Crônicas

Fora anacrônico, sou também um pária: ainda compro cd’s. Regularmente e em grande quantidade mensal.

Anteontem adquiri o “Amnesiac” acima num sebo, apenas conhecendo “Pyramid Song” e sabendo tratar-se dum álbum torto, duma banda torta, esquisita, bizarra, hermética, peculiar etc., que é o Radiohead.

Eu tê-lo achado o perfeito equilíbrio entre o alternativismo lesado do “Ok Computer” e o bizarro pelo bizarro “Kid A” anteriores, pouco importa. Que se foda o que eu achar aqui agora.

O que conta é eu tê-lo posto pra tocar no carro (não agüentei esperar pra chegar em casa pra fazê-lo – ansiedade anacrônica que modernos tecnofílicos de plantão decerto desconheçam. Pra mal ou pra bem).

E que meu cd player do carro não é lá dessas coisas: a qualquer solavanco, tampa de bueiro (das que não explodem) ou beirada de asfalto porcamente recapeada (afinal, vivo em São Paulo) o cd PULA.

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O barato é que as músicas pulando pouco alteraram em relação às propostas originais.

O insólito foi eu ter finalmente compreendido o conceito de remix.

O “Guia Folha” desta semana, guia cultural que sai toda sexta na Folha De S.Paulo, numa página – “Correio” – dedicada a reclamações (muitas) e elogios (raríssimos) a atendimentos em serviços e baladas, conta com o depoimento duma certa Simone Roncoli, advogada de 48 anos que não conheço, e que também não acho ser indiscreto reproduzir, uma vez que já o fez num jornal de maior circulação que o Exílio Rock:

“Na noite de 25 de março, quatro amigas e eu estivemos no Bar Brahma e fomos atendidas por um garçom que, depois da terceira rodada de chope, aproximou-se de nossa mesa e começou insistentemente uma conversa estranha, dizendo: ‘Toque aqui (apontando um amuleto azul de cristal pendurado em seu pescoço) e tenha fé, que ele é poderoso e vai te curar’. Uso lenço na cabeça, pois fiz quimioterapia, e estava no bar comemorando minha recuperação. Entendi a atitude como um preconceito travestido de piedade e fiquei envergonhada”.

Fora a vergonha alheia sentida e alguma indignação com o tratamento oferecido pelo garçom mala, penso em tantas vezes que já não fomos ou somos VÍTIMAS dessas pessoas que TANTO QUEREM AJUDAR.

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Ainda sou um cara bem enjoado pra comer, embora após casado considere-me evoluindo neste aspecto. De qualquer modo, o post que se segue dedico a quem compartilha do ASCO para com bolovos, steaks e coxinhas indecentes expostas em vitrines de padarias Brasil afora.

Melhor: dedico ainda mais a quem aprecia tais quitutes com coragem, requinte e maestria, fora lamberem os beiços após a ingestão.

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Que tal ir a uma sorveteria, após o fogo amigo endocrinológico, pra curtir um sorvete feito com leite materno? Ou curtir com a pessoa amada, tomando juntinhos pelo par de canudinhos, um suculento milk shake de sêmen de cavalo?

Pois existem essas atrocidades. De que achei que fosse pura zoeira do meu xará locutor barra dublador do Patrick de “Bob Esponja”, na Kiss Fm anteontem. Fui pesquisar e encontrei. Eis:

I.

SORVETE DE LEITE MATERNO

Um restaurante em Convent Garden, no centro de Londres, lançou um sorvete feito à base de leite materno humano.

O “Baby Gaga”, como foi batizado, é produzido a partir de leite doado por 15 britânicas. O leite é pasteurizado antes de ser batido com baunilha e casca de limão.

Nas ruas de Londres, a criação, no entanto, divide opiniões. Uma mulher não quer nem experimentar, enquanto outra aprova, dizendo que o sorvete é um pouco diferente do tradicional. “Mais cremoso”, completa a britânica.

Mas ao pagar pelo “Baby Gaga”, talvez o sabor se torne um pouco mais amargo. A iguaria custa 14 libras esterlinas, aproximadamente R$ 40.

Consta que a loja tem atendentes vestidas de Lady Gaga para melhor acolhimento da clientela (duvidosamente) interessada. E consta no link abaixo uma matéria da BBC a respeito, com aparentes testes de qualidade com consumidores, que aprovaram ou criticaram o produto.

Em: http://www.bbc.co.uk/portuguese/multimedia/2011/02/110225_sorvete_leitematerno_nf.shtml

II.

MILK SHAKE DE SÊMEN DE CAVALO

Conhecidos por sua paixão pelos esportes de aventura, os neozelandeses agora estão chegando aos extremos da culinária: um festival gastronômico oferecerá a seus visitantes mais corajosos um milk-shake preparado à base de sêmen de cavalo.

A iguaria equina estará na cardápio do Festival de Comida Selvagem, realizado todos os anos na cidade de Hokitika, em South Island, junto com petiscos como escorpiões crus, besouros cobertos de chocolate e lagartas fritas.

Lindsay Kerslake, criadora de cavalos de corrida e inventora da mistura, falou sobre o drink.

- A ideia é ter tanta energia quanto um garanhão, com duração de uma semana depois de tomar o milk-shake.

Segundo Lindsay, a bebida que será vendida no festival deste ano, que começa no dia 12 de março, terá gosto de milk-shake e efeito de bebida energética.

Mike Keenan, um dos organizadores do festival, disse esperar que muitos acabarão bebendo o milk-shake como um desafio – e que ele mesmo está se preparando para dar um gole.

- Ok, eu vou provar.

Keenan explicou que o festival começou há 22 anos, como uma maneira de forçar os cidadãos de Hokitika a “saírem de sua zona de conforto” e terem ideias criativas.

– Ela [Lindsay] está trabalhando em vários sabores, como baunilha, morango e chocolate.

Link em: http://noticias.r7.com/esquisitices/noticias/nova-zelandia-vai-servir-milk-shake-de-semen-de-cavalo-20110222.html

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Bem, agora ficar babando ou correr pro banheiro vomitar fica a critério de cada um, beleza?

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