ESPN Brasil

“Velho Lobo” o caralho!

Velho besta, caquético, prepotente, puxa-saco, patriota matusquela…

Fez 80 anos ontem o incensado Mario Jorge Lobo Zagallo, senhor que, por ser já um senhor – questão de educação – merece, sim, algum respeito. E que enquanto jogador parece ter tido carreira inquestionável de gloriosa,  repleta de títulos cariocas entre os 50′s  e 60′s. Mas que certa parte da mídia esportiva – leia-se: Rede Globo e afiliados – insiste em venerar como TETRACAMPEÃO MUNDIAL.

Porra nenhuma.

Foi bicampeão como jogador (em 1958 e 1962) e uma vez como treinador, em 1970 (com aquele time que até um Oswaldo de Oliveira – vivo fosse – se sagraria campeão). Ah, foi auxiliar técnico – entenda-se: aspone – em 1994 no título “do” Parreira. Ah, tá.

O Parreira era preparador físico na comissão técnica em 1970. Não vejo a Globo o considerando “bicampeão mundial”; Franz Beckenbauer, campeão como jogador em 1974 e como técnico alemão em 1990, também não. Então por que o equívoco e forçação de barra mantida?

Em minhas lembranças, se deveu a uma campanha global para limpar seu nome previamente à Copa de 1998, quando parte da opinião pública e da imprensa esportiva rejeitava sua figura, já tida como obsoleta, pra treinar o Brasil na França. Aquela época, do jogo em Copa América em 1997, do desabafo ridículo – pras câmeras da Globo! – do “voceish vão ter que me engolirh!!”. Que fosse um Dunga recentemente cometendo, seria completamente execrado. Não, vamos respeitar o “tetracampeão”.

E que tal aquela comemoração tosca, de aviãozinho, em AMISTOSO contra seleção sul-africana, em clara demonstração arrogante de quem não sabe perder? Tenho lembrança de César Sampaio (quando perdia meu tempo assistindo ao “Arena Sportv”) contar que o Gagallo não sabia distinguí-lo do Flávio Conceição em treino!

Esquece-se totalmente nessas horas hiperbólicas as campanhas patéticas de 1974 e 1998, de Copas que ele PERDEU. A 1ª, por absoluta soberba (time ruim também), em que por completo desconhecimento do fenômeno Holanda, saiu com o lendário “eleish é que têim que se preocupahr conoishco”. Pra tomar um vareio memorável, no qual até Luís Pereira conseguiu perder a esportiva e ser expulso.

Imagem de Amostra do You Tube

 

E em que o time brasuca não pegou na bola.

***

A campanha em 1998 ainda deve estar fresca (ui!) na memória de muita gente por aqui: perdida, na final, por absoluta e patente FALTA DE COMANDO. Talvez nunca saberemos porque resolveu escalar o Ronaldo, recém-convulsivo (crise epilética mais secreta e abafada que fórmula da Coca-Cola, suposta homessexualidade do Ayrton Senna ou receita de “molho especial” do Big Mac). Mas o fez – não sem botar no rabo do médico – e o Brasil se fodeu, teorias conspiratórias à parte.

O sujeito é tão campeão assim? Não como treinador, como se pesquisa facilmente por aí. Ganhou títulos cariocas em 1967, 1968, 1971, 1972 e… em 2001. Salvo engano, o tacanho Joel Santana é mais campeão que ele, em números. Título nacional? O da Taça Brasil, em 1968. Uau.

Não acompanhei, por obviamente não compartilhar, do auê exagerado que Globo e Sportv devem ter feito por seu aniversário tetracampeão. Por acompanhar a ESPN Brasil, vi menções sóbrias no “Linha De Passe”, “Sportcenter” e “Pontapé Inicial”. Respeitosas na medida, sem babações.

Vi que Juca Kfouri se conteve em não estragar a efeméride, preferindo pronunciar-se ontem em seu blog, apontando seu pífio currículo como treinador campeão em clubes e tirando do baú episódio ainda não esclarecido duma grana preta que ganhou pra dar uma entrevista que não deu, num amistoso da Seleção que não ocorreu, na Líbia.

Em: http://blogdojuca.uol.com.br/2011/08/zagallo-80/

E ficou maior do que imaginei o post. Paro por aqui, por ora.

Ferroviária em Campo

Post dedicado ao Evander, torcedor interiorano convicto.

E a todo mundo que valoriza o pujante – só não neste ano – futebol paulista, celeiro de craques do Brasil e do mundo todo. Porra, caralho, cacete: de todo o Sistema Solar!

Na febre de livros futebolísticos que vêm saindo a rodo, que tal um sobre a Ferroviária de Araraquara? Vulgo Ferrinha. Vulgo Locomotiva. (Cuma?). Time afeano. Que, não sabia, chegou a ganhar um Campeonato Paulista – empatados com o XV de Piracicaba – em 1966.

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O matinal “Pontapé Inicial”, da ESPN Brasil (canal 70), é praticamente o programa da Ana Maria Brega pra homens, mas sem receitas de bolo, globais, nem papagaio. Em compensação, tem nome besta, dicas culturais, papagaiadas a granel e, lógico, notícias sobre esporte futebol.

Vez ou outra rola ainda algum músico tocando ao vivo por ali. Maioria deles, de MPB (que acho que deveriam mudar o nome pra MPBD – Música Pra Boi Dormir), que é preferência declarada dos decanos da emissora. Raramente rola algo que fuja desse cardápio.

Assim foi na última 3ª feira, em que uma dupla de violeiros, Ricardo Vignini e Zé Helder, esteve ali tocando, pra promover “Moda De Rock – Viola Extrema”, álbum por eles recém-lançado que não chega a ser de black metal ou coisa do tipo, mas duma abordagem sonora curiosa, INUSITADA: versões instrumentais de sons classic rock e heavy metal em viola caipira.

Ah, claro que o whiplash já andou divulgando a respeito em notinhas, mas peguei na hora em que estavam tocando “Kashmir” do Led Zeppelin. (E haviam iniciado com “Aces High”, que perdi). E ver ao vivo é mais interessante.

Mais interessante ainda é entrar no site do projeto, www.modaderock.com.br, e poder ouvir o álbum inteiro em suas 11 versões:

  1. “Kashmir” [Led Zeppelin]
  2. “Master Of Puppets” [Metallica]
  3. “Norwegian Wood” [Beatles]
  4. “In the Flesh” [Pink Floyd]
  5. “Kaiowas” [Sepultura]
  6. “May This Be Love” [Jimi Hendrix]
  7. “Aces High” [Iron Maiden]
  8. “Mr. Crowley” [Ozzy Osbourne]
  9. “Smells Like Teen Spirit” [Nirvana]
  10. “Hangar 18″ [Megadeth]
  11. “Aqualung” [Jethro Tull]

E minhas impressões positivas – mesmo ainda não tendo ouvido tudo – vão pras versões de “Aces High” e “Master Of Puppets”, bastante fiéis, inclusive nos solos. O ineditismo dalgumas versões como “Hangar 18″ comparece, assim como o espanto de terem também feito a parte cadenciada (meio samba, meio baião) final, com alguns dos solos constando: só achei que faltou fazer a soloiada toda, caralho!

A versão pra “Kashmir” faz total sentido, já que Jimmy Page nunca escondeu o apreço pelo blues estadunidense, de alguma semelhança tonal e timbrística com as modas de viola daqui. Achei bola dentro, assim como também a “Kaiowas” (zeppeliniana até o caroço, e daí pertinente), que ao mesmo tempo não achei tão fiel à original: por incrível que pareça, a do Sepultura tem mais groove. Talvez a dupla tenha querido fugir do óbvio scanner interpretativo, sei lá.

****

As impressões negativas eu dou a “Smells Like Teen Spirit” e “In the Flesh”, que talvez eu estivesse lesado, por mal reconhecer elementos das originais nelas. E à obviedade de coverizarem “Aqualung”  (acho incrível que muita gente talvez ache que Jethro Tull só teve ela a oferecer…), que aí já é chatice assumida deste que vos bosta (digo, bloga).

Assim como ao projeto em si, animador numa 1ª vista e ouvida, mas redundante e constante na mesma prateleira de versões inusitadas de hordas insólitas tipo Beatallica, Dread Zeppelin, Dokaka, Bloco Vomit, Apocalyptica e Señor Coconut, sendo dessas coisas que a gente ouve e desencana, servindo vez ou outra pra mostrar pra alguma visita curiosa que vem em casa.

Imagem de Amostra do You Tube

Achei legais as ENTORTADAS RÍTMICAS concedidas aos sons, parecendo coisas compostas por aqueles violeiros do interiorzão. Será que rolará de tocarem em programas de Inezita Barroso ou Rolando Boldrin?

Chatices, ambivalências e prazos de validade à parte, acho que só me espantarei com álbum de versões agora que for de covers fiéis de Slayer tocados por filarmônica de agogôs e berimbaus.

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