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NÃO SAIU EM CD

“Pegaram Jesus Prá Cristo”, Não Religião, 1991, Estúdio Eldorado

sons: ESTADO DE SÍTIO* / IGREJA COMERCIAL / CENSURA NÃO / TE DÓI / MULHER NO CAOS NO PAÍS DO CARNAVAL / QUALQUER TIPO DE RELIGIÃO* / JESUS CRUCIFICADO NO POSTE DA LIGHT* / A VOZ DA CONSCIÊNCIA / E ELES ATÉ AS PORTAS VÃO LEVAR / PEGARAM JESUS PRÁ CRISTO / GOSPEL

formação: Kley (guitarra), Tatola (voz), Walter (baixo), Norberto (bateria)

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Pra quem não é de São Paulo, ou tão veterano, o Não Religião surgiu – embora já existisse – como “vencedor” dum concurso de bandas num extinto programa da TV Cultura, “Boca Livre“, apresentado por Kid Vinil. Tinha como figura mais proeminente o Tatola, que por ser radialista à época na 89fm (e depois, na Brasil 2000fm, da qual o mesmo Kid Vinil é hoje diretor), conseguiu uma divulgação maior pra banda.

“Pegaram Jesus Prá Cristo” foi o 2º de 3 discos lançados, todos pela Eldorado: o inicial foi “A Verdadeira História De Um Brasileiro” (que chegou a ter hits em rádios-rock daqui, como “Juventude à Vácuo”, “Brasil” e a versão de “Coração de Papel”, de Sérgio Reis [!!]), ao passo que o último, de nome exemplar, “Ninguém Me Escuta” (o ideal talvez tivesse sido sair “Ninguém NOS Escuta”), chegou a render um hitzinho, “Pecado”, fora uma regravação anêmica de “A Face De Deus”, do Inocentes. Além de conter 6 sons dos 2 discos anteriores (nem regravados nem ao vivo: pinçados na cara dura dos outros!) pra encher lingüiça.

"A Verdadeira História De Um Brasileiro" (1990)

"Ninguém Me Escuta" (1994)

Porra, mas e o que Não Religião tem a ver com thrash metal?

Nada tanto assim, mas em seus melhores aspectos e momentos, a estrutura dos sons – sobretudo neste álbum – e alguma ousadia e arroubo técnico ínfimo. Trocando em miúdos: os caras eram punks, mas tentavam estender os próprios limites e inspiração pro metal, mesmo que sem o talento e a pegada dum Ratos De Porão.

Os sons têm palhetadas (nada de acordes soltos), riffs, paradinhas, viradas, partes diferentes (intros/solos/variações de andamento), dobras de guitarras. MUITO MAL TOCADAS, mas têm. O que confere toda a graça em se ouvir a banda e este trabalho. Estivessem ativos, não teria pra CPMerda 22 nem pra esses hardcores melodiCUzinhos fofoletes.

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Entretanto, é nas letras e no vocal que a coisa fica FEIA, e estraga a apreciação de esforços demonstrada. Insisto: instrumentalmente a banda tinha lá sua manha – sobretudo o guitarrista e o baterista (como no final de “Mulher No Caos No País Do Carnaval”) – e química, mas o que dizer de letras que, fora virem com erros de português em pleno encarte (que já começam no “Prá” da capa) e de concordância (uns pra forçar rima como em “Qualquer Tipo de Religião”) – e só não rola isso em “Gospel”, instrumental – apresentam pérolas de absoluta falta de sentido e/ou coerência como “Te Dói”, “E Eles Até As Portas Vão Levar”, “Censura Não” ou “Igreja Comercial”?

“A Voz Da Consciência” é de um ridículo inominável e merece comentário à parte: mistura versos avulsos, e sem alterações, de Legião Urbana (“Monte Castelo”, “Sete Cidades”, “Meninos e Meninas” e “Eu Era Um Lobisomem Juvenil”), de uma forma até genial e dadaísta, porque lhes tiram totalmente qualquer sentido! “Mulher No Caos…”, já citada, antecipa a cafajestice dum Tihuana em uns 10 anos (“eu tenho mulher, não sei prá que/ eu quero mulher só prá comer”), e acho também abjeta.

Imagem de Amostra do You Tube

Os 3 sons acima asteriscados são os que considero absolutamente melhores nos quesitos letra E música juntos. E foram hits.

1) “Estado de Sítio” consegue ser sensível como nunca um CPMerda conseguirá. Soa até poética. Fora o riff dissonante e em contratempo, bastante distinto de andamentos ska de punks que conseguem tocar melhor (pois punk quando descobre um troço chamado CONTRATEMPO, resolve tocar ska a torto e a direito).

2) “Qualquer Tipo de Religião”, a despeito da rima forçada, tem na letra um tratado anarco-libertário que JAMAIS LI em banda nacional. Teve clipe na mtv, tosco tosco, que encerrava com um molequinho nu vestindo de anjo mijando em vela acesa numa Igreja (Noruega perde!). E o som é cadenciado, com solo e palhetada cavalgada. Curioso.

3) “Jesus Crucificado No Poste Da Light”, por sua vez, é duma inspiração ímpar. Crítica à Igreja Universal assumida, tocou muito em rádio, tem o riff + inspirado, e a intersecção letra/vocais produz o melhor resultado (fora a faixa-título, impagável nas subidas de tons literalmente executadas por Tatola). Por ser quase tudo narração – o que de melhor o cara fazia…

Imagem de Amostra do You Tube

Por curiosidade, essa mesma faixa-título e “E Eles Até As Portas Vão Levar” valem um download, caso existam. Já o riff de “Censura Não” é chupim descarado de alguma coisa que eu não consigo lembrar.

“Gospel” encerra o disco, falsamente conceitual, de forma melancólica: trata-se dum dedilhado de guitarra que começa errado já na 1ª palhetada, de inspiração e técnica zero e timbragem medonha. Dedilhado horroroso mesmo. Coisa que qualquer moleque atualmente com duas semanas de IG&T faz melhor.

Um outro motivo razoável prá – ops! – aqui resenhá-lo (o disco) é sua capa, fodida. Teco duma pintura de Hieronymus Bosch, “Cristo Carregando a Cruz”, que os coloca no mesmo patamar do Celtic Frost (cuja capa do “Into the Pandemonium”, retirada de “O Jardim Das Delícias”, também o é)!

Imagem de Amostra do You Tube

E apesar da crítica ruim, vale constar que é todo bem gravadinho. Não tem tosqueira de produção punk amadora. Ouve-se tudo. “Pegaram Jesus Prá Cristo” é daqueles discos únicos: plenos em sua tosquice, encantador pela ruindade e louvável pelas boas intenções abomináveis. Racionalizar demais o priva de qualquer valor.

Torço pra que não demore a hora de revistas consagradas tipo Valhalla (principalmente), Roadie Crew e Rock Brigade o (re)descubram. Pra daí eu arrotar aos 4 ventos o pioneirismo do Thrash Com H [agora o Exílio Rock] em resenhá-lo eheheheh

E que eu saiba, jamais saiu em cd (nem os outros 2; poderiam sair juntos num 3 em 1. Aposto que caberia tudo), mas existem exemplares à disposição por 5 contos lá na Devil Discos, na Galeria. É pegar e NÃO largar!

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PS – resenha publicada originalmente no Thrash Com H em 15 de Outubro de 2004, devidamente recauchutada, corrigida e adaptada nuns pedaços pra cá

PS 2 – a Devil Discos faliu. Virou lojinha de roupinhas e bolsas pra emo e indie. Quem não achar sons na internet, só achará os álbuns dos caras em sebo mesmo, e olhe lá

PS 3 -  o baixista Walter, após sair da banda (ou fim dela, não lembro), teve passagem-relâmpago pelo Ratos De Porão, no obscuraço “Just Another Crime… In Massacreland”, sob a alcunha “Bart”

PS 4 – incrível como a banda pouco deixou marcas: vídeos no You Tube praticamente não há, o clipe de “Qualquer Tipo De Religião” não encontrei (os vídeos aqui colados foram os melhores que encontrei), e comunidade orkutiana existe só uma, com meia dúzia de gatos pingados (na verdade, 41. Eu incluso) e apenas 1 post abandonado às traças

PRA QUEM AINDA NÃO SABE

Foi na quarta passada, 11, que o miguxo Claudio postou tirinha do Pai do Cascão, já meio antiga, ali no Fórum, pra motivo de gerar risos e debate. Acompanhando o mesmo, vi um certo TREVAS opinando a respeito de a tira ser tão antiga que haveria toda uma nova geração que, em a vendo, ficaria achando ser coisa recente.

Aliado a isso, numa discussão esta semana sobre o Helloween lá no Thrash Com H, eu semelhantemente opinava sobre toda uma molecada que vejo que já pegou a banda nos dias e discos Andi Deris e simplesmente desconhece ou ignora “fases” Hansen e Kiske. Ou se não o fazem, não dão tanta importância, nem se portam como órfãos ou viúvos de tais “gloriosos” tempos.

Ambos elementos somados pra postar por aqui algo que talvez quem for mais novo quiçá nem saiba: o chupim que “I Want Out” é DESCARADO de “Out In the Fields”, do Gary Moore. Talvez esteja perdendo tempo – e todo mundo por aqui já sabe disso – talvez não. Mas posto assim mesmo, até pra ver se alguém teria a manha de DISCORDAR!…

O hit germânico, de clipe aloprado:

Imagem de Amostra do You Tube

E agora, a música que serviu de referência:

Imagem de Amostra do You Tube

Pra quem quiser aprofundar o tenro e meigo assunto, no You Tube tem toda uma SAGA dedicada a Kai Hansen e a seus prolíficos chupins, continuados em carreira bandística Gamma Ray.

E pra quem não sacou o tópico ali do Fórum, é o intitulado “Hehheheheehehehe……….”, beleza?

VERSÃO

(Post contra-indicado pra quem curte Van Canto ou alega “vergonha alheia” como álibi caduco pra vergonha própria de assumir que curte Manowar)

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Ninguém me perguntou, mas dentre as razões por que eu curto Therion, e os considero a MELHOR das bandas de heavy metal “orquestradas”, “sinfônicas”, pinço estas:

1) mesmo tendo tido inúmeras formações ao longo da trajetória, com apenas o líder/dono/chefe Christofer Johnsson permanecendo, ainda assim a banda soa como BANDA, não como projeto umbigo

2) mesmo fazendo uso de lances pré-gravados (né, 14?) ao vivo, acionados pelo baterista em laptop vizinho ao chimbau, a banda é DE VERDADE em show, levando tenores e sopranos pra cima do palco

3) material disponível abundante, sobretudo seus últimos boxes – dos quais recomendo os antepenúltimo e penúltimo “Celebrators Of Becoming” (4 dvd’s + 2 cd’s) e “Live Gothic” (dvd + 2 cd’s) – no mais, pra lá de ace$$íveis: na Galeria encontra-se o 1º a módicos 60 paus e o 2º a uns 40

4) a tradição da banda já de perpetrar uns covers, maioria impecáveis, como “Under Jolly Roger” (Running Wild), “Children Of the Damned” (Iron Maiden), “Fight Fire With Fire” (Metallica), “Iron Fist” (Motörhead, mesmo sem orquestrações) e ousados (porque tornados diferentes. Ou a cara da banda), como nos casos de “Seawinds” (Accept) ou “Summernight City” (ABBA) e etc.

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Os caras, pra quem ainda não viu ou sabe, também coverizaram o Manowar.

“Thor”, no “Live Gothic” (show na Polônia) acima citado. Embora registrada em estúdio anteriormente no mezzo coletânea “Crowning Of Atlantis” (de 1999), de modo não tão bombástico. Pois esta abaixo, devido à vibração e formação menos austera no palco, ficou, pra mim, ainda MELHOR QUE A ORIGINAL. Pra quem duvidar ou se dispuser a contra-argumentar, ei-la:

Imagem de Amostra do You Tube

Com uma observação por ora adicional:

percebe-se claramente, da parte da banda como também do público, a ambivalente postura a um só tempo SARRISTA e SÉRIA durante o som. Risos pra todo lado, estupefação coletiva e cúmplice, execução esmerada, maneirismos vocais propositais, martelo de brinquedo jogado ao público no final, cambalhotas no palco e ainda um bônus:

a parte em que o baterista Petter Karlsson canta a última estrofe, antes do solo. Hilária. Memorável.

Não saiu em cd – Vodu: “Seeds of Destruction”

Blá blá blá trivial, clichê, porém, necessário: quase tudo que foi feito na década de 80 em termos de heavy metal no Brasil, o foi na base da raça!!  Discos, demos, fanzines, camisetas, shows, tudo…  Não era questão de porquice.  Ninguém sabia ao certo como fazer  o negócio de maneira profissional.  O que não impediu que víssemos grandes shows, ouvíssemos grandes discos e demos…. todos eles na base da raça.  Basta ver algumas entrevistas de músicos gringos que citam um sem número de discos brasileiros daquela época como muito bons.

O disco que é título desse texto nunca foi citado como referência.  Na verdade, eu nem sei (e nem quero saber) o que o povo pensa dele  após todos esses anos.  Porque, pra mim, o “Seeds of Destruction”  é um puta disco!!!

Eu ouvi esse disco no exato momento do seu lançamento, porque eu tinha visto a banda ao vivo em um histórico programa Boca Livre, numa segunda-feira quente do ano de 1989 (se não me engano).  Todo mundo que era banger, matou aula no colégio técnico onde eu estudava para assistir ao programa em um posto de gasolina ao lado da instituição de ensino, comendo pastel de carne murcho com um guaraná da terrinha bem gelado.   Foi difícil, mas convencemos o senhorzinho por detrás do balcão a sintonizar a televisão na antiga RTC (Rádio e Televisão Cultura, atual Cultura).  Estávamos em uns 8 caras.  Cada um com seu “uniforme” (ah, minha velha camiseta do Endless Pain).  Alguns com cabelos compridos.  E essa fauna, que era bastante diferenciada para a época, despertou olhares e comentários nos caminhoneiros que comiam o seu marmitão nos balcões do posto, prontos para se dirigirem aos seus caminhões para puxar um ronco e seguir estrada na madrugada seguinte…

A gente nem sabia ao certo o que ia rolar e  se o negócio ia realmente acontecer pois, naqueles tempos, o boca-a-boca nem sempre era eficiente.  Mas eis que surge o dinossáurico (já na época) Kid Vinil, trajando a sua mais ridícula fantasia de metaleiro e todos ficaram alvoroçados porque, pelo jeito, o programa especial sobre “metal” ia realmente acontecer.  E nunca é demais lembrar que ver heavy metal na tv naqueles tempos era algo tão difícil quanto encontrar a Ana Hickiman nua na sua cama.  Portanto, nada mais natural que a ansiedade de todos pelo que estava por vir…

E ali, no meio de um Viper (cujo vocalista André Mattos perdeu a voz na segunda música), de um Korzus (que destruiu tudo com as músicas do Pay for your lies – que estava pra sair) e de um Golpe de Estado burocrático (pero, eficiente), eu vi e ouvi a nova formação do Vodu pela primeira vez.  Era um troço bem mais legal que aquilo que eu tinha ouvido no primeiro disco (The Final Conflict que, aliás, eu ouvi uma vez só e sempre achei fraquinho de dar pena).

As músicas executadas foram as três primeiras do lado B do disco que, poucos dias depois, eu viria a ter: “From this time”, “Flag of Truce” e “Keep fighting”.  Porra, foi uma apresentação insana e lá fui eu comprar o disco assim que recebi o meu próximo salário no emprego de ourives no qual eu trabalhava à época.  Eu gostei do disco de primeira.  Eu soube exatamente na hora da primeira audição que o disco era “meio torto”, “manco” e “gago”.  Mas, porra, qual não era?  E a graça no “Seeds of Destruction”, na minha opinião, foi que o Vodu quis dar um salto diferente das bandas à época: todos os músicos de todas as bandas, em diferentes níveis, estavam aprendendo a lidar com seus instrumentos mas, mesmo que soubessem como fazê-lo, o intuito final era fazer um metal bem “raw” e orgânico (fosse thrash, fosse death).  O Vodu não: o Vodu queria fazer um metal mais técnico.  Nada a ver com Viper, nada a ver com melódico…  Na verdade, um troço meio intrincado, com mudanças de tempo (ouçam “Slaves of System”)…. Algo como Metallica estava fazendo.  Alguns podem dizer que os caras eram pretensiosos… Onde está escrito que eles não podiam tentar?  Lógico que o produto final ficou longe de qualquer coisa que pudesse ser chamado de benchmarking à época.  Foda-se!!!  Do seu jeito peculiar, “Seeds of Destruction” ficou massa pacas!

Eu gosto de todas as músicas, com destaques evidentes para a “hardcoriana” “Keep fighting”, a ótima “From this time”, as trampadas “What’s the reason” e “Slaves of System”…  Sérgio Facci era um puta baterista e dá show nessa bagaça.  Entendo tranquilamente todos aqueles que não gostam do vocal do Cláudio Victorazzo.  Eu gostava, mesmo com alguns exageros como em “Many things to do”.  O resto da banda tinha competência suficiente pra conduzir o barco sem maiores percalços.

Que algum iluminado prontifique-se para prensar esse disco em cd, de preferência com o EP “No Way” de bônus.

NÃO SAIU EM CD

“First”, Volkana, 1991, Eldorado

sons: DARKNESS / TO DIE IS NOT TO DIE / PET SEMATARY [Ramones] / THAT’S MY VICTORY / DESCENT TO HELL / SCRATCH NOISE / WAR? WHERE MY ENEMY LIES / SILENCE CITY / HIDE / VOLKANAS

formação: Karla Carneiro (guitar), Marielle Loyola (vocal), Mila Menezes (bass).

Special appearances: Sergio Facci (drums), Mariel Loyola (voice in “That’s My Victory”), Thayde (rap in “War? Where My Enemy Lies”), DJ Hum (scratch in “War?…”, “Descent to Hell” e “Scratch Noise”), Carlos Eduardo Miranda (noise guitar in “Descent to Hell”, tambourine in “That’s My Victory”)

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Em 1989 eu estudava na 8ª série e começava a ouvir metal. Por conta dos headbangers do fundão, começavam a me soar familiares nomes como Metallica, Slayer, Sepultura, Testament. (Gravei meus primeiros Slayer em fita, e ganhei no Natal daquele ano o vinil duplo do “…And Justice For All”). Gente que conheço hoje viu o Testament e o Nuclear Assault ao vivo naquele ano. E o Metallica no Ginásio do Ibirapuera (porra, foram 3 shows!). Tem gente que também viu o Nasty Savage, que voltou (e parece que não virou) e eu nem teria feito questão.

E eu ainda não lia a Rock Brigade. Revista de música que eu acompanhava era a extinta – e já decadente – Bizz. Que na edição de agosto de 89 (já tá acabando a introdução), em uma exígüa seção de ‘bandas novas’, falava e mostrava (em uma foto), o Volkana. Banda de metal só de mulher.

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Claro, eu ainda era novato na coisa, e tinha 14 anos. Portanto, a foto influiu BASTANTE na vontade de querer ver algum show ou comprar o disco delas logo que saísse. O disco, este “First”, só foi lançado em 1991, mas até aquele momento já tinha ido a uns 2 ou 3 shows delas. O 1º, no Centro Cultural Vergueiro, abrindo pros Inocentes (e ainda com uma baterista, Débora); outro, no Dama Xox, abrindo pro Vodu (que era horroroso – isso eu já falei aqui – e lançava um ep tosco, o “No Way”), e algum outro sei lá onde (abrindo pro Golpe de Estado?). Ambos já com o sumido Sérgio Facci, jamais efetivado, sempre dado como ‘músico convidado’.

Hoje vejo que nem eram tão gostosas. Jeitosinhas talvez (a baixista Mila tocando de shortinho, meiões e botas de boxe ainda considero uma ÓTIMA IDÉIA, e me chamava mais atenção). Mas por conta do ineditismo – “a 1ª banda feminina de thrash metal de que se tem notícia no Brasil”, “nova coqueluche (sic – argh!) roqueira do Planalto e tem levado mais de 300 pessoas a seus shows”, dizia o texto que acompanhava a foto na revista – elas até que tiveram ótima divulgação: tocavam direto no “Matéria Prima” e no “Som Pop” (tv Cultura), tiveram show transmitido em rádio (89 fm).


O som era thrash, mas não o Bay Area (palheteiro, técnico e seco), muito menos o europeu (de mais riffs e pegada): diria ser um thrash metal bem idiossincrático. Pois a Karla compensava limitações (apenas 3 sons no disco têm “tentativas” de solos) em palhetadas semi-punk, cujos buracos eram preenchidos pelo baixo motörheadiano da Mila (que usava Tagima – era endorsse; foram dos primeiros casos por aqui – que soava como Rickenbacker). O toque metal era cortesia do baterista, que longe de ser firulento ou carregado de 2 bumbos (usava pedal duplo na maioria das vezes), tinha uma pegada firme, viradas de acordo, um estilo próprio. E era titular no Vodu.

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E o vocal, em que se pesassem outras limitações, era o verdadeiro CALCANHAR DE AQUILES. Até hoje não consigo precisar se era um tom de voz inadequado (muito agudo, feminino demais, sei lá), ou se pelas linhas melódicas – em sua maioria bem aleatórias – mas Marielle segurava as pontas com algum carisma e boas letras. Embora destoando um pouco do som.

Sons mais rápidos como “Descent to Hell”, “War? Where My Enemy Lies” e “Silence City” (com vocalizações também mais graves) ainda descem redondo nesse quesito. Essas duas últimas, junto a “Hide”, “That’s My Victory” e “To Die Is Not to Die” [hit por aqui na Rádio Exílio] ainda contam com refrões marcantes que também compensavam. Porém, “Volkanas” e “Pet Semetary” (desnecessária – inclusive em suas vozes sobrepostas) ficaram estranhas.

Essas 2 últimas citadas são as que considero as mais fracas dum disco bastante homogêneo e até experimental. Não era tão moda ainda fundir metal e rap, e “Descent to Hell” e “Scratch Noise” (vinheta construída com scratches a partir de bases e grooves da banda), contêm intervenções do DJ Hum. “War?…” contém um rap em português entoado pelo Thayde que, salvo engano, é alguma citação de Shakespeare. Em “That’s My Victory”, o que rola é uma vocalização árabe próxima ao refrão, em época ainda anterior às fusões do heavy metal com tantos outros estilos. Legal.

“Darkness” tratava de aids e teve um clipe razoável, filmado ao vivo (mas com áudio do disco) nalgum show em Santo André, que passou bastante no Fúria Metal. Não só essa, mas também as demais letras, têm assuntos um algo mais interessantes que a média de clichês que a maioria das bandas brasucas apresentava. [E ainda apresenta]

“First” retratava uma banda inexperiente, porém promissora que, sei lá por que (só me resta hipotetizar), não deslanchou. Apesar dos pesares, um disco interessante que, inexplicavelmente – ainda – não saiu em cd (puta omissão da Eldorado essa), e que apontava caminhos pra banda. Exemplo: “Volkanas” tem uma levada meio “Kill ‘Em All” e ficou bastante heterogênea em suas várias partes, em estilo de composição que talvez se aperfeiçoasse em futuros lançamentos.

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E os futuros lançamentos FOI um 2º disco, “Mindtrips”, bastante descaracterizado dessa proposta raçuda inicial. Contava já com uma 2ª guitarrista mais técnica – uma tal Selminha – e uma vocalista idem (Cláudia França, que pra não soar perfeita ia muito na escola dos vocais James Hetfield pigarreados). As músicas vieram mais concisas, letras idem – e bem mais clichês – e meio que dali elas foram sumindo…

Da última que soube delas, tinham uma formação toda feminina novamente (talvez tivesse sido sempre o objetivo, o que acho meio besteira), com aquisição da ex-baterista do Kleiderman, Roberta Parisi, mas nem de show se ouvia falar mais. Uma última gravação que da banda tenho é versão fiel da mediana “I Love Rock’n'Roll” (Joan Jett), incluída numa coletânea indie obscura e metida a cult (pleonasmos…), “No Major Babies”, que ainda tinha uns sons válidos de Ratos de Porão, Gangrena Gasosa, Killing Chainsaw, entre outros.

Sei que Mila e Karla ainda trabalham em lojas de instrumentos lá na Teodoro Sampaio; da Marielle, lembro de tê-la visto em programas da tv Cultura (pra variar), como o Musikaos e o Turma da Cultura, tocando um som mais pop, num certo Cores D’Flores, legalzinho. Quanto a Sergio Facci, pra mim um desperdício e um mistério: provavelmente parou de tocar, pois nunca mais ouvi falar dele, nem de alguma outra banda de que fizesse parte. Será que virou crente?

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PS – Carlos Eduardo Miranda (aquele) não participou apenas guitarreando numa faixa e tocando pandeirinho noutra: foi também o PRODUTOR de “First”

PS 2 – “FUCK THE NEIGHBORS! PLAY IT LOUD”, consta maiúsculo na contracapa do disco

PS 3 – resenha publicada originalmente no meu blog solo, Thrash Com H, nos proterozóicos idos de 2004 (em 15 de Junho, precisamente), e reeditada aqui no Exílio Rock com sutis correções e adaptações

LEE, LIFESON E PEART

Foi já há mais de mês, em 17 de Junho passado, que tive oportunidade de ir ao Cinemark do Shopping Santa Cruz assistir, em 1ª mão, “Rush: Beyond the Lighted Stage”, em sala lotada de nerds comovidos a cada cena, cada depoimento, e a toda e cada passagem do documentário.

A única coisa de que me arrependo não ter feito naquele dia foi não ter aplaudido o filme ao final, como a maioria ali o fez. DEVERIA tê-lo feito.

Pra quem ainda não sabe de que se trata, é documentário realizado por Sam Dunn, antropólgo headbanger canadense outrora realizador de “Metal – A Headbanger’s Journey” e de “Flight 666″ *, documentário sobre o Iron Maiden, que chegaram a ter também seletas seções em cinema, no que vai se configurando alvissareira TENDÊNCIA DE MERCADO como, no mais, a reprise do “Big Four” prometida pro fim de semana atesta.

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Só que, ao contrário do do Maiden, no qual a banda representou e depôs nitidamente a contragosto (não?), “Beyond the Lighted Stage” contou com colaboração e imagens PRECIOSAS de arquivo de Lee, Lifeson e Peart.

Pra citar duas: 1) há o jantar em família em que Lifeson, visivelmente hippie e hormonal, anuncia aos pais e irmãos que não seguiria rumo tradicional de emprego convencional, carro do ano e alto salário (os últimos, não tinha como ele adivinhar eheh); 2) imagens da banda anterior, mais pra jazz, onde Peart tocava, em que o flagramos como o arquetípico adolescente desproporcional e desengonçado. Nerd puro, freak de doer.

Trunfos inequívocos do filme, que particularmente coloco na prateleira dos melhores já comentidos sobre uma banda, no nível do “End Of the Century”, póstumo polêmico dedicado ao Ramones, p.ex.

Chama atenção também, mesmo a banda tendo em torno de 40 anos ativa, e de 35 anos – minha idade! – com a formação consolidada em questão, NUNCA SE HAVER FEITO um documentário sobre a banda seriamente.

Claro que “Rush In Rio” tem lá um pseudo-documentário sobre a passagem em 2002 deles por aqui (mais um relato de turnê e bônus pra fã comprar o dvd oficial, que qualquer outra coisa) e o dvd comemorativo “R 30″ tenha lá seus trechos documentais e valiosas imagens de arquivo (tipo o Juno Awards canadense). Mas filme a eles dedicado, com aprofundamento de questões, revelações dos integrantes e depoimentos, foi a 1ª vez mesmo.

E depoimentos dos mais variados: para além dos óbvios Mike Portnoy e Les Claypool (que aparecem, feliz e infelizmente, bem pouco), passagens emocionadas do metidão Billy Corgan (Smashing Pumpkins, contando ter ficado 1 ano trancado no quarto tirando “2112″), Vinnie Paul (Pantera), Kirk “funcionário do mês” Hammett (fazendo caras e bocas que aprendeu direitinho com Lars Ulrich), Jack Black, Trent Reznor (do Nine Inch Nails), Gene Simmons (Banda Beijo; na 2ª passagem mais hilária do filme), e também das mães de Geddy Lee e Alex Lifeson e pai do Peart (revelando que, se não desse certo o teste dele no Rush, poderia voltar para trabalhar na loja de ferramentas da família), coisa e tal.

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Histórico disco a disco, fase por fase, também comparece suculento, de modo a agradar o fã mais fiel, embora eu particularmente lamente terem enfocado por cima os álbuns do fim dos 80’s (“Hold Your Fire” e “Presto”) e início dos 90’s (“Roll the Bones” e “Conterparts”), que talvez futuramente pudessem gerar, cada qual, seu próprio documentário específico. Sei lá, nerdice da minha parte.

Dunn não amenizou, tampouco o trio, a passagem ominosa vivida por Peart no fim dos 90’s, quando, por meses de diferença, perdeu a esposa devido a câncer e a filha num acidente de trânsito. É explicitada a legítima preocupação dos outros 2 com o cara, como também com os rumos da banda (sem a menor hipocrisia), assim como a mega viagem de moto por Peart empreendida para elaborar algum luto. E a difícil porém gratificante retomada (pra eles também), geradora do denso “Vapor Trails”.

Imagem de Amostra do You Tube

O fato de serem banda relegada pela crítica, até hoje, também é bastante contemplado, com a passagem mais hilária sendo a dos adjetivos consagrados à voz de Lee, sempre o TABU e aspecto mais incômodo do Rush, mesmo pra alguns fãs. “Mickey Mouse com gás hélio” é uma das pérolas citadas, e todos na sala racharam de rir.

E o que se vê (ao menos, eu vi) é a coesão dos três, verdadeiramente amigos, tremendamente respeitosos entre si, com uma ligação que excede/transcende o musical – cuja cena final, que achei também memorável, dos 3 jantando nalgum lugar enquanto riem de si mesmos como objeto dum documentário – pois parece ter sido o caso de 3 sujeitos completamente desajustados (freaks mesmo) que se encontraram e encontraram rumo na vida.

Assim como auxiliaram, e auxiliam, muita gente a encontrar o seu.

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É muita coisa contida, coisa demais pra ficar citando por aqui, por isso encerro o post recomendando a COMPRA do dvd, já lançado e devidamente legendado – acredito não ser só eu portador de “inglês intermediário II” por aqui – até como aperitivo do show anunciado para outubro. Do qual já consegui ingresso (ufa!).

Em suma: muito foda!

* entre “Metal” e “Flight 666″, Dunn realizou também um chamado “Global Metal”, sobre o heavy metal no 3º Mundo (“país em desenvolvimento” é o cacete!), que francamente não vi (só uns tecos em You Tube) e não conheço, mas deve ser bão.

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NÃO SAIU EM CD

“Histórias De Sexo & Violência”, Replicantes, 1987, RCA/Plug

sons: CHERNOBIL / SANDINA / ÁFRICA DO SUL / MISTÉRIOS DA SEXUALIDADE HUMANA / ADÚLTERA (censurada) / SEXO E VIOLÊNCIA / PASSAGEIROS I / ASTRONAUTA / FESTA PUNK / NICOTINA / AMOR EU PRECISO / TOM E JERRY / MENTIRA / PASSAGEIROS II

formação: Cláudio Heinz (guitarra), Carlos Gerbase (bateria, backing vocal, vocal em “Amor Eu Preciso”), Heron Heinz (baixo), Wander Wildner (vocal, baixo em “Passageiros I” e “Passageiros II”, guitarra em “Amor Eu Preciso”)

participações: Luciana Tomasi (teclados em “Sandina”, “Mistérios da Sexualidade Humana”, “Astronauta” e “Amor Eu Preciso”), Zico (guitarra em “Adúltera”), Andrea Gerbase (backing vocal em “Festa Punk”), Raul Plentz (alarme nuclear em “Chernobil”)

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A resenha da vez se pretende específica pra quem tem irmão, irmã ou primos mais novos emos. Pra quem os considera a vergonha na família, muda de lado da rua se os/as vê chegando, ou simplesmente chega à conclusão de terem sido trocados na maternidade com o parente certo (que certamente está a gerar atritos na família de pagodeiros onde foi parar).

Pois os dias de hoje vêm fazendo justiça e injustiça simultâneas aos Replicantes: por um lado, a banda está em evidência e na mídia – numa certa mídia – como jamais esteve, mesmo nos anos oitentistas de discos por multinacional (e isso se deve também pela volta de Wander Wildner ao posto de vocalista – [já "desvoltada" neste 2010]). Só que por outro, “Histórias De Sexo e Violência”, clássico inominável de tão clássico, jamais saiu – e jamais sairá – em cd, como também não o anterior/estréia “O Futuro É Vortex” (dos clássicos “Surfista Calhorda”, “Hippie-Punk-Rajneesh” e “Por Quê?”) e o posterior (mais fraco e último pela BMG-Plug) “Papel de Mau”. O que existe no mercado é uma coletânea mulambenta juntando 20 sons aqui e ali dos 3 álbuns, sem nada de capas originais, nem encarte decente e provavelmente já fora de catálogo.

formação clássica: Claudio e Heron Heinz, Carlos Gerbase, Wander Wildner

Só que a contemporaneidade é a dos tempos de Internet: por isso só buscar e baixar. E não só um ou outro som, mas o álbum como um todo. Por ser este o caso de disco de que mesmo os sons mais fracos (pra mim, só “Tom e Jerry”) acabam fazendo parte do todo, tornando-se indissociáveis do conceito “histórias” e de “de sexo e violência”. Dá quase pra forçar e chamar de ÁLBUM CONCEITUAL, embora não seja, tamanhas a inspiração e coesão entre as 14 faixas.

A gauchada aqui é considerada punk, mas na minha modestíssima opinião sempre esteve mais pra hardcore, embora alguns passos além destes também (e a base de comparação é o hardcore oitentista, não o fofolete atual), embora também estivessem alguns passos à frente. E o afirmo com base na Postura e nas Letras, sobretudo.

Imagem de Amostra do You Tube

Postura: poucas bandas no Brasil levaram tão a sério e a fundo o “faça você mesmo” do punk inglês como eles. Já em meados dos 80’s comercializavam eles mesmos as próprias fitas demo (e não tenho certeza se também de outras bandas), por um selo chamado Vortex, deles próprios. E desde então dispunham de material gravado em vídeo (lançado à época em VHS e ultimamente prometido para DVD), com apresentações das mais surreais:

lembro haver passado na tv Gazeta em 1989 isso, eles tocando “Mentira” pra presidiários no interior do RS, falando besteira e ouvindo Metallica (“Disposable Heroes”) em ônibus a caminho de show, estreando sons em botecos porto-alegrenses, ou ainda divulgando o vídeo de “Surfista Calhorda”, à época gravado em super-8, e pra mim o melhor videoclipe nacional de todos os tempos. Coisa do baterista Gerbase, que alguns podem insolitamente reconhecer como diretor de cinema nacional (dirigiu “Tolerância”, um dos 4 filmes brasileiros realmente dignos de se assistir – minha reles opinião). Se por um outro lado isso tudo revelava também um pessoal de melhor poder aquisitivo em relação aos punks de periferia nacionais, ainda assim tal condição não atestava conformismo ou postura playboyzada em relação à vida.

Nas letras, os caras se distinguiam (e ainda se distinguem) do punk paulista consagrado e emérito – mas também algo sisudo e bitolado – por fugirem, nas letras de protesto (mas não só), da dicotomia viciada e limitada do “nós oprimidos versus o sistema tirano”: “Chernobil” fala de usinas nucleares, bradando “eu ñ quero a bomba nuclear” em 1ª pessoa; “Nicotina” é som anti-tabagista, mas feito por fumante (Cláudio Heinz), com toda a aparente contradição exposta. O mesmo se dá em sons mais… sentimentais, como “Sandina” (em 1ª pessoa a estória dum sujeito deixado pra trás por uma mina q o troca por “um sandinista especialista em granada de mão”), em “Amor Eu Preciso” (q a letra é o título repetido ao longo do som, sem soar ridícula) ou na melhor do disco, “Astronauta”, também estória de pé na bunda – sujeito na Lua toma um fora e vem pra Terra cair na farra e descolar mulher-robô.

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Ao mesmo tempo, alguns dos sons revelavam melhor cultura geral em relação aos demais punks e hardcores à época: “Sandina” trata de guerrilhas na Nicarágua; “Sexo E Violência” (de título homenageando Exploited?) fala de Chuck e Jack, estuprador e estripador, que “trabalhavam em dupla, mas se detestavam”, enquanto “África do Sul” tratava do ainda vigente apartheid (“cansado de apanhar, cansado de miséria, o negro vai matar o branco!”).

“Mistérios da Sexualidade Humana” não vai nem no protesto nem na onda de crônica urbana, mas fala de sexualidade adolescente (gravidez, punheta, filme pornô) como não vi ninguém ainda fazer; “Festa Punk” lista bandas e bandas, divertidamente. Abordagens amplas e certeiras de temas, nada repetitivas e enfadonhas: em nenhum momento o ouvinte se sente catequizado ou instado a tomar o lado “fraco” na batalha contra o Sistema, o Capitalismo, ou coisa que o valha; muito pelo contrário, tende a se sentir informado, algo bem diverso.

Ainda outro ponto das letras é o referente à de “Adúltera”, da qual não se ouve a mesma que, supostamente forte, foi CENSURADA pela PRÓPRIA GRAVADORA, que omitiu as estrofes no ÁUDIO! Sim, o que existe é Wander Wildner, após os intervalos consagrados às estrofes, apenas berrar o refrão “adúltera, adúltera, adúltera”. Contundência (da banda) é pouco, e barbaridade (da gravadora), idem: não me recordo de qualquer episódio no rock, pop, metal ou punk nacional revelador de tamanha arbitrariedade. *

formação 2010: Julia Barth, Claudio Heinz, Cleber Andrade, Heron Heinz

Pra falar um pouco do som, das músicas, temos em “Histórias De Sexo e Violência” uma banda fraca tecnicamente – e o solo guitarrístico em “Festa Punk”, pra exemplificar, perpetua a indigência do solo de “Surfista Calhorda”: fraco, fraco… – mas que, por outro lado, se revela bastante criativa: inexiste aqui qualquer som de 3 ou 4 acordes repetidos do início ao fim. “Nicotina” e “Amor Eu Preciso” contêm seqüências de acordes q quase lembram riffs (dá pra tirar como riff); “Chernobil” e “Tom e Jerry” são guiadas por dissonâncias ou microfonias; “Astronauta” é quase heavy metal, numa combinação acordes + feedbacks + tambores ímpar.

Pra falar na bateria: pouco existe daquele “taco-taco-taco” reto e idêntico ao longo dos sons; Gerbase trabalhou bastante com os tons, com breques e seguradas (“Sandina”), fora pratadas pra reforço em refrão (“Mistérios da Sexualidade…”). Se a pedida for sair batendo cabeça (sim!) ou pogar no sofá da sala, as cadências impostas por Gerbase em “Chernobil”, “Adúltera” e “Mentira” são o que há de mais apropriado (a 2ª, ainda mais: quando se pensa que o som acaba, a batida volta vertiginosa e impele a se sair chutando o ar).

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É complicado. E talvez me tenha sido das resenhas mais complicadas até hoje de se fazer: por conta da sensação de se poder escrever um livro sobre este álbum sem que noções precisas ou aproximações minimamente razoáveis saiam a contento. Não sai, não há como. O que fica é o seguinte: jamais os próprios Replicantes replicaram (ops!) – ou haverão de replicar – toda a contundência, virulência e criatividade – quase que ia esquecendo de falar dos teclados com flanger em “Astronauta”, favorecendo ainda mais peso e dando todo um clima único – deste “Histórias De Sexo e Violência”, álbum clássico, clássico, clássico. Que não virou bolor após 23 anos. E obrigatório.

Obrigatório. Obrigatório.

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PS – resenha publicada originalmente em meu blog solo, o Thrash Com H, em 7 de Julho de 2006, quando o mesmo era do provedor weblogger, que era uma bosta e um dia acabou

PS 2 – no www.thrashcomh.com.br atual, acabei de reprisar resenha duma outra banda também jamais lançada em cd, o Corpse, que era daqui de São Paulo e eu duvido que alguém conhecesse

* arbitrariedade ocorrida em “Adúltera” descobri pouco tempo depois ter também ocorrido em “Por Que Não?”, dos próprios Replicantes no disco de estréia, que mandava Caetano Veloso ir pra “puta que o pariu”, mas a gravadora não deixou, apagando o verso

NÃO SAIU EM CD

“The Final Conflict”, Vodu, 1986, Rock Brigade Records

sons: CONTRADICTIONS / WHAT AN IRONY / HOW CAN YOU BELIEVE? / THIS IS NOT YOUR WORLD / ENDLESS NIGHTMARE / NUCLEAR DELIRIUM / FINAL CONFLICT / LET ME LIVE (I DON’T WANNA DIE)

formação: Andrews Góis (vocal), Bruno Bontempi (guitarras), André ‘Pomba’ Cagni (baixo, backing vocals), Sérgio Facci (bateria)

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Esta é uma das vezes em que voltar ao material da banda resenhada (e, neste caso, à fita Basf gravada há anos), obrigou-me a rever conceitos e a reconsiderar a banda em questão.

Porque o Vodu, das bandas oitentistas brasucas, sempre foi o patinho feio. O tipo da banda que eu muito agradecia não entrar no embalão das voltas das bandas que foram sem nunca ter sido [ainda que em meados de 2006 tenham feito alguns shows de retomada que, ao que consta, deram em nada. De novo]. Os motivos principais pra desdém, fora o que dizem das capas toscas (e só acho a de “Endless Trip”, último deles, realmente ruim) eram musicais propriamente: metade da banda era ruim. Muito ruim. Estamos falando dos vocalistas – aqui o tal Andrews Góis, mas Cláudio Vitorazzo, sucessor, foi quem se “consagrou” à frente da banda, e queimou o filme sem perdão – e do guitarrista Bontempi, que se não era assim um horror completo, eu achava… ahn… um tanto inexpressivo.

A outra metade, já não: mesmo ostentando os cacoetes mais steveharísticos duma banda nacional (esqueçamos o Fates Prophecy, que busca copiar, na cara dura, o Iron Maiden, e ainda acha legal) em todos os tempos – o que garante até hoje umas risadas descrentes (até pôr pés nos PA’s fazia) da parte de quem lembra – o baixista André ‘Pomba’ Cagni segurava MUITO bem as pontas. E Sérgio Facci, o baterista…

Não eram tempos ainda dos IG&T’s da vida, de molecada a granel distribuindo técnica a rodo, ostentando patrocínios e de músicos de workshop louvados como gênios entre nós privilegiados mortais (faça sua associação com quem quer que apareça de monte nas colunas sociais das revistas e sites musicais). À época Igor Cavalera já vinha sendo falado, e Ricardo Confessori passava pelo Korzus, mas embora não portasse aquela técnica dantesca e embasbacante, considero Facci o melhor baterista do metal nacional oitentista. Pois não a tôa, fora o trampo no Vodu, era integrante temporário-que-ficou-definitivo no Volkana e tocou no incensado (sei lá por que) “Theatre Of Fate”, do Viper. Sujeito requisitado que nunca mais se ouviu falar. Por onde andará Sérgio Facci?

Os tempos eram outros também em termos de promoção e/ou jabá. Ainda que Pomba escrevesse na Rock Brigade, a publicação pouco louvava a banda – preferiam, ao contrário, apostar nas ‘revelações’ Viper – em atitude que, se foi de resguardo do próprio Cagni, palmas pra ele, enquanto que, por outro lado, poderia ter se dado um pouco mais. (Terão sido também tempos de maiores pudores editoriais?).

“The Final Conflict” não é esse horror de trampo que as lembranças do Vodu deixaram. E o digo por 2 aspectos chamativos à 1ª ouvida: 1) foi trampo de gente que conhecia heavy metal bem mais que superficialmente (em tempos atuais, de gente que monta banda e mal conhece bandas com mais de 15 anos ou 3 álbuns, é dado deveras considerável), com idade e bagagem, o que dá alicerce a uma banda; 2) e por mesmo eu não tendo as letras (se à época em que gravei as copiei, perdi…), perceber o inglês utilizado ser mais do que os “Ccearás” ainda muito em voga, e bastante típico do metal oitentista. Aquele de se fazer a letra em português e passar pro inglês com dicionário a tiracolo.

Ainda sobre o conhecimento de causa: chama positivamente atenção um disco de 1986 – quando não havia Internet e cuja solução pra muitos dos problemas de querer se conhecer uma banda era comprar cassete pirata na Woodstock – conter referências tão claras a Metallica (como “This Is Not Your World”, bem “Kill ‘Em All” ), Ozzy fase Rhandy Roads (em muitas das palhetadas, ainda não propriamente thrash), Judas Priest, Helloween “era Kai Hansen” e, claro, Iron Maiden fase Paul D’Ianno (“How Can You Believe”, na altura de seus 3’20” deixa isso BEM CLARO, e a faixa-título contém um “au-au” final característico).

Os dotes steveharrísticos de Pomba citados têm seu componente bastante apreciável: muitos são os trechos de solo em que a base foi feita por ele, assim como trechos harmonizados guitarra-baixo bastante competentes e não exatamente xerox de sons do Maiden (“What an Irony” acho não menos que fantástica).

Imagem de Amostra do You Tube

Volto a especular por um não reconhecimento devido: talvez porque fossem feios e o baterista, japonês. Talvez cheirassem mal. Não sei, não entendo um álbum como “The Final Conflict” sequer ser resenhado como dos álbuns clássicos do metal nacional. Reverência a bandas ditas pioneiras (tipo Dorsal Atlântica, Sarcófago ou Stress – que só gravou 1 álbum) ou às tidas como clássicas e/ou sobreviventes (Necromancia, Korzus) ou ainda às q vêm voltando (Holocausto, Chakal, Atômica, Viper) abundam, sendo que, para comparar com os tão bem-falados Viper, o álbum aqui apresenta produção muito superior a de seus 2 primeiros e clássicos álbuns, no mais bastante derivativos de Maiden, Helloween e do metal melódico que nascia. O Vodu ficou num limbo, em que não foram pioneiros nem revelação…

Tá certo que alguém pode objetar quanto a um certo modo abafado com que foi gravado ou mixado, mas é álbum muito mais audível do que nossa memória teima em lembrar dos discos metálicos brasileiros da época. E não é tão cru como um “Simoniacal” (MX). Nada assim gritante mesmo, e que talvez tivesse ocorrido devido ao EQUIPAMENTO disponível na época, já que inexistiam instrumentos de qualidade, muito menos pedais como os de hoje (e aí volto à inexpressividade do guitarrista possivelmente por conta disso, como ainda por a mim faltar uma 2ª guitarra propriamente solo na formação dos caras: teria dado uma encorpada).

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Um outro dado que talvez tenha impossibilitado assimilação ou reconhecimento adequado do álbum é o fato de muitos sons serem compostos dum número excessivo de partes: coisa de quem claramente tinha excesso de idéias e não atinava em poder decompor certos sons em 2 ou 3 fácil fácil. “How Can You Believe” é exemplar nesse aspecto: em seus 6’20” – que parecem ter 10’ – é um ir e vir de partes bastante interessante pros mais atentos ou músicos, mas que talvez ao vivo impossibilitassem um bangear seguro e confortável… “Let Me Live (I Don’t Wanna Die)” vai nessa onda também, com requintes técnicos guitarrísticos a despeito do equipamento. E mesmo em seu início contendo algo como o guitarrista querendo mostrar mais do que sabia ou conseguia fazer (umas coisas meio harmônicos q ficaram meio chôchos).

“This Is Not Your World”, que passa de 5 minutos, fica mais adequada nesse sentido, e embora alterne partes rápidas (a la speed metal) com outras mais na manha (como aquelas ‘lentas’ em “Phantom Of the Opera”, do Maiden) e cavalgadas maidenianas, soa mais como gente talentosa buscando compor baseado em padrões das bandas preferidas e almejando identidade própria. “Endless Nightmare”, que apresenta 4 partes diferentes ainda antes de entrar o vocal também atesta a impressão. Já os 2 primeiros sons vão numa veia mais direta – não chegam a 3 minutos – e calha serem os primeiros a se baixar (haverá na net?) ou ouvir.

E quero deixar claro, a quem conhecer o trampo e a quem vir a fazê-lo, que estou descontando o TRAMPO VOCAL, repleto de cacoetes hoje consagrados pelo Massacration e Massacrations Cover (Primal Fear, Hammerfraco, essas nhacas): seja os gritinhos épicos-heróicos ao início ou ao fim (“Contradictions”, “This Is Not Your World”) ou um excesso de “Ô-ô-ô” ou “Ô-ô-Ô-ô’s” (que em “Let Me Live (I Don’t Wanna Die” é até constrangedor) meio Manowar.

Som ruim ou dispensável, a meu ver, apenas “Nuclear Delirium”, com intro de guitarra limpa + voz (numa outra referência ao Metallica?) em que o “Ô-ô-ô” cansa. No mais, e no geral, notadamente se percebe uma temática social-política dos tempos de Guerra Fria vigente. Nada de demo, castelos, princesas, enfim.

Pra concluir, o seguinte: se proximamente nalguma revista ou site metálico legal por aí rolar alguma resenha sobre o Vodu ou sobre a IMPORTÂNCIA de qualquer um de seus 3 álbuns (“The Final Conflict”, “Seeds Of Vengeance”, “Endless Trip”) ou ep (“No Way”), lembre-se que o Exílio Rock revisitou a banda ANTES! ahah

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PS – André “Pomba” Cagni é hoje editor da Dynamite (revista e site), como também duns zines GLS e ataca de DJ na noite paulistana em casas de tecno, GLS ou não. Somado isso ao sumiço dos outros integrantes (só tinha ouvido falar que o Vitorazzo entrara pro 365 tempos atrás), é líquido e certo que o Vodu não volta. Mas poderia ter os álbuns relançados em cd…

PS II – resenha publicada originalmente em janeiro de 2006 no meu blog solo, o Thrash Com H, que à época era num provedor ruim (weblogger) que posteriormente sucumbiu

VIDEOCLIPE DE METAL, ORAS BOLAS!

Grim Reaper já foi homenageado, Meshuggah recomendado. Eis o momento de falarmos/revermos outro videoclipe antológico de heavy metal.

“Balls to the Wall”, do Accept. Que tal?

Imagem de Amostra do You Tube

Com descrição apurada, para que ninguém fique boiando – tipo final do “Lost” – em significados que não existam:

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Ao surgimento do relógio, recorrente durante o vídeo, porque também rodando ao contrário, a tendência é nos debatermos em interpretações e/ou alusões filosóficas atrozes, não fosse a COREOGRAFIA memorável surgida: não um guitarrista apenas na tela, mas outro que surge por detrás. Para daí surgir o baixista!

Momento sublime que muito tr00 jamais ousaria chamar de poser.

Os sujeitos vão abrindo as pernas, a bateria entra (na intro que o Manowar copiou mas não falou pra ninguém) e… cáspita, deixaram o filho de 5 anos de idade do diretor entrar no set? E ainda por cima camuflado? Ah, é o sisUdo!

Que por volta de 1′23″ tem guitarra encaixada na cabeça: será que tiveram que ensaiar muito essa?

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A bola demolidora destrói uma parte do relógio… que mensagem subliminar desejaram passar?

Ah, de qualquer modo, aquilo que a bola não detona os headbangers detonam headbangueando. Alguma crítica implícita à truezice feroz e bitolada, ou elogio descarado à tenacidade e FORÇA do público heavy?

E a câmera vai chegando perto, MUITO PERTO, do zoiUdo, que só assim fica grandão, destacado. Guitarristas e baixista saem do quadro, meio pra garantir eheh

E os headbangers seguem batendo cabeça, segurando (modo de dizer) as pontas. Alguma propaganda subliminar de aspirina? Bão, banda alemã… Bayer, farmacêutica alemã… se é Bayer, é bão… se é Accept, por que não?

E a câmera voltando aos sujeitos tem uns respingos… Tudo isso de PERDIGOTO, ou o quê?

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As “cordas” voltam, os headbangers também. Insistentes, coesos, invencíveis. O relógio insistindo em aparecer: algum recado indireto do diretor, talvez insatisfeito em ter perdido valioso tempo (que não mais volta) com a banda?

Os heavies vão consumando o rito iconoclasta, o baixista não pára de socar o ar (incentivo?), e a essa altura começo a temer, com tanta perna abrindo cada vez mais, por alguma HÉRNIA nos caras. E em mim: melhor eu parar de imitação empolgada, ficar só no digitar.

A parede é destruída, os heavies embaixo sem soterramento: prova da força do METAL. Os mesmos saem ilesos dos escombros, com saibros e ripas na mão. Medo.

Volta o foco à banda: o guitarrista mal se conforma, e procura consolar o buxUdo. Afago, cafuné, beijinho… talvez o pirralho assim consiga dormir à noite em meio a tamanha desolação.

A câmera os foca e parece mais molhada. Por volta de 4′01″, microfone e pedestal, à esquerda, desabam sozinhos. Muito medo. E a horda jeans cada vez mais perto…

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No que, chegando ao fim, parecem dar ao pelUdo a chance de fugir a tempo do perigo. O põem na bolona, e vamos nessa. Mas com microfone?

E pior… balançando a bagaça pro lado errado!!

E até hoje permanece a dúvida acerca de o verdadeiro pançUdo ter morrido ou não pelo metal.

FIM.

Acidentes marcantes da F1 – Parte 3

O que sobrou da Williams de Senna após o acidente

Na última parte da nossa série sobre acidentes que marcaram época na F1, nada mais apropriado do que falar sobre o mais inesquecível deles (pelo menos para nós, brasileiros): o de Ayrton Senna da Silva, cuja fatalidade completou 16 anos nesse mês de maio. Vamos voltar alguns anos, principalmente aos 2 últimos que antecederam a famosa corrida em Ímola. Ler o resto deste artigo »

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