Seriam mais uma dentre tantas bandas mequetrefes oitentistas de calibre pop, não fossem o (dizem) guitarrista inventivo e o vocalista messiânico. O mais messiânico de todos, capaz de tornar hit mundial o conflito entre católicos e protestantes.
Com a falência do Police no início dos 80′s, tiveram pouca concorrência – fora muita assessoria – para DOMINAREM a década. Nos estertores dela, fecharam pra balanço. “Sonhar de novo”. E o fizeram.

Quando voltaram em 1991, eram outra banda. O single inicial, “The Fly”, incomodou a quem era fã convicto: modernice baterística, saturação guitarrística, vocais esquisitos e sombrios, visual com jaqueta de couro. Foi a porta de entrada pruma nova encarnação, que tudo fez para escarnecer a eles próprios, a mídia e os megashows – algo que o Sigue Sigue Sputnik tinha tentado 5 anos antes, mas ninguém deu bola.
Talvez nem o U2.
Pessoalmente, foi quando comecei a gostar dos caras: “Even Better Than The Real Thing”, “One” (e seus 2 clipes), “Zoo Station”, “Who’s Gonna Ride Your Wild Horses”, e tal. “Mysterious Ways” não gostei e continuo detestando. Turnê pirotécnica Zoo Tv emendada no melhor disco da banda, “Zooropa” (duma porralouquice genial), geradora de turnê babilônica conseguinte + vhs (depois, dvd) faraônico legalzinho.
A encarnação foi arrefecendo em meio ao cinismo e às deficiências técnicas dos sujeitos: veio o fajuto “Pop”, e o que lançaram em seguida ficou 50% resíduo da fase noventista com 50% do ranço oitentista. Bono chatonildo, carismatopata, volta e meia cogitado pra Nobel da Paz. Pff!…

O ponto é: faz 20 anos duma das maiores reinvenções – senão da MAIOR – duma banda. No rock, no pop, no universo. De “Achtung Baby”.
Que, além disso, foi culpado por:
- fase horrenda de Def Leppard (“Slang”)
- fase assumidamente comercial e “artística” do Metallica: Lars Ulrich cansou de creditar a “Achtung Baby” e a “Zooropa” os seus “Load” e “Reload”
- guinadas infelizes barra falidas de tantas outras bandas, das quais não lembro agora
Alguém se lembra ou se importa?
…