Artigos com tags ‘Iron Maiden’
VERSÃO
(Post contra-indicado pra quem curte Van Canto ou alega “vergonha alheia” como álibi caduco pra vergonha própria de assumir que curte Manowar)
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Ninguém me perguntou, mas dentre as razões por que eu curto Therion, e os considero a MELHOR das bandas de heavy metal “orquestradas”, “sinfônicas”, pinço estas:
1) mesmo tendo tido inúmeras formações ao longo da trajetória, com apenas o líder/dono/chefe Christofer Johnsson permanecendo, ainda assim a banda soa como BANDA, não como projeto umbigo
2) mesmo fazendo uso de lances pré-gravados (né, 14?) ao vivo, acionados pelo baterista em laptop vizinho ao chimbau, a banda é DE VERDADE em show, levando tenores e sopranos pra cima do palco
3) material disponível abundante, sobretudo seus últimos boxes – dos quais recomendo os antepenúltimo e penúltimo “Celebrators Of Becoming” (4 dvd’s + 2 cd’s) e “Live Gothic” (dvd + 2 cd’s) – no mais, pra lá de ace$$íveis: na Galeria encontra-se o 1º a módicos 60 paus e o 2º a uns 40
4) a tradição da banda já de perpetrar uns covers, maioria impecáveis, como “Under Jolly Roger” (Running Wild), “Children Of the Damned” (Iron Maiden), “Fight Fire With Fire” (Metallica), “Iron Fist” (Motörhead, mesmo sem orquestrações) e ousados (porque tornados diferentes. Ou a cara da banda), como nos casos de “Seawinds” (Accept) ou “Summernight City” (ABBA) e etc.
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Os caras, pra quem ainda não viu ou sabe, também coverizaram o Manowar.
“Thor”, no “Live Gothic” (show na Polônia) acima citado. Embora registrada em estúdio anteriormente no mezzo coletânea “Crowning Of Atlantis” (de 1999), de modo não tão bombástico. Pois esta abaixo, devido à vibração e formação menos austera no palco, ficou, pra mim, ainda MELHOR QUE A ORIGINAL. Pra quem duvidar ou se dispuser a contra-argumentar, ei-la:
Com uma observação por ora adicional:
percebe-se claramente, da parte da banda como também do público, a ambivalente postura a um só tempo SARRISTA e SÉRIA durante o som. Risos pra todo lado, estupefação coletiva e cúmplice, execução esmerada, maneirismos vocais propositais, martelo de brinquedo jogado ao público no final, cambalhotas no palco e ainda um bônus:
a parte em que o baterista Petter Karlsson canta a última estrofe, antes do solo. Hilária. Memorável.
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LEE, LIFESON E PEART
Foi já há mais de mês, em 17 de Junho passado, que tive oportunidade de ir ao Cinemark do Shopping Santa Cruz assistir, em 1ª mão, “Rush: Beyond the Lighted Stage”, em sala lotada de nerds comovidos a cada cena, cada depoimento, e a toda e cada passagem do documentário.
A única coisa de que me arrependo não ter feito naquele dia foi não ter aplaudido o filme ao final, como a maioria ali o fez. DEVERIA tê-lo feito.
Pra quem ainda não sabe de que se trata, é documentário realizado por Sam Dunn, antropólgo headbanger canadense outrora realizador de “Metal – A Headbanger’s Journey” e de “Flight 666″ *, documentário sobre o Iron Maiden, que chegaram a ter também seletas seções em cinema, no que vai se configurando alvissareira TENDÊNCIA DE MERCADO como, no mais, a reprise do “Big Four” prometida pro fim de semana atesta.
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Só que, ao contrário do do Maiden, no qual a banda representou e depôs nitidamente a contragosto (não?), “Beyond the Lighted Stage” contou com colaboração e imagens PRECIOSAS de arquivo de Lee, Lifeson e Peart.
Pra citar duas: 1) há o jantar em família em que Lifeson, visivelmente hippie e hormonal, anuncia aos pais e irmãos que não seguiria rumo tradicional de emprego convencional, carro do ano e alto salário (os últimos, não tinha como ele adivinhar eheh); 2) imagens da banda anterior, mais pra jazz, onde Peart tocava, em que o flagramos como o arquetípico adolescente desproporcional e desengonçado. Nerd puro, freak de doer.
Trunfos inequívocos do filme, que particularmente coloco na prateleira dos melhores já comentidos sobre uma banda, no nível do “End Of the Century”, póstumo polêmico dedicado ao Ramones, p.ex.
Chama atenção também, mesmo a banda tendo em torno de 40 anos ativa, e de 35 anos – minha idade! – com a formação consolidada em questão, NUNCA SE HAVER FEITO um documentário sobre a banda seriamente.
Claro que “Rush In Rio” tem lá um pseudo-documentário sobre a passagem em 2002 deles por aqui (mais um relato de turnê e bônus pra fã comprar o dvd oficial, que qualquer outra coisa) e o dvd comemorativo “R 30″ tenha lá seus trechos documentais e valiosas imagens de arquivo (tipo o Juno Awards canadense). Mas filme a eles dedicado, com aprofundamento de questões, revelações dos integrantes e depoimentos, foi a 1ª vez mesmo.
E depoimentos dos mais variados: para além dos óbvios Mike Portnoy e Les Claypool (que aparecem, feliz e infelizmente, bem pouco), passagens emocionadas do metidão Billy Corgan (Smashing Pumpkins, contando ter ficado 1 ano trancado no quarto tirando “2112″), Vinnie Paul (Pantera), Kirk “funcionário do mês” Hammett (fazendo caras e bocas que aprendeu direitinho com Lars Ulrich), Jack Black, Trent Reznor (do Nine Inch Nails), Gene Simmons (Banda Beijo; na 2ª passagem mais hilária do filme), e também das mães de Geddy Lee e Alex Lifeson e pai do Peart (revelando que, se não desse certo o teste dele no Rush, poderia voltar para trabalhar na loja de ferramentas da família), coisa e tal.
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Histórico disco a disco, fase por fase, também comparece suculento, de modo a agradar o fã mais fiel, embora eu particularmente lamente terem enfocado por cima os álbuns do fim dos 80’s (“Hold Your Fire” e “Presto”) e início dos 90’s (“Roll the Bones” e “Conterparts”), que talvez futuramente pudessem gerar, cada qual, seu próprio documentário específico. Sei lá, nerdice da minha parte.
Dunn não amenizou, tampouco o trio, a passagem ominosa vivida por Peart no fim dos 90’s, quando, por meses de diferença, perdeu a esposa devido a câncer e a filha num acidente de trânsito. É explicitada a legítima preocupação dos outros 2 com o cara, como também com os rumos da banda (sem a menor hipocrisia), assim como a mega viagem de moto por Peart empreendida para elaborar algum luto. E a difícil porém gratificante retomada (pra eles também), geradora do denso “Vapor Trails”.
O fato de serem banda relegada pela crítica, até hoje, também é bastante contemplado, com a passagem mais hilária sendo a dos adjetivos consagrados à voz de Lee, sempre o TABU e aspecto mais incômodo do Rush, mesmo pra alguns fãs. “Mickey Mouse com gás hélio” é uma das pérolas citadas, e todos na sala racharam de rir.
E o que se vê (ao menos, eu vi) é a coesão dos três, verdadeiramente amigos, tremendamente respeitosos entre si, com uma ligação que excede/transcende o musical – cuja cena final, que achei também memorável, dos 3 jantando nalgum lugar enquanto riem de si mesmos como objeto dum documentário – pois parece ter sido o caso de 3 sujeitos completamente desajustados (freaks mesmo) que se encontraram e encontraram rumo na vida.
Assim como auxiliaram, e auxiliam, muita gente a encontrar o seu.
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É muita coisa contida, coisa demais pra ficar citando por aqui, por isso encerro o post recomendando a COMPRA do dvd, já lançado e devidamente legendado – acredito não ser só eu portador de “inglês intermediário II” por aqui – até como aperitivo do show anunciado para outubro. Do qual já consegui ingresso (ufa!).
Em suma: muito foda!
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* entre “Metal” e “Flight 666″, Dunn realizou também um chamado “Global Metal”, sobre o heavy metal no 3º Mundo (“país em desenvolvimento” é o cacete!), que francamente não vi (só uns tecos em You Tube) e não conheço, mas deve ser bão.
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NÃO SAIU EM CD
“The Final Conflict”, Vodu, 1986, Rock Brigade Records
sons: CONTRADICTIONS / WHAT AN IRONY / HOW CAN YOU BELIEVE? / THIS IS NOT YOUR WORLD / ENDLESS NIGHTMARE / NUCLEAR DELIRIUM / FINAL CONFLICT / LET ME LIVE (I DON’T WANNA DIE)
formação: Andrews Góis (vocal), Bruno Bontempi (guitarras), André ‘Pomba’ Cagni (baixo, backing vocals), Sérgio Facci (bateria)
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Esta é uma das vezes em que voltar ao material da banda resenhada (e, neste caso, à fita Basf gravada há anos), obrigou-me a rever conceitos e a reconsiderar a banda em questão.
Porque o Vodu, das bandas oitentistas brasucas, sempre foi o patinho feio. O tipo da banda que eu muito agradecia não entrar no embalão das voltas das bandas que foram sem nunca ter sido [ainda que em meados de 2006 tenham feito alguns shows de retomada que, ao que consta, deram em nada. De novo]. Os motivos principais pra desdém, fora o que dizem das capas toscas (e só acho a de “Endless Trip”, último deles, realmente ruim) eram musicais propriamente: metade da banda era ruim. Muito ruim. Estamos falando dos vocalistas – aqui o tal Andrews Góis, mas Cláudio Vitorazzo, sucessor, foi quem se “consagrou” à frente da banda, e queimou o filme sem perdão – e do guitarrista Bontempi, que se não era assim um horror completo, eu achava… ahn… um tanto inexpressivo.
A outra metade, já não: mesmo ostentando os cacoetes mais steveharísticos duma banda nacional (esqueçamos o Fates Prophecy, que busca copiar, na cara dura, o Iron Maiden, e ainda acha legal) em todos os tempos – o que garante até hoje umas risadas descrentes (até pôr pés nos PA’s fazia) da parte de quem lembra – o baixista André ‘Pomba’ Cagni segurava MUITO bem as pontas. E Sérgio Facci, o baterista…
Não eram tempos ainda dos IG&T’s da vida, de molecada a granel distribuindo técnica a rodo, ostentando patrocínios e de músicos de workshop louvados como gênios entre nós privilegiados mortais (faça sua associação com quem quer que apareça de monte nas colunas sociais das revistas e sites musicais). À época Igor Cavalera já vinha sendo falado, e Ricardo Confessori passava pelo Korzus, mas embora não portasse aquela técnica dantesca e embasbacante, considero Facci o melhor baterista do metal nacional oitentista. Pois não a tôa, fora o trampo no Vodu, era integrante temporário-que-ficou-definitivo no Volkana e tocou no incensado (sei lá por que) “Theatre Of Fate”, do Viper. Sujeito requisitado que nunca mais se ouviu falar. Por onde andará Sérgio Facci?
Os tempos eram outros também em termos de promoção e/ou jabá. Ainda que Pomba escrevesse na Rock Brigade, a publicação pouco louvava a banda – preferiam, ao contrário, apostar nas ‘revelações’ Viper – em atitude que, se foi de resguardo do próprio Cagni, palmas pra ele, enquanto que, por outro lado, poderia ter se dado um pouco mais. (Terão sido também tempos de maiores pudores editoriais?).
“The Final Conflict” não é esse horror de trampo que as lembranças do Vodu deixaram. E o digo por 2 aspectos chamativos à 1ª ouvida: 1) foi trampo de gente que conhecia heavy metal bem mais que superficialmente (em tempos atuais, de gente que monta banda e mal conhece bandas com mais de 15 anos ou 3 álbuns, é dado deveras considerável), com idade e bagagem, o que dá alicerce a uma banda; 2) e por mesmo eu não tendo as letras (se à época em que gravei as copiei, perdi…), perceber o inglês utilizado ser mais do que os “Ccearás” ainda muito em voga, e bastante típico do metal oitentista. Aquele de se fazer a letra em português e passar pro inglês com dicionário a tiracolo.
Ainda sobre o conhecimento de causa: chama positivamente atenção um disco de 1986 – quando não havia Internet e cuja solução pra muitos dos problemas de querer se conhecer uma banda era comprar cassete pirata na Woodstock – conter referências tão claras a Metallica (como “This Is Not Your World”, bem “Kill ‘Em All” ), Ozzy fase Rhandy Roads (em muitas das palhetadas, ainda não propriamente thrash), Judas Priest, Helloween “era Kai Hansen” e, claro, Iron Maiden fase Paul D’Ianno (“How Can You Believe”, na altura de seus 3’20” deixa isso BEM CLARO, e a faixa-título contém um “au-au” final característico).
Os dotes steveharrísticos de Pomba citados têm seu componente bastante apreciável: muitos são os trechos de solo em que a base foi feita por ele, assim como trechos harmonizados guitarra-baixo bastante competentes e não exatamente xerox de sons do Maiden (“What an Irony” acho não menos que fantástica).
Volto a especular por um não reconhecimento devido: talvez porque fossem feios e o baterista, japonês. Talvez cheirassem mal. Não sei, não entendo um álbum como “The Final Conflict” sequer ser resenhado como dos álbuns clássicos do metal nacional. Reverência a bandas ditas pioneiras (tipo Dorsal Atlântica, Sarcófago ou Stress – que só gravou 1 álbum) ou às tidas como clássicas e/ou sobreviventes (Necromancia, Korzus) ou ainda às q vêm voltando (Holocausto, Chakal, Atômica, Viper) abundam, sendo que, para comparar com os tão bem-falados Viper, o álbum aqui apresenta produção muito superior a de seus 2 primeiros e clássicos álbuns, no mais bastante derivativos de Maiden, Helloween e do metal melódico que nascia. O Vodu ficou num limbo, em que não foram pioneiros nem revelação…
Tá certo que alguém pode objetar quanto a um certo modo abafado com que foi gravado ou mixado, mas é álbum muito mais audível do que nossa memória teima em lembrar dos discos metálicos brasileiros da época. E não é tão cru como um “Simoniacal” (MX). Nada assim gritante mesmo, e que talvez tivesse ocorrido devido ao EQUIPAMENTO disponível na época, já que inexistiam instrumentos de qualidade, muito menos pedais como os de hoje (e aí volto à inexpressividade do guitarrista possivelmente por conta disso, como ainda por a mim faltar uma 2ª guitarra propriamente solo na formação dos caras: teria dado uma encorpada).
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Um outro dado que talvez tenha impossibilitado assimilação ou reconhecimento adequado do álbum é o fato de muitos sons serem compostos dum número excessivo de partes: coisa de quem claramente tinha excesso de idéias e não atinava em poder decompor certos sons em 2 ou 3 fácil fácil. “How Can You Believe” é exemplar nesse aspecto: em seus 6’20” – que parecem ter 10’ – é um ir e vir de partes bastante interessante pros mais atentos ou músicos, mas que talvez ao vivo impossibilitassem um bangear seguro e confortável… “Let Me Live (I Don’t Wanna Die)” vai nessa onda também, com requintes técnicos guitarrísticos a despeito do equipamento. E mesmo em seu início contendo algo como o guitarrista querendo mostrar mais do que sabia ou conseguia fazer (umas coisas meio harmônicos q ficaram meio chôchos).
“This Is Not Your World”, que passa de 5 minutos, fica mais adequada nesse sentido, e embora alterne partes rápidas (a la speed metal) com outras mais na manha (como aquelas ‘lentas’ em “Phantom Of the Opera”, do Maiden) e cavalgadas maidenianas, soa mais como gente talentosa buscando compor baseado em padrões das bandas preferidas e almejando identidade própria. “Endless Nightmare”, que apresenta 4 partes diferentes ainda antes de entrar o vocal também atesta a impressão. Já os 2 primeiros sons vão numa veia mais direta – não chegam a 3 minutos – e calha serem os primeiros a se baixar (haverá na net?) ou ouvir.
E quero deixar claro, a quem conhecer o trampo e a quem vir a fazê-lo, que estou descontando o TRAMPO VOCAL, repleto de cacoetes hoje consagrados pelo Massacration e Massacrations Cover (Primal Fear, Hammerfraco, essas nhacas): seja os gritinhos épicos-heróicos ao início ou ao fim (“Contradictions”, “This Is Not Your World”) ou um excesso de “Ô-ô-ô” ou “Ô-ô-Ô-ô’s” (que em “Let Me Live (I Don’t Wanna Die” é até constrangedor) meio Manowar.
Som ruim ou dispensável, a meu ver, apenas “Nuclear Delirium”, com intro de guitarra limpa + voz (numa outra referência ao Metallica?) em que o “Ô-ô-ô” cansa. No mais, e no geral, notadamente se percebe uma temática social-política dos tempos de Guerra Fria vigente. Nada de demo, castelos, princesas, enfim.
Pra concluir, o seguinte: se proximamente nalguma revista ou site metálico legal por aí rolar alguma resenha sobre o Vodu ou sobre a IMPORTÂNCIA de qualquer um de seus 3 álbuns (“The Final Conflict”, “Seeds Of Vengeance”, “Endless Trip”) ou ep (“No Way”), lembre-se que o Exílio Rock revisitou a banda ANTES! ahah
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PS – André “Pomba” Cagni é hoje editor da Dynamite (revista e site), como também duns zines GLS e ataca de DJ na noite paulistana em casas de tecno, GLS ou não. Somado isso ao sumiço dos outros integrantes (só tinha ouvido falar que o Vitorazzo entrara pro 365 tempos atrás), é líquido e certo que o Vodu não volta. Mas poderia ter os álbuns relançados em cd…
PS II – resenha publicada originalmente em janeiro de 2006 no meu blog solo, o Thrash Com H, que à época era num provedor ruim (weblogger) que posteriormente sucumbiu
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MEMÓRIA II
Continuando o post rememorativo do Monsters Of Rock 1996 (dos Philips Monsters em geral, afinal), com outros 3 artigos da Folha De S. Paulo à época a respeito.
Interessante repararmos o tom mais “crítico” – colunistas mordendo e assoprando pra cima dos headbangers – a euforia desmedida (ao menos pra mim) pra cima do Raimundos e o tom de “emissário antropológico”, sobretudo no 1º artigo, a seguir: parecendo relato de gente que foi visitar tribo exótica.
PÚBLICO SOBREVIVE A 13 HORAS DE SHOWS - por Erika Sallum
Cerca de 40 mil pessoas compareceram à 3ª ediçãodo Philips Monsters of Rock, segundo estimativas da Polícia Militar. O festival, que reuniu 9 bandas e teve o Iron Maiden como atração principal, aconteceu sábado no estádio do Pacaembu, em São Paulo.
Foi uma verdadeira maratona: no total, foram 13 horas de shows. O 1º grupo a se apresentar foi o Heroes Del Silencio, e o último, o Iron Maiden.
Apesar das roupas pretas e do ar mal-encarado, o público não causou grandes problemas à PM – que encaminhou 91 pessoas ao 23º DP devido a atitude inconvenientes (desacato à autoridade, alcoolismo etc.).
Muita gente passou pelos postos policiais, mas a maioria foi liberada rapidamente. Até as 17h, ocorreram 6 flagrantes de porte de maconha – não houve apreensão de outros tipos de droga.
“Nosso maior problema são os casos de alcoolismo. Foi grande o número de pessoas que já estavam bêbadas quando chegaram ao estádio”, disse o tenente Marco Aurélio Valério, do 2º Batalhão de Polícia de Choque.
Quem exagerou na bebida acabou parando em um dos 4 postos médicos do festival. No total, foram cerca de 900 atendimentos, sendo embriaguez o principal motivo.
Os portões do estádio foram abertos às 10h30, com meia hora de atraso, o que provocou irritação nas cerca de 10 mil pessoas que aguardavam na fila. Assim que o portão principal foi aberto, um grupo de “headbangers” tentou irritar os PM’s cantando o refrão de “Polícia”, dos Titãs. Houve confusão e algumas pessoas foram detidas.
Os fãs fizeram tudo para ver seus ídolos de perto. Os irmãos Rodrigo, 14, e Enivan Inacio Nogueira, 16, chegaram ao Pacaembu na 5ª feira. Queriam ser os 2 primeiros a entrar e, durante 2 dias, dormiram na praça Charles Miller. “Estamos aqui pelo Iron Maiden“, explicaram.
Bebida alcoólica dentro do estádio foi proibida. Cervejas, só sem álcool, à venda por R$1,50. As 4 lanchonetes não deram conta da sede dos metaleiros e, por volta das 18h, já estavam fechadas. Os vendedores ambulantes aproveitaram para inflacionar os preços: na pista, uma garrafa com meio litro de água custava R$10, e um sanduíche, R$5.
Formado principalmente por jovens, o público deu a impressão de estar uniformizado, com camiseta preta (em geral, do Iron Maiden), calça jeans e cabelos compridos. Gente de vários Estados do país estava presente. A maior parte dos ônibus estacionados ao lado do Pacaembu era do Sul do Brasil e do interior de São Paulo.
O estudante Tomáz Klotzel, 17, veio de Pelotas (RS) para ver o Iron Maiden. Passou 23 horas dentro do ônibus. “Além deles, há um monte de bandas que eu adoro, o que faz valer a pena vir até aqui”.
Durante todo o festival, as bilheterias ficaram abertas – havia ingressos disponíveis somente para a pista, por R$40. Os cambistas ofereciam ingressos para arquibancadas e cadeiras, por cerca de R$10 acima do preço oficial.
Box de números: 40 mil pessoas; 9 bandas; 16 horas e meia de duração (da abertura ao fechamento dos portões); 450 policiais militares; 81 pessoas detidas e encaminhadas ao 23º DP; 900 atendimentos médicos.
HELLOWEEN AGRADA PLATÉIA COM SEU HEAVY MELÓDICO - por Marisa Adán Gil
Com 5 minutos de atraso, o grupo espanhol Heroes Del Silencio deu a partida para o Philips Monsters, às 13h05 do sábado.
O público respondeu com apatia – e copos de plástico – ao fraco desempenho da banda. Não deu nem pra esquentar. O Heroes, uma espécie de INXS com mais guitarras, não fez mais do que revisitar clichês dos anos 70 e 80.
A pose do vocalista Enrique Bumbury só piorou as coisas, irritando a platéia.
Logo nos primeiros acordes, o Mercyful Fate mostrou a que veio. A platéia pegou fogo. O Monsters havia finalmente começado.
O dinamarquês King Diamond justificou o culto sobre o seu nome, levantando a platéia com sua performance característica (repleta de lances teatrais) e seus vocais, que se alternavam entre graves cavernosos e os falsetes histriônicos.
A banda também não decepcionou, graças ao virtuosismo dos guitarristas e as mudanças constantes de ritmo. Tudo muito datado, claro. Mas ninguém no Pacaembu parecia se importar.
Na seqüência, o equívoco: 2 shows de King Diamond no mesmo festival é demais. A reentrada de Diamond, já com a banda que leva o seu nome, provocou uma sensação de déjà vu na platéia, que reagiu com frieza.
No mínimo, os organizadores deveriam ter invertido a ordem dos shows, já que a 2ª banda não é páreo para o Mercyful Fate.
No final, malabarismos vocais garantiram a Diamond o reconhecimento do público. Saiu aplaudidíssimo. É curioso como uma platéia de metaleiros “radicais” se rende facilmente a uma cópia diluída de sua banda favorita.
O Helloween, uma espécie de Iron Maiden metido a Bon Jovi, fez o que quis com o público – que, a essa altura, já tomava cmpletamente dois terços da pista.
O tal heavy metal “melódico” da banda alemã (com muitos solos e vocais em vibrato) fez os “headbangers” pularem, especialmente em hits como “Power”.
O vocalista Andy Deris fez um show à parte, regendo a platéia e comandando o final apoteótico, com coreografias de braços e tudo mais. Melancólico.
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RAIMUNDOS BATEM METAL IMPORTADO - por Marisa Adán Gil
Espanha, Dinamarca e Alemanha renderam-se à nova música popular brasileira.
De uma tacada só, os Raimundos colocaram para correr Heroes Del Silencio, Mercyful Fate, King Diamond e Helloween.
A entrada da banda de Brasília no palco, às 17h30 de sábado, foi inesquecível: em questão de segundos, o gramado transformou-se em uma grande onda humana, capaz de provocar um som ensurdecedor.
“Eu Quero Ver o Oco”, gritava em uníssono o Pacaembu. Foi assim durante uma hora. Incansável, o público dava um jeito de pular e, ao mesmo tempo, cantar de ponta a ponta todas as músicas do grupo.
Consagração é pouco. Em sua 2ª participação no Monsters, os Raimundos mostraram que alcançaram a maturidade no seu estilo hardcore-nordestino-pornô-brega.
Sobre uma fórmula básica – introdução lenta seguida de porrada – criaram um som único, em que baião, forró e baladas bregas caem como uma luva sobre saraivadas de guitarras e batidas aceleradas de bateria.
Seus maiores problemas continuam sendo a repetição – são pouco ousados musicalmente – e a insistência nas letras adolescentes. Interpretações enérgicas fizeram “I Saw You Say” (com participação de Gabriel, do Little Quail) e “O Pão Da Minha Prima” soarem como heavy metal puro.
Além de tirar todo o proveito das boas condições da apresentação – já com som total e iluminação – o grupo ainda partiu para os efeitos pirotécnicos, com tochas de fogo no palco.
No final, distribuíram baquetas e camisetas – ao som de “Ilariê”, da Xuxa.
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Outro ponto que ponho à discussão por aqui: quem elencava as bandas no Monsters, hein? Fora a bola fora da vez, Heroes Del Silencio, da edição 1996, lembro de Virna Lisi (!) e Clawfinger(!!) em outras edições.
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CEREJA DO BOLO E CARA DE PAU:
colei acima o vídeo vergonha alheia do Iron Maiden com Blaze ASSASSINANDO “The Trooper” neste mesmo Monsters. E eis que descobri no You Tube depoimento recente do mesmíssimo sujeito (na turnê brasuca desta ano, salvo engano) falando daquele Philips Monsters e do Sebastian Barbie. Ei-lo:
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TROTES ANTOLÓGICOS EM VIDEOCLIPES
Falemos hoje novamente em videoclipes. Não necessariamente toscos – embora o 2º realmente o seja – mas possuidores em comum duma característica que exponho por aqui pra ver se há concordância.
Ou se seria viagem da minha cabeça apenas.
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Falemos em bateristas, gente muito agradável, afável e saudável. [O fato de eu ser um é mero acaso e não interfere em nada neste meu parecer isento (eheh)]. E que em não poucas bandas funciona como o gente boa, o amigão, o desopilador de plantão.
(o que não acontece nas bandas em que toco, mas porque sou um ogro, só por isso)
MEMÓRIA
O post é pra dialogar e revisitar post já quase antigo, do amigo Claudio, cometido em 20 de Janeiro último. Sobre o Philips Monsters Of Rock e as lembranças (boas) por ele suscitadas.
Num mero acaso, eis que descobri em minhas tralhas página da Folha De São Paulo de 1996, com resenhas a respeito do Monsters daquele ano em específico. Ano de Maiden com Blaze Baleya, de Sebastian Barbie servindo de alvo humano (ahahah), de Helloween abrindo pra Raimundos, entre outras tantas barbaridades.
Pura e deslavada cópia de texto alheio, pra ver se eu ainda sei ler e digitar ao mesmo tempo. Pois não me considero um saudosista ou nostálgico profundo desse festival, embora boas lembranças tenham ficado.
Philips Monsters of Rock: Momentos Eternos
1998. Era ano de eleição para presidente, onde FHC acabou se reelegendo. Ano de Copa do Mundo também, onde a Seleção Brasileira teve um desfecho trágico, tomando um verdadeiro sacode da França na Final. Mas, se para os lados do futebol as coisas não iam bem, para os fâs de rock n´ roll tudo era motivo de festa, afinal, a quarta edição do festival “Philips Monsters of Rock” estava confirmada para o dia 27 de setembro, no Ibirapuera.
Documentários: porque, afinal, quem é que não gosta de um bom “causo”?
Desde que os dinossauros viraram petróleo e nós, seres-humanos, tomamos conta dessa bagaça, é inerente à nossa raça o gosto por uma boa história. Desde aquelas contadas por nossos pais até alguma aula mais inspirada de algum professor de estudos sociais no primeiro grau, ninguém pode negar: quando o enredo é bom, não tem quem não fique com a “orelha em pé”.
No mundo da música a coisa não é diferente. Roqueiro pode até fazer pose de fodão mas, mesmo que lá no fundo, ele tem uma “comadre fofoqueira” dentro de si. Ele também gosta de um bom “causo”, de histórias de tretas épicas, de pessoas que beijaram o fundo do poço e que deram a volta por cima…
Colocadas essas peças do quebra-cabeças sobre a mesa, fica fácil entendermos o porque do sucesso e da redescoberta de um filão que tem história recente dento da música e que ficou anos inexplorado: o dos documentários.
SARNA PRA ME COÇAR
Eu tvz devesse inaugurar minha participação aqui no Exílio de modo mais culto, tipo “Escabiose Para Me Auto-Infligir De Modo Contraditoriamente Doloroso e Agradável”, mas ñ.
Resolvi deixar de casmurrice e aceitar o convite do Casmurro pra escrever semanalmente tb por aqui, eu q escrevo lá no Thrash Com H já há alguns anos, como gente por aqui bem sabe.
(sabe, e vê, e ñ comenta nada. Por q porra??)
E aí, tal qual lá no meu blog náufrago em 2002, inauguro minhas participações falando da bola da vez, o Metallica.
(a vida dá voltas, mas no metal às vezes ñ muito…)





























