
“13″, Shuvelhead, 1998, Outlaw Entertainment/ST2 Music/Universal
sons: HOG / THE LADY * / CHAINSAW * / WAIT FOR DARKNESS / BLACK IS ME * / NEED YOU / MIRRORS DON’T LIE / BROWN NOSER * / PIECE OF ME / HATE * / GET YOU / KILLING TIME / GOIN’ HOME
formação: Grant Onofrichuk (guitar, vocals), Patrick Pearce (drums), John Skarlatos (lead vocals, guitar), Rik Crowell (bass)
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Nunca ouviu falar do Shuvelhead? Beleza, nem eu!
Minha fonte preferida de pesquisas, o allmusic.com, sequer os cita, daí eu não saber discografia anterior ou posterior dos caras, muito menos ex-bandas ou incidentes dignos de menção. Mas se não os conheço, por que raios tenho o cd?
Porque houve época em que comprei bastante cd do site da Rock Brigade: era barato e prático (eu pagava um boletinho no correio, não muito longe de casa), e volta e meia tinha umas promoções do tipo ‘pague 2 e leve 3′ ou ‘cd’s de nome colorido, se juntar 3 sai 15 conto’, algo do tipo. Provavelmente pra inteirar uma dessas promoções, peguei “13″, ouvi uma vez ou outra e desencanei.
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A ficha pra resenhá-lo caiu na hora em que trocentas bandas (ah, nem tanto: umas 3 ou 4) recentemente lançaram, ou prometem lançar discos com 13 no título. Assim foi com o Overkill (“Killbox 13″), e com Anvil e Six Feet Under, que estão prestes a lançar discos zagállicos. Enfim…
Duvido que “13″ seja o 13º disco desses desconhecidos. Que pelo que a gente pega no encarte – que pra piorar, não tem letras – é/era canadense. E que pelo que a gente pega ouvindo, neste trabalho curto e grosso (de 10 sons propriamente, pois “Hog” é uma Harley chegando, “Goin’ Home” é a Harley indo embora, e “Killing Time”, em seu 1’15″, simula conversa e bebedeira entre os integrantes, entre um e outro som de garrafa de cerveja abrindo), é um hard/heavy legalzinho. Nada excepcional, e de nenhum som ou riff tão memorável, mas que pode sem susto ficar na prateleira ao lado do Black Label Society e dum Kyuss.
Acho que dá pra indicar sem medo ainda a quem curte Crowbar (pelo peso das guitarras, não pelos andamentos mastodônticos daqueles) e a quem acha o Grave Digger muito farofento.
encarte hiperbólico – e pelo jeito, também mentiroso – sobre a banda, colado aqui por pura falta de encontrar fotos deles
É mais metal que o Black Label (de matriz mais hard e country) e bem mais careta (reto) e trampado que o Kyuss; o baterista Pearce, por exemplo, mostra-se bastante comedido no uso de pratos, o que é até um atrativo, fora ser bastante atento aos grooves, nada excepcionais, mas tudo bem. Ataca de 2 bumbos em “The Lady”, que entrevê influências thrash metal dos caras.
As mesmas influências thrash que se notam nos sons mais trampados e maiores “Brown Nose”, “Piece Of Me” (que contém cavalgadas típicas) e “Hate” (que conta inclusive com um solo de baixo), e na timbragem, que como a resenha na Rock Brigade à época bem lembrava, têm muito de “Kill ‘Em All” – embora bem melhor gravado que aquele. Influência notória do Metallica acontece em certos instantes vocálicos (como em “The Lady”) e também na balada do disco, “Mirrors Don’t Lie”, que não chega a ser chupim, mas lembra razoavelmente “Fade to Black”. Os 2 guitarristas nem chamam tanto atenção: mesmo os melhores solos ou poucos momentos de harmonização guitarrística têm a ver com o som, estando também em doses comedidas.
“Black Is Me” tem um acento Black Sabbath interessante, ao final do riff principal, ao passo que “Wait For Darkness” conta com um refrão de forte acento hard rock oitentista (aquelas bandas hard mais sujonas, tipo Mötley Crüe e Faster Pussycat), sem entretanto queimar o filme (leia-se: bichices). “Get You”, por sua vez, me soa um tanto setentista, mostrando que os caras também ouviram muito Alice Cooper.
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Só que nada das referências que estou aqui elencando, tampouco os pontos fortes e fracos, tornam o material ruim, ou derivativo demais de fórmulas consagradas. Nada disso: o acento aqui é garageiro, de sons pra motociclistas ouvirem ou tocar de fundo em reuniões de Motos Clubes: se não chamar atenção a ponto de fulano querer comprar “13″, também não gerará maiores reclamações (tipo, ‘tira isso e bota um Motörhead‘). Pode ser que eu tenha ficado com tal “impressão motoqueira/motociclística” também pelas fotos: dum motor de Harley na contracapa, e dos caras bebendo nalguma garagem no encarte.
Time coeso, sons idem e um atrativo extra: parece ter encalhado nas lojas – ao menos aqui em São Paulo – onde se encontra facinho alguma cópia a 5 ou 10 contos: o selo ST2 investiu mas não divulgou muito…
Disco nota seis e meio, divertido. E legalzinho.
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PS – resenha feita num Thrash Com H que não mais existe, nos tempos de weblogger, em 27 de Março de 2005
PS II – quando cometi a resenha, ainda não conhecia o Metal Archieves (bizarro isso…). De modo que, ao requentá-la pra postar aqui, descobri o Shuvelhead ter se tratado duma banda que não vingou (só gerou este “13″) por ter “roubado” sons da banda anterior de Grant Onofrichuk, um certo Marauder (também canadense), cujo único disco, “You Have Been Warned!”, lançado 1 ano antes de “13″, contém simplesmente 8 SONS deste álbum aqui.

O roubo atribuído se deve ao Metal Archieves descrever que tais sons teriam sido compostos por Randy Janzen, vocalista desse ainda mais obscuro Marauder. E que por isso o Shuvelhead, formado por Onofrichuk com outros caras, não teria como dar em algo mesmo…
PS 3 – os sons acima asteriscados são os meus preferidos do álbum
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