Alice In Chains

Festival com mensagens ecológicas bastante importantes e variadas atrações, o SWU, realizado em Paulínia (interior de São Paulo), teve cobertura específica da ROCK BRIGADE no dia 14 de Novembro, dia das atrações mais pesadas, por nossos colaboradores Silvia da Silva e Luciano Lúcio.

Eles não chegaram a tempo de ver a volta dos Raimundos (em função do credenciamento de imprensa), nem o show do Duff McKagan’s Loaded, mas souberam se tratar de apresentações “bem recebidas”, embora o 1º não conte nunca mais com Rodolfo Abrantes e o 2º tivesse alguns sons do Guns N’Roses colocados no set, como “It’s So Easy”. Veio depois o Black Rebel Motorcycle Club, indie rock dos EUA, “com uma baterista esforçada” (para Silvia), que agradou ao pessoal fã de White Strips. Muito aguardada e “pra muitos, o melhor show do festival”, de acordo com a colaboradora, foi a apresentação do Down, no qual se ouviu Phil Anselmo como nos áureos tempos do Pantera e usando camiseta do Ghost, revelação do metal recente. Os demais integrantes pareciam tocar como fosse num ensaio, todos muito próximos e nem mesmo a falta de sons do Pantera pareceu desanimar a galera. Anselmo ainda cortou a testa como uma auto-microfonada. Na seqüência, o 311 entreteu a galera com alguns de seus hits radiofônicos, situados no momento específico pro público do Down ir tomar sua cerveja ou usar os banheiros químicos e o pessoal indie novamente se apossar da grade, pelo aguardo do Sonic Youth, que pareceu cumprir o que se divulgava, de ser o último show de sua longa carreira, em função do divórcio de seus líderes Kim Gordon (baixista) e Thurston More (guitarrista e vocalista). Destaque pra “Sugar Kane”, de rotação razoável na Mtv tempos atrás. O Primus tinha uma galera de fã-clube organizado bem em frente, portando camisetas e proferindo o grito de guerra “Primus sucks!”. Apresentando-se pela primeira vez no Brasil, vieram com um astronauta inflável no palco, telão psicodélico, um baterista diferente e o ex-Possessed Larry Lalonde na guitarra, tocando músicas de “Green Naugahyde”, seu recém-lançado álbum e deixando para o final os hits “Jerry Was A Race Car Driver”, “My Name Is Mud” e “John the Fisherman”. Les Claypool, para Luciano, “o maior baixista do mundo”, estava com o vocal um tanto “inaudível”. A seguir, Dave Mustaine e sua eterna picuinha contra o Metallica chamada Megadeth, veio e pareceu botar os decibéis em seus devidos lugares! Incomum abrirem com “Trust”, de fase mais comercial. A apresentação ainda contou com “Whose Life (Is This Anyway?)”, música nova do disco novo, “Th1rt3en”, que agradou ao mar de camisetas pretas que ainda berrou a plenos pulmões os hinos “Wake Up Dead”, “Holy Wars” e “Symphony Of Destruction”. O guitarrista novo, Chris Broderick, para Silvia, “não deixa saudades de Marty Friedman”; já o ponto negativo foi para o vocal de Dave Mustaine, inexplicavelmente sempre mais baixo nos shows. O Stone Temple Pilots é banda que aos colaboradores nunca agradou muito, mas contam ter agradado toda uma multidão saudosa dos hits “Wicked Garden”, “Vasoline”, “Plush”, “Big Bang Baby” e “Sex Type Thing”. Seu vocalista e ex-Velvet Revolver (ex banda também de Slash), Scott Weiland, dominou o palco, usou megaforne e foi secundado pelos outros integrantes, que pareciam apenas tocar. A espera pelo Alice In Chains era imensa, ainda mais a quem era moleque na época da moda grunge (alguém ainda lembra disso?) e agradou com a presença do novo vocalista, William DuVall. Todos seus hits fizeram parte da extensa apresentação, que deixou impressão duma banda de músicos também competentes (como o guitarrista Jerry Cantrell) que parece ter voltado para ficar. O show que fechou o dia e o festival foi o que mais dividiu opiniões: o Faith No More é uma banda que muita gente adora, outros simplesmente detestam. Tocaram vestidos de branco, “talvez homenageando os pais de santo daqui” (disse Luciano), fizeram número com crianças cantoras da favela de Heliópolis, afinados com a proposta engajada do festival e tiveram Mike Patton como total destaque, em meio às maluquices de sempre, como roubar a câmera e filmar o cinegrafista do canal de tv a cabo durante uma música, ir à platéia com microfone e tudo e proferir uns palavrões em português bem claro. Como foi também enquanto cantava “Evidences” em nossa língua. Não tocaram o que muitos fãs na internet esperavam, o álbum “King For A Day Fool For A Lifetime” na íntegra, que mesmo assim foi bem contemplado no set. Não faltaram “Epic”, “I’m Easy” e “Midlife Crisis”, assim como “insistentes pedidos da platéia” para que tocassem “Small Victory” e “Falling to Pieces”, ignoradas.

A letra a seguir é de faixa bônus do “Rapture Of the Deep”, o último (de recente) álbum de inéditas do Deep Purple, já deste século.

MTV

I was driving through the night
Into an endless tunnel of fog
When it dawned on me something was wrong

I was in a trance, hypnotised
Bored beyond belief
I was listening to the same old song
I know every lick, every word
Every nuance
I’m on first name terms with the crew

But I’d better get used to this poop du jour
Sure as hell they won’t play anything new

Oh yes I love you really
Classic Rock Radio
Oh my dear it’s time for bed

Time for you to go
Everyone is asleep

The pirates took to the water stole the charts
But sadly that didn’t go down well with those upstairs
Who require loyalty

The establishment considered
That the uncontrolled appreciation of music
Was a danger to royalty
The mighty empire roared
As Cash ‘n’ Everitt on the high seas
Looked like they’d get blown out of the water

They did of course eventually come ashore
As meek as mice or to be more accurate
As lambs to the slaughter
Oh yes I love you really
I stand to attention

Oh Fanny, I love you dearly
Something else I should mention?
You sweet thing

Let’s not talk about MTV
I don’t even want to start
I want to take a look at Classic Rock Radio
We’re talking about the state of the art

Mr. Grover ‘n’ Mr Gillian
You musta made a million
The night that Frank Zappa caught on fire
Could you tell us all about it
Keep it short and use my version
Or everyone out there’ll think I’m a liar
We can speak about bananas for one second
Just because I understand
You have to get them off your chest

But in the meantime while your talking
Could you do some more of these here ID’s
And then this station might maintain some interest

Oh yes I love you dearly
But why do you exist?

Oh yes I love you really
Is there something that I missed?

.

E embora me soe suficientemente clara (embora insuficientemente inteligível) a respeito de que se trata, tive maiores esclarecimentos a respeito dela quando vi uma entrevista – não na Mtv ahah – de Ian Gillan dizendo-se irritado com entrevistas que a banda tem que dar a cada álbum novo lançado nas quais entrevistadores (revistas, sites, rádios) insistem em só quererem saber dos tempos de “Fireball”, “In Rock” ou de quando compuseram “Smoke On the Water”.

Deve ser um SACO mesmo: você lança um trampo novo – e pouco importa se irrelevante ou aquém dos lançamentos clássicos – e só querem saber do teu passado. A informação acaba ficando em 2º plano, em detrimento do vender nostalgia.

Que é o que o recente nicho de mercado roqueiro, do Classic Rock, faz afinal.

Imagem de Amostra do You Tube

Isso posto, abstraio e estendo a questão para uma outra aresta e faceta da mesma letra e assunto: do quanto ENCHE O SACO ouvir rádio rock - e rádio de Classic Rock (nome aos bois: Kiss Fm) – e ouvir as mesmas uma, ou duas, ou meia dúzia, de sons de certas bandas.

Bandas como o Deep Purple, que têm uns 40 discos na bagagem, e de que se toca, quando muito, a mesma meia dúzia de 7 ou 8 sons. Com tanto som bom, não aproveitado… e até desse “Rapture Of the Deep”, a mim bastante convincente. E do qual nunca ouvi nada que não fosse aqui em casa.

Similar e curiosamente, vejo o mesmo ocorrendo com o Alice In Chains, banda não tão jurássica ainda, que voltou à ativa ano passado lançando o incrível “Black Gives Way to Blue”, mas de que se insiste em tocar sons apenas dos álbuns noventistas.

“Your Decision”, desse novo, até vem tocando um pouquinho. Ultimamente. Mas os outros 4 ou 5 sons de potencial radiofônico provavelmente serão tocados – se tornados “clássicos” – daqui uns 10 anos.

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Casos como os de Thin Lizzy e Jethro Tull então, vira covardia. Dos irlandeses raramente se ouve algo que não “The Boys Are Back In Town” ou “Jailbreak” – a não ser quando existindo pedido do público, em que algum devoto ousa fugir do óbvio – enquanto que dos segundos eu realmente ache ABSURDO que só se toque “Aqualung”.

Que é um som legal, de riff memorável e tudo. Mas, caralho, a banda ainda está ativa, com uns 25 álbuns, maioria acima da média (pra mim, que sou fã) e parece que só se conhece isso!!

Álbuns como “Minstrel In the Gallery” e “Heavy Horses”, pra ficar nos setentistas consagrados, acho até mais legais que o homônimo da faixa perseverada. E não fosse por isso apenas, os caras têm lançamentos oitentistas, como “Broadsword And the Beast”, “Crest Of A Knave” (ganhador daquele infame Grammy pra cima do Metallica) e “Rock Island”, ou mesmo o recentíssimo “J-Tull Dot Com” (1999), de pretensões comerciais assumidas. Não se toca porra nenhuma deles.

Bandas como Ramones, Black Sabbath, Queen e Rush escapam um pouco disso: têm lá cada qual sua dezena (dúzia?) de sons executados por aí; no entanto, Frank Zappa – de 60 álbuns lançados em vida – tem a mesma (chatinha) “Bobby Brown Goes Down” martelada, Dio tem lá umas duas ou 3 de sempre, e Led Zeppelin e o Pink Floyd uma meia dúzia: embora predominem as torra-saco “Black Dog”, “All My Love”, “Another Brick On the Wall, Pt. 2″ e “Wish You Were Here”.

Quem é que ainda agüenta?

Parece que muita gente, a julgar pela programação da Kiss e das poucas rádios rock (conheço ainda a 107,3 – finada Brasil 2000 – e ocasionalmente a Mitsubishi fm), que curtem ainda ouvir esses mesmos sons, dia após dia.

Desperdício isso, na minha opinião.

Por isso, o post vai em solidariedade a Ian Gillan e a todos os dinossauros ainda ativos que insistem em ser ouvidos: por que só Paul McCartney e Rolling Stones parecem ter habeas-corpus contra esse fenômeno?

*****

E a quem contra-argumentar que nem se ouve mais tanto rádio assim, apenas pergunto: é mesmo?

Porque aí então o dinossauro sou eu.

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