merda
Transplantado do Facebook:
Foi embora o ÚLTIMO jogador de futebol. Sobraram os pontas de estoque e os popstars. Que merda.
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Que merda postar sobre Chico Buarque no Exílio Rock… As poucas testemunhas que lêem o blog retrucarão, mesmo que em pensamento, “já não bastam os posts desinteressantes de sempre?”.
Falar sobre “Estorvo” surgiu dum papo com conhecido – aê, Luís! – no Facebook, na linha de (eu) tentar mudar sua impressão sobre o ilustre dono do Polytheama ser “sujeito pacato que dá vontade de dar uns tapas de vez em quando” (sic). Que é o que muita gente que não seja fanática por ele, ou por mpb, acaba hora ou outra tendo vontade.
Não se trata de analisar a obra musical do sobrinho do Aurélio. “Estorvo” não foi o 1º livro por ele lançado (como alguns acreditam), mas o 1º duma leva esquisita que vem ainda perdurando com outros como “Benjamin”, “Budapeste” e “Leite Derramado” (só não li o último), que de certo modo CHOCAM seus fãs cativos. Livros não ortodoxos (“Budapeste”, a la José Saramago, abole qualquer noção de pontuações), de ação vertiginosa e irrefletida, muitíssimo diferentes das letras de música certinhas barra consagradas barra às vezes nem contra o governo dele.
“Estorvo” é passado como que em tempo real: sempre PRESENTE. Flashbacks e memórias são acessórios, não truncando nada. E narrado em 1ª pessoa com a maior das trapacas: mesmo quem lê não fica sabendo de tudo o que passa na cabeça do personagem principal.
É experimental: personagens sem nome (nem mesmo o protagonista) e ação ininterrupta. Envolve sítio tomado por gangue de motoqueiros, ex-esposa balconista em loja de shopping center, maconha, furto de jóias, policiais corruptos, porteiro subserviente, perseguição em escada de prédio, viagens de ônibus, festa de gente rica. Em meros e enxutos 11 capítulos sem sobressaltos. Você começa a ler e termina em poucas horas. E se pergunta ao final: “WTF??“.
Tinha aprendido na escola existir narração em 3ª pessoa (do tipo que sabemos o que acontece, mas não os personagens), em 1ª pessoa parcial (em que sabemos do que acontece pelo ponto de vista dum dos personagens) ou em 1ª pessoa onisciente (ficamos sabendo de tudo o que acontece, além do que o protagonista pensa, pretende, opina etc.). Aqui, não.
Não se sabe dalgumas condutas, se sujeito – em “1ª pessoa inconsciente” – as cometeu sem noção das coisas, algo autista, meio psicótico (críticos à época escreveram sobre “alguém entre o sono e a vigília”. Bah!), ou se de propósito, pra fraudar a cumplicidade de quem lê, reiteradamente traído no que achava ter começado a entender alguma coisa. Traído, mas não completamente abandonado: ao menos não comigo, que persisti lendo na idéia de “vamos ver onde vai dar tudo isto”.
Dá num lugar, abrupto como no início. Ação vertiginosa, alucinada, claustrofobia, enredo suspenso, ritmo acelerado: Chico Buarque não é rock, tampouco metal, mas “Estorvo” o é. Mais pro grindcore. Que surja alguma banda disposta a transformá-lo em álbum conceitual. De meia hora, incômodo, sem capa e sem nome ahah
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Post de escopo vagamente nostálgico, mas não no sentido “ah, antigamente era melhor, hoje está tudo uma merda”.
Referente ao Sepultura do “Roots” (pra muita gente, nem tanto assim o auge dos caras), que há 14 anos gerou repercussão em veículos fora da mídia do metal, inclusive. Como na Folha De S. Paulo, de onde vem tal artigo, datado de 14 de Abril de 1996.
Assinado e de entrevista conduzida por um certo Marcelo Rezende. (Provavelmente ñ aquele…)
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QUEREMOS AJUDAR A PÔR O BRASIL NA HISTÓRIA, DIZ BATERISTA DO SEPULTURA
Hoje, ao menos em parte do mundo, o mais popular disco de um grupo brasileiro é falado em inglês e pertence a um gênero que se distancia de qualquer tradição nacional: o heavy metal.
“Roots” (Raízes), o 6º trabalho da banda mineira de rock Sepultura conseguiu, em apenas 15 dias, a façanha de estar entre os discos mais vendidos em toda Europa. Foram mais de 500 mil cópias entre os meses de fevereiro e março, ultrapassando – como no caso da parada inglesa - Michael Jackson e Madonna, segundo a revista “Music And Midia”.
As raízes se referem a um projeto que levou o Sepultura – uma banda de 4 músicos mais conhecidos fora do país, com 6 discos, sempre em inglês – ao encontro dos índios xavantes, em uma aldeia do Estado do Mato Grosso. Após Max e Igor Cavalera, Paulo Jr. e Andreas Kisser serem recebidos como “estranhos homens brancos”, por seus cabelos compridos e tatuagens, gravaram uma série de rituais da tribo.
Sons que seriam mixados com guitarras distorcidas e, também, ao berimbau e à Timbalada do baiano Carlinhos Brown, resultando em novo tipo de fusão que, para a imprensa européia, seria reconhecido como “raízes brasileiras”. Mas ainda parte da tradição internacional do metal.
Um projeto motivado por uma única constatação: a de que tanto o rock quanto a MPB andavam “chochos” demais, como o baterista da banda Igor Cavalera falou à Folha na última 3ª feira, por telefone, da cidade de Phoenix, nos EUA, durante o intervalo dos ensaios para uma turnê mundial que se inicia no dia 13.
Na entrevista, Igor explica o que significa ser parte de um novo conceito de MPB e diz que o Sepultura está ajudando a “colocar o Brasil na história do mundo”.
Folha – Você acha que “Roots” é um trabalho brasileiro?
Igor Cavalera - Eu acho que o “gancho” usado para divulgar o disco, prinicipalmente antes de ser lançado, foi o “das coisas mais brasileiras”. Mas nós não fizemos um disco de World Music. Tudo é mixado, tudo é distorcido… e com toda aquela influência.
Folha – Houve o desejo de aproximação da cultura brasileira, de criar algo inteiramente novo na mistura com o rock pesado?
Cavalera – A gente estava achando que a música andava muito chocha. Uma das razões da sobrevivência do rock é que essa música sempre incorporou todo tipo de influência. Eu, que sou baterista, me sinto muita mais à vontade tocando um ritmo mais pesado e que ao mesmo tempo tem uma influência tribal, de música brasileira, do que tentando tocar como qualquer baterista “gringo”.
Folha – E para você a música brasileira também estava “chocha”?
Cavalera - Eu acho que sim, tudo estava bem “chocho”, sempre o mesmo “arroz com feijão”. O Barão Vermelho lançava um disco, o Paralamas… e não mudava coisa nenhuma. E foi aí que apareceram grupos como o Chico Science. Acho que tudo isso fez muito bem para a música brasileira.
Folha – São grupos que misturam a música internacional com a música regional, de raiz brasileira. A mistura é a saída?
Cavalera - Acho que sim, mas não só a mistura musical. A mistura em todos os sentidos. O Brasil tem um folclore muito, muito rico. Mas não é só o lance da música brasileira, que é sempre muito legal, porque é muito forte. Acho que ao mesmo tempo a coisa tem a ver com rebelião. A música é um lado legal, mas não acaba aí.
Folha – E em nenhum momento isso pode se tornar algo artificial?
Cavalera - Não! Fica maravilhoso. Se alguém me conta que uma banda mistura tal coisa com tal coisa eu sempre tento escutar, porque na verdade acho que isso é o interessante.
Folha – O que significa a “volta às raízes”, a mistura da música pesada com sons brasileiros?
Cavalera - Nós aprendemos muito cedo que você pode acabar se danando se quiser agradar o gosto das outras pessoas. O momento é de experimentar.
Folha – Há uma letra no disco que diz “nunca se esqueça de onde você veio”.
Cavalera - Isso pode ser entendido tanto como a raiz da música, do povo brasileiro, quanto da própria história do Sepultura. Não é só a idéia de buscar um som brasileiro. É ter a raiz plantada e depois ter frutos e mais frutos.
Folha – Você acha que, no futuro, os ritmos tipicamente brasileiros, como samba e chorinho, tendem a não permanecer mais puros?
Cavalera - Hoje já há algumas diferenças, como o Olodum ser diferente da Timbalada. Acho que ainda haverá o puro samba. E também a grande mistura. Um não rouba o lugar do outro, e nem o tradicional fica desmerecido.
Eu não gosto daquele cara que fica choramingando com o sambinha no fundo. Sempre gostei de escola de samba, entendeu? 200 caras tocando bateria, o que mexe com você por dentro. Algo que é mais forte do que qualquer som eletrônico.
Folha – O Sepultura é uma banda brasileira?
Cavalera - Acho que desde a 1ª turnê pela Europa, mesmo tocando heavy metal e cantando em inglês, muita gente falava que “o swing que vocês têm é diferente dos outros”. Quando um amigo escutou “Roots” pela 1ª vez, disse que era uma World Music Monstro (risos).
Folha – Para você, ser chamado de MPB é algo bizarro?
Cavalera - Eu acharia muito estranho. Às vezes se fala que é um “som alternativo”. Mas o que é alternativo? A mesma coisa com a MPB. Se você for olhar ao pé da letra… Há alguns anos a MPB era um estilo de música e não todo tipo de música feita no Brasil. Um “estilinho”. Algo mais calmo que tocava no rádio. Então é um pouco assustador quando se fala que o Sepultura é MPB. Mas se você for parar para pensar, é sim. O que nos deixa felizes agora é que estamos ajudando a colocar o Brasil na história do mundo.
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