merda

Vez ou outra aparece algum(a) baluarte da liberdade de informação defendendo o direito de se falar o que se quer na internet. Vez ou outra alguma situação acontece me mostrando que isso não é bem verdade.

Um pobrema adicional: quando alguém restringe o que quer falar com pudores, pruridos e auto-censura desmedida e/ou hipócrita, pra mim o caso do post whipláshico que chupinho abaixo.

E em que me senti representado, sim, pelo cara do Agnostic Front. Embora eu SAIBA se tratar dum ser humano (por incrível que pareça) que morreu, e das pessoas próximas (que talvez não a tenham ajudado o suficiente) que devem estar sofrendo.

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Agnostic Front: “Foda-se a Whitney Houston”, diz Stigma

Caso você de algum modo não saiba ainda, a cantora WHITNEY HOUSTON está tomando umas com Dimebag Darrell agora. E enquanto houve um derrame de condolências sentimentais por parte do mundo do ‘glam metal’, as esquinas mais extremas de nossa comunidade permaneceram em silêncio…

…exceto pelo AGOSTIC FRONT, cujo guitarrista, Vinnie Stigma, conduziu a plateia de um show a cantar ‘I Will Always Love You’ na noite de domingo passado na Holanda, e mandando um “Vai de foder, cadela’ no fim. Assista abaixo ao vídeo

Imagem de Amostra do You Tube

– O incidente em questão ocorre bem no começo.

Claro, alguns de vocês ficarão ofendidos com o comportamento de Stigma. Perfeitamente compreensível. Não há necessidade de falar mal dos mortos nesse caso – mesmo que você não gostasse da música de Houston (o que deve ser o caso da acachapante maioria que acessa esse site), não há como negar que ela era uma cantora talentosa. E na moral, o que ela fez de tão ruim? Estrelar ‘O Guarda-Costas’? Casar com o cara do clipe de ‘Humpin’ Around’? Ter uma overdose de remédios? Como essas coisas tiveram algum impacto sobre você, ou pioraram sua vida?

Bem, este autor não se ofende. Na pior das hipóteses, o que Stigma fez foi bobo – não de um modo ‘ha ha’, mas no sentido de frívolo. Enfim, o comportamento de Stigma, francamente, foi até burro demais pra causar ofensa.

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O que eu penso a respeito:
  • quem é o colunista pra julgar legal ou não a atitude? Na medida em que faz um post, pra gerar repercussão em fórum e em Facebook, não seria o caso de esperar as opiniões divergentes ou não?
  • achou ruim ou condenável (“bobo no sentido de frívolo” – wtf??)? Então, novamente, por que cometeu o post?
  • ainda por cima, foi hipócrita: condena a incorreção do punk, mas lança comentário “engraçadinho” (“bobo ha ha”?) no início: “está tomando umas com Dimebag Darrell agora”. É mesmo? Ou fumando um cachimbinho?
  • e que “derrame de condolencias sentimentais por parte do mundo glam” ocorreu? Custava citar, ou foi coisa da cabeça dele? “As esquinas mais extremas de nossa comunidade – “nossa”? Que “comunidade”? Das Testemunhas de Jeová, talvez – permaneceram em silêncio”? Ah, então o evento no show do Agnostic Front nem rolou
  • “este autor não se ofende”. Não conheço, e nem preciso conhecer o tal Nacho Belgrande, blogueiro barra colunista em questão, pra SACAR que se ofendeu, sim. Escolher o lado de condenar duma vez ou de rachar o bico talvez fosse mais interessante. Minha opinião. Ficou em cima do muro: não casou e nem desocupou a noiva

Ah, e que me lembre, o punk sempre primou pela incorreção. Pela virulência. Pelo sarcasmo e dedos nas feridas. Por incrível que possa parecer hoje em dia.

Acho um saco nego ser colunista em site conhecido e ter cagaço de ser processado. Precisa haver SOPA, PIPA e o caralho a quatro, quando os próprios colunistas começam a se desculpar pelas coisas?

(inclusive atitudes alheias?)

Que merda.

Transplantado do Facebook:

Foi embora o ÚLTIMO jogador de futebol. Sobraram os pontas de estoque e os popstars. Que merda.

Que merda postar sobre Chico Buarque no Exílio Rock… As poucas testemunhas que lêem o blog retrucarão, mesmo que em pensamento, “já não bastam os posts desinteressantes de sempre?”.

Falar sobre “Estorvo” surgiu dum papo com conhecido – aê, Luís! – no Facebook, na linha de (eu) tentar mudar sua impressão sobre o ilustre dono do Polytheama ser “sujeito pacato que dá vontade de dar uns tapas de vez em quando” (sic). Que é o que muita gente que não seja fanática por ele, ou por mpb, acaba hora ou outra tendo vontade.

Não se trata de analisar a obra musical do sobrinho do Aurélio. “Estorvo” não foi o 1º livro por ele lançado (como alguns acreditam), mas o 1º duma leva esquisita que vem ainda perdurando com outros como “Benjamin”, “Budapeste” e “Leite Derramado” (só não li o último), que de certo modo CHOCAM seus fãs cativos. Livros não ortodoxos (“Budapeste”, a la José Saramago, abole qualquer noção de pontuações), de ação vertiginosa e irrefletida, muitíssimo diferentes das letras de música certinhas barra consagradas barra às vezes nem contra o governo dele.

“Estorvo” é passado como que em tempo real: sempre PRESENTE. Flashbacks e memórias são acessórios, não truncando nada. E narrado em 1ª pessoa com a maior das trapacas: mesmo quem lê não fica sabendo de tudo o que passa na cabeça do personagem principal.

É experimental: personagens sem nome (nem mesmo o protagonista) e ação ininterrupta. Envolve sítio tomado por gangue de motoqueiros, ex-esposa balconista em loja de shopping center, maconha, furto de jóias, policiais corruptos, porteiro subserviente, perseguição em escada de prédio, viagens de ônibus, festa de gente rica. Em meros e enxutos 11 capítulos sem sobressaltos. Você começa a ler e termina em poucas horas. E se pergunta ao final: “WTF??“.

Tinha aprendido na escola existir narração em 3ª pessoa (do tipo que sabemos o que acontece, mas não os personagens), em 1ª pessoa parcial (em que sabemos do que acontece pelo ponto de vista dum dos personagens) ou em 1ª pessoa onisciente (ficamos sabendo de tudo o que acontece, além do que o protagonista pensa, pretende, opina etc.). Aqui, não.

Não se sabe dalgumas condutas, se sujeito – em “1ª pessoa inconsciente” – as cometeu sem noção das coisas, algo autista, meio psicótico (críticos à época escreveram sobre “alguém entre o sono e a vigília”. Bah!), ou se de propósito, pra fraudar a cumplicidade de quem lê, reiteradamente traído no que achava ter começado a entender alguma coisa. Traído, mas não completamente abandonado: ao menos não comigo, que persisti lendo na idéia de “vamos ver onde vai dar tudo isto”.

Dá num lugar, abrupto como no início. Ação vertiginosa, alucinada, claustrofobia, enredo suspenso, ritmo acelerado: Chico Buarque não é rock, tampouco metal, mas “Estorvo” o é. Mais pro grindcore. Que surja alguma banda disposta a transformá-lo em álbum conceitual. De meia hora, incômodo, sem capa e sem nome ahah

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