Celtic Frost

Videoclípico.

“In My Dreams With You” – Vai (1993)

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“A Dying God Coming Into Human Flesh” – Celtic Frost (2006)

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Tá certo que não são tão iguais como me pareceram muitíssimo tempos atrás. Mas a partir do 2º minuto do 2º, creio até dar pra brincar…

Certamente também que com o som desligado fica (até) (mais) interessante. Mas ficaria (ainda) mais interessante se alguém fizesse a brincadeira de jogar o áudio de um no vídeo do outro. E vice-versa.

eheh

Ah, a Suíça…

País reconhecido pelos melhores chocolates… mesmo não tendo um pezinho de cacau plantado.

País de “neutralidade” declarada, embora um tanto maculada pelos bancos “joões-sem-braço” que ainda detêm tesouros saqueados na II Guerra Mundial. E contas secretas – que ninguém tem a ver com isso, oras. Muito menos a Polícia – de ilustres políticos brasileiros.

E dum futebolzinho pífio, horrendo e pavoroso, retranqueiro até não se poder dizer “chega!”, como o ostentado nas últimas duas Copas.

Mas que por outro lado legou ao mundo o Celtic Frost, o Coroner, o Young Gods e até o Samael… Fica tudo acertado com tais compensações, certo?

E com a compensação abaixo, um protesto de torcidas GENIAL:

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Que, irritadas com a mudança de horário do jogaço Lucerna X Basiléia (dèja-vu?) devido a jogo de tênis do tal Roger Federer, suíço também, ATOLARAM o campo de bolinhas de tênis em represália. No que atrasou a partida e certamente queimou o filme da emissora responsável (modo de dizer).

Quem dera os “nossos” torcedores alguma hora dessas resolvesse fazer isso. Protestar contra as novelas, que jogam as partidas pra tarde da noite. Porque interessa, fora o monopólio, apenas o IBOPE à Rede Grobo.

Quem sabe jogando merda no gramado. Ou livros de Clarice Lispector (agora surtei!). Ou deixando de assistir na tv. Ou sei lá o que.

Ficar com “tomá no cu, Galvão” não adianta mais de muita coisa: virou modinha nerd inclusive.

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E quem dera parte significativa da imprensa esportiva deixasse de SE ESCONDER na hora de criticar também (em defesa dos caros torcedores), ao invés de ficarem argumentando ser de direito de “quem paga” tal atrocidade impune. E infinita enquanto perdura.

“Pegaram Jesus Prá Cristo”, Não Religião, 1991, Estúdio Eldorado

sons: ESTADO DE SÍTIO* / IGREJA COMERCIAL / CENSURA NÃO / TE DÓI / MULHER NO CAOS NO PAÍS DO CARNAVAL / QUALQUER TIPO DE RELIGIÃO* / JESUS CRUCIFICADO NO POSTE DA LIGHT* / A VOZ DA CONSCIÊNCIA / E ELES ATÉ AS PORTAS VÃO LEVAR / PEGARAM JESUS PRÁ CRISTO / GOSPEL

formação: Kley (guitarra), Tatola (voz), Walter (baixo), Norberto (bateria)

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Pra quem não é de São Paulo, ou tão veterano, o Não Religião surgiu – embora já existisse – como “vencedor” dum concurso de bandas num extinto programa da TV Cultura, “Boca Livre“, apresentado por Kid Vinil. Tinha como figura mais proeminente o Tatola, que por ser radialista à época na 89fm (e depois, na Brasil 2000fm, da qual o mesmo Kid Vinil é hoje diretor), conseguiu uma divulgação maior pra banda.

“Pegaram Jesus Prá Cristo” foi o 2º de 3 discos lançados, todos pela Eldorado: o inicial foi “A Verdadeira História De Um Brasileiro” (que chegou a ter hits em rádios-rock daqui, como “Juventude à Vácuo”, “Brasil” e a versão de “Coração de Papel”, de Sérgio Reis [!!]), ao passo que o último, de nome exemplar, “Ninguém Me Escuta” (o ideal talvez tivesse sido sair “Ninguém NOS Escuta”), chegou a render um hitzinho, “Pecado”, fora uma regravação anêmica de “A Face De Deus”, do Inocentes. Além de conter 6 sons dos 2 discos anteriores (nem regravados nem ao vivo: pinçados na cara dura dos outros!) pra encher lingüiça.

"A Verdadeira História De Um Brasileiro" (1990)

"Ninguém Me Escuta" (1994)

Porra, mas e o que Não Religião tem a ver com thrash metal?

Nada tanto assim, mas em seus melhores aspectos e momentos, a estrutura dos sons – sobretudo neste álbum – e alguma ousadia e arroubo técnico ínfimo. Trocando em miúdos: os caras eram punks, mas tentavam estender os próprios limites e inspiração pro metal, mesmo que sem o talento e a pegada dum Ratos De Porão.

Os sons têm palhetadas (nada de acordes soltos), riffs, paradinhas, viradas, partes diferentes (intros/solos/variações de andamento), dobras de guitarras. MUITO MAL TOCADAS, mas têm. O que confere toda a graça em se ouvir a banda e este trabalho. Estivessem ativos, não teria pra CPMerda 22 nem pra esses hardcores melodiCUzinhos fofoletes.

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Entretanto, é nas letras e no vocal que a coisa fica FEIA, e estraga a apreciação de esforços demonstrada. Insisto: instrumentalmente a banda tinha lá sua manha – sobretudo o guitarrista e o baterista (como no final de “Mulher No Caos No País Do Carnaval”) – e química, mas o que dizer de letras que, fora virem com erros de português em pleno encarte (que já começam no “Prá” da capa) e de concordância (uns pra forçar rima como em “Qualquer Tipo de Religião”) – e só não rola isso em “Gospel”, instrumental – apresentam pérolas de absoluta falta de sentido e/ou coerência como “Te Dói”, “E Eles Até As Portas Vão Levar”, “Censura Não” ou “Igreja Comercial”?

“A Voz Da Consciência” é de um ridículo inominável e merece comentário à parte: mistura versos avulsos, e sem alterações, de Legião Urbana (“Monte Castelo”, “Sete Cidades”, “Meninos e Meninas” e “Eu Era Um Lobisomem Juvenil”), de uma forma até genial e dadaísta, porque lhes tiram totalmente qualquer sentido! “Mulher No Caos…”, já citada, antecipa a cafajestice dum Tihuana em uns 10 anos (“eu tenho mulher, não sei prá que/ eu quero mulher só prá comer”), e acho também abjeta.

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Os 3 sons acima asteriscados são os que considero absolutamente melhores nos quesitos letra E música juntos. E foram hits.

1) “Estado de Sítio” consegue ser sensível como nunca um CPMerda conseguirá. Soa até poética. Fora o riff dissonante e em contratempo, bastante distinto de andamentos ska de punks que conseguem tocar melhor (pois punk quando descobre um troço chamado CONTRATEMPO, resolve tocar ska a torto e a direito).

2) “Qualquer Tipo de Religião”, a despeito da rima forçada, tem na letra um tratado anarco-libertário que JAMAIS LI em banda nacional. Teve clipe na mtv, tosco tosco, que encerrava com um molequinho nu vestindo de anjo mijando em vela acesa numa Igreja (Noruega perde!). E o som é cadenciado, com solo e palhetada cavalgada. Curioso.

3) “Jesus Crucificado No Poste Da Light”, por sua vez, é duma inspiração ímpar. Crítica à Igreja Universal assumida, tocou muito em rádio, tem o riff + inspirado, e a intersecção letra/vocais produz o melhor resultado (fora a faixa-título, impagável nas subidas de tons literalmente executadas por Tatola). Por ser quase tudo narração – o que de melhor o cara fazia…

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Por curiosidade, essa mesma faixa-título e “E Eles Até As Portas Vão Levar” valem um download, caso existam. Já o riff de “Censura Não” é chupim descarado de alguma coisa que eu não consigo lembrar.

“Gospel” encerra o disco, falsamente conceitual, de forma melancólica: trata-se dum dedilhado de guitarra que começa errado já na 1ª palhetada, de inspiração e técnica zero e timbragem medonha. Dedilhado horroroso mesmo. Coisa que qualquer moleque atualmente com duas semanas de IG&T faz melhor.

Um outro motivo razoável prá – ops! – aqui resenhá-lo (o disco) é sua capa, fodida. Teco duma pintura de Hieronymus Bosch, “Cristo Carregando a Cruz”, que os coloca no mesmo patamar do Celtic Frost (cuja capa do “Into the Pandemonium”, retirada de “O Jardim Das Delícias”, também o é)!

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E apesar da crítica ruim, vale constar que é todo bem gravadinho. Não tem tosqueira de produção punk amadora. Ouve-se tudo. “Pegaram Jesus Prá Cristo” é daqueles discos únicos: plenos em sua tosquice, encantador pela ruindade e louvável pelas boas intenções abomináveis. Racionalizar demais o priva de qualquer valor.

Torço pra que não demore a hora de revistas consagradas tipo Valhalla (principalmente), Roadie Crew e Rock Brigade o (re)descubram. Pra daí eu arrotar aos 4 ventos o pioneirismo do Thrash Com H [agora o Exílio Rock] em resenhá-lo eheheheh

E que eu saiba, jamais saiu em cd (nem os outros 2; poderiam sair juntos num 3 em 1. Aposto que caberia tudo), mas existem exemplares à disposição por 5 contos lá na Devil Discos, na Galeria. É pegar e NÃO largar!

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PS – resenha publicada originalmente no Thrash Com H em 15 de Outubro de 2004, devidamente recauchutada, corrigida e adaptada nuns pedaços pra cá

PS 2 – a Devil Discos faliu. Virou lojinha de roupinhas e bolsas pra emo e indie. Quem não achar sons na internet, só achará os álbuns dos caras em sebo mesmo, e olhe lá

PS 3 -  o baixista Walter, após sair da banda (ou fim dela, não lembro), teve passagem-relâmpago pelo Ratos De Porão, no obscuraço “Just Another Crime… In Massacreland”, sob a alcunha “Bart”

PS 4 – incrível como a banda pouco deixou marcas: vídeos no You Tube praticamente não há, o clipe de “Qualquer Tipo De Religião” não encontrei (os vídeos aqui colados foram os melhores que encontrei), e comunidade orkutiana existe só uma, com meia dúzia de gatos pingados (na verdade, 41. Eu incluso) e apenas 1 post abandonado às traças

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