Ainda sobre a volta do Black Sabbath.
Um presunçoso recado aos srs. Tony Iommi, Ozzy Osbourne, Geezer Butler e Bill Ward:
- Se por algum motivo, sobretudo físico, dos srs. Osbourne e Ward (turnê “Reunion” duns quase 15 anos atrás já tinha Mike “backup” Bordin subindo ao palco eventualmente pra terminar o show por ele), as coisas não forem tendo aquele FÔLEGO todo
- Ou o tal disco novo não emplacar
Sugiro colocarem isto aqui pra tocar
… e mandarem ver no playback!
Sabe-se que Ozzy jamais decoraria tanta letra. Mas pra ele seria mais fácil lidar: encham-no de baldes d´água e o instruam a mostrar a bunda adoidado e a perseverar com os “we love you all”, “are you fucking crazy?” e “we can’t fucking hear you” de sempre. Ninguém haveria de reparar.
Eu e mais uma meia dúzia repararíamos. Mas pelos outrora digníssimos e precursores serviços prestados, me comprometeria a guardar segredo, fechar o bico, quebrar esse galho, tudo bem?
…
Sei lá se isso ainda existe, mas… eis um filme especialmente indicado a quem reúne toda a família no Natal, no que comparecem aquelas tias carolas ou aquela tia-avó que reza o terço e que quer ver o Palpatine 16 rezar a Missa do Galo antes da ceia. O que embaça todos os que querem comer, fora toda a criançada, que quer logo ganhar presente e tem que esperar a velha.
E ainda mais indicado a quem tem birras com a cristandade, cristianismo ou com a overdose disso tudo nesta época. Natal, festa cristã?
Como se pode ver, o nome original do filme é “Agora” (de ágora, lugar de discussões e debates dos tempos da Grécia Antiga, e que aqui é a sala de aula da filósofa Hipátia, personagem principal), vertido pra cá como “Alexandria”. Porque a história – baseada em fatos históricos – se passa em Alexandria, Egito, lugar que na Antigüidade sediava a Biblioteca homônima que diziam conter todo o conhecimento da Humanidade até então.
Biblioteca esta acometida pela PRIMEIRA GRANDE ATROCIDADE dos cristãos, que se tornavam irremediavelmente hegemônicos e destruíram-na toda, em prol de pulverizarem o paganismo “herético” e implantarem de vez o monoteísmo. Ocorreu em 391 d.c., e na metade do filme em “Alexandria”.
O que me fascinou em “Alexandria” é ser um raríssimo filme – ao menos o 1º que vi – de fundo histórico (com caracterizações de época bem feitinhas) em que vi os cristãos caracterizados NÃO COMO OS MOCINHOS sofredores, perseguidos, injustiçados. Mas como um bando de fanáticos arrogantes, decididos a implantar o monoteísmo e Jesus Cristo goela abaixo de quem não professava a mesma fé, e que usavam os pobres e escravos como MASSA DE MANOBRA pra embates vários (apedrejamentos, discussões em praça pública) com a promessa de vida eterna.
O que me enojou neste filme foi a constatação de QUE NADA MUDOU. O fanatismo ainda existe – se bifurcou em vias pentecostais, mas é ainda idêntico – e a intolerância da parte dos crentes na religião ainda hegemônica vejo mantida tal qual. Talvez não com apedrejamentos literais, o que atenua as coisas até o versículo 2, quem sabe.
Cristãos põem abaixo o paganismo, se tornam hegemônicos (graças ao Império Romano tornado cristão), apedrejam e hostilizam os judeus, são apedrejados de volta e, em retaliação, tratam de expurgar Hipátia do cenário. Na criação de outra ABERRAÇÃO ainda muitíssimo praticada: via distorção das palavras sagradas. Da Bíblia como justificativa.
Hipátia era astrônoma e indiferente às religiões. Preocupava-se com as órbitas planetárias, movimentos solares, estrelas e constelações. Ensinava montes de rapazes, que tornados adultos se tornariam prefeitos, sacerdotes etc. e precisava ser calada. No que, ao final do filme, um padre (cristão), na condição de chantagear o poder instituído (por meio de acalmar a massa revoltosa) e afastar sua influência pensante, “lê” na Bíblia que a mulher “deve se submeter ao homem”, não usar roupas chamativas, tampouco emitir opiniões.
Do que resulta dela (vivida por Rachel Weisz) morrer covardemente apedrejada.
***
O filme tem também defeitos, como o da escassez de personagens (meia dúzia de 4 ou 5 recorrentes) aliado a uma fraca caracterização deles envelhecidos (não parecem suficientemente modificados). Mas é o filme anti-Cecil B. DeMille, de padrão catequético imposto há muito por Hollywood.
E traz ainda uma controvérsia histórica ainda não esclarecida – nem Bakunin chegou lá – com relação ao Cristianismo: como uma seita de pescadores e mendigos perseguidos e torturados se tornou a maior igreja no mundo ocidental? Que aliança foi essa entre “Deus” & Estado que solidificou a verdade intolerante e hipócrita do Vaticano luxuoso?
Diz a Wikipédia que “Alexandria” foi proibido no Egito e teve “problemas de distribuição” (censura, vai) nos EUA e na Itália. Também pudera.
Natal, Natal das crianças? Sim, que se não ganham presentes ficam histéricas. Natal, festa cristã? Imposta goela abaixo século após século. Religiosidade instituída e intolerância atroz que se lê e se justifica nos Evangelhos continua por aí. “Alexandria” não foi blockbuster (é de 2009) e jamais seria (é filme espanhol, mesmo falado em inglês), mas achei jóia raríssima que recomendo com fé.
(ops!)
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Que me lembre, era 1986 já no fim, quase 1987, quando pedi pra minha mãe me comprarem, num finado Jumbo Eletro, este “Flaunt It”. Motivado, óbvia e hormonalmente dizendo, pela capa – que ainda acho foda, e isso é pobrema meu – e por “Love Missile F1-11″, hit da vez, que enchia o saco de tocar no rádio e eu curti.
- Love Missile F1-11
- Atari Baby
- Sex Bomb Boogie
- Rockit Miss U.S.A.
- 21st Century Boy
- Massive Retaliation
- Teenage Thunder
- She’s My Man
Não conhecia o heavy metal ainda, tampouco rock de verdade, mas aquela e as outras 3 ou 4 músicas tornadas favoritas me soavam PESADAS de verdade, hormonalmente (de novo) falando.
Foi também com “Flaunt It”, em resenha emprolada da Bizz, que precocemente me inteirei sobre existir o “rock de proveta” (sic), banda armação, coisa assim: algo que demorei a assimilar, tanto quanto do que diziam de “Gigantes do Ringue” (telecatch que passava na Record) ser marmelada, fajutice. E daí, mesmo curtindo os sons, tendo comprado pedido pra comprar o fraco “Dress For Excess” seguinte e lamentado não tê-los visto “ao vivo” em 1989 (quando os estranhei fazendo playback no Faustão, mas sem ligar A + B), ambivalentemente deixei o Sigue Sigue Sputnik de lado. E, ao que consta, também eles próprios.
25 anos se passaram: montes de bandas, discos, subestilos e shows conheci barra presenciei barra usufruí e… eis que “Flaunt It” ainda me caiu bem. O vinilzão.
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Sonoramente o que predomina por aqui é um rockabilly eletrônico – cortesia clara da Roland, ostensivamente agradecida no encarte e contracapa – guiado por batidas eletrônicas 4×4 (2 bateristas, Ray Mayhew e Chris Kavanagh, na formação uma ova!) nada dance music ou poperô (surgidos depois, e talvez até no embalo daqui), com uma ou outra citação erudita ou de riff rock’n’roll antigo em meio aos sons. (Citação de T.Rex em “21st Century Boy” é até óbvia). Aparentemente tocadas, não samples aleatórios barra arbitrários.
A produção é excelente, por Giorgio Moroder (produtor de dance music setentista), e o que eu tinha de recordação de sons caóticos caiu por terra: o Nine Inch Nails e o Ministry noventistas talvez me deseducaram nesse sentido… Músicas acessíveis, pop, entremeadas com locuções femininas ditas sexy (por uma tal Yana Ya Ya) e um vocal canastrão (Martin Degville – inclusive no visú), como poucos vocalistas farofentos da Los Angeles oitentista ousaram ser. A não ser pela mela-cueca “Atari Baby”, uma promessa de serem a “5ª geração do rock’n’roll” bastante coerente.
O mentor da bagaça, por sua vez, era um tal Tony James, creditado como tocando “Space Guitar” (cuma?), de considerável histórico de punk de butique (tocara com Billy Idol no cult Generation X) e que faria parte do Sisters Of Mercy (no pesado “Vision Thing”. Tocando baixo) logo após. Pra daí sumir, voltar com o SSS (sem ninguém REALMENTE dar a mínima) e pecar em prolixidade no site oficial do projeto, dando-se uma importância biográfica pro mundo e pra música maior que a real.
E a mensagem dos caras vejo como incompreendida na época: crítica e algum público os tinha como povo presunçoso e esnobe, vide os vídeos e fotos hiperproduzidas, repletos de limusines, seguranças, festas milionárias e citações várias a “Sputnik Corporation”, “Sputnik tv” etc. A versão inglesa original de “Flaunt It” cometia ainda a HERESIA de conter intervalos comerciais – alguns claramente fajutos, outros não (L’oreal, EMI-Odeon) – nos espaços entre os sons. Estavam tirando sarro de si próprios e do rock comercial que se tornava hegemônico.
Tenho impressão de que nem mesmo o U2 ostensivamente comercial, tecnofílico e hiperbólico das fases “Achtung Baby” [resenhado por aqui mês passado] e “Zooropa” pegou inadvertidamente elementos do Sigue Sigue Sputnik. Mas os sujeitos aqui – completava o time, na contracapa, um certo Neal X, guitarrista – tiveram o vislumbre primeiro, isso é FATO.
Outros subtextos captáveis no disco dizem respeito à Guerra Fria (não poderia deixar de acontecer) e a um futurismo de megacorporações dominantes, no que acertaram em cheio, apenas errando em qual seria: não tinham como adivinhar o surgimento + crescimento voraz de Microsoft e Apple, no que apostaram num futuro “Blade Runner” pela Atari. Mas tudo bem.
Um livro famosão recente, “1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer”, que resenhei há algum tempo no Thrash Com H – http://thrashcomh.com.br/thrash/2011/10/servico-de-utilidade-publica-thrash-com-h-13/ – a meu ver ominosamente omite “Flaunt It” na copiosa e abrangente (até demais) lista. Talvez por terem sido (banda?) (projeto?) que se assumia sem qualquer integridade. Mas é fato que a MÚSICA talvez pudesse preponderar em julgamentos, e reouvir “Flaunt It” me fez novamente curtí-lo, sem qualquer culpa.
Afinal, bandas e artistas armados estão aí mais do que se imagina.
Já as 4 músicas preferidas me continuaram as mesmas: “Love Missile F1-11″, “21st Century Boy”, “Rockit Miss U.S.A.” e “Teenage Thunder”. Pra mim, está bastando.
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