Arquivo da categoria ‘Crônicas’

A TV parou no tempo (ou porque eu prefiro a internet)

Povo assistindo um programa dominical :)A TV me cansou já faz alguns anos. Está sendo engolida pela internet rapidamente, pois aqui, ao contrário de lá, eu escolho o que quero ver e fazer, na hora que bem entender.

Na internet, eu não sou um agente passivo sentado no sofá, catatônico aguardando somente que todo o tipo de informação (boa ou não) pule daquela caixa iluminada para o meu colo.

Na internet interajo completamente, acessando o conteúdo que interessa, jogo games, assisto vídeos, blogo, participo de fóruns. Resumidamente, eu existo e contribuio com o ambiente à minha volta. E pelo fato de ela ter um pouco do meu ser, minha experiência, minhas ideias, eu me torno a internet. Todos a fazemos existir. Ler o resto deste artigo »

Torcedor de futebol: como fazer de seu domingo um dia mais ordinário…

Baseado em fatos reais (ocorrido num domingo, dia 29 de março):

1) Acorde no domingo, às 6 da manhã, pra fazer o café. Em estado semi-catatônico, derrube o pote de café inteiro no chão de porcelanato (quanto mais limpa, mais suja)

2) Acorde a família às 7 hrs e conclua que mesmo uma criança de 2 anos, já sabe o que é mal-humor.

3) Arrume a mochila e coloque-se na estrada a caminho de uma cidade à 100 km de onde vc mora. Sem ver um guarda rodoviário federal escondido atrás de um arbusto com o radar móvel na mão, vc observa em pânico que está a 110 km numa estrada de 80 km de limite de velocidade. Obviamente, não adiantou eu brecar. Obviamente, nem contei pra patroa o que estava acontecendo;

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TENHA UM ORGASMO HOJE

O post extra é pra compartilhar com todo mundo aqui isto que li num muro ontem à tarde, na esquina da Jabaquara com a Afonso Mariano Fagundes.

Em mensagem que, fora bonita e positivíssima, achei também duma generosidade tremenda. Fora algo pra lá de exeqüível, e imperativa sem soar imperativa: quantos/quantas de nós, aqui, não se encontram dispostos/dispostas a isso pra animar o dia??

Também minha impressão foi a de ser este um recado que derruba qualquer livro de auto-ajuda (blargh!), bordões publicitários geniais e religiões e seitas-cheques por aí, conselheiras e tão repletas de tabus, diretrizes arbitrárias e não-me-toques aleatórios.

Por isso, gostaria de bom grado e boa vontade, de desejar a Lair Ribeiro, I.N.R.I. Cristo, Roberto Shinyashiki, Washington Olivetto, Bento XVI, Bispo Macedo, Bispa Sônia, R.R. Soares, Dalai Lama, entre outros iluminados, que tenham um orgasmo hoje e deixem as pessoas em paz!!!!

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Longe demais das capitais…

Houve uma época em que, no período de um ano, shows internacionais de heavy metal no país não enchiam os dedos de uma mão.   Hoje, não há conta-corrente que consiga acompanhar a alta frequência de shows dos gringos por aqui.  Mas, no passado, cada oportunidade de ver um show de metal era “A oportunidade!”. E, para alcançar o paraíso (o show), você tinha que passar pelo purgatório: a viagem de excursão até o local do show. 

Homem, normalmente, já é um bicho tosco.  50 homens que gostam de metal dentro de um busão, invariavelmente, são a visão do inferno.  Atire o primeiro “Load” usado quem nunca passou por isso:

  • FEDENTINA DE SUOR: filho da puta comprava um vinil triplo importado do Metallica na Bélgica, que custava duas córneas, mas não gastava 5 reais num frasco de Avanço. Pelos cascos do meu cavalo, tinha neguinho que parecia que estava morto e só faltava enterrar.  É lógico que a combinação “calor infernal” + “camiseta preta” era o ingrediente principal desse prato indigesto, mas se o Simancol fosse vendido nas melhores farmácias a um preço acessível, estaríamos privados de sentir o cheiro do inferno.
  • FEDENTINA DE MACONHA: nada contra quem fume essa nhaca aí… Mas, porra, dentro do busão?  Se cheiro de cigarro já é insuportável pra tanta gente, cheiro de merda de vaca por 400km é de embrulhar o estômago…
  • OS PAUS D’ÁGUA: a maioria dos bangers toma a sua cervejinha.  O problema são os cabras que se acham um integrante do Tankard e que, na verdade, não passam de um tongos criados com o Toddy da vovó: ou seja, não agüentavam um copo de Tang e davam um baita trabalho.  Nessas excursões, era mais fácil alguém esquecer o ingresso para o show do que o isopor com as latinhas de cerva.  Portanto, nada mais natural que, na primeira centena de quilômetros, alguns dessa corja dessem o ar da graça: “Ow, motorista!! Nóis qué mijá!!!” (obs.: ônibus com banheiro é tecnologia recente).  O que não é nada tão horrível, pois qualquer acostamento virava o banheiro de casa…  Mas a porca torcia o rabo quando alguns desses iluminados enchia o radiador desde bem antes de embarcar, “apagava” no banco do busão e acordava pra vomitar no corredor ou no colo de alguém…  Ah, o cheiro de flores do campo que corria por todo o ônibus..  Dependendo do estômago de mais algum iluminado que estivesse nessa “Highway to hell”, a brincadeira não acabava por aí: lá vinha mais ânsia, lá vinha mais vômito… Só Carlos Drummond de Andrade consegue traduzir em palavras a cena de neguinho catando terra na beira da estrada pra jogar na arte contemporânea feita dentro do ônibus.
  • THE FORGOTTEN ONES: eis que o motorista para a condução em algum posto show de bola para o povo comer alguma coisa.  A avalanche humana em busca do banheiro é tão degradante que pais pegam os filhos nos colos, velhos fazem o sinal da cruz…  Desafogada a bexiga, hora de bater um rango.  E eis que tem uns que fazem um prato que se assemelha à imagem do Everest.  Até aí, nada demais.  O problema é fazer um prato como se fosse um caminhoneiro e comer como se fosse o Clodovil: demoram um tempão.  Junte-se a isso os “cozidos de cachaça”  que se espalham pelos bancos do lado de fora do posto de gasolina (e você não consegue identificar quem é) e temos um atraso de proporções épicas.  Quando o saco de todo mundo está com elefantíase e o motorista fecha a porta e sai com o busão, parece ensaiado: lá vem os três ou quatro viados que estavam sabe-se-lá-Deus onde…

A coisa melhorou hoje?  Com toda a certeza do mundo!!  Qualquer turística fuleira oferece ônibus com banheiro e ambiente climatizado.  Tem sempre um monitor pra falar certinho a regra do jogo e aplicá-la.  Ou seja, chega desse tipo de agrura por hora.  Deixemos pra descrever cenários que continuam os mesmos de décadas passadas em textos futuros.

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