Ramones

Dá pra contar nos dedos duma mão do Lula, creio eu, os compositores ainda vivos que mereçam o epíteto de MONSTROS – e aqui deixo espaço pras menções mnemônicas a ex-Beatles, a Carlos Santana ou Jeff Beck, ou a integrantes de formações progressivas tiranossáuricas, Rolling Stones e/ou bandas jurássicas outras tantas.

Ennio Morricone, cuja biografia e maiores dados melhor se encontra em pesquisas na Wikipédia (aliás, uma página RIDÍCULA a ele dedicada), no site oficial – www.enniomorricone.it – ou ainda pelo Google, na comparação seria o monstro dos monstros, uma entidade, uma lenda por si.

Prestes a comemorar 83 anos, continua ativo nas trilhas sonoras de filmes, tendo lançado a 1ª em 1964 (segundo o www.allmusic.com, outro ótimo site referencial) e a mais recente, ano passado (“Baaria”). Já cometeu mais de QUINHENTAS e segue contando.

Alheio a badalações de crítica (praticamente nenhuma) ou reconhecimento da tal “indústria cinematográfica”, que apenas lhe deu um Oscar honorário em 2007, das mãos do Clint Eastwood. Em homenagem coerente, mas também simbólica, já que a despeito da variedade imensa de filmes que já sonorizou, o italiano ficou e ficará sempre conhecido como trilheiro de westerns.

Morricone praticamente forjou a sonoridade dos faroestes. Todo e qualquer um que surja ainda, irá sonoramente na cola das pistas por ele lançadas. Nas pegadas por ele deixadas pelo caminho poeirento entre o saloon e a forca.

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Mas o foco aqui é recomendar dvd com apresentações de orquestras por ele regidas nos últimos anos.

Sei lá quem lhe deu a IDÉIA SUBLIME, mas o fato é que duns 7 anos pra cá Morricone vem se apresentando com orquestras executando a nata de sua obra pelo mundo. Inclusive aqui no Brasil, em meados de 2004 ou 2005, tendo tocado no Teatro Alfa com preços pra lá de proibitivos: não me atrevi a ir, embora quisesse, em evento cujo ingresso mais barato custou R$ 750.

E como a lei de mercado vigente é a de nenhum show mais ficar em segredo, os dvd’s saíram aos borbotões. Importados, de show (aliás, concerto) em Veneza (vide acima), mas também em versão nacional, dum concerto em Munique com a Orquestra Filarmônica de lá e com acompanhamento dum certo Bavarian Radio Chorus.

Este aqui, que comprei num sebo a 15 contos e que, a despeito do complemento nominal idiota (“Eu Amo Cinema e Música”???), recomendo veementemente:

Haverá alguém que nunca ouviu uma música dele? Em havendo quem não se seduza com músicas das trilhas de “Cinema Paradiso”, “A Missão” ou “Os Intocáveis”, ao menos constam sons memoráveis da trilha de “Três Homens Em Conflito” aqui. Que é o que vale o investimento, e ponto final.

Melodias arquetípicas, arranjos inusitados (nos orginais, numa mistura de orquestra, primitivismo, música eletroacústica, rock, pop e jazz) e uma ASSINATURA facilmente reconhecível, a despeito dalguma contradição em se afirmá-lo: esse é Ennio Morricone, o mito.

E pra quem curte Ramones ou Metallica, seguem:

Imagem de Amostra do You Tube
Imagem de Amostra do You Tube

Recomendo ainda o contudente best of de capa horrorosa abaixo, que volta e meia vejo em oferta em sebos ou na Lojas Americanas.

Há quem venere Hans Zimmer, quem idolatre John Williams (ganhador de Oscar a granel) ou Angelo Badalamenti, ou simpatize com Mark Snow, Danny Elfman e outros. Mas Morricone come esses caras com farinha casca e tudo no molho do espaguete!

Duma série de 14 brincadeiras photoshópicas que um primo me mandou há tempos, e que descobri ser dum site (que achei bobo) chamado Nozes Na Frita – www.nozesnafrita.com.br

Foi já há mais de mês, em 17 de Junho passado, que tive oportunidade de ir ao Cinemark do Shopping Santa Cruz assistir, em 1ª mão, “Rush: Beyond the Lighted Stage”, em sala lotada de nerds comovidos a cada cena, cada depoimento, e a toda e cada passagem do documentário.

A única coisa de que me arrependo não ter feito naquele dia foi não ter aplaudido o filme ao final, como a maioria ali o fez. DEVERIA tê-lo feito.

Pra quem ainda não sabe de que se trata, é documentário realizado por Sam Dunn, antropólgo headbanger canadense outrora realizador de “Metal – A Headbanger’s Journey” e de “Flight 666″ *, documentário sobre o Iron Maiden, que chegaram a ter também seletas seções em cinema, no que vai se configurando alvissareira TENDÊNCIA DE MERCADO como, no mais, a reprise do “Big Four” prometida pro fim de semana atesta.

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Só que, ao contrário do do Maiden, no qual a banda representou e depôs nitidamente a contragosto (não?), “Beyond the Lighted Stage” contou com colaboração e imagens PRECIOSAS de arquivo de Lee, Lifeson e Peart.

Pra citar duas: 1) há o jantar em família em que Lifeson, visivelmente hippie e hormonal, anuncia aos pais e irmãos que não seguiria rumo tradicional de emprego convencional, carro do ano e alto salário (os últimos, não tinha como ele adivinhar eheh); 2) imagens da banda anterior, mais pra jazz, onde Peart tocava, em que o flagramos como o arquetípico adolescente desproporcional e desengonçado. Nerd puro, freak de doer.

Trunfos inequívocos do filme, que particularmente coloco na prateleira dos melhores já comentidos sobre uma banda, no nível do “End Of the Century”, póstumo polêmico dedicado ao Ramones, p.ex.

Chama atenção também, mesmo a banda tendo em torno de 40 anos ativa, e de 35 anos – minha idade! – com a formação consolidada em questão, NUNCA SE HAVER FEITO um documentário sobre a banda seriamente.

Claro que “Rush In Rio” tem lá um pseudo-documentário sobre a passagem em 2002 deles por aqui (mais um relato de turnê e bônus pra fã comprar o dvd oficial, que qualquer outra coisa) e o dvd comemorativo “R 30″ tenha lá seus trechos documentais e valiosas imagens de arquivo (tipo o Juno Awards canadense). Mas filme a eles dedicado, com aprofundamento de questões, revelações dos integrantes e depoimentos, foi a 1ª vez mesmo.

E depoimentos dos mais variados: para além dos óbvios Mike Portnoy e Les Claypool (que aparecem, feliz e infelizmente, bem pouco), passagens emocionadas do metidão Billy Corgan (Smashing Pumpkins, contando ter ficado 1 ano trancado no quarto tirando “2112″), Vinnie Paul (Pantera), Kirk “funcionário do mês” Hammett (fazendo caras e bocas que aprendeu direitinho com Lars Ulrich), Jack Black, Trent Reznor (do Nine Inch Nails), Gene Simmons (Banda Beijo; na 2ª passagem mais hilária do filme), e também das mães de Geddy Lee e Alex Lifeson e pai do Peart (revelando que, se não desse certo o teste dele no Rush, poderia voltar para trabalhar na loja de ferramentas da família), coisa e tal.

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Histórico disco a disco, fase por fase, também comparece suculento, de modo a agradar o fã mais fiel, embora eu particularmente lamente terem enfocado por cima os álbuns do fim dos 80′s (“Hold Your Fire” e “Presto”) e início dos 90′s (“Roll the Bones” e “Conterparts”), que talvez futuramente pudessem gerar, cada qual, seu próprio documentário específico. Sei lá, nerdice da minha parte.

Dunn não amenizou, tampouco o trio, a passagem ominosa vivida por Peart no fim dos 90′s, quando, por meses de diferença, perdeu a esposa devido a câncer e a filha num acidente de trânsito. É explicitada a legítima preocupação dos outros 2 com o cara, como também com os rumos da banda (sem a menor hipocrisia), assim como a mega viagem de moto por Peart empreendida para elaborar algum luto. E a difícil porém gratificante retomada (pra eles também), geradora do denso “Vapor Trails”.

Imagem de Amostra do You Tube

O fato de serem banda relegada pela crítica, até hoje, também é bastante contemplado, com a passagem mais hilária sendo a dos adjetivos consagrados à voz de Lee, sempre o TABU e aspecto mais incômodo do Rush, mesmo pra alguns fãs. “Mickey Mouse com gás hélio” é uma das pérolas citadas, e todos na sala racharam de rir.

E o que se vê (ao menos, eu vi) é a coesão dos três, verdadeiramente amigos, tremendamente respeitosos entre si, com uma ligação que excede/transcende o musical – cuja cena final, que achei também memorável, dos 3 jantando nalgum lugar enquanto riem de si mesmos como objeto dum documentário – pois parece ter sido o caso de 3 sujeitos completamente desajustados (freaks mesmo) que se encontraram e encontraram rumo na vida.

Assim como auxiliaram, e auxiliam, muita gente a encontrar o seu.

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É muita coisa contida, coisa demais pra ficar citando por aqui, por isso encerro o post recomendando a COMPRA do dvd, já lançado e devidamente legendado – acredito não ser só eu portador de “inglês intermediário II” por aqui – até como aperitivo do show anunciado para outubro. Do qual já consegui ingresso (ufa!).

Em suma: muito foda!

* entre “Metal” e “Flight 666″, Dunn realizou também um chamado “Global Metal”, sobre o heavy metal no 3º Mundo (“país em desenvolvimento” é o cacete!), que francamente não vi (só uns tecos em You Tube) e não conheço, mas deve ser bão.

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