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VERSÃO
(Post contra-indicado pra quem curte Van Canto ou alega “vergonha alheia” como álibi caduco pra vergonha própria de assumir que curte Manowar)
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Ninguém me perguntou, mas dentre as razões por que eu curto Therion, e os considero a MELHOR das bandas de heavy metal “orquestradas”, “sinfônicas”, pinço estas:
1) mesmo tendo tido inúmeras formações ao longo da trajetória, com apenas o líder/dono/chefe Christofer Johnsson permanecendo, ainda assim a banda soa como BANDA, não como projeto umbigo
2) mesmo fazendo uso de lances pré-gravados (né, 14?) ao vivo, acionados pelo baterista em laptop vizinho ao chimbau, a banda é DE VERDADE em show, levando tenores e sopranos pra cima do palco
3) material disponível abundante, sobretudo seus últimos boxes – dos quais recomendo os antepenúltimo e penúltimo “Celebrators Of Becoming” (4 dvd’s + 2 cd’s) e “Live Gothic” (dvd + 2 cd’s) – no mais, pra lá de ace$$íveis: na Galeria encontra-se o 1º a módicos 60 paus e o 2º a uns 40
4) a tradição da banda já de perpetrar uns covers, maioria impecáveis, como “Under Jolly Roger” (Running Wild), “Children Of the Damned” (Iron Maiden), “Fight Fire With Fire” (Metallica), “Iron Fist” (Motörhead, mesmo sem orquestrações) e ousados (porque tornados diferentes. Ou a cara da banda), como nos casos de “Seawinds” (Accept) ou “Summernight City” (ABBA) e etc.
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Os caras, pra quem ainda não viu ou sabe, também coverizaram o Manowar.
“Thor”, no “Live Gothic” (show na Polônia) acima citado. Embora registrada em estúdio anteriormente no mezzo coletânea “Crowning Of Atlantis” (de 1999), de modo não tão bombástico. Pois esta abaixo, devido à vibração e formação menos austera no palco, ficou, pra mim, ainda MELHOR QUE A ORIGINAL. Pra quem duvidar ou se dispuser a contra-argumentar, ei-la:
Com uma observação por ora adicional:
percebe-se claramente, da parte da banda como também do público, a ambivalente postura a um só tempo SARRISTA e SÉRIA durante o som. Risos pra todo lado, estupefação coletiva e cúmplice, execução esmerada, maneirismos vocais propositais, martelo de brinquedo jogado ao público no final, cambalhotas no palco e ainda um bônus:
a parte em que o baterista Petter Karlsson canta a última estrofe, antes do solo. Hilária. Memorável.
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NÃO SAIU EM CD
“First”, Volkana, 1991, Eldorado
sons: DARKNESS / TO DIE IS NOT TO DIE / PET SEMATARY [Ramones] / THAT’S MY VICTORY / DESCENT TO HELL / SCRATCH NOISE / WAR? WHERE MY ENEMY LIES / SILENCE CITY / HIDE / VOLKANAS
formação: Karla Carneiro (guitar), Marielle Loyola (vocal), Mila Menezes (bass).
Special appearances: Sergio Facci (drums), Mariel Loyola (voice in “That’s My Victory”), Thayde (rap in “War? Where My Enemy Lies”), DJ Hum (scratch in “War?…”, “Descent to Hell” e “Scratch Noise”), Carlos Eduardo Miranda (noise guitar in “Descent to Hell”, tambourine in “That’s My Victory”)
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Em 1989 eu estudava na 8ª série e começava a ouvir metal. Por conta dos headbangers do fundão, começavam a me soar familiares nomes como Metallica, Slayer, Sepultura, Testament. (Gravei meus primeiros Slayer em fita, e ganhei no Natal daquele ano o vinil duplo do “…And Justice For All”). Gente que conheço hoje viu o Testament e o Nuclear Assault ao vivo naquele ano. E o Metallica no Ginásio do Ibirapuera (porra, foram 3 shows!). Tem gente que também viu o Nasty Savage, que voltou (e parece que não virou) e eu nem teria feito questão.
E eu ainda não lia a Rock Brigade. Revista de música que eu acompanhava era a extinta – e já decadente – Bizz. Que na edição de agosto de 89 (já tá acabando a introdução), em uma exígüa seção de ‘bandas novas’, falava e mostrava (em uma foto), o Volkana. Banda de metal só de mulher.
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Claro, eu ainda era novato na coisa, e tinha 14 anos. Portanto, a foto influiu BASTANTE na vontade de querer ver algum show ou comprar o disco delas logo que saísse. O disco, este “First”, só foi lançado em 1991, mas até aquele momento já tinha ido a uns 2 ou 3 shows delas. O 1º, no Centro Cultural Vergueiro, abrindo pros Inocentes (e ainda com uma baterista, Débora); outro, no Dama Xox, abrindo pro Vodu (que era horroroso – isso eu já falei aqui – e lançava um ep tosco, o “No Way”), e algum outro sei lá onde (abrindo pro Golpe de Estado?). Ambos já com o sumido Sérgio Facci, jamais efetivado, sempre dado como ‘músico convidado’.
Hoje vejo que nem eram tão gostosas. Jeitosinhas talvez (a baixista Mila tocando de shortinho, meiões e botas de boxe ainda considero uma ÓTIMA IDÉIA, e me chamava mais atenção). Mas por conta do ineditismo – “a 1ª banda feminina de thrash metal de que se tem notícia no Brasil”, “nova coqueluche (sic – argh!) roqueira do Planalto e tem levado mais de 300 pessoas a seus shows”, dizia o texto que acompanhava a foto na revista – elas até que tiveram ótima divulgação: tocavam direto no “Matéria Prima” e no “Som Pop” (tv Cultura), tiveram show transmitido em rádio (89 fm).

O som era thrash, mas não o Bay Area (palheteiro, técnico e seco), muito menos o europeu (de mais riffs e pegada): diria ser um thrash metal bem idiossincrático. Pois a Karla compensava limitações (apenas 3 sons no disco têm “tentativas” de solos) em palhetadas semi-punk, cujos buracos eram preenchidos pelo baixo motörheadiano da Mila (que usava Tagima – era endorsse; foram dos primeiros casos por aqui – que soava como Rickenbacker). O toque metal era cortesia do baterista, que longe de ser firulento ou carregado de 2 bumbos (usava pedal duplo na maioria das vezes), tinha uma pegada firme, viradas de acordo, um estilo próprio. E era titular no Vodu.
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E o vocal, em que se pesassem outras limitações, era o verdadeiro CALCANHAR DE AQUILES. Até hoje não consigo precisar se era um tom de voz inadequado (muito agudo, feminino demais, sei lá), ou se pelas linhas melódicas – em sua maioria bem aleatórias – mas Marielle segurava as pontas com algum carisma e boas letras. Embora destoando um pouco do som.
Sons mais rápidos como “Descent to Hell”, “War? Where My Enemy Lies” e “Silence City” (com vocalizações também mais graves) ainda descem redondo nesse quesito. Essas duas últimas, junto a “Hide”, “That’s My Victory” e “To Die Is Not to Die” [hit por aqui na Rádio Exílio] ainda contam com refrões marcantes que também compensavam. Porém, “Volkanas” e “Pet Semetary” (desnecessária – inclusive em suas vozes sobrepostas) ficaram estranhas.
Essas 2 últimas citadas são as que considero as mais fracas dum disco bastante homogêneo e até experimental. Não era tão moda ainda fundir metal e rap, e “Descent to Hell” e “Scratch Noise” (vinheta construída com scratches a partir de bases e grooves da banda), contêm intervenções do DJ Hum. “War?…” contém um rap em português entoado pelo Thayde que, salvo engano, é alguma citação de Shakespeare. Em “That’s My Victory”, o que rola é uma vocalização árabe próxima ao refrão, em época ainda anterior às fusões do heavy metal com tantos outros estilos. Legal.
“Darkness” tratava de aids e teve um clipe razoável, filmado ao vivo (mas com áudio do disco) nalgum show em Santo André, que passou bastante no Fúria Metal. Não só essa, mas também as demais letras, têm assuntos um algo mais interessantes que a média de clichês que a maioria das bandas brasucas apresentava. [E ainda apresenta]
“First” retratava uma banda inexperiente, porém promissora que, sei lá por que (só me resta hipotetizar), não deslanchou. Apesar dos pesares, um disco interessante que, inexplicavelmente – ainda – não saiu em cd (puta omissão da Eldorado essa), e que apontava caminhos pra banda. Exemplo: “Volkanas” tem uma levada meio “Kill ‘Em All” e ficou bastante heterogênea em suas várias partes, em estilo de composição que talvez se aperfeiçoasse em futuros lançamentos.
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E os futuros lançamentos FOI um 2º disco, “Mindtrips”, bastante descaracterizado dessa proposta raçuda inicial. Contava já com uma 2ª guitarrista mais técnica – uma tal Selminha – e uma vocalista idem (Cláudia França, que pra não soar perfeita ia muito na escola dos vocais James Hetfield pigarreados). As músicas vieram mais concisas, letras idem – e bem mais clichês – e meio que dali elas foram sumindo…
Da última que soube delas, tinham uma formação toda feminina novamente (talvez tivesse sido sempre o objetivo, o que acho meio besteira), com aquisição da ex-baterista do Kleiderman, Roberta Parisi, mas nem de show se ouvia falar mais. Uma última gravação que da banda tenho é versão fiel da mediana “I Love Rock’n'Roll” (Joan Jett), incluída numa coletânea indie obscura e metida a cult (pleonasmos…), “No Major Babies”, que ainda tinha uns sons válidos de Ratos de Porão, Gangrena Gasosa, Killing Chainsaw, entre outros.
Sei que Mila e Karla ainda trabalham em lojas de instrumentos lá na Teodoro Sampaio; da Marielle, lembro de tê-la visto em programas da tv Cultura (pra variar), como o Musikaos e o Turma da Cultura, tocando um som mais pop, num certo Cores D’Flores, legalzinho. Quanto a Sergio Facci, pra mim um desperdício e um mistério: provavelmente parou de tocar, pois nunca mais ouvi falar dele, nem de alguma outra banda de que fizesse parte. Será que virou crente?
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PS – Carlos Eduardo Miranda (aquele) não participou apenas guitarreando numa faixa e tocando pandeirinho noutra: foi também o PRODUTOR de “First”
PS 2 – “FUCK THE NEIGHBORS! PLAY IT LOUD”, consta maiúsculo na contracapa do disco
PS 3 – resenha publicada originalmente no meu blog solo, Thrash Com H, nos proterozóicos idos de 2004 (em 15 de Junho, precisamente), e reeditada aqui no Exílio Rock com sutis correções e adaptações
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BIG FIVE to EIGHT
Enquanto assunto periga já estar caducando, mas tudo bem.
É sobre as polêmicas geradas pelo Big Four (Anthrax, Megadeth, Metallica, Slayer). Inclusive ali pelo Fórum: tem gente que tiraria uma ou duas bandas (pra mim, o Anthrax recorreu ao STJD pra entrar, devia estar fora), gente que se mataria pra ver isso realmente ao vivo (e não no cinema), gente que incluiria Exodus e/ou Testament (sempre os mais cotados entre os “cortados”) e etc.
No Fórum, teve até quem viajou na idéia dum Big Four brasuca!
Que eu acho que NÃO TEM 4 bandas realmente fodas do metal brasuca pra juntar num show: Sepultura e Franga (digo, Angra) tentaram e fiascaram, pelo que soube…
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Mas o que eu realmente acho é que falta algum empreendedorismo em se fazer um OUTRO Big Four. Aproveitando o embalo caça-níquel da nostalgia que vende que nem pão quente. Um Big Five to Eight: bandas do 5º ao 8º lugar, SEGUNDA DIVISÃO do thrash metal mesmo, num mesmo palco.
Pois e se um Big Four do 5º ao 8º por acaso contasse com:
Testament
Exodus
Kreator
Overkill
Poderia não lotar um Morumbi, mas estrumbaria um Canindé.
Poderia não entrar nem em cartaz num Cinemark, mas caso tocassem só na Bulgária, constaria entre os mais vendidos dos piratex próximos à Galeria.
E, pessoalmente, mais que os 4 decaídos principais (me dói falar isso do Slayer, mas…), me animaria em sair de casa pra assistir. Mesmo o Kreator, dentre esses, estando meio caído já há um tempo (faria a vez do Anthrax eheh). E com o bônus de curtirmos músicas novas TAMBÉM, não só velharias tocadas com tons atrás e esforço ou jams demagógicas.
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NÃO SAIU EM CD
“Histórias De Sexo & Violência”, Replicantes, 1987, RCA/Plug
sons: CHERNOBIL / SANDINA / ÁFRICA DO SUL / MISTÉRIOS DA SEXUALIDADE HUMANA / ADÚLTERA (censurada) / SEXO E VIOLÊNCIA / PASSAGEIROS I / ASTRONAUTA / FESTA PUNK / NICOTINA / AMOR EU PRECISO / TOM E JERRY / MENTIRA / PASSAGEIROS II
formação: Cláudio Heinz (guitarra), Carlos Gerbase (bateria, backing vocal, vocal em “Amor Eu Preciso”), Heron Heinz (baixo), Wander Wildner (vocal, baixo em “Passageiros I” e “Passageiros II”, guitarra em “Amor Eu Preciso”)
participações: Luciana Tomasi (teclados em “Sandina”, “Mistérios da Sexualidade Humana”, “Astronauta” e “Amor Eu Preciso”), Zico (guitarra em “Adúltera”), Andrea Gerbase (backing vocal em “Festa Punk”), Raul Plentz (alarme nuclear em “Chernobil”)
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A resenha da vez se pretende específica pra quem tem irmão, irmã ou primos mais novos emos. Pra quem os considera a vergonha na família, muda de lado da rua se os/as vê chegando, ou simplesmente chega à conclusão de terem sido trocados na maternidade com o parente certo (que certamente está a gerar atritos na família de pagodeiros onde foi parar).
Pois os dias de hoje vêm fazendo justiça e injustiça simultâneas aos Replicantes: por um lado, a banda está em evidência e na mídia – numa certa mídia – como jamais esteve, mesmo nos anos oitentistas de discos por multinacional (e isso se deve também pela volta de Wander Wildner ao posto de vocalista – [já "desvoltada" neste 2010]). Só que por outro, “Histórias De Sexo e Violência”, clássico inominável de tão clássico, jamais saiu – e jamais sairá – em cd, como também não o anterior/estréia “O Futuro É Vortex” (dos clássicos “Surfista Calhorda”, “Hippie-Punk-Rajneesh” e “Por Quê?”) e o posterior (mais fraco e último pela BMG-Plug) “Papel de Mau”. O que existe no mercado é uma coletânea mulambenta juntando 20 sons aqui e ali dos 3 álbuns, sem nada de capas originais, nem encarte decente e provavelmente já fora de catálogo.
Só que a contemporaneidade é a dos tempos de Internet: por isso só buscar e baixar. E não só um ou outro som, mas o álbum como um todo. Por ser este o caso de disco de que mesmo os sons mais fracos (pra mim, só “Tom e Jerry”) acabam fazendo parte do todo, tornando-se indissociáveis do conceito “histórias” e de “de sexo e violência”. Dá quase pra forçar e chamar de ÁLBUM CONCEITUAL, embora não seja, tamanhas a inspiração e coesão entre as 14 faixas.
A gauchada aqui é considerada punk, mas na minha modestíssima opinião sempre esteve mais pra hardcore, embora alguns passos além destes também (e a base de comparação é o hardcore oitentista, não o fofolete atual), embora também estivessem alguns passos à frente. E o afirmo com base na Postura e nas Letras, sobretudo.
Postura: poucas bandas no Brasil levaram tão a sério e a fundo o “faça você mesmo” do punk inglês como eles. Já em meados dos 80’s comercializavam eles mesmos as próprias fitas demo (e não tenho certeza se também de outras bandas), por um selo chamado Vortex, deles próprios. E desde então dispunham de material gravado em vídeo (lançado à época em VHS e ultimamente prometido para DVD), com apresentações das mais surreais:
lembro haver passado na tv Gazeta em 1989 isso, eles tocando “Mentira” pra presidiários no interior do RS, falando besteira e ouvindo Metallica (“Disposable Heroes”) em ônibus a caminho de show, estreando sons em botecos porto-alegrenses, ou ainda divulgando o vídeo de “Surfista Calhorda”, à época gravado em super-8, e pra mim o melhor videoclipe nacional de todos os tempos. Coisa do baterista Gerbase, que alguns podem insolitamente reconhecer como diretor de cinema nacional (dirigiu “Tolerância”, um dos 4 filmes brasileiros realmente dignos de se assistir – minha reles opinião). Se por um outro lado isso tudo revelava também um pessoal de melhor poder aquisitivo em relação aos punks de periferia nacionais, ainda assim tal condição não atestava conformismo ou postura playboyzada em relação à vida.
Nas letras, os caras se distinguiam (e ainda se distinguem) do punk paulista consagrado e emérito – mas também algo sisudo e bitolado – por fugirem, nas letras de protesto (mas não só), da dicotomia viciada e limitada do “nós oprimidos versus o sistema tirano”: “Chernobil” fala de usinas nucleares, bradando “eu ñ quero a bomba nuclear” em 1ª pessoa; “Nicotina” é som anti-tabagista, mas feito por fumante (Cláudio Heinz), com toda a aparente contradição exposta. O mesmo se dá em sons mais… sentimentais, como “Sandina” (em 1ª pessoa a estória dum sujeito deixado pra trás por uma mina q o troca por “um sandinista especialista em granada de mão”), em “Amor Eu Preciso” (q a letra é o título repetido ao longo do som, sem soar ridícula) ou na melhor do disco, “Astronauta”, também estória de pé na bunda – sujeito na Lua toma um fora e vem pra Terra cair na farra e descolar mulher-robô.
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Ao mesmo tempo, alguns dos sons revelavam melhor cultura geral em relação aos demais punks e hardcores à época: “Sandina” trata de guerrilhas na Nicarágua; “Sexo E Violência” (de título homenageando Exploited?) fala de Chuck e Jack, estuprador e estripador, que “trabalhavam em dupla, mas se detestavam”, enquanto “África do Sul” tratava do ainda vigente apartheid (“cansado de apanhar, cansado de miséria, o negro vai matar o branco!”).
“Mistérios da Sexualidade Humana” não vai nem no protesto nem na onda de crônica urbana, mas fala de sexualidade adolescente (gravidez, punheta, filme pornô) como não vi ninguém ainda fazer; “Festa Punk” lista bandas e bandas, divertidamente. Abordagens amplas e certeiras de temas, nada repetitivas e enfadonhas: em nenhum momento o ouvinte se sente catequizado ou instado a tomar o lado “fraco” na batalha contra o Sistema, o Capitalismo, ou coisa que o valha; muito pelo contrário, tende a se sentir informado, algo bem diverso.
Ainda outro ponto das letras é o referente à de “Adúltera”, da qual não se ouve a mesma que, supostamente forte, foi CENSURADA pela PRÓPRIA GRAVADORA, que omitiu as estrofes no ÁUDIO! Sim, o que existe é Wander Wildner, após os intervalos consagrados às estrofes, apenas berrar o refrão “adúltera, adúltera, adúltera”. Contundência (da banda) é pouco, e barbaridade (da gravadora), idem: não me recordo de qualquer episódio no rock, pop, metal ou punk nacional revelador de tamanha arbitrariedade. *
Pra falar um pouco do som, das músicas, temos em “Histórias De Sexo e Violência” uma banda fraca tecnicamente – e o solo guitarrístico em “Festa Punk”, pra exemplificar, perpetua a indigência do solo de “Surfista Calhorda”: fraco, fraco… – mas que, por outro lado, se revela bastante criativa: inexiste aqui qualquer som de 3 ou 4 acordes repetidos do início ao fim. “Nicotina” e “Amor Eu Preciso” contêm seqüências de acordes q quase lembram riffs (dá pra tirar como riff); “Chernobil” e “Tom e Jerry” são guiadas por dissonâncias ou microfonias; “Astronauta” é quase heavy metal, numa combinação acordes + feedbacks + tambores ímpar.
Pra falar na bateria: pouco existe daquele “taco-taco-taco” reto e idêntico ao longo dos sons; Gerbase trabalhou bastante com os tons, com breques e seguradas (“Sandina”), fora pratadas pra reforço em refrão (“Mistérios da Sexualidade…”). Se a pedida for sair batendo cabeça (sim!) ou pogar no sofá da sala, as cadências impostas por Gerbase em “Chernobil”, “Adúltera” e “Mentira” são o que há de mais apropriado (a 2ª, ainda mais: quando se pensa que o som acaba, a batida volta vertiginosa e impele a se sair chutando o ar).
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É complicado. E talvez me tenha sido das resenhas mais complicadas até hoje de se fazer: por conta da sensação de se poder escrever um livro sobre este álbum sem que noções precisas ou aproximações minimamente razoáveis saiam a contento. Não sai, não há como. O que fica é o seguinte: jamais os próprios Replicantes replicaram (ops!) – ou haverão de replicar – toda a contundência, virulência e criatividade – quase que ia esquecendo de falar dos teclados com flanger em “Astronauta”, favorecendo ainda mais peso e dando todo um clima único – deste “Histórias De Sexo e Violência”, álbum clássico, clássico, clássico. Que não virou bolor após 23 anos. E obrigatório.
Obrigatório. Obrigatório.
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PS – resenha publicada originalmente em meu blog solo, o Thrash Com H, em 7 de Julho de 2006, quando o mesmo era do provedor weblogger, que era uma bosta e um dia acabou
PS 2 – no www.thrashcomh.com.br atual, acabei de reprisar resenha duma outra banda também jamais lançada em cd, o Corpse, que era daqui de São Paulo e eu duvido que alguém conhecesse
* arbitrariedade ocorrida em “Adúltera” descobri pouco tempo depois ter também ocorrido em “Por Que Não?”, dos próprios Replicantes no disco de estréia, que mandava Caetano Veloso ir pra “puta que o pariu”, mas a gravadora não deixou, apagando o verso
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NÃO SAIU EM CD
“The Final Conflict”, Vodu, 1986, Rock Brigade Records
sons: CONTRADICTIONS / WHAT AN IRONY / HOW CAN YOU BELIEVE? / THIS IS NOT YOUR WORLD / ENDLESS NIGHTMARE / NUCLEAR DELIRIUM / FINAL CONFLICT / LET ME LIVE (I DON’T WANNA DIE)
formação: Andrews Góis (vocal), Bruno Bontempi (guitarras), André ‘Pomba’ Cagni (baixo, backing vocals), Sérgio Facci (bateria)
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Esta é uma das vezes em que voltar ao material da banda resenhada (e, neste caso, à fita Basf gravada há anos), obrigou-me a rever conceitos e a reconsiderar a banda em questão.
Porque o Vodu, das bandas oitentistas brasucas, sempre foi o patinho feio. O tipo da banda que eu muito agradecia não entrar no embalão das voltas das bandas que foram sem nunca ter sido [ainda que em meados de 2006 tenham feito alguns shows de retomada que, ao que consta, deram em nada. De novo]. Os motivos principais pra desdém, fora o que dizem das capas toscas (e só acho a de “Endless Trip”, último deles, realmente ruim) eram musicais propriamente: metade da banda era ruim. Muito ruim. Estamos falando dos vocalistas – aqui o tal Andrews Góis, mas Cláudio Vitorazzo, sucessor, foi quem se “consagrou” à frente da banda, e queimou o filme sem perdão – e do guitarrista Bontempi, que se não era assim um horror completo, eu achava… ahn… um tanto inexpressivo.
A outra metade, já não: mesmo ostentando os cacoetes mais steveharísticos duma banda nacional (esqueçamos o Fates Prophecy, que busca copiar, na cara dura, o Iron Maiden, e ainda acha legal) em todos os tempos – o que garante até hoje umas risadas descrentes (até pôr pés nos PA’s fazia) da parte de quem lembra – o baixista André ‘Pomba’ Cagni segurava MUITO bem as pontas. E Sérgio Facci, o baterista…
Não eram tempos ainda dos IG&T’s da vida, de molecada a granel distribuindo técnica a rodo, ostentando patrocínios e de músicos de workshop louvados como gênios entre nós privilegiados mortais (faça sua associação com quem quer que apareça de monte nas colunas sociais das revistas e sites musicais). À época Igor Cavalera já vinha sendo falado, e Ricardo Confessori passava pelo Korzus, mas embora não portasse aquela técnica dantesca e embasbacante, considero Facci o melhor baterista do metal nacional oitentista. Pois não a tôa, fora o trampo no Vodu, era integrante temporário-que-ficou-definitivo no Volkana e tocou no incensado (sei lá por que) “Theatre Of Fate”, do Viper. Sujeito requisitado que nunca mais se ouviu falar. Por onde andará Sérgio Facci?
Os tempos eram outros também em termos de promoção e/ou jabá. Ainda que Pomba escrevesse na Rock Brigade, a publicação pouco louvava a banda – preferiam, ao contrário, apostar nas ‘revelações’ Viper – em atitude que, se foi de resguardo do próprio Cagni, palmas pra ele, enquanto que, por outro lado, poderia ter se dado um pouco mais. (Terão sido também tempos de maiores pudores editoriais?).
“The Final Conflict” não é esse horror de trampo que as lembranças do Vodu deixaram. E o digo por 2 aspectos chamativos à 1ª ouvida: 1) foi trampo de gente que conhecia heavy metal bem mais que superficialmente (em tempos atuais, de gente que monta banda e mal conhece bandas com mais de 15 anos ou 3 álbuns, é dado deveras considerável), com idade e bagagem, o que dá alicerce a uma banda; 2) e por mesmo eu não tendo as letras (se à época em que gravei as copiei, perdi…), perceber o inglês utilizado ser mais do que os “Ccearás” ainda muito em voga, e bastante típico do metal oitentista. Aquele de se fazer a letra em português e passar pro inglês com dicionário a tiracolo.
Ainda sobre o conhecimento de causa: chama positivamente atenção um disco de 1986 – quando não havia Internet e cuja solução pra muitos dos problemas de querer se conhecer uma banda era comprar cassete pirata na Woodstock – conter referências tão claras a Metallica (como “This Is Not Your World”, bem “Kill ‘Em All” ), Ozzy fase Rhandy Roads (em muitas das palhetadas, ainda não propriamente thrash), Judas Priest, Helloween “era Kai Hansen” e, claro, Iron Maiden fase Paul D’Ianno (“How Can You Believe”, na altura de seus 3’20” deixa isso BEM CLARO, e a faixa-título contém um “au-au” final característico).
Os dotes steveharrísticos de Pomba citados têm seu componente bastante apreciável: muitos são os trechos de solo em que a base foi feita por ele, assim como trechos harmonizados guitarra-baixo bastante competentes e não exatamente xerox de sons do Maiden (“What an Irony” acho não menos que fantástica).
Volto a especular por um não reconhecimento devido: talvez porque fossem feios e o baterista, japonês. Talvez cheirassem mal. Não sei, não entendo um álbum como “The Final Conflict” sequer ser resenhado como dos álbuns clássicos do metal nacional. Reverência a bandas ditas pioneiras (tipo Dorsal Atlântica, Sarcófago ou Stress – que só gravou 1 álbum) ou às tidas como clássicas e/ou sobreviventes (Necromancia, Korzus) ou ainda às q vêm voltando (Holocausto, Chakal, Atômica, Viper) abundam, sendo que, para comparar com os tão bem-falados Viper, o álbum aqui apresenta produção muito superior a de seus 2 primeiros e clássicos álbuns, no mais bastante derivativos de Maiden, Helloween e do metal melódico que nascia. O Vodu ficou num limbo, em que não foram pioneiros nem revelação…
Tá certo que alguém pode objetar quanto a um certo modo abafado com que foi gravado ou mixado, mas é álbum muito mais audível do que nossa memória teima em lembrar dos discos metálicos brasileiros da época. E não é tão cru como um “Simoniacal” (MX). Nada assim gritante mesmo, e que talvez tivesse ocorrido devido ao EQUIPAMENTO disponível na época, já que inexistiam instrumentos de qualidade, muito menos pedais como os de hoje (e aí volto à inexpressividade do guitarrista possivelmente por conta disso, como ainda por a mim faltar uma 2ª guitarra propriamente solo na formação dos caras: teria dado uma encorpada).
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Um outro dado que talvez tenha impossibilitado assimilação ou reconhecimento adequado do álbum é o fato de muitos sons serem compostos dum número excessivo de partes: coisa de quem claramente tinha excesso de idéias e não atinava em poder decompor certos sons em 2 ou 3 fácil fácil. “How Can You Believe” é exemplar nesse aspecto: em seus 6’20” – que parecem ter 10’ – é um ir e vir de partes bastante interessante pros mais atentos ou músicos, mas que talvez ao vivo impossibilitassem um bangear seguro e confortável… “Let Me Live (I Don’t Wanna Die)” vai nessa onda também, com requintes técnicos guitarrísticos a despeito do equipamento. E mesmo em seu início contendo algo como o guitarrista querendo mostrar mais do que sabia ou conseguia fazer (umas coisas meio harmônicos q ficaram meio chôchos).
“This Is Not Your World”, que passa de 5 minutos, fica mais adequada nesse sentido, e embora alterne partes rápidas (a la speed metal) com outras mais na manha (como aquelas ‘lentas’ em “Phantom Of the Opera”, do Maiden) e cavalgadas maidenianas, soa mais como gente talentosa buscando compor baseado em padrões das bandas preferidas e almejando identidade própria. “Endless Nightmare”, que apresenta 4 partes diferentes ainda antes de entrar o vocal também atesta a impressão. Já os 2 primeiros sons vão numa veia mais direta – não chegam a 3 minutos – e calha serem os primeiros a se baixar (haverá na net?) ou ouvir.
E quero deixar claro, a quem conhecer o trampo e a quem vir a fazê-lo, que estou descontando o TRAMPO VOCAL, repleto de cacoetes hoje consagrados pelo Massacration e Massacrations Cover (Primal Fear, Hammerfraco, essas nhacas): seja os gritinhos épicos-heróicos ao início ou ao fim (“Contradictions”, “This Is Not Your World”) ou um excesso de “Ô-ô-ô” ou “Ô-ô-Ô-ô’s” (que em “Let Me Live (I Don’t Wanna Die” é até constrangedor) meio Manowar.
Som ruim ou dispensável, a meu ver, apenas “Nuclear Delirium”, com intro de guitarra limpa + voz (numa outra referência ao Metallica?) em que o “Ô-ô-ô” cansa. No mais, e no geral, notadamente se percebe uma temática social-política dos tempos de Guerra Fria vigente. Nada de demo, castelos, princesas, enfim.
Pra concluir, o seguinte: se proximamente nalguma revista ou site metálico legal por aí rolar alguma resenha sobre o Vodu ou sobre a IMPORTÂNCIA de qualquer um de seus 3 álbuns (“The Final Conflict”, “Seeds Of Vengeance”, “Endless Trip”) ou ep (“No Way”), lembre-se que o Exílio Rock revisitou a banda ANTES! ahah
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PS – André “Pomba” Cagni é hoje editor da Dynamite (revista e site), como também duns zines GLS e ataca de DJ na noite paulistana em casas de tecno, GLS ou não. Somado isso ao sumiço dos outros integrantes (só tinha ouvido falar que o Vitorazzo entrara pro 365 tempos atrás), é líquido e certo que o Vodu não volta. Mas poderia ter os álbuns relançados em cd…
PS II – resenha publicada originalmente em janeiro de 2006 no meu blog solo, o Thrash Com H, que à época era num provedor ruim (weblogger) que posteriormente sucumbiu
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DINOSSAURO RECUSA FOSSILIZAÇÃO
A letra a seguir é de faixa bônus do “Rapture Of the Deep”, o último (de recente) álbum de inéditas do Deep Purple, já deste século.
MTV
I was driving through the night
Into an endless tunnel of fog
When it dawned on me something was wrong
I was in a trance, hypnotised
Bored beyond belief
I was listening to the same old song
I know every lick, every word
Every nuance
I’m on first name terms with the crew
But I’d better get used to this poop du jour
Sure as hell they won’t play anything new
Oh yes I love you really
Classic Rock Radio
Oh my dear it’s time for bed
Time for you to go
Everyone is asleep
The pirates took to the water stole the charts
But sadly that didn’t go down well with those upstairs
Who require loyalty
The establishment considered
That the uncontrolled appreciation of music
Was a danger to royalty
The mighty empire roared
As Cash ‘n’ Everitt on the high seas
Looked like they’d get blown out of the water
They did of course eventually come ashore
As meek as mice or to be more accurate
As lambs to the slaughter
Oh yes I love you really
I stand to attention
Oh Fanny, I love you dearly
Something else I should mention?
You sweet thing
Let’s not talk about MTV
I don’t even want to start
I want to take a look at Classic Rock Radio
We’re talking about the state of the art
Mr. Grover ‘n’ Mr Gillian
You musta made a million
The night that Frank Zappa caught on fire
Could you tell us all about it
Keep it short and use my version
Or everyone out there’ll think I’m a liar
We can speak about bananas for one second
Just because I understand
You have to get them off your chest
But in the meantime while your talking
Could you do some more of these here ID’s
And then this station might maintain some interest
Oh yes I love you dearly
But why do you exist?
Oh yes I love you really
Is there something that I missed?
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E embora me soe suficientemente clara (embora insuficientemente inteligível) a respeito de que se trata, tive maiores esclarecimentos a respeito dela quando vi uma entrevista – não na Mtv ahah – de Ian Gillan dizendo-se irritado com entrevistas que a banda tem que dar a cada álbum novo lançado nas quais entrevistadores (revistas, sites, rádios) insistem em só quererem saber dos tempos de “Fireball”, “In Rock” ou de quando compuseram “Smoke On the Water”.
Deve ser um SACO mesmo: você lança um trampo novo – e pouco importa se irrelevante ou aquém dos lançamentos clássicos – e só querem saber do teu passado. A informação acaba ficando em 2º plano, em detrimento do vender nostalgia.
Que é o que o recente nicho de mercado roqueiro, do Classic Rock, faz afinal.
Isso posto, abstraio e estendo a questão para uma outra aresta e faceta da mesma letra e assunto: do quanto ENCHE O SACO ouvir rádio rock - e rádio de Classic Rock (nome aos bois: Kiss Fm) – e ouvir as mesmas uma, ou duas, ou meia dúzia, de sons de certas bandas.
Bandas como o Deep Purple, que têm uns 40 discos na bagagem, e de que se toca, quando muito, a mesma meia dúzia de 7 ou 8 sons. Com tanto som bom, não aproveitado… e até desse “Rapture Of the Deep”, a mim bastante convincente. E do qual nunca ouvi nada que não fosse aqui em casa.
Similar e curiosamente, vejo o mesmo ocorrendo com o Alice In Chains, banda não tão jurássica ainda, que voltou à ativa ano passado lançando o incrível “Black Gives Way to Blue”, mas de que se insiste em tocar sons apenas dos álbuns noventistas.
“Your Decision”, desse novo, até vem tocando um pouquinho. Ultimamente. Mas os outros 4 ou 5 sons de potencial radiofônico provavelmente serão tocados – se tornados “clássicos” – daqui uns 10 anos.
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Casos como os de Thin Lizzy e Jethro Tull então, vira covardia. Dos irlandeses raramente se ouve algo que não “The Boys Are Back In Town” ou “Jailbreak” – a não ser quando existindo pedido do público, em que algum devoto ousa fugir do óbvio – enquanto que dos segundos eu realmente ache ABSURDO que só se toque “Aqualung”.
Que é um som legal, de riff memorável e tudo. Mas, caralho, a banda ainda está ativa, com uns 25 álbuns, maioria acima da média (pra mim, que sou fã) e parece que só se conhece isso!!
Álbuns como “Minstrel In the Gallery” e “Heavy Horses”, pra ficar nos setentistas consagrados, acho até mais legais que o homônimo da faixa perseverada. E não fosse por isso apenas, os caras têm lançamentos oitentistas, como “Broadsword And the Beast”, “Crest Of A Knave” (ganhador daquele infame Grammy pra cima do Metallica) e “Rock Island”, ou mesmo o recentíssimo “J-Tull Dot Com” (1999), de pretensões comerciais assumidas. Não se toca porra nenhuma deles.
Bandas como Ramones, Black Sabbath, Queen e Rush escapam um pouco disso: têm lá cada qual sua dezena (dúzia?) de sons executados por aí; no entanto, Frank Zappa – de 60 álbuns lançados em vida – tem a mesma (chatinha) “Bobby Brown Goes Down” martelada, Dio tem lá umas duas ou 3 de sempre, e Led Zeppelin e o Pink Floyd uma meia dúzia: embora predominem as torra-saco “Black Dog”, “All My Love”, “Another Brick On the Wall, Pt. 2″ e “Wish You Were Here”.
Quem é que ainda agüenta?
Parece que muita gente, a julgar pela programação da Kiss e das poucas rádios rock (conheço ainda a 107,3 – finada Brasil 2000 – e ocasionalmente a Mitsubishi fm), que curtem ainda ouvir esses mesmos sons, dia após dia.
Desperdício isso, na minha opinião.
Por isso, o post vai em solidariedade a Ian Gillan e a todos os dinossauros ainda ativos que insistem em ser ouvidos: por que só Paul McCartney e Rolling Stones parecem ter habeas-corpus contra esse fenômeno?
*****
E a quem contra-argumentar que nem se ouve mais tanto rádio assim, apenas pergunto: é mesmo?
Porque aí então o dinossauro sou eu.
…
A VIDA DE BRIAN
Brian Johnson, recém-consagrado pensador, e meu pensador favorito da semana passada, voltou a sê-lo.
Só que desta vez, pra eu discordar.
Muita gente por aqui deve lembrar que, prestes a chegar ao Brasil pra “Black Ice” tour, houve um fã-clube gringo que fez meio um manifesto meio petição meio intimação, pedindo à banda que mudasse um pouco os set-lists de shows, já que há muito alguns fãs (sobretudo os xiitas, que os seguem prum monte de lugares) estavam cansados de ver sempre as mesmas músicas…
Documentários: porque, afinal, quem é que não gosta de um bom “causo”?
Desde que os dinossauros viraram petróleo e nós, seres-humanos, tomamos conta dessa bagaça, é inerente à nossa raça o gosto por uma boa história. Desde aquelas contadas por nossos pais até alguma aula mais inspirada de algum professor de estudos sociais no primeiro grau, ninguém pode negar: quando o enredo é bom, não tem quem não fique com a “orelha em pé”.
No mundo da música a coisa não é diferente. Roqueiro pode até fazer pose de fodão mas, mesmo que lá no fundo, ele tem uma “comadre fofoqueira” dentro de si. Ele também gosta de um bom “causo”, de histórias de tretas épicas, de pessoas que beijaram o fundo do poço e que deram a volta por cima…
Colocadas essas peças do quebra-cabeças sobre a mesa, fica fácil entendermos o porque do sucesso e da redescoberta de um filão que tem história recente dento da música e que ficou anos inexplorado: o dos documentários.
SARNA PRA ME COÇAR
Eu tvz devesse inaugurar minha participação aqui no Exílio de modo mais culto, tipo “Escabiose Para Me Auto-Infligir De Modo Contraditoriamente Doloroso e Agradável”, mas ñ.
Resolvi deixar de casmurrice e aceitar o convite do Casmurro pra escrever semanalmente tb por aqui, eu q escrevo lá no Thrash Com H já há alguns anos, como gente por aqui bem sabe.
(sabe, e vê, e ñ comenta nada. Por q porra??)
E aí, tal qual lá no meu blog náufrago em 2002, inauguro minhas participações falando da bola da vez, o Metallica.
(a vida dá voltas, mas no metal às vezes ñ muito…)
Metallica – Death Magnetic
É meus amigos, eles voltaram. Após o horrendo St. Anger, eles voltaram. Para nosso bem-estar, largaram mão daquelas bobagens de bateria com som de lata de tinta e amontoado de barulheiras sem sentido.
O que temos aqui também não é a revolução do metal mundial, mas sim um bom disco. Tem lá seus altos e baixos, mas no frigir dos ovos, todos se salvam!

Destaques positivos vão para That Was Just Your Life, que inicia o disco de forma grandiosa, a boa The End of The Line, com vários bons andamentos e a balada The Day That Never Comes.
Destaques negativos vão para a instrumental com cara de jam session Suicide and Redemption que não vai de nada a lugar nenhum e a dispensável My Apocalypse, que vira uma gritaria desenfreada e desnecessária.
Um disco com nota 7,5!
É meus amigos, eles voltaram. Após o horrendo St. Anger, eles voltaram. Para nosso bem-estar, largaram mão daquelas bobagens de bateria com som de lata de tinta e amontoado de barulheiras sem sentido.
O que temos aqui também não é a revolução do metal mundial, mas sim um bom disco. Tem lá seus altos e baixos, mas no frigir dos ovos, todos se salvam!






























