O “Guia Folha” desta semana, guia cultural que sai toda sexta na Folha De S.Paulo, numa página – “Correio” – dedicada a reclamações (muitas) e elogios (raríssimos) a atendimentos em serviços e baladas, conta com o depoimento duma certa Simone Roncoli, advogada de 48 anos que não conheço, e que também não acho ser indiscreto reproduzir, uma vez que já o fez num jornal de maior circulação que o Exílio Rock:
“Na noite de 25 de março, quatro amigas e eu estivemos no Bar Brahma e fomos atendidas por um garçom que, depois da terceira rodada de chope, aproximou-se de nossa mesa e começou insistentemente uma conversa estranha, dizendo: ‘Toque aqui (apontando um amuleto azul de cristal pendurado em seu pescoço) e tenha fé, que ele é poderoso e vai te curar’. Uso lenço na cabeça, pois fiz quimioterapia, e estava no bar comemorando minha recuperação. Entendi a atitude como um preconceito travestido de piedade e fiquei envergonhada”.
Fora a vergonha alheia sentida e alguma indignação com o tratamento oferecido pelo garçom mala, penso em tantas vezes que já não fomos ou somos VÍTIMAS dessas pessoas que TANTO QUEREM AJUDAR.
Creio não errar sobre rap passar longe das preferências por aqui no Exílio Rock.
De minha parte, embora tenha uns 2 discos do Racionais MC’s (por conta das letras sociológicas, já que pela “música” não poderiam ser), também não gosto. Na verdade, desgosto e vejo o estilo mais como forma de molecada se fazer revoltada que qualquer outra coisa.
Tempos de adolescente deixar crescer cabelo e usar camiseta do Slayer na rua, ou no pátio da escola na hora do recreio (flashback…) já não choca ninguém, por isso atualmente ou molecada se enche de piercing e tatuagem, ou bota algum gorro e tenta falar como “mano” pra se mostrar revoltado. E chocar papai e mamãe.
Este é um post que fecha a “trilogia western” aqui no Exílio Rock, inciada meio que há 15 dias, e também é dedicado a quem lembrar dos tempos em que o canal Multishow (42 da Net) passava coisas que prestavam. Ao invés da lixaria atual.
Era época de passar o “Later… With Jools Holland”, programa de música da BBC, apresentado pelo próprio, e consistente dum galpão onde artistas barra bandas das mais variadas tendências e origens se apresentam ao vivo, intercalando-se em meio a entrevistas também, para deleite e descoberta dos telespectadores.
Programa que continua no ar no HBO, sei lá eu bem em que dia e em que horário: meio que pego sem querer e tantas vezes assisto até o final. Foi num dia inspirado recente que passei a conhecer – e me embasbaquei com – a Spaghetti Western Orchestra.
Banda musical barra performática australiana, formada em 2004 por 5 doidões de carteirinha (entre aspas, pois devidamente formados e calejados em conservatórios, orquestras de fato e companhias teatrais) que prestam tributo às trilhas de faroeste, sobretudo as de Ennio Morricone. Foda.
Os 5 se revezam entre 100 instrumentos (que alternam bateria, efeitos sonoros, inalador de asmático, baixo acústico, teclados, apitos, marimbas, theremin, gaitas, facas, saxofones de uma nota só etc. – listados no site oficial, www.spaghettiwesternorchestra.com) e vozes claramente tratados (mas tudo bem), alternando momentos de interpretação cênica e musical.
Fiquei impressionado com tamanha desenvoltura e entrosamento.
Vestem-se de acordo, encarnando personagens, como o dono do saloon, o mineirador, o ferroviário, o banqueiro, entre outros.
E saídos da Austrália natal, começaram a ganhar o mundo, em passagens por festivais tais como o Queen Elizabeth Festival (em 2005) e o Montreal Jazz Festival (2007).
Site é gigante, beirando o cansativo, pois repleto de detalhes, o You Tube tem bastante amostras (para além das linkadas aqui) e acho que até me animaria a assistí-los, caso alguma hora viessem pra cá.
Tocar um pouco pros índios também, não só pros xerifes e pros banqueiros credores.
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