Ainda sobre a volta do Black Sabbath.
Um presunçoso recado aos srs. Tony Iommi, Ozzy Osbourne, Geezer Butler e Bill Ward:
- Se por algum motivo, sobretudo físico, dos srs. Osbourne e Ward (turnê “Reunion” duns quase 15 anos atrás já tinha Mike “backup” Bordin subindo ao palco eventualmente pra terminar o show por ele), as coisas não forem tendo aquele FÔLEGO todo
- Ou o tal disco novo não emplacar
Sugiro colocarem isto aqui pra tocar
… e mandarem ver no playback!
Sabe-se que Ozzy jamais decoraria tanta letra. Mas pra ele seria mais fácil lidar: encham-no de baldes d´água e o instruam a mostrar a bunda adoidado e a perseverar com os “we love you all”, “are you fucking crazy?” e “we can’t fucking hear you” de sempre. Ninguém haveria de reparar.
Eu e mais uma meia dúzia repararíamos. Mas pelos outrora digníssimos e precursores serviços prestados, me comprometeria a guardar segredo, fechar o bico, quebrar esse galho, tudo bem?
…
Que me lembre, era 1986 já no fim, quase 1987, quando pedi pra minha mãe me comprarem, num finado Jumbo Eletro, este “Flaunt It”. Motivado, óbvia e hormonalmente dizendo, pela capa – que ainda acho foda, e isso é pobrema meu – e por “Love Missile F1-11″, hit da vez, que enchia o saco de tocar no rádio e eu curti.
- Love Missile F1-11
- Atari Baby
- Sex Bomb Boogie
- Rockit Miss U.S.A.
- 21st Century Boy
- Massive Retaliation
- Teenage Thunder
- She’s My Man
Não conhecia o heavy metal ainda, tampouco rock de verdade, mas aquela e as outras 3 ou 4 músicas tornadas favoritas me soavam PESADAS de verdade, hormonalmente (de novo) falando.
Foi também com “Flaunt It”, em resenha emprolada da Bizz, que precocemente me inteirei sobre existir o “rock de proveta” (sic), banda armação, coisa assim: algo que demorei a assimilar, tanto quanto do que diziam de “Gigantes do Ringue” (telecatch que passava na Record) ser marmelada, fajutice. E daí, mesmo curtindo os sons, tendo comprado pedido pra comprar o fraco “Dress For Excess” seguinte e lamentado não tê-los visto “ao vivo” em 1989 (quando os estranhei fazendo playback no Faustão, mas sem ligar A + B), ambivalentemente deixei o Sigue Sigue Sputnik de lado. E, ao que consta, também eles próprios.
25 anos se passaram: montes de bandas, discos, subestilos e shows conheci barra presenciei barra usufruí e… eis que “Flaunt It” ainda me caiu bem. O vinilzão.
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Sonoramente o que predomina por aqui é um rockabilly eletrônico – cortesia clara da Roland, ostensivamente agradecida no encarte e contracapa – guiado por batidas eletrônicas 4×4 (2 bateristas, Ray Mayhew e Chris Kavanagh, na formação uma ova!) nada dance music ou poperô (surgidos depois, e talvez até no embalo daqui), com uma ou outra citação erudita ou de riff rock’n’roll antigo em meio aos sons. (Citação de T.Rex em “21st Century Boy” é até óbvia). Aparentemente tocadas, não samples aleatórios barra arbitrários.
A produção é excelente, por Giorgio Moroder (produtor de dance music setentista), e o que eu tinha de recordação de sons caóticos caiu por terra: o Nine Inch Nails e o Ministry noventistas talvez me deseducaram nesse sentido… Músicas acessíveis, pop, entremeadas com locuções femininas ditas sexy (por uma tal Yana Ya Ya) e um vocal canastrão (Martin Degville – inclusive no visú), como poucos vocalistas farofentos da Los Angeles oitentista ousaram ser. A não ser pela mela-cueca “Atari Baby”, uma promessa de serem a “5ª geração do rock’n’roll” bastante coerente.
O mentor da bagaça, por sua vez, era um tal Tony James, creditado como tocando “Space Guitar” (cuma?), de considerável histórico de punk de butique (tocara com Billy Idol no cult Generation X) e que faria parte do Sisters Of Mercy (no pesado “Vision Thing”. Tocando baixo) logo após. Pra daí sumir, voltar com o SSS (sem ninguém REALMENTE dar a mínima) e pecar em prolixidade no site oficial do projeto, dando-se uma importância biográfica pro mundo e pra música maior que a real.
E a mensagem dos caras vejo como incompreendida na época: crítica e algum público os tinha como povo presunçoso e esnobe, vide os vídeos e fotos hiperproduzidas, repletos de limusines, seguranças, festas milionárias e citações várias a “Sputnik Corporation”, “Sputnik tv” etc. A versão inglesa original de “Flaunt It” cometia ainda a HERESIA de conter intervalos comerciais – alguns claramente fajutos, outros não (L’oreal, EMI-Odeon) – nos espaços entre os sons. Estavam tirando sarro de si próprios e do rock comercial que se tornava hegemônico.
Tenho impressão de que nem mesmo o U2 ostensivamente comercial, tecnofílico e hiperbólico das fases “Achtung Baby” [resenhado por aqui mês passado] e “Zooropa” pegou inadvertidamente elementos do Sigue Sigue Sputnik. Mas os sujeitos aqui – completava o time, na contracapa, um certo Neal X, guitarrista – tiveram o vislumbre primeiro, isso é FATO.
Outros subtextos captáveis no disco dizem respeito à Guerra Fria (não poderia deixar de acontecer) e a um futurismo de megacorporações dominantes, no que acertaram em cheio, apenas errando em qual seria: não tinham como adivinhar o surgimento + crescimento voraz de Microsoft e Apple, no que apostaram num futuro “Blade Runner” pela Atari. Mas tudo bem.
Um livro famosão recente, “1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer”, que resenhei há algum tempo no Thrash Com H – http://thrashcomh.com.br/thrash/2011/10/servico-de-utilidade-publica-thrash-com-h-13/ – a meu ver ominosamente omite “Flaunt It” na copiosa e abrangente (até demais) lista. Talvez por terem sido (banda?) (projeto?) que se assumia sem qualquer integridade. Mas é fato que a MÚSICA talvez pudesse preponderar em julgamentos, e reouvir “Flaunt It” me fez novamente curtí-lo, sem qualquer culpa.
Afinal, bandas e artistas armados estão aí mais do que se imagina.
Já as 4 músicas preferidas me continuaram as mesmas: “Love Missile F1-11″, “21st Century Boy”, “Rockit Miss U.S.A.” e “Teenage Thunder”. Pra mim, está bastando.
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Com a ressalva apenas de eu não gostar assim tanto do som do Faith No More.
Ainda que ninguém tenha me perguntado.
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“Holy Smoke”, Iron Maiden
“Time Stand Still”, Rush
“Everything’s Ruined”, Faith No More
Já vi muito fanático pelo Maiden xingando e EXECRANDO “Holy Smoke”. Que eles teriam se avacalhado, queimado o filme etc. Será mesmo? Conta-se nos dedos duma mão do Lula os clipes bons, sérios, decentes, da Donzela. Ou não?
Já o Rush, também é difícil achar clipes fantásticos, afinal os caras só vingaram no business por serem rostinhos bonitos. E pra quem, ainda assim, duvidar da tosqueira intencional (ao menos, de quem “dirigiu” esta bagaça), só conferir da mesma safra “Hold Your Fire” o belíssimo clipe de “Lock And Key”, ou voltar ao álbum anterior (“Power Windows”) e conferir “The Big Money” (meio breguinha, mas a meu ver no limite) ou “Mystic Rhythms”, materiais de primeira.
O do Faith No More, me digam lá: não é coisa que muitos de nós não dariam um BRAÇO pra fazer? (Ainda mais com alguém pagando?). Infantil, irresponsável e tosco na justa medida da banda que também só vingou pelos dreads do baterista ahah
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