Post futebolístico sobre assunto que já deu uma esfriada. E que talvez volte à baila depois da Copa.
E depois que pedidos – entre aspas – “públicos” por convocação de Neymar e PH Ganso, ou assuntos vindouros de gente cortada da Copa do Mundo por contusão (sempre há), deixem de ser os assuntos da vez.
Tem a ver com Adriano Pingaiada
Cuja trajetória recente, de GOLPE pra cima da Internazionale (rescisão de contrato conseguida sem multa, sob alegada “depressão”), contratação hiperbólica pelo Mengão e trajetória tida como heróica na “conquista” do Brasileiro 2009, não se deu sem gerar ASSOMBRO com a troca de Milão pela favela onde nasceu. Muita gente ainda se indigna: “pô, o cara troca o 1º Mundo, o dinheiro, o glamour, a gastronomia, pela laje e amigos de infância?”…
****
Tem a ver também com o embuste chamado Vágner Love
Cuja trajetória de contratação fiasquenta pelo Palmeiras, e transferência bem-sucedida pro mesmo Mengão campeão (não tivesse ganhado o título, provavelmente pra lá não iria…) dispensam maiores rememórias. Ainda são fatos recentes.
.
O ponto onde quero chegar, afinal, é o do ESCÂNDALO gerado por recentes aparições dos “ídolos” com figuras abjetas das favelas donde vieram e/ou freqüentam: Love, sendo caso ainda pior, tendo sido filmado entrando e saindo de baile funk escoltado por traficantes armados.
Foi entrevistado (inquirido?) a respeito, e a resposta dada, de que não via nada demais no fato, afinal possuía vários conhecidos traficantes, saiu pior que o soneto.
O Pingaiada foi denunciado por suposto caso de haver comprado motos pra traficantes. Fora não saber do desfecho da história – a imprensa, ainda mais a esportiva, muda de assunto mais rápido que criança hiperativa tomando sorvete e jogando videogame ao mesmo tempo – ficou a indignação e alguma “mancha” no currículo do rapaz (que nem precisa mais muita), além de especulações das mais eruditas sobre ele merecer ir à África do Sul ou não.
.
É a hora em que levanto a pergunta: que escândalo, que choque é esse, quando se SABE que 99,9% dos jogadores de futebol vêm da favela, da escória social?
Quer dizer que, na hora de se fazer matérias emotivas acerca desses mesmos caras “vencendo na vida” superando dificuldades, e tendo passado por momentos de não terem tido dinheiro pro busão pra irem treinar, ou podido comprar chuteira, VALEM?
Chorar em programa ao vivo, com depoimentos de pai, mãe, vizinho, colegas (alguns, certamente traficantes. Vários, certamente não tão boa gente), VALE, certo?
Penso na HIPOCRISIA desse escândalo, dessa indignação que percorreu várias das mesas redondas futebolísticas nos últimos tempos. Tendo merecido repreendas públicas ou até considerações do tipo “ah, mas sujeito poderia se preservar mais”.
Preservar do que, se o cara vem desse meio, pombas?!
Fico pensando se a repercussão disso tudo não tem a ver é com MEDO.
Medo de se perder patrocínios, de se ter portas fechadas para entrevistas exclusivas (a imprensa esportiva parece ser o segmento de imprensa de maior RABO PRESO com o meio a que pretende cobrir), de se perder monopólio das transmissões, de não se ter assunto. Em meio tão repleto de intermediários, de atravessadores, de empresários, procuradores, assessorias de imprensa, cartolagem amadora e semiprofissional, repórteres, ex-jogadores e ex-árbitros comentaristas… de tanta gente que excede o espetáculo. E que também vive do mesmo.
Ou medo até de serem agredidos.
Vai que a comemoração chistosa e politicamente incorreta, abaixo (e tratada com desdém pelos poucos – 1 – noticiário em que vi passar), se torna real e próxima à gente pra CÁ das placas de publicidade?
Precedente já houve: até voltar à ativa (na época do Palestra na Segundona – “série B” acho eufemismo besta) em transmissões na Record, o Luciano Do Valle havia se retirado desse meio, alguém mais lembra?
Alegava não suportar mais agressões verbais, e à beira da física, porque vinha passando em transmissões nos estádios. Foi morar em Recife e tirou um tempo. E voltou.
.
Talvez realmente importe mostrar os ídolos, as glórias, as casas luxuosas e milhares de pares de tênis comprados, as celebridades com quem se envolvem depois de “civilizados”, e não tanto o lado “feio” omitido – e a ser esquecido, estamos conversados? – disso tudo. Quantos jogadores de futebol realmente atingem o status de megaestrelas, 1%?
A maioria acaba voltando pra favela mesmo, com o rabo entre as pernas, e tudo bem. Porque outros ídolos prestes a serem incensados pegam as vagas. E tudo bem.
E o status quo acaba ficando o mesmo. Tudo bem. Tudo igual. Ganhando ou não o hexa. E a gente “se vê por aqui”.
…




































