Beatles

Pode uma música significar o que quer dizer e TAMBÉM o seu contrário?

Sei lá se são muitos os casos; me ocorrem 2. O primeiro, confesssado por Sting, numa entrevista que vi em que se dizia “chocado” (ou algo assim) em ver “Every Breath You Take” sendo usada como música em casamentos. Quando a canção seria sobre ciúme possessivo e doentio…

O outro caso que me ocorre: pode uma música sobre união e quebras de preconceitos, fronteiras e barreiras signficar também o oposto?

Sim. Então dá-lhe “One Vision”, do Queen, lançada no “A Kind Of Magic”, em 1986:

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E a versão surrealmente cometida pelo Laibach, eslovenos misantrópicos (de verdade: nunca deram entrevista, e mal se sabe até hoje os nomes dos integrantes ou o que tocavam ou deixavam de tocar), no ano seguinte, em “Opus Dei”:

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Com jeitão meio nazista, marcial, dado a ausência de fronteiras também, mas pelo modo invasor, panzer division, anchluss, imperialista do negócio. Mesmo que a germanofilia dos caras fosse tão só de brincadeira – meio de mau gosto, ou passível de entendimentos tortos, mas brincadeira.

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PS – sobre o Laibach, cometi (na verdade, reprisei) no Thrash Com H resenha sobre “Opus Dei” em dezembro de 2009.

E a quem quiser entender de onde veio o Rammstein, baixar sons do referido álbum, ou de “Let It Be” (de versões ásperas barra austeras do álbum homônimo dos Beatles) pode ser uma boa.

Dá pra contar nos dedos duma mão do Lula, creio eu, os compositores ainda vivos que mereçam o epíteto de MONSTROS – e aqui deixo espaço pras menções mnemônicas a ex-Beatles, a Carlos Santana ou Jeff Beck, ou a integrantes de formações progressivas tiranossáuricas, Rolling Stones e/ou bandas jurássicas outras tantas.

Ennio Morricone, cuja biografia e maiores dados melhor se encontra em pesquisas na Wikipédia (aliás, uma página RIDÍCULA a ele dedicada), no site oficial – www.enniomorricone.it – ou ainda pelo Google, na comparação seria o monstro dos monstros, uma entidade, uma lenda por si.

Prestes a comemorar 83 anos, continua ativo nas trilhas sonoras de filmes, tendo lançado a 1ª em 1964 (segundo o www.allmusic.com, outro ótimo site referencial) e a mais recente, ano passado (“Baaria”). Já cometeu mais de QUINHENTAS e segue contando.

Alheio a badalações de crítica (praticamente nenhuma) ou reconhecimento da tal “indústria cinematográfica”, que apenas lhe deu um Oscar honorário em 2007, das mãos do Clint Eastwood. Em homenagem coerente, mas também simbólica, já que a despeito da variedade imensa de filmes que já sonorizou, o italiano ficou e ficará sempre conhecido como trilheiro de westerns.

Morricone praticamente forjou a sonoridade dos faroestes. Todo e qualquer um que surja ainda, irá sonoramente na cola das pistas por ele lançadas. Nas pegadas por ele deixadas pelo caminho poeirento entre o saloon e a forca.

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Mas o foco aqui é recomendar dvd com apresentações de orquestras por ele regidas nos últimos anos.

Sei lá quem lhe deu a IDÉIA SUBLIME, mas o fato é que duns 7 anos pra cá Morricone vem se apresentando com orquestras executando a nata de sua obra pelo mundo. Inclusive aqui no Brasil, em meados de 2004 ou 2005, tendo tocado no Teatro Alfa com preços pra lá de proibitivos: não me atrevi a ir, embora quisesse, em evento cujo ingresso mais barato custou R$ 750.

E como a lei de mercado vigente é a de nenhum show mais ficar em segredo, os dvd’s saíram aos borbotões. Importados, de show (aliás, concerto) em Veneza (vide acima), mas também em versão nacional, dum concerto em Munique com a Orquestra Filarmônica de lá e com acompanhamento dum certo Bavarian Radio Chorus.

Este aqui, que comprei num sebo a 15 contos e que, a despeito do complemento nominal idiota (“Eu Amo Cinema e Música”???), recomendo veementemente:

Haverá alguém que nunca ouviu uma música dele? Em havendo quem não se seduza com músicas das trilhas de “Cinema Paradiso”, “A Missão” ou “Os Intocáveis”, ao menos constam sons memoráveis da trilha de “Três Homens Em Conflito” aqui. Que é o que vale o investimento, e ponto final.

Melodias arquetípicas, arranjos inusitados (nos orginais, numa mistura de orquestra, primitivismo, música eletroacústica, rock, pop e jazz) e uma ASSINATURA facilmente reconhecível, a despeito dalguma contradição em se afirmá-lo: esse é Ennio Morricone, o mito.

E pra quem curte Ramones ou Metallica, seguem:

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Recomendo ainda o contudente best of de capa horrorosa abaixo, que volta e meia vejo em oferta em sebos ou na Lojas Americanas.

Há quem venere Hans Zimmer, quem idolatre John Williams (ganhador de Oscar a granel) ou Angelo Badalamenti, ou simpatize com Mark Snow, Danny Elfman e outros. Mas Morricone come esses caras com farinha casca e tudo no molho do espaguete!

Dizem que, de boas intenções, o inferno está cheio. Então juntei aqui os cinco piores covers já executados por músicos profissionais, que lamentavelmente não foram impedidos a tempo de cometerem tais atrocidades:

5. Weird Al Yankovic defecando:
Bohemian Rapsody, Queen
(sim, é zoeira, mas ficou ruim, convenhamos)

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4. The Showdown desgraçando:
Carry On My Wayward Son, Kansas

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3. Limp Biskit esmagando:
Sanitarium, Metallica

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2. A marinha soviética insultando:
Let it Be, Beatles

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1. Avril Lavigne destruindo:
Chop Suey, System of a Down

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