cult (pleonasmos…), “No Major Babies”, que ainda tinha uns sons válidos de Ratos de Porão, Gangrena Gasosa, Killing Chainsaw, entre outros.

Sei que Mila e Karla ainda trabalham em lojas de instrumentos lá na Teodoro Sampaio; da Marielle, lembro de tê-la visto em programas da tv Cultura (pra variar), como o Musikaos e o Turma da Cultura, tocando um som mais pop, num certo Cores D’Flores, legalzinho. Quanto a Sergio Facci, pra mim um desperdício e um mistério: provavelmente parou de tocar, pois nunca mais ouvi falar dele, nem de alguma outra banda de que fizesse parte. Será que virou crente?

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PS – Carlos Eduardo Miranda (aquele) não participou apenas guitarreando numa faixa e tocando pandeirinho noutra: foi também o PRODUTOR de “First”

PS 2 – “FUCK THE NEIGHBORS! PLAY IT LOUD”, consta maiúsculo na contracapa do disco

PS 3 – resenha publicada originalmente no meu blog solo, Thrash Com H, nos proterozóicos idos de 2004 (em 15 de Junho, precisamente), e reeditada aqui no Exílio Rock com sutis correções e adaptações

FUTURO DO PRETÉRITO

Passeio legal aqui em São Paulo é o Centro Cultural São Paulo, vulgo Centro Cultural Vergueiro, de opções culturais as mais abrangentes: cursos de desenho e canto gratuitos, sessões de cinema, de teatro e shows a custo irrisório (R$12 em média, com meia-entrada a R$6), a biblioteca bastante conhecida, a Gibiteca Henfil, farta, e também a Discoteca Oneyda Alvarenga, reativada em março último.

E motivo real deste post: trata-se de lugar onde fui algumas vezes recentemente com sujeito com quem trabalho (salve, Antonio Celso!), que é quase como uma FENDA NO TEMPO.

Explico: em tempos atuais de internet, mp3, iPod e Rock Band, o que pensar dum lugar onde se pode consultar ÁLBUNS como em biblioteca (ficha preenchida, número de tombo, essas coisas) e pedir pra ouví-los ali na hora, confortavelmente sentados em poltronas e a bordo de fones de ouvido?

Com o detalhe anacrônico maior de todos: álbuns que se ouve diretamente de vinis ou fitas cassete!

Tem cd’s (alguns) por ali também, assim como acervo incomensurável de discos de 78 rotações (pra dar idéia do quão antigos: há discos de Aracy de Almeida…), que disseram estarem sendo digitalizados.

Mas esse acervo tem também característica que pode afugentar muita gente por aqui: os álbuns, artistas e músicas são todos brasileiros. Não há nada gringo, por a ênfase ser música brasileira antiga: tanto que Antonio Celso andou por ali pesquisando Chiquinha Gonzaga, Orlando Silva e Carlos Galhardo, o que pra pessoas com igual apreço por PESQUISA, é coisa mais que valiosa.

Pois muitos desses artistas simplesmente não têm álbuns lançados em cd, havendo, quando muito, coletâneas mequetrefes e xexelentas da mesma dúzia de sons óbvios numas e noutras.

Material mais contemporâneo, tipo rock nacional de Titãs, Violeta De Outono ou Legião Urbana, encontra-se também disponível. Coisas mais metal, procurei e achei o “Arise” (Sepultura) vinílico e alguma coisa de Ratos De Porão, embora tenha vaga lembrança de ter também pesquisado Viper e Vodu, sem entretanto recordar haver visto registros ali de fato.

(memória é um troço traiçoeiro)

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Semana passada passamos por lá, e escolhi ouvir “Sonho De Um Anarquista”, do Bocato, álbum lançado pela Baratos Afins nos 80’s e JAMAIS RELANÇADO EM CD. Sons legais, capa genial (segue abaixo) e poltrona confortável tornaram a estada ali na Discoteca momento bastante agradável, o que probleminha básico com os fones (meio mau contato) nem conseguiu estragar.

Enfim: é programa que recomendo pra servir de pit-stop a quem passa por ali correndo e talvez prefira “matar” um pouco de tempo antes de encarar trânsito selvagem e/ou transporte público insalubre da hora do rush, ou mesmo por meros e puros ESCAPISMO e DESENCANAÇÃO. Ainda que a experiência pareça meio um mp3 a lenha.

Não precisa fazer cadastro, tampouco pagar nada.

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Fecho o post com aspecto reforçador da experiência temporalmente deslocada duma ida à Oneyda Alvarenga, assim como da audição do Bocato: uma citação contida na contra-capa desse Lp.

Que, em linguajar e ortografia que parecia já ultrapassado naqueles idos de 1987 (ano de lançamento), e que talvez representasse alguma brincadeira adicional (vai saber se não…), assim diz:

ESTA GRAVAÇÃO DE ALTA FIDELIDADE foi cientificamente planejada de modo a apresentar a mais alta qualidade de reprodução, qualquer que seja o fonógrafo usado, novo ou velho. Se V.S. possui um aparelho de som estereofônico, também êste disco apresentará um som de alta fidelidade perfeita. Em resumo, V.S. pode comprar êste disco sem o mais leve receio de que êle venha a tornar-se obsoleto no futuro.


Tornou-se, afinal?

(NO) ESCAPE TO THE VOID

Premissa básica deste post: o Sepultura sem o Max ñ existe.

(se quem lê discordar, melhor nem ler o resto)

Tentaram até existir, em vão: de minha parte, desisti no “Nation”, adquirido a 10 real usado, e que ainda penso mal ter valido 10 centavos.

Da parte da mídia metálica daqui, a paciência foi até grande: entretanto, parece-me que com os recentes conceituais – o do Inferno de Dante e o da Laranja Mecânica – vem resultando é algum respeito pela história e nome, que considerações mais interessadas. INDIFERENÇA, manjam? Ler o resto deste artigo »

Philips Monsters of Rock: Momentos Eternos

O "modesto" cast da edição de 1998 do Monsters.

1998. Era ano de eleição para presidente, onde FHC acabou se reelegendo. Ano de Copa do Mundo também, onde a Seleção Brasileira teve um desfecho trágico, tomando um verdadeiro sacode da França na Final. Mas, se para os lados do futebol as coisas não iam bem, para os fâs de rock n´ roll tudo era motivo de festa, afinal, a quarta edição do festival “Philips Monsters of Rock” estava confirmada para o dia 27 de setembro, no Ibirapuera.

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