Pink Floyd

“Supplicamentum”, Gothic Vox, Cogumelo, 1992

sons: LAPSE* / TRUE FAITH / GRIND OF TEARS* / STRANGE DAY TO UNDERSTAND / ONE NIGHT / BEYOND HELP / SEARCH / SOMETIME* / MAKE BELIEVE / MATERNITY

formação: Kelson Frost (voz, letras), Reinaldo “Cavalão” (guitarra), Broa (bateria), Arthur (baixo), Fabim (guitarra)

Special Appearances: Walkitor (arabian voice), Paulinho (violin), Bruno (keyboards), Tarso Senra (some arrangements)
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Alguém mais, fora eu, tem esse disco? E por quê?

Da minha parte, assumo que o comprei numa London Calling da vida, numa época em que os vinis custavam de 1 a 3 reais e eu resolvi arriscar, apostando na capa, diferente, e na credencial de ser uma banda-Cogumelo…

O fato é que o Gothic Vox foi uma banda que nem vingou. Pelo que reli, duma Bizz véia (de agosto de 1992, única fonte de informação que tive), os caras enfrentaram CATÁSTROFES razoáveis para lançar “Supplicamentum”, 1º e único disco: o selo que o lançaria nem era o Cogumelo, e o foi porque esse tal outro faliu, teria sido gravado às pressas, e o guitarrista Reinaldo “Cavalão” morrera num acidente (não especificado) pouco antes de ser lançado o disco. O que gerou o encerramento das atividades, quando estavam recém-estreando!

Também sei lá se é útil indicar algum som preferido (embora constem asteriscados acima), porque provavelmente não se encontre na net (será?). Não me recordo também, nessas propagandas de relançamentos em revista, de haver sido feita uma versão cd. É, enfim, uma resenha sui generis esta aqui, assumo: 1) porque queria saber de alguém que soubesse algo (mais) sobre a banda; e 2) porque queria falar de um disco que só eu tenho, certamente, pra posar de from hell.

ahah

Mas quis resenhar isto aqui também por me servir de amostra daquilo que me pareceu uma banda até promissora. Infelizmente, a maioria das bandas segue essa rota, não o contrário. Se tivessem gravado pelo menos mais 1 disco, tudo o que soa como identidade própria – e há traços disso aqui, apesar das influências (e não plágio) de Voivöd, Killing Joke (ao invés de Prong, como forçava a Bizz), e até de Joy Division (o “gótico” da banda?) – ganharia melhor representação e um público interessado. Pra comparar com banda brasileira, é quase como tivessem sido uma versão mineira e um bocadinho mais técnica do finado Zero Vision, que por sua vez era mais dado a minimalismos e “industrialismos”.

É tudo bem gravadinho, sim, mas FALTOU PRODUÇÃO: em certos trechos dá pra imaginar mais peso nas guitarras e no baixo (como em “Strange Day to Understand”). “Lapse” e “Sometime”, mais pesadas, tornar-se-iriam hinos da banda – palpite. Mesmo tendo duas guitarras, tem hora que parece haver uma única e, em certos momentos, elas parecem separadas – cada uma prum lado, se é que dá pra imaginar isso. “Grind Of Tears” tem a demonstração de inventividade por parte dos caras: em meio a um relativo peso, entram uns licks de guitarra funk bem apropriados; no entanto, nesse mesmo som uma parte de solo soa muito limpa – pra efeito de comparação: imagine algum solo do Slayer com timbragem Pink Floyd, o que combina tal qual ovo frito com leite condensado. Mas aí em “Search” e “Maternity” eles se redimem com as guitarras ardidas favoráveis, ainda que só nas partes de solo…

Partes com violinos, em “True Faith” e em “Search”, tivessem sido mais adeqüadamente produzidas, surtiriam efeito psicodélico original, já que vão junto ao riff (na 1ª) e preenchem o som (parecem ter algum efeito) na 2ª… Em “Maternity” ficou legal, emprestando alguma morbidez sabbáthica à coisa.

****

Mesmo os instantes mais sombrios, melhor ressaltados, causariam melhor impressão. Sem isso, ficou uma coisa meio aquelas bandas paulistanas dos 80’ que queriam ser góticas ou pós-punk (e soavam meio frouxas), tipo Mercenárias e Vzyadoq Moe. Não soa tão CLAUSTROFÓBICO E AGONIADO assim, ficando pra quem ouve supor nas entrelinhas.

Tecnicamente, o baixo não comprometia (não fede nem cheira), os guitarristas eram bonzinhos, embora maior teor de palhetadas deixasse o som mais interessante – certos solos são bem legais, e têm mudanças de base em seus transcorreres – e o baterista Broa, pra mim, TINHA QUE TER algum pedal duplo. Se não pra disparar semicolcheias a esmo, ao menos pra fortalecer certos grooves, retos em demasia. (E poucas são as viradas, o cara era mais de pegada mesmo). Aliás, sou da opinião de que raros bateristas conseguem fazer som pesado sem um pedalzinho duplo, Nicko McBrain à parte…

Já o Frost vocalista é meio difícil colocar. O cara mais declama do que canta, e nos 5 primeiros sons até combina, dá uma cara diferente pra coisa; influências teatrais, dadaísta-surrealistas e tal. Mas de “Beyond Help” pra frente, enche o saco legal (assim como o som, q de heavy metal pende mais pra gótico – com batidas repetitivas inclusive): parece bêbado falando arrastado, fica choroso, querendo demonstrar DESESPERO E ANGÚSTIA, no que talvez o som pudesse fazê-lo mais a contento, pra efeito de complementar, mas não rolou bem.


Bão, pra uma banda que ñ vingou e que ninguém conhece, nem cabe falar mais coisa. Tendo na net, catem alguma coisa e comentem se falei bosta. Tivessem seguido em frente, talvez não conseguissem muita coisa também, sei lá: não dá pra saber mesmo. Ou tentariam chamar o Andreas Kisser pruma jam, chamando alguma atenção… Não, melhor imaginar algum futuro mais DIGNO (mesmo que o fim)…

****

* resenha originalmente publicada em 30 de Abril de 2004, no Thrash Com H antigo (provedor weblogger), porém recauchutada e adicionada de fotinhas

* a banda tem sim, um myspace. Fica em http://www.myspace.com/gothicvoox e contém 6 dos sons de “Supplicamentum” – “True Faith”, “Make Believe”, “Sometime”, “One Night”, Lapse” e “Strange Day to Understand” – pra devida apreciação

* lendo por ali, e também o texto de comunidade orkutiana a eles dedicada (e ambos os sites tendo o ex-vocalista mediando), dá pra supor o poderio (inclusive visual. Algo futurista e surrealista) da banda ao vivo, que certamente o disco não conseguiu REFLETIR com propriedade

A letra a seguir é de faixa bônus do “Rapture Of the Deep”, o último (de recente) álbum de inéditas do Deep Purple, já deste século.

MTV

I was driving through the night
Into an endless tunnel of fog
When it dawned on me something was wrong

I was in a trance, hypnotised
Bored beyond belief
I was listening to the same old song
I know every lick, every word
Every nuance
I’m on first name terms with the crew

But I’d better get used to this poop du jour
Sure as hell they won’t play anything new

Oh yes I love you really
Classic Rock Radio
Oh my dear it’s time for bed

Time for you to go
Everyone is asleep

The pirates took to the water stole the charts
But sadly that didn’t go down well with those upstairs
Who require loyalty

The establishment considered
That the uncontrolled appreciation of music
Was a danger to royalty
The mighty empire roared
As Cash ‘n’ Everitt on the high seas
Looked like they’d get blown out of the water

They did of course eventually come ashore
As meek as mice or to be more accurate
As lambs to the slaughter
Oh yes I love you really
I stand to attention

Oh Fanny, I love you dearly
Something else I should mention?
You sweet thing

Let’s not talk about MTV
I don’t even want to start
I want to take a look at Classic Rock Radio
We’re talking about the state of the art

Mr. Grover ‘n’ Mr Gillian
You musta made a million
The night that Frank Zappa caught on fire
Could you tell us all about it
Keep it short and use my version
Or everyone out there’ll think I’m a liar
We can speak about bananas for one second
Just because I understand
You have to get them off your chest

But in the meantime while your talking
Could you do some more of these here ID’s
And then this station might maintain some interest

Oh yes I love you dearly
But why do you exist?

Oh yes I love you really
Is there something that I missed?

.

E embora me soe suficientemente clara (embora insuficientemente inteligível) a respeito de que se trata, tive maiores esclarecimentos a respeito dela quando vi uma entrevista – não na Mtv ahah – de Ian Gillan dizendo-se irritado com entrevistas que a banda tem que dar a cada álbum novo lançado nas quais entrevistadores (revistas, sites, rádios) insistem em só quererem saber dos tempos de “Fireball”, “In Rock” ou de quando compuseram “Smoke On the Water”.

Deve ser um SACO mesmo: você lança um trampo novo – e pouco importa se irrelevante ou aquém dos lançamentos clássicos – e só querem saber do teu passado. A informação acaba ficando em 2º plano, em detrimento do vender nostalgia.

Que é o que o recente nicho de mercado roqueiro, do Classic Rock, faz afinal.

Imagem de Amostra do You Tube

Isso posto, abstraio e estendo a questão para uma outra aresta e faceta da mesma letra e assunto: do quanto ENCHE O SACO ouvir rádio rock - e rádio de Classic Rock (nome aos bois: Kiss Fm) – e ouvir as mesmas uma, ou duas, ou meia dúzia, de sons de certas bandas.

Bandas como o Deep Purple, que têm uns 40 discos na bagagem, e de que se toca, quando muito, a mesma meia dúzia de 7 ou 8 sons. Com tanto som bom, não aproveitado… e até desse “Rapture Of the Deep”, a mim bastante convincente. E do qual nunca ouvi nada que não fosse aqui em casa.

Similar e curiosamente, vejo o mesmo ocorrendo com o Alice In Chains, banda não tão jurássica ainda, que voltou à ativa ano passado lançando o incrível “Black Gives Way to Blue”, mas de que se insiste em tocar sons apenas dos álbuns noventistas.

“Your Decision”, desse novo, até vem tocando um pouquinho. Ultimamente. Mas os outros 4 ou 5 sons de potencial radiofônico provavelmente serão tocados – se tornados “clássicos” – daqui uns 10 anos.

.

Casos como os de Thin Lizzy e Jethro Tull então, vira covardia. Dos irlandeses raramente se ouve algo que não “The Boys Are Back In Town” ou “Jailbreak” – a não ser quando existindo pedido do público, em que algum devoto ousa fugir do óbvio – enquanto que dos segundos eu realmente ache ABSURDO que só se toque “Aqualung”.

Que é um som legal, de riff memorável e tudo. Mas, caralho, a banda ainda está ativa, com uns 25 álbuns, maioria acima da média (pra mim, que sou fã) e parece que só se conhece isso!!

Álbuns como “Minstrel In the Gallery” e “Heavy Horses”, pra ficar nos setentistas consagrados, acho até mais legais que o homônimo da faixa perseverada. E não fosse por isso apenas, os caras têm lançamentos oitentistas, como “Broadsword And the Beast”, “Crest Of A Knave” (ganhador daquele infame Grammy pra cima do Metallica) e “Rock Island”, ou mesmo o recentíssimo “J-Tull Dot Com” (1999), de pretensões comerciais assumidas. Não se toca porra nenhuma deles.

Bandas como Ramones, Black Sabbath, Queen e Rush escapam um pouco disso: têm lá cada qual sua dezena (dúzia?) de sons executados por aí; no entanto, Frank Zappa – de 60 álbuns lançados em vida – tem a mesma (chatinha) “Bobby Brown Goes Down” martelada, Dio tem lá umas duas ou 3 de sempre, e Led Zeppelin e o Pink Floyd uma meia dúzia: embora predominem as torra-saco “Black Dog”, “All My Love”, “Another Brick On the Wall, Pt. 2″ e “Wish You Were Here”.

Quem é que ainda agüenta?

Parece que muita gente, a julgar pela programação da Kiss e das poucas rádios rock (conheço ainda a 107,3 – finada Brasil 2000 – e ocasionalmente a Mitsubishi fm), que curtem ainda ouvir esses mesmos sons, dia após dia.

Desperdício isso, na minha opinião.

Por isso, o post vai em solidariedade a Ian Gillan e a todos os dinossauros ainda ativos que insistem em ser ouvidos: por que só Paul McCartney e Rolling Stones parecem ter habeas-corpus contra esse fenômeno?

*****

E a quem contra-argumentar que nem se ouve mais tanto rádio assim, apenas pergunto: é mesmo?

Porque aí então o dinossauro sou eu.

(Porque a internet foi criada, afinal, para conectar as pessoas, os mundos…)

.

Um blog de amigos, outro de jornalista que há muito acompanho (dos tempos de “Estação Shock”, na tv Manchete, e da revista “Ele & Ela” – devo ser o único freak que LIA TAMBÉM “Ele & Ela” ahah), o Jamari França.

Respectivamente

http://www.hellclub666.blogspot.com/

e

http://oglobo.globo.com/blogs/jamari/

E o quico de vocês estarem lendo esta bagaça?

Ambos os blogs postarem, em 11 de Março último, textos parecidos sobre mp3, ainda que por abordagens diferentes.

Grimal, também baterista do Chakal, postou lá no HELL CLUB algo singelamente intitulado “Mp3 é Igual Punheta”. França postou a notícia do Pink Floyd (modo de dizer) haver ganho causa contra a EMI, que garante a proibição da venda avulsa de suas músicas, sobretudo dos álbuns “Dark Side Of the Moon” e “The Wall”. No que assim resulta: pra comprar Pink Floyd, só os discos integralmente. Continue lendo

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