Def Leppard

Seriam mais uma dentre tantas bandas mequetrefes oitentistas de calibre pop, não fossem o (dizem) guitarrista inventivo e o vocalista messiânico. O mais messiânico de todos, capaz de tornar hit mundial o conflito entre católicos e protestantes.

Com a falência do Police no início dos 80′s, tiveram pouca concorrência – fora muita assessoria – para DOMINAREM a década. Nos estertores dela, fecharam pra balanço. “Sonhar de novo”. E o fizeram.

Imagem de Amostra do You Tube

Quando voltaram em 1991, eram outra banda. O single inicial, “The Fly”, incomodou a quem era fã convicto: modernice baterística, saturação guitarrística, vocais esquisitos e sombrios, visual com jaqueta de couro. Foi a porta de entrada pruma nova encarnação, que tudo fez para escarnecer a eles próprios, a mídia e os megashows – algo que o Sigue Sigue Sputnik tinha tentado 5 anos antes, mas ninguém deu bola.

Talvez nem o U2.

Pessoalmente, foi quando comecei a gostar dos caras: “Even Better Than The Real Thing”, “One” (e seus 2 clipes), “Zoo Station”, “Who’s Gonna Ride Your Wild Horses”, e tal. “Mysterious Ways” não gostei e continuo detestando. Turnê pirotécnica Zoo Tv emendada no melhor disco da banda, “Zooropa” (duma porralouquice genial), geradora de turnê babilônica conseguinte + vhs (depois, dvd) faraônico legalzinho.

A encarnação foi arrefecendo em meio ao cinismo e às deficiências técnicas dos sujeitos: veio o fajuto “Pop”, e o que lançaram em seguida ficou 50% resíduo da fase noventista com 50% do ranço oitentista. Bono chatonildo, carismatopata, volta e meia cogitado pra Nobel da Paz. Pff!…

O ponto é: faz 20 anos duma das maiores reinvenções – senão da MAIOR – duma banda. No rock, no pop, no universo. De “Achtung Baby”.

Que, além disso, foi culpado por:

  • fase horrenda de Def Leppard (“Slang”)
  • fase assumidamente comercial e “artística” do Metallica: Lars Ulrich cansou de creditar a “Achtung Baby” e a “Zooropa” os seus “Load” e “Reload”
  • guinadas infelizes barra falidas de tantas outras bandas, das quais não lembro agora

Alguém se lembra ou se importa?

Creio todo mundo por aqui ter idade pra ter lido a Rock Brigade nos 80′s.

Em tempo que talvez seja particular de cada um achar melhor que posteriormente (meu caso), e ainda melhor que nos tempos de hoje em dia, de publicação tornada zine bissexto e trôpego, léguas atrás dos tantos sites informativos disponíveis.

De tempo em que a coluna Banger News vinha em papel de jornal (pra ser cult?) no meio da revista, e em que o logotipo era mais tr00 e, portanto, mais condizente com o nome tirado de música do Def Leppard véio e ainda não babão e babado. E em que a numeração vinha em algarismos romanos!

Eram tempos de resenhas interessantes, por vezes prolixas, de Antonio Carlos Monteiro e de André Pompa Cagni. E de resenhas alvissareiras, por vezes exageradas – ah! – de lançamentos novos ditos clássicos (e que o “teste do tempo” posterior encarregou de apropriadamente revisar) de Dio, Deep Purple, Uriah Heep e Black Sabbath feitas por – oh! – Vitão Bonesso.

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Black Sabbath que atravessava a “fase Tony Martin”, momento mais subestimado, vilipendiado e outros ‘ados’ pejorativos, de sua trajetória, de álbuns como “The Eternal Idol” (que adoro), “Headless Cross” (que não curto) e “Tyr” (que odeio, mas ouço uns sons).

Tony Martin esse que considero dos piores vocalistas que ao vivo já tive desprazer de testemunhar. E ainda pior pela absoluta e ABSURDA falta de carisma.

Tem menos carisma, pra mim, que Blaze Bayley, Vince Neil e Derrick Green juntos.

O escopo do post é, afinal, relembrar e questionar o FATO de, nas resenhas oitentistas da Brigade, ele vir sempre citado, pejorativamente, como sendo um “Dio Cover”. Era mesmo?

Conversa fiada essa que engoli por muito tempo, sempre depreciando o sujeito pelo motivo errado. Motivos certos, aprendi, seriam (e são) os discos irregulares (o “Forbidden”, de sua 2ª passagem sabbáthica, jamais encontrei alguém que defenda), algumas músicas constrangedoras e, insistindo ainda nisso, os momentos completamente VERGONHA ALHEIA dele ao vivo. Em que estragava, sem nenhuma piedade, clássicos do Black Sabbath de outros vocalistas, e também de sua fase.

Quem esteve no Philps Monsters Of Rock de 1994 certamente lembra disso.

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Fica o vídeo de “The Shinning” e uma pergunta (a)final:

Imagem de Amostra do You Tube

* de onde, por onde, por que devaneios diligentes e falsamente criativos, ou releases gringos porcamente traduzidos, se tirava a idéia de Tony Martin como “cover de Dio“?

Não me parece, hoje, que tivesse a ver.

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