Música

O culto retrô aos anos 90 está inaugurado. Quem não soube do SWU semana passada, que viva pra ver! No que me cabe, enxerto também o Exílio Rock na onda, ora pois.

Isto aqui me remete a tempos de Mtv ligada de madrugada, fita sempre pronta no videocassete (para gravações inesperadas), enquanto fazia qualquer outra coisa, como cortar unha do pé ou ler textos da faculdade.

Sons:

  1. Suave And Suffocated
  2. Walking Through Syrup
  3. Legoland
  4. Swallowing Air
  5. Who Goes First?
  6. Tantrum
  7. Not Sleeping Around
  8. You Don’t Want to Do That
  9. Leg End In His Own Boots
  10. Two And Two Made Five
  11. Fracture (instrumental)
  12. Spring
  13. Intact

E o Ned’s Atomic Dustbin foi banda inglesa de safra de bandas de nomes extravagantes, como ainda Carter the Unstoppable Sex Machine e Pop Will Eat Itself, que descobri recentemente terem sido parte duma certa “grebo scene” (graças ao www.allmusic.com, fonte de todo mundo que resolva se meter a falar de música), que sucintamente misturavam rock alternativo, psicodelia e alguma espécie de, se não dance music (ugh!), groove dançante. Mas não poperô ou de bateria programada. Tocada por gente, em instrumentos de verdade.

Haja visto a abertura em “Suave And Suffocated” e o refrão de “Who Goes First?”, grooveados e dançantes, mas com 2 bumbos!

Cena grebo essa de entressafra, escondida entre as bandas sincopadas de Manchester – Happy Mondays, Inspiral Carpets, Stone Roses, The Charlatans – do fim dos 80′s, já dadas à malemolência desencanada, e umas popices noventistas derivativas dela que atingiram o mainstream, como Jesus Jones (eca!) e os one hit wonders The Soup Dragons e EMF.

“Are You Normal?” (1992) foi o 2º álbum dos caras, que eram promessa de vingar desde o 1º single, “Kill Your Television”, lançado na estréia “God Fodder” (1991), mas não aconteceu. E não, no meu entender, por culpa deles, que aqui cometeram músicas uniformemente agradáveis e “pra cima”, com o destaque insólito a mais de terem DOIS BAIXISTAS em sua formação.

Coisa diferente ouvir músicas com um dos baixos, distorcido, puxando um riff ou cometendo uns solinhos, algo que remete claramente a New Order na 1ª, 2ª, 3ª e até 4ª primeiras audições ahah Vocalista sem afetações (vocal limpo e animado) também causa impressão semelhante.

Imagem de Amostra do You Tube

No entanto, a capa aloprada, as letras auto-irônicas e o clima descontraído fazem do disco e da banda algo diferente a ser buscado, caso se tenha o interesse de buscar músicas diferentes. Música pop paudurescente e escapista no bom sentido. Duma cena obscura que inequivocadamente influenciou até o U2 safra “Achtung Baby” [resenhado aqui há 15 dias], como não?

E que sei lá se periga ser objeto dalgum revival em festivais por aqui, tipo o próximo SWU. Oportunidade parece haver, haja visto terem voltado à ativa (há vídeos no You Tube de shows ocorridos ano passado). Provavelmente não, por parecer não terem deixado órfãos tantos assim, que não meia dúzia de outros notívagos náufragos de Mtv noventista, fora eu, que poderiam dar a mínima.

Ano que vem será o último, em MUITO tempo, em que se poderá brincar com dia, mês e ano iguais para eventos especiais. Não me pareceu uma brincadeira tão praticada assim, que só me recordo do “Christ Illusion” (Slayer com Dave Lombardo de volta) lançado em 6 de Junho de 2006 (6 – 6 – 6).

Todo modo, o 11 de 11 de 11 será lembrado como o do anúncio até previsível da volta do Black Sabbath original. (Acho curiosíssimo serem das poucas bandas antigas em que ninguém morreu ainda). Pra disco novo (que amigo fanático – salve, Inácio! – afirma estar gravado já há 10 anos) e turnê, que vai que passa por aqui. E que não sei se irei.

Postava a esse respeito no meu blog solo, o Thrash Com H, semana passada, no sentido de não me agradar a junção decrépita de alguns integrantes – sobretudo Ozzy Osbourne e Bill Ward, há muito jogando a prorrogação e, bobear, nem indo pros pênaltis – e termos algum show até memorável (seríamos um público demasiado respeitoso com seus velhos ícones?), mas de músicas antigas executadas uns 15 TONS ABAIXO e ainda mais lentas que a lentidão sabbáthica consagrada.

Nomes aos bois: na tal turnê geradora do dispensável barra caça-níquel “Reunion”, lembro haver lido – já nem lembro onde – que Ward já não agüentava o tranco. (Motivo esse, inclusive, de sua exclusão do Heaven And Hell). Tanto que o Mike Bordin (ex-Faith No More e Ozzy) parece ter excursionado junto, como backup atrás do palco, assumindo a bateria nuns sons ao longo da tour.

Qualquer modo, tenho muito o que pensar até que a data, lugar e preço sejam anunciados.

Imagem de Amostra do You Tube

O que faço aqui hoje é aproveitar o ensejo pra postar um vídeo do Gov’t Mule executando “War Pigs”, dum modo não tão absurdo como fez o Faith No More anos atrás, mas com um feeling impressionante e uma veia blues destacada no som, que acho interessantíssima.

Tem um baixista perdido ali no meio, que é o Jason Newsted, o 2º cara melhor relacionado no heavy metal, que na época já havia largado o Metallica na mão pra dar… em quê??

E o vídeo é dum dvd pra lá de extenso (mais de 3h de duração) da banda southern, “The Deepest End” (de 2003), que conta com uma caralhada de baixistas convidados – incluídos ainda Roger Glover (tocando com eles “Maybe I’m a Leo”, do Deep Purple) e Les Claypool, do Primus. Duma época em que os caras excursionaram um tanto rendendo tributo a seu falecido baixista, Allen Woody.

Coisa fina pra quem se deslumbrou com Lynyrd Skynyrd no SWU, ou pira com Allman Brothers (donde Haynes e Woody saíram pra fundar o trio) e que em internet se acha, se baixa, se vê. Bastando querer.

Seriam mais uma dentre tantas bandas mequetrefes oitentistas de calibre pop, não fossem o (dizem) guitarrista inventivo e o vocalista messiânico. O mais messiânico de todos, capaz de tornar hit mundial o conflito entre católicos e protestantes.

Com a falência do Police no início dos 80′s, tiveram pouca concorrência – fora muita assessoria – para DOMINAREM a década. Nos estertores dela, fecharam pra balanço. “Sonhar de novo”. E o fizeram.

Imagem de Amostra do You Tube

Quando voltaram em 1991, eram outra banda. O single inicial, “The Fly”, incomodou a quem era fã convicto: modernice baterística, saturação guitarrística, vocais esquisitos e sombrios, visual com jaqueta de couro. Foi a porta de entrada pruma nova encarnação, que tudo fez para escarnecer a eles próprios, a mídia e os megashows – algo que o Sigue Sigue Sputnik tinha tentado 5 anos antes, mas ninguém deu bola.

Talvez nem o U2.

Pessoalmente, foi quando comecei a gostar dos caras: “Even Better Than The Real Thing”, “One” (e seus 2 clipes), “Zoo Station”, “Who’s Gonna Ride Your Wild Horses”, e tal. “Mysterious Ways” não gostei e continuo detestando. Turnê pirotécnica Zoo Tv emendada no melhor disco da banda, “Zooropa” (duma porralouquice genial), geradora de turnê babilônica conseguinte + vhs (depois, dvd) faraônico legalzinho.

A encarnação foi arrefecendo em meio ao cinismo e às deficiências técnicas dos sujeitos: veio o fajuto “Pop”, e o que lançaram em seguida ficou 50% resíduo da fase noventista com 50% do ranço oitentista. Bono chatonildo, carismatopata, volta e meia cogitado pra Nobel da Paz. Pff!…

O ponto é: faz 20 anos duma das maiores reinvenções – senão da MAIOR – duma banda. No rock, no pop, no universo. De “Achtung Baby”.

Que, além disso, foi culpado por:

  • fase horrenda de Def Leppard (“Slang”)
  • fase assumidamente comercial e “artística” do Metallica: Lars Ulrich cansou de creditar a “Achtung Baby” e a “Zooropa” os seus “Load” e “Reload”
  • guinadas infelizes barra falidas de tantas outras bandas, das quais não lembro agora

Alguém se lembra ou se importa?

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