Rock Brigade

Coisa rara no rock é alguém, ou banda, que funda um novo estilo ou estética. No heavy metal, tanto quanto, ou raro ainda mais.

Mas eis que nos 80′s um bando de branquelos alemães conseguiu o feito, cruamente de início, mas daí azeitando melhor a mistureba de Judas Priest + Iron Maiden (a Rock Brigade adorava chamá-los de “filhotes do Maiden“), andamentos emprestados do Metallica véio + pitadas de Rainbow e de Queensrÿche, cortesia esta, por sua vez, do vocalista canário do reino juntado ao bando, ave raríssima no estilo até hoje.

Não os culpo pelos imitadores beócios – Stratovarius, Edguy, Sonata Arctitica – que tudo fizeram pra diluir a receita. Tanto quanto os imitadores boçais destes, e seus vocalistas ridículos, que tornaram o metal melódico música de parquinho.

Disco clássico que teria ainda a 2ª parte lançada no ano seguinte…

“Keeper Of the Seven Keys – Part I”, 25 anos depois, o que legou?

Festival com mensagens ecológicas bastante importantes e variadas atrações, o SWU, realizado em Paulínia (interior de São Paulo), teve cobertura específica da ROCK BRIGADE no dia 14 de Novembro, dia das atrações mais pesadas, por nossos colaboradores Silvia da Silva e Luciano Lúcio.

Eles não chegaram a tempo de ver a volta dos Raimundos (em função do credenciamento de imprensa), nem o show do Duff McKagan’s Loaded, mas souberam se tratar de apresentações “bem recebidas”, embora o 1º não conte nunca mais com Rodolfo Abrantes e o 2º tivesse alguns sons do Guns N’Roses colocados no set, como “It’s So Easy”. Veio depois o Black Rebel Motorcycle Club, indie rock dos EUA, “com uma baterista esforçada” (para Silvia), que agradou ao pessoal fã de White Strips. Muito aguardada e “pra muitos, o melhor show do festival”, de acordo com a colaboradora, foi a apresentação do Down, no qual se ouviu Phil Anselmo como nos áureos tempos do Pantera e usando camiseta do Ghost, revelação do metal recente. Os demais integrantes pareciam tocar como fosse num ensaio, todos muito próximos e nem mesmo a falta de sons do Pantera pareceu desanimar a galera. Anselmo ainda cortou a testa como uma auto-microfonada. Na seqüência, o 311 entreteu a galera com alguns de seus hits radiofônicos, situados no momento específico pro público do Down ir tomar sua cerveja ou usar os banheiros químicos e o pessoal indie novamente se apossar da grade, pelo aguardo do Sonic Youth, que pareceu cumprir o que se divulgava, de ser o último show de sua longa carreira, em função do divórcio de seus líderes Kim Gordon (baixista) e Thurston More (guitarrista e vocalista). Destaque pra “Sugar Kane”, de rotação razoável na Mtv tempos atrás. O Primus tinha uma galera de fã-clube organizado bem em frente, portando camisetas e proferindo o grito de guerra “Primus sucks!”. Apresentando-se pela primeira vez no Brasil, vieram com um astronauta inflável no palco, telão psicodélico, um baterista diferente e o ex-Possessed Larry Lalonde na guitarra, tocando músicas de “Green Naugahyde”, seu recém-lançado álbum e deixando para o final os hits “Jerry Was A Race Car Driver”, “My Name Is Mud” e “John the Fisherman”. Les Claypool, para Luciano, “o maior baixista do mundo”, estava com o vocal um tanto “inaudível”. A seguir, Dave Mustaine e sua eterna picuinha contra o Metallica chamada Megadeth, veio e pareceu botar os decibéis em seus devidos lugares! Incomum abrirem com “Trust”, de fase mais comercial. A apresentação ainda contou com “Whose Life (Is This Anyway?)”, música nova do disco novo, “Th1rt3en”, que agradou ao mar de camisetas pretas que ainda berrou a plenos pulmões os hinos “Wake Up Dead”, “Holy Wars” e “Symphony Of Destruction”. O guitarrista novo, Chris Broderick, para Silvia, “não deixa saudades de Marty Friedman”; já o ponto negativo foi para o vocal de Dave Mustaine, inexplicavelmente sempre mais baixo nos shows. O Stone Temple Pilots é banda que aos colaboradores nunca agradou muito, mas contam ter agradado toda uma multidão saudosa dos hits “Wicked Garden”, “Vasoline”, “Plush”, “Big Bang Baby” e “Sex Type Thing”. Seu vocalista e ex-Velvet Revolver (ex banda também de Slash), Scott Weiland, dominou o palco, usou megaforne e foi secundado pelos outros integrantes, que pareciam apenas tocar. A espera pelo Alice In Chains era imensa, ainda mais a quem era moleque na época da moda grunge (alguém ainda lembra disso?) e agradou com a presença do novo vocalista, William DuVall. Todos seus hits fizeram parte da extensa apresentação, que deixou impressão duma banda de músicos também competentes (como o guitarrista Jerry Cantrell) que parece ter voltado para ficar. O show que fechou o dia e o festival foi o que mais dividiu opiniões: o Faith No More é uma banda que muita gente adora, outros simplesmente detestam. Tocaram vestidos de branco, “talvez homenageando os pais de santo daqui” (disse Luciano), fizeram número com crianças cantoras da favela de Heliópolis, afinados com a proposta engajada do festival e tiveram Mike Patton como total destaque, em meio às maluquices de sempre, como roubar a câmera e filmar o cinegrafista do canal de tv a cabo durante uma música, ir à platéia com microfone e tudo e proferir uns palavrões em português bem claro. Como foi também enquanto cantava “Evidences” em nossa língua. Não tocaram o que muitos fãs na internet esperavam, o álbum “King For A Day Fool For A Lifetime” na íntegra, que mesmo assim foi bem contemplado no set. Não faltaram “Epic”, “I’m Easy” e “Midlife Crisis”, assim como “insistentes pedidos da platéia” para que tocassem “Small Victory” e “Falling to Pieces”, ignoradas.

“13″, Shuvelhead, 1998, Outlaw Entertainment/ST2 Music/Universal

sons: HOG / THE LADY * / CHAINSAW * / WAIT FOR DARKNESS / BLACK IS ME * / NEED YOU / MIRRORS DON’T LIE / BROWN NOSER * / PIECE OF ME / HATE * / GET YOU / KILLING TIME / GOIN’ HOME

formação: Grant Onofrichuk (guitar, vocals), Patrick Pearce (drums), John Skarlatos (lead vocals, guitar), Rik Crowell (bass)

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Nunca ouviu falar do Shuvelhead? Beleza, nem eu!

Minha fonte preferida de pesquisas, o allmusic.com, sequer os cita, daí eu não saber discografia anterior ou posterior dos caras, muito menos ex-bandas ou incidentes dignos de menção. Mas se não os conheço, por que raios tenho o cd?

Porque houve época em que comprei bastante cd do site da Rock Brigade: era barato e prático (eu pagava um boletinho no correio, não muito longe de casa), e volta e meia tinha umas promoções do tipo ‘pague 2 e leve 3′ ou ‘cd’s de nome colorido, se juntar 3 sai 15 conto’, algo do tipo. Provavelmente pra inteirar uma dessas promoções, peguei “13″, ouvi uma vez ou outra e desencanei.

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A ficha pra resenhá-lo caiu na hora em que trocentas bandas (ah, nem tanto: umas 3 ou 4) recentemente lançaram, ou prometem lançar discos com 13 no título. Assim foi com o Overkill (“Killbox 13″), e com Anvil e Six Feet Under, que estão prestes a lançar discos zagállicos. Enfim…

Duvido que “13″ seja o 13º disco desses desconhecidos. Que pelo que a gente pega no encarte – que pra piorar, não tem letras – é/era canadense. E que pelo que a gente pega ouvindo, neste trabalho curto e grosso (de 10 sons propriamente, pois “Hog” é uma Harley chegando, “Goin’ Home” é a Harley indo embora, e “Killing Time”, em seu 1’15″, simula conversa e bebedeira entre os integrantes, entre um e outro som de garrafa de cerveja abrindo), é um hard/heavy legalzinho. Nada excepcional, e de nenhum som ou riff tão memorável, mas que pode sem susto ficar na prateleira ao lado do Black Label Society e dum Kyuss.

Acho que dá pra indicar sem medo ainda a quem curte Crowbar (pelo peso das guitarras, não pelos andamentos mastodônticos daqueles) e a quem acha o Grave Digger muito farofento.

encarte hiperbólico – e pelo jeito, também mentiroso – sobre a banda, colado aqui por pura falta de encontrar fotos deles

É mais metal que o Black Label (de matriz mais hard e country) e bem mais careta (reto) e trampado que o Kyuss; o baterista Pearce, por exemplo, mostra-se bastante comedido no uso de pratos, o que é até um atrativo, fora ser bastante atento aos grooves, nada excepcionais, mas tudo bem. Ataca de 2 bumbos em “The Lady”, que  entrevê influências thrash metal dos caras.

As mesmas influências thrash que se notam nos sons mais trampados e maiores “Brown Nose”, “Piece Of Me” (que contém cavalgadas típicas) e “Hate” (que conta inclusive com um solo de baixo), e na timbragem, que como a resenha na Rock Brigade à época bem lembrava, têm muito de “Kill ‘Em All” – embora bem melhor gravado que aquele. Influência notória do Metallica acontece em certos instantes vocálicos (como em “The Lady”) e também na balada do disco, “Mirrors Don’t Lie”, que não chega a ser chupim, mas lembra razoavelmente “Fade to Black”. Os 2 guitarristas nem chamam tanto atenção: mesmo os melhores solos ou poucos momentos de harmonização guitarrística têm a ver com o som, estando também em doses comedidas.

“Black Is Me” tem um acento Black Sabbath interessante, ao final do riff principal, ao passo que “Wait For Darkness” conta com um refrão de forte acento hard rock oitentista (aquelas bandas hard mais sujonas, tipo Mötley Crüe e Faster Pussycat), sem entretanto queimar o filme (leia-se: bichices). “Get You”, por sua vez, me soa um tanto setentista, mostrando que os caras também ouviram muito Alice Cooper.

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Só que nada das referências que estou aqui elencando, tampouco os pontos fortes e fracos, tornam o material ruim, ou derivativo demais de fórmulas consagradas. Nada disso: o acento aqui é garageiro, de sons pra motociclistas ouvirem ou tocar de fundo em reuniões de Motos Clubes: se não chamar atenção a ponto de fulano querer comprar “13″, também não gerará maiores reclamações (tipo, ‘tira isso e bota um Motörhead). Pode ser que eu tenha ficado com tal “impressão motoqueira/motociclística” também pelas fotos: dum motor de Harley na contracapa, e dos caras bebendo nalguma garagem no encarte.

Time coeso, sons idem e um atrativo extra: parece ter encalhado nas lojas – ao menos aqui em São Paulo – onde se encontra facinho alguma cópia a 5 ou 10 contos: o selo ST2 investiu mas não divulgou muito…

Disco nota seis e meio, divertido. E legalzinho.

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PS – resenha feita num Thrash Com H que não mais existe, nos tempos de weblogger, em 27 de Março de 2005

PS II – quando cometi a resenha, ainda não conhecia o Metal Archieves (bizarro isso…). De modo que, ao requentá-la pra postar aqui, descobri o Shuvelhead ter se tratado duma banda que não vingou (só gerou este “13″) por ter “roubado” sons da banda anterior de Grant Onofrichuk, um certo Marauder (também canadense), cujo único disco, “You Have Been Warned!”, lançado 1 ano antes de “13″, contém simplesmente 8 SONS deste álbum aqui.

O roubo atribuído se deve ao Metal Archieves descrever que tais sons teriam sido compostos por Randy Janzen, vocalista desse ainda mais obscuro Marauder. E que por isso o Shuvelhead, formado por Onofrichuk com outros caras, não teria como dar em algo mesmo…

PS 3 – os sons acima asteriscados são os meus preferidos do álbum

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