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LEE, LIFESON E PEART

Foi já há mais de mês, em 17 de Junho passado, que tive oportunidade de ir ao Cinemark do Shopping Santa Cruz assistir, em 1ª mão, “Rush: Beyond the Lighted Stage”, em sala lotada de nerds comovidos a cada cena, cada depoimento, e a toda e cada passagem do documentário.

A única coisa de que me arrependo não ter feito naquele dia foi não ter aplaudido o filme ao final, como a maioria ali o fez. DEVERIA tê-lo feito.

Pra quem ainda não sabe de que se trata, é documentário realizado por Sam Dunn, antropólgo headbanger canadense outrora realizador de “Metal – A Headbanger’s Journey” e de “Flight 666″ *, documentário sobre o Iron Maiden, que chegaram a ter também seletas seções em cinema, no que vai se configurando alvissareira TENDÊNCIA DE MERCADO como, no mais, a reprise do “Big Four” prometida pro fim de semana atesta.

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Só que, ao contrário do do Maiden, no qual a banda representou e depôs nitidamente a contragosto (não?), “Beyond the Lighted Stage” contou com colaboração e imagens PRECIOSAS de arquivo de Lee, Lifeson e Peart.

Pra citar duas: 1) há o jantar em família em que Lifeson, visivelmente hippie e hormonal, anuncia aos pais e irmãos que não seguiria rumo tradicional de emprego convencional, carro do ano e alto salário (os últimos, não tinha como ele adivinhar eheh); 2) imagens da banda anterior, mais pra jazz, onde Peart tocava, em que o flagramos como o arquetípico adolescente desproporcional e desengonçado. Nerd puro, freak de doer.

Trunfos inequívocos do filme, que particularmente coloco na prateleira dos melhores já comentidos sobre uma banda, no nível do “End Of the Century”, póstumo polêmico dedicado ao Ramones, p.ex.

Chama atenção também, mesmo a banda tendo em torno de 40 anos ativa, e de 35 anos – minha idade! – com a formação consolidada em questão, NUNCA SE HAVER FEITO um documentário sobre a banda seriamente.

Claro que “Rush In Rio” tem lá um pseudo-documentário sobre a passagem em 2002 deles por aqui (mais um relato de turnê e bônus pra fã comprar o dvd oficial, que qualquer outra coisa) e o dvd comemorativo “R 30″ tenha lá seus trechos documentais e valiosas imagens de arquivo (tipo o Juno Awards canadense). Mas filme a eles dedicado, com aprofundamento de questões, revelações dos integrantes e depoimentos, foi a 1ª vez mesmo.

E depoimentos dos mais variados: para além dos óbvios Mike Portnoy e Les Claypool (que aparecem, feliz e infelizmente, bem pouco), passagens emocionadas do metidão Billy Corgan (Smashing Pumpkins, contando ter ficado 1 ano trancado no quarto tirando “2112″), Vinnie Paul (Pantera), Kirk “funcionário do mês” Hammett (fazendo caras e bocas que aprendeu direitinho com Lars Ulrich), Jack Black, Trent Reznor (do Nine Inch Nails), Gene Simmons (Banda Beijo; na 2ª passagem mais hilária do filme), e também das mães de Geddy Lee e Alex Lifeson e pai do Peart (revelando que, se não desse certo o teste dele no Rush, poderia voltar para trabalhar na loja de ferramentas da família), coisa e tal.

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Histórico disco a disco, fase por fase, também comparece suculento, de modo a agradar o fã mais fiel, embora eu particularmente lamente terem enfocado por cima os álbuns do fim dos 80’s (“Hold Your Fire” e “Presto”) e início dos 90’s (“Roll the Bones” e “Conterparts”), que talvez futuramente pudessem gerar, cada qual, seu próprio documentário específico. Sei lá, nerdice da minha parte.

Dunn não amenizou, tampouco o trio, a passagem ominosa vivida por Peart no fim dos 90’s, quando, por meses de diferença, perdeu a esposa devido a câncer e a filha num acidente de trânsito. É explicitada a legítima preocupação dos outros 2 com o cara, como também com os rumos da banda (sem a menor hipocrisia), assim como a mega viagem de moto por Peart empreendida para elaborar algum luto. E a difícil porém gratificante retomada (pra eles também), geradora do denso “Vapor Trails”.

Imagem de Amostra do You Tube

O fato de serem banda relegada pela crítica, até hoje, também é bastante contemplado, com a passagem mais hilária sendo a dos adjetivos consagrados à voz de Lee, sempre o TABU e aspecto mais incômodo do Rush, mesmo pra alguns fãs. “Mickey Mouse com gás hélio” é uma das pérolas citadas, e todos na sala racharam de rir.

E o que se vê (ao menos, eu vi) é a coesão dos três, verdadeiramente amigos, tremendamente respeitosos entre si, com uma ligação que excede/transcende o musical – cuja cena final, que achei também memorável, dos 3 jantando nalgum lugar enquanto riem de si mesmos como objeto dum documentário – pois parece ter sido o caso de 3 sujeitos completamente desajustados (freaks mesmo) que se encontraram e encontraram rumo na vida.

Assim como auxiliaram, e auxiliam, muita gente a encontrar o seu.

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É muita coisa contida, coisa demais pra ficar citando por aqui, por isso encerro o post recomendando a COMPRA do dvd, já lançado e devidamente legendado – acredito não ser só eu portador de “inglês intermediário II” por aqui – até como aperitivo do show anunciado para outubro. Do qual já consegui ingresso (ufa!).

Em suma: muito foda!

* entre “Metal” e “Flight 666″, Dunn realizou também um chamado “Global Metal”, sobre o heavy metal no 3º Mundo (“país em desenvolvimento” é o cacete!), que francamente não vi (só uns tecos em You Tube) e não conheço, mas deve ser bão.

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DINOSSAURO RECUSA FOSSILIZAÇÃO

A letra a seguir é de faixa bônus do “Rapture Of the Deep”, o último (de recente) álbum de inéditas do Deep Purple, já deste século.

MTV

I was driving through the night
Into an endless tunnel of fog
When it dawned on me something was wrong

I was in a trance, hypnotised
Bored beyond belief
I was listening to the same old song
I know every lick, every word
Every nuance
I’m on first name terms with the crew

But I’d better get used to this poop du jour
Sure as hell they won’t play anything new

Oh yes I love you really
Classic Rock Radio
Oh my dear it’s time for bed

Time for you to go
Everyone is asleep

The pirates took to the water stole the charts
But sadly that didn’t go down well with those upstairs
Who require loyalty

The establishment considered
That the uncontrolled appreciation of music
Was a danger to royalty
The mighty empire roared
As Cash ‘n’ Everitt on the high seas
Looked like they’d get blown out of the water

They did of course eventually come ashore
As meek as mice or to be more accurate
As lambs to the slaughter
Oh yes I love you really
I stand to attention

Oh Fanny, I love you dearly
Something else I should mention?
You sweet thing

Let’s not talk about MTV
I don’t even want to start
I want to take a look at Classic Rock Radio
We’re talking about the state of the art

Mr. Grover ‘n’ Mr Gillian
You musta made a million
The night that Frank Zappa caught on fire
Could you tell us all about it
Keep it short and use my version
Or everyone out there’ll think I’m a liar
We can speak about bananas for one second
Just because I understand
You have to get them off your chest

But in the meantime while your talking
Could you do some more of these here ID’s
And then this station might maintain some interest

Oh yes I love you dearly
But why do you exist?

Oh yes I love you really
Is there something that I missed?

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E embora me soe suficientemente clara (embora insuficientemente inteligível) a respeito de que se trata, tive maiores esclarecimentos a respeito dela quando vi uma entrevista – não na Mtv ahah – de Ian Gillan dizendo-se irritado com entrevistas que a banda tem que dar a cada álbum novo lançado nas quais entrevistadores (revistas, sites, rádios) insistem em só quererem saber dos tempos de “Fireball”, “In Rock” ou de quando compuseram “Smoke On the Water”.

Deve ser um SACO mesmo: você lança um trampo novo – e pouco importa se irrelevante ou aquém dos lançamentos clássicos – e só querem saber do teu passado. A informação acaba ficando em 2º plano, em detrimento do vender nostalgia.

Que é o que o recente nicho de mercado roqueiro, do Classic Rock, faz afinal.

Imagem de Amostra do You Tube

Isso posto, abstraio e estendo a questão para uma outra aresta e faceta da mesma letra e assunto: do quanto ENCHE O SACO ouvir rádio rock - e rádio de Classic Rock (nome aos bois: Kiss Fm) – e ouvir as mesmas uma, ou duas, ou meia dúzia, de sons de certas bandas.

Bandas como o Deep Purple, que têm uns 40 discos na bagagem, e de que se toca, quando muito, a mesma meia dúzia de 7 ou 8 sons. Com tanto som bom, não aproveitado… e até desse “Rapture Of the Deep”, a mim bastante convincente. E do qual nunca ouvi nada que não fosse aqui em casa.

Similar e curiosamente, vejo o mesmo ocorrendo com o Alice In Chains, banda não tão jurássica ainda, que voltou à ativa ano passado lançando o incrível “Black Gives Way to Blue”, mas de que se insiste em tocar sons apenas dos álbuns noventistas.

“Your Decision”, desse novo, até vem tocando um pouquinho. Ultimamente. Mas os outros 4 ou 5 sons de potencial radiofônico provavelmente serão tocados – se tornados “clássicos” – daqui uns 10 anos.

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Casos como os de Thin Lizzy e Jethro Tull então, vira covardia. Dos irlandeses raramente se ouve algo que não “The Boys Are Back In Town” ou “Jailbreak” – a não ser quando existindo pedido do público, em que algum devoto ousa fugir do óbvio – enquanto que dos segundos eu realmente ache ABSURDO que só se toque “Aqualung”.

Que é um som legal, de riff memorável e tudo. Mas, caralho, a banda ainda está ativa, com uns 25 álbuns, maioria acima da média (pra mim, que sou fã) e parece que só se conhece isso!!

Álbuns como “Minstrel In the Gallery” e “Heavy Horses”, pra ficar nos setentistas consagrados, acho até mais legais que o homônimo da faixa perseverada. E não fosse por isso apenas, os caras têm lançamentos oitentistas, como “Broadsword And the Beast”, “Crest Of A Knave” (ganhador daquele infame Grammy pra cima do Metallica) e “Rock Island”, ou mesmo o recentíssimo “J-Tull Dot Com” (1999), de pretensões comerciais assumidas. Não se toca porra nenhuma deles.

Bandas como Ramones, Black Sabbath, Queen e Rush escapam um pouco disso: têm lá cada qual sua dezena (dúzia?) de sons executados por aí; no entanto, Frank Zappa – de 60 álbuns lançados em vida – tem a mesma (chatinha) “Bobby Brown Goes Down” martelada, Dio tem lá umas duas ou 3 de sempre, e Led Zeppelin e o Pink Floyd uma meia dúzia: embora predominem as torra-saco “Black Dog”, “All My Love”, “Another Brick On the Wall, Pt. 2″ e “Wish You Were Here”.

Quem é que ainda agüenta?

Parece que muita gente, a julgar pela programação da Kiss e das poucas rádios rock (conheço ainda a 107,3 – finada Brasil 2000 – e ocasionalmente a Mitsubishi fm), que curtem ainda ouvir esses mesmos sons, dia após dia.

Desperdício isso, na minha opinião.

Por isso, o post vai em solidariedade a Ian Gillan e a todos os dinossauros ainda ativos que insistem em ser ouvidos: por que só Paul McCartney e Rolling Stones parecem ter habeas-corpus contra esse fenômeno?

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E a quem contra-argumentar que nem se ouve mais tanto rádio assim, apenas pergunto: é mesmo?

Porque aí então o dinossauro sou eu.

TROTES ANTOLÓGICOS EM VIDEOCLIPES

Falemos hoje novamente em videoclipes. Não necessariamente toscos – embora o 2º realmente o seja – mas possuidores em comum duma característica que exponho por aqui pra ver se há concordância.

Ou se seria viagem da minha cabeça apenas.

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Falemos em bateristas, gente muito agradável, afável e saudável. [O fato de eu ser um é mero acaso e não interfere em nada neste meu parecer isento (eheh)]. E que em não poucas bandas funciona como o gente boa, o amigão, o desopilador de plantão.

(o que não acontece nas bandas em que toco, mas porque sou um ogro, só por isso)

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JÁ DEU

Não sei o quanto se liga pra isso por aqui, mas aí vai…

Montes de notas sobre o Aerosmtv. Que lançariam trampo novo, que Steven Talarico caiu num palco tempos atrás, que o mesmo Tá-larico voltou pra clínica de reabilitação (e acho gente depois de velho, viciada, o ó do borogodó…), e que o Talarico estava fora da banda. Depois não estava. Daí estava, sim.

E daí, quem é que liga?

O mundo precisa de mais um álbum ou de mais uma turnê do Aerosmtv?

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