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MEIO MUSSARELA, MEIO RAIVA & RANCOR
Eu não chamaria de “golpe” de marketing isso, mas sim, de um tremendo GOL DE PLACA.
O quê?
Post ctrl c + ctrl v assumido. Do Uol Esporte:
Restaurante irlandês dará pizza grátis a cada gol sofrido pela França na Copa do Mundo
A eliminação da Irlanda pela França na repescagem das eliminatórias europeias para Copa do Mundo com um gol em que o atacante francês Thierry Henry fez assistência após dominar a bola com a mão ainda causa rancor nos irlandeses, que agora terão mais um motivo para torcer contra a seleção francesa na África do Sul.
A pizzaria Pizza Hut da Irlanda lançou uma campanha na qual os clientes ganharão pizzas grátis a cada gol sofrido pela França no Mundial. Toda vez que a seleção campeã de 1998 sofrer um gol, o site oficial da pizzaria colocará no ar um código para que os irlandeses acessem e façam o pedido de uma pizza grátis. A promoção é valida apenas em território irlandês e será limitada a 350 pizzas por gol dos adversários da França. Os gols em disputas de pênaltis não são válidos para a promoção.
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E aí a gente por aqui, com a Copa Do Mundo chegando, vai aturando propagandas cretinas de cerveja, promoções varejeiras obscuras, garotos propaganda obtusos (jogadores transformados em ídolos) e discursos fuleiros misturando patriotismo fajuto da era dos militares a futebol.
Propagandas e promoções tais que, falando a verdade, não nos DÃO nada, certo? Apenas nos prometem tirar pouco dinheiro, coisa realmente pouca se o hexa vier, oras.
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De minha parte, já estava na fervorosa torcida pra que os uruguaios ganhem de 1 a zero truculento (levando uns 3 ou 4 franceses pra departamento médico) deles, pra que os mexicanos os vençam com garra, e pra que os sul-africanos arranquem desses nojentos um empate histórico. Tudo pra que a França nem siga às oitavas de final.
Com pizza de bônus, eu ficaria ainda mais motivado nisso eheh
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DINOSSAURO RECUSA FOSSILIZAÇÃO
A letra a seguir é de faixa bônus do “Rapture Of the Deep”, o último (de recente) álbum de inéditas do Deep Purple, já deste século.
MTV
I was driving through the night
Into an endless tunnel of fog
When it dawned on me something was wrong
I was in a trance, hypnotised
Bored beyond belief
I was listening to the same old song
I know every lick, every word
Every nuance
I’m on first name terms with the crew
But I’d better get used to this poop du jour
Sure as hell they won’t play anything new
Oh yes I love you really
Classic Rock Radio
Oh my dear it’s time for bed
Time for you to go
Everyone is asleep
The pirates took to the water stole the charts
But sadly that didn’t go down well with those upstairs
Who require loyalty
The establishment considered
That the uncontrolled appreciation of music
Was a danger to royalty
The mighty empire roared
As Cash ‘n’ Everitt on the high seas
Looked like they’d get blown out of the water
They did of course eventually come ashore
As meek as mice or to be more accurate
As lambs to the slaughter
Oh yes I love you really
I stand to attention
Oh Fanny, I love you dearly
Something else I should mention?
You sweet thing
Let’s not talk about MTV
I don’t even want to start
I want to take a look at Classic Rock Radio
We’re talking about the state of the art
Mr. Grover ‘n’ Mr Gillian
You musta made a million
The night that Frank Zappa caught on fire
Could you tell us all about it
Keep it short and use my version
Or everyone out there’ll think I’m a liar
We can speak about bananas for one second
Just because I understand
You have to get them off your chest
But in the meantime while your talking
Could you do some more of these here ID’s
And then this station might maintain some interest
Oh yes I love you dearly
But why do you exist?
Oh yes I love you really
Is there something that I missed?
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E embora me soe suficientemente clara (embora insuficientemente inteligível) a respeito de que se trata, tive maiores esclarecimentos a respeito dela quando vi uma entrevista – não na Mtv ahah – de Ian Gillan dizendo-se irritado com entrevistas que a banda tem que dar a cada álbum novo lançado nas quais entrevistadores (revistas, sites, rádios) insistem em só quererem saber dos tempos de “Fireball”, “In Rock” ou de quando compuseram “Smoke On the Water”.
Deve ser um SACO mesmo: você lança um trampo novo – e pouco importa se irrelevante ou aquém dos lançamentos clássicos – e só querem saber do teu passado. A informação acaba ficando em 2º plano, em detrimento do vender nostalgia.
Que é o que o recente nicho de mercado roqueiro, do Classic Rock, faz afinal.
Isso posto, abstraio e estendo a questão para uma outra aresta e faceta da mesma letra e assunto: do quanto ENCHE O SACO ouvir rádio rock - e rádio de Classic Rock (nome aos bois: Kiss Fm) – e ouvir as mesmas uma, ou duas, ou meia dúzia, de sons de certas bandas.
Bandas como o Deep Purple, que têm uns 40 discos na bagagem, e de que se toca, quando muito, a mesma meia dúzia de 7 ou 8 sons. Com tanto som bom, não aproveitado… e até desse “Rapture Of the Deep”, a mim bastante convincente. E do qual nunca ouvi nada que não fosse aqui em casa.
Similar e curiosamente, vejo o mesmo ocorrendo com o Alice In Chains, banda não tão jurássica ainda, que voltou à ativa ano passado lançando o incrível “Black Gives Way to Blue”, mas de que se insiste em tocar sons apenas dos álbuns noventistas.
“Your Decision”, desse novo, até vem tocando um pouquinho. Ultimamente. Mas os outros 4 ou 5 sons de potencial radiofônico provavelmente serão tocados – se tornados “clássicos” – daqui uns 10 anos.
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Casos como os de Thin Lizzy e Jethro Tull então, vira covardia. Dos irlandeses raramente se ouve algo que não “The Boys Are Back In Town” ou “Jailbreak” – a não ser quando existindo pedido do público, em que algum devoto ousa fugir do óbvio – enquanto que dos segundos eu realmente ache ABSURDO que só se toque “Aqualung”.
Que é um som legal, de riff memorável e tudo. Mas, caralho, a banda ainda está ativa, com uns 25 álbuns, maioria acima da média (pra mim, que sou fã) e parece que só se conhece isso!!
Álbuns como “Minstrel In the Gallery” e “Heavy Horses”, pra ficar nos setentistas consagrados, acho até mais legais que o homônimo da faixa perseverada. E não fosse por isso apenas, os caras têm lançamentos oitentistas, como “Broadsword And the Beast”, “Crest Of A Knave” (ganhador daquele infame Grammy pra cima do Metallica) e “Rock Island”, ou mesmo o recentíssimo “J-Tull Dot Com” (1999), de pretensões comerciais assumidas. Não se toca porra nenhuma deles.
Bandas como Ramones, Black Sabbath, Queen e Rush escapam um pouco disso: têm lá cada qual sua dezena (dúzia?) de sons executados por aí; no entanto, Frank Zappa – de 60 álbuns lançados em vida – tem a mesma (chatinha) “Bobby Brown Goes Down” martelada, Dio tem lá umas duas ou 3 de sempre, e Led Zeppelin e o Pink Floyd uma meia dúzia: embora predominem as torra-saco “Black Dog”, “All My Love”, “Another Brick On the Wall, Pt. 2″ e “Wish You Were Here”.
Quem é que ainda agüenta?
Parece que muita gente, a julgar pela programação da Kiss e das poucas rádios rock (conheço ainda a 107,3 – finada Brasil 2000 – e ocasionalmente a Mitsubishi fm), que curtem ainda ouvir esses mesmos sons, dia após dia.
Desperdício isso, na minha opinião.
Por isso, o post vai em solidariedade a Ian Gillan e a todos os dinossauros ainda ativos que insistem em ser ouvidos: por que só Paul McCartney e Rolling Stones parecem ter habeas-corpus contra esse fenômeno?
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E a quem contra-argumentar que nem se ouve mais tanto rádio assim, apenas pergunto: é mesmo?
Porque aí então o dinossauro sou eu.
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FUTURO DO PRETÉRITO
Passeio legal aqui em São Paulo é o Centro Cultural São Paulo, vulgo Centro Cultural Vergueiro, de opções culturais as mais abrangentes: cursos de desenho e canto gratuitos, sessões de cinema, de teatro e shows a custo irrisório (R$12 em média, com meia-entrada a R$6), a biblioteca bastante conhecida, a Gibiteca Henfil, farta, e também a Discoteca Oneyda Alvarenga, reativada em março último.
E motivo real deste post: trata-se de lugar onde fui algumas vezes recentemente com sujeito com quem trabalho (salve, Antonio Celso!), que é quase como uma FENDA NO TEMPO.
Explico: em tempos atuais de internet, mp3, iPod e Rock Band, o que pensar dum lugar onde se pode consultar ÁLBUNS como em biblioteca (ficha preenchida, número de tombo, essas coisas) e pedir pra ouví-los ali na hora, confortavelmente sentados em poltronas e a bordo de fones de ouvido?
Com o detalhe anacrônico maior de todos: álbuns que se ouve diretamente de vinis ou fitas cassete!
Tem cd’s (alguns) por ali também, assim como acervo incomensurável de discos de 78 rotações (pra dar idéia do quão antigos: há discos de Aracy de Almeida…), que disseram estarem sendo digitalizados.
Mas esse acervo tem também característica que pode afugentar muita gente por aqui: os álbuns, artistas e músicas são todos brasileiros. Não há nada gringo, por a ênfase ser música brasileira antiga: tanto que Antonio Celso andou por ali pesquisando Chiquinha Gonzaga, Orlando Silva e Carlos Galhardo, o que pra pessoas com igual apreço por PESQUISA, é coisa mais que valiosa.
Pois muitos desses artistas simplesmente não têm álbuns lançados em cd, havendo, quando muito, coletâneas mequetrefes e xexelentas da mesma dúzia de sons óbvios numas e noutras.
Material mais contemporâneo, tipo rock nacional de Titãs, Violeta De Outono ou Legião Urbana, encontra-se também disponível. Coisas mais metal, procurei e achei o “Arise” (Sepultura) vinílico e alguma coisa de Ratos De Porão, embora tenha vaga lembrança de ter também pesquisado Viper e Vodu, sem entretanto recordar haver visto registros ali de fato.
(memória é um troço traiçoeiro)
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Semana passada passamos por lá, e escolhi ouvir “Sonho De Um Anarquista”, do Bocato, álbum lançado pela Baratos Afins nos 80’s e JAMAIS RELANÇADO EM CD. Sons legais, capa genial (segue abaixo) e poltrona confortável tornaram a estada ali na Discoteca momento bastante agradável, o que probleminha básico com os fones (meio mau contato) nem conseguiu estragar.
Enfim: é programa que recomendo pra servir de pit-stop a quem passa por ali correndo e talvez prefira “matar” um pouco de tempo antes de encarar trânsito selvagem e/ou transporte público insalubre da hora do rush, ou mesmo por meros e puros ESCAPISMO e DESENCANAÇÃO. Ainda que a experiência pareça meio um mp3 a lenha.
Não precisa fazer cadastro, tampouco pagar nada.
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Fecho o post com aspecto reforçador da experiência temporalmente deslocada duma ida à Oneyda Alvarenga, assim como da audição do Bocato: uma citação contida na contra-capa desse Lp.
Que, em linguajar e ortografia que parecia já ultrapassado naqueles idos de 1987 (ano de lançamento), e que talvez representasse alguma brincadeira adicional (vai saber se não…), assim diz:
ESTA GRAVAÇÃO DE ALTA FIDELIDADE foi cientificamente planejada de modo a apresentar a mais alta qualidade de reprodução, qualquer que seja o fonógrafo usado, novo ou velho. Se V.S. possui um aparelho de som estereofônico, também êste disco apresentará um som de alta fidelidade perfeita. Em resumo, V.S. pode comprar êste disco sem o mais leve receio de que êle venha a tornar-se obsoleto no futuro.
Tornou-se, afinal?
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MEDO DO PLANETA FAVELA?
Post futebolístico sobre assunto que já deu uma esfriada. E que talvez volte à baila depois da Copa.
E depois que pedidos – entre aspas – “públicos” por convocação de Neymar e PH Ganso, ou assuntos vindouros de gente cortada da Copa do Mundo por contusão (sempre há), deixem de ser os assuntos da vez.
Tem a ver com Adriano Pingaiada
Cuja trajetória recente, de GOLPE pra cima da Internazionale (rescisão de contrato conseguida sem multa, sob alegada “depressão”), contratação hiperbólica pelo Mengão e trajetória tida como heróica na “conquista” do Brasileiro 2009, não se deu sem gerar ASSOMBRO com a troca de Milão pela favela onde nasceu. Muita gente ainda se indigna: “pô, o cara troca o 1º Mundo, o dinheiro, o glamour, a gastronomia, pela laje e amigos de infância?”…
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Tem a ver também com o embuste chamado Vágner Love
Cuja trajetória de contratação fiasquenta pelo Palmeiras, e transferência bem-sucedida pro mesmo Mengão campeão (não tivesse ganhado o título, provavelmente pra lá não iria…) dispensam maiores rememórias. Ainda são fatos recentes.
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O ponto onde quero chegar, afinal, é o do ESCÂNDALO gerado por recentes aparições dos “ídolos” com figuras abjetas das favelas donde vieram e/ou freqüentam: Love, sendo caso ainda pior, tendo sido filmado entrando e saindo de baile funk escoltado por traficantes armados.
Foi entrevistado (inquirido?) a respeito, e a resposta dada, de que não via nada demais no fato, afinal possuía vários conhecidos traficantes, saiu pior que o soneto.
O Pingaiada foi denunciado por suposto caso de haver comprado motos pra traficantes. Fora não saber do desfecho da história – a imprensa, ainda mais a esportiva, muda de assunto mais rápido que criança hiperativa tomando sorvete e jogando videogame ao mesmo tempo – ficou a indignação e alguma “mancha” no currículo do rapaz (que nem precisa mais muita), além de especulações das mais eruditas sobre ele merecer ir à África do Sul ou não.
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É a hora em que levanto a pergunta: que escândalo, que choque é esse, quando se SABE que 99,9% dos jogadores de futebol vêm da favela, da escória social?
Quer dizer que, na hora de se fazer matérias emotivas acerca desses mesmos caras “vencendo na vida” superando dificuldades, e tendo passado por momentos de não terem tido dinheiro pro busão pra irem treinar, ou podido comprar chuteira, VALEM?
Chorar em programa ao vivo, com depoimentos de pai, mãe, vizinho, colegas (alguns, certamente traficantes. Vários, certamente não tão boa gente), VALE, certo?
Penso na HIPOCRISIA desse escândalo, dessa indignação que percorreu várias das mesas redondas futebolísticas nos últimos tempos. Tendo merecido repreendas públicas ou até considerações do tipo “ah, mas sujeito poderia se preservar mais”.
Preservar do que, se o cara vem desse meio, pombas?!
Fico pensando se a repercussão disso tudo não tem a ver é com MEDO.
Medo de se perder patrocínios, de se ter portas fechadas para entrevistas exclusivas (a imprensa esportiva parece ser o segmento de imprensa de maior RABO PRESO com o meio a que pretende cobrir), de se perder monopólio das transmissões, de não se ter assunto. Em meio tão repleto de intermediários, de atravessadores, de empresários, procuradores, assessorias de imprensa, cartolagem amadora e semiprofissional, repórteres, ex-jogadores e ex-árbitros comentaristas… de tanta gente que excede o espetáculo. E que também vive do mesmo.
Ou medo até de serem agredidos.
Vai que a comemoração chistosa e politicamente incorreta, abaixo (e tratada com desdém pelos poucos – 1 – noticiário em que vi passar), se torna real e próxima à gente pra CÁ das placas de publicidade?
Precedente já houve: até voltar à ativa (na época do Palestra na Segundona – “série B” acho eufemismo besta) em transmissões na Record, o Luciano Do Valle havia se retirado desse meio, alguém mais lembra?
Alegava não suportar mais agressões verbais, e à beira da física, porque vinha passando em transmissões nos estádios. Foi morar em Recife e tirou um tempo. E voltou.
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Talvez realmente importe mostrar os ídolos, as glórias, as casas luxuosas e milhares de pares de tênis comprados, as celebridades com quem se envolvem depois de “civilizados”, e não tanto o lado “feio” omitido – e a ser esquecido, estamos conversados? – disso tudo. Quantos jogadores de futebol realmente atingem o status de megaestrelas, 1%?
A maioria acaba voltando pra favela mesmo, com o rabo entre as pernas, e tudo bem. Porque outros ídolos prestes a serem incensados pegam as vagas. E tudo bem.
E o status quo acaba ficando o mesmo. Tudo bem. Tudo igual. Ganhando ou não o hexa. E a gente “se vê por aqui”.
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MEMÓRIA II
Continuando o post rememorativo do Monsters Of Rock 1996 (dos Philips Monsters em geral, afinal), com outros 3 artigos da Folha De S. Paulo à época a respeito.
Interessante repararmos o tom mais “crítico” – colunistas mordendo e assoprando pra cima dos headbangers – a euforia desmedida (ao menos pra mim) pra cima do Raimundos e o tom de “emissário antropológico”, sobretudo no 1º artigo, a seguir: parecendo relato de gente que foi visitar tribo exótica.
PÚBLICO SOBREVIVE A 13 HORAS DE SHOWS - por Erika Sallum
Cerca de 40 mil pessoas compareceram à 3ª ediçãodo Philips Monsters of Rock, segundo estimativas da Polícia Militar. O festival, que reuniu 9 bandas e teve o Iron Maiden como atração principal, aconteceu sábado no estádio do Pacaembu, em São Paulo.
Foi uma verdadeira maratona: no total, foram 13 horas de shows. O 1º grupo a se apresentar foi o Heroes Del Silencio, e o último, o Iron Maiden.
Apesar das roupas pretas e do ar mal-encarado, o público não causou grandes problemas à PM – que encaminhou 91 pessoas ao 23º DP devido a atitude inconvenientes (desacato à autoridade, alcoolismo etc.).
Muita gente passou pelos postos policiais, mas a maioria foi liberada rapidamente. Até as 17h, ocorreram 6 flagrantes de porte de maconha – não houve apreensão de outros tipos de droga.
“Nosso maior problema são os casos de alcoolismo. Foi grande o número de pessoas que já estavam bêbadas quando chegaram ao estádio”, disse o tenente Marco Aurélio Valério, do 2º Batalhão de Polícia de Choque.
Quem exagerou na bebida acabou parando em um dos 4 postos médicos do festival. No total, foram cerca de 900 atendimentos, sendo embriaguez o principal motivo.
Os portões do estádio foram abertos às 10h30, com meia hora de atraso, o que provocou irritação nas cerca de 10 mil pessoas que aguardavam na fila. Assim que o portão principal foi aberto, um grupo de “headbangers” tentou irritar os PM’s cantando o refrão de “Polícia”, dos Titãs. Houve confusão e algumas pessoas foram detidas.
Os fãs fizeram tudo para ver seus ídolos de perto. Os irmãos Rodrigo, 14, e Enivan Inacio Nogueira, 16, chegaram ao Pacaembu na 5ª feira. Queriam ser os 2 primeiros a entrar e, durante 2 dias, dormiram na praça Charles Miller. “Estamos aqui pelo Iron Maiden“, explicaram.
Bebida alcoólica dentro do estádio foi proibida. Cervejas, só sem álcool, à venda por R$1,50. As 4 lanchonetes não deram conta da sede dos metaleiros e, por volta das 18h, já estavam fechadas. Os vendedores ambulantes aproveitaram para inflacionar os preços: na pista, uma garrafa com meio litro de água custava R$10, e um sanduíche, R$5.
Formado principalmente por jovens, o público deu a impressão de estar uniformizado, com camiseta preta (em geral, do Iron Maiden), calça jeans e cabelos compridos. Gente de vários Estados do país estava presente. A maior parte dos ônibus estacionados ao lado do Pacaembu era do Sul do Brasil e do interior de São Paulo.
O estudante Tomáz Klotzel, 17, veio de Pelotas (RS) para ver o Iron Maiden. Passou 23 horas dentro do ônibus. “Além deles, há um monte de bandas que eu adoro, o que faz valer a pena vir até aqui”.
Durante todo o festival, as bilheterias ficaram abertas – havia ingressos disponíveis somente para a pista, por R$40. Os cambistas ofereciam ingressos para arquibancadas e cadeiras, por cerca de R$10 acima do preço oficial.
Box de números: 40 mil pessoas; 9 bandas; 16 horas e meia de duração (da abertura ao fechamento dos portões); 450 policiais militares; 81 pessoas detidas e encaminhadas ao 23º DP; 900 atendimentos médicos.
HELLOWEEN AGRADA PLATÉIA COM SEU HEAVY MELÓDICO - por Marisa Adán Gil
Com 5 minutos de atraso, o grupo espanhol Heroes Del Silencio deu a partida para o Philips Monsters, às 13h05 do sábado.
O público respondeu com apatia – e copos de plástico – ao fraco desempenho da banda. Não deu nem pra esquentar. O Heroes, uma espécie de INXS com mais guitarras, não fez mais do que revisitar clichês dos anos 70 e 80.
A pose do vocalista Enrique Bumbury só piorou as coisas, irritando a platéia.
Logo nos primeiros acordes, o Mercyful Fate mostrou a que veio. A platéia pegou fogo. O Monsters havia finalmente começado.
O dinamarquês King Diamond justificou o culto sobre o seu nome, levantando a platéia com sua performance característica (repleta de lances teatrais) e seus vocais, que se alternavam entre graves cavernosos e os falsetes histriônicos.
A banda também não decepcionou, graças ao virtuosismo dos guitarristas e as mudanças constantes de ritmo. Tudo muito datado, claro. Mas ninguém no Pacaembu parecia se importar.
Na seqüência, o equívoco: 2 shows de King Diamond no mesmo festival é demais. A reentrada de Diamond, já com a banda que leva o seu nome, provocou uma sensação de déjà vu na platéia, que reagiu com frieza.
No mínimo, os organizadores deveriam ter invertido a ordem dos shows, já que a 2ª banda não é páreo para o Mercyful Fate.
No final, malabarismos vocais garantiram a Diamond o reconhecimento do público. Saiu aplaudidíssimo. É curioso como uma platéia de metaleiros “radicais” se rende facilmente a uma cópia diluída de sua banda favorita.
O Helloween, uma espécie de Iron Maiden metido a Bon Jovi, fez o que quis com o público – que, a essa altura, já tomava cmpletamente dois terços da pista.
O tal heavy metal “melódico” da banda alemã (com muitos solos e vocais em vibrato) fez os “headbangers” pularem, especialmente em hits como “Power”.
O vocalista Andy Deris fez um show à parte, regendo a platéia e comandando o final apoteótico, com coreografias de braços e tudo mais. Melancólico.
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RAIMUNDOS BATEM METAL IMPORTADO - por Marisa Adán Gil
Espanha, Dinamarca e Alemanha renderam-se à nova música popular brasileira.
De uma tacada só, os Raimundos colocaram para correr Heroes Del Silencio, Mercyful Fate, King Diamond e Helloween.
A entrada da banda de Brasília no palco, às 17h30 de sábado, foi inesquecível: em questão de segundos, o gramado transformou-se em uma grande onda humana, capaz de provocar um som ensurdecedor.
“Eu Quero Ver o Oco”, gritava em uníssono o Pacaembu. Foi assim durante uma hora. Incansável, o público dava um jeito de pular e, ao mesmo tempo, cantar de ponta a ponta todas as músicas do grupo.
Consagração é pouco. Em sua 2ª participação no Monsters, os Raimundos mostraram que alcançaram a maturidade no seu estilo hardcore-nordestino-pornô-brega.
Sobre uma fórmula básica – introdução lenta seguida de porrada – criaram um som único, em que baião, forró e baladas bregas caem como uma luva sobre saraivadas de guitarras e batidas aceleradas de bateria.
Seus maiores problemas continuam sendo a repetição – são pouco ousados musicalmente – e a insistência nas letras adolescentes. Interpretações enérgicas fizeram “I Saw You Say” (com participação de Gabriel, do Little Quail) e “O Pão Da Minha Prima” soarem como heavy metal puro.
Além de tirar todo o proveito das boas condições da apresentação – já com som total e iluminação – o grupo ainda partiu para os efeitos pirotécnicos, com tochas de fogo no palco.
No final, distribuíram baquetas e camisetas – ao som de “Ilariê”, da Xuxa.
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Outro ponto que ponho à discussão por aqui: quem elencava as bandas no Monsters, hein? Fora a bola fora da vez, Heroes Del Silencio, da edição 1996, lembro de Virna Lisi (!) e Clawfinger(!!) em outras edições.
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CEREJA DO BOLO E CARA DE PAU:
colei acima o vídeo vergonha alheia do Iron Maiden com Blaze ASSASSINANDO “The Trooper” neste mesmo Monsters. E eis que descobri no You Tube depoimento recente do mesmíssimo sujeito (na turnê brasuca desta ano, salvo engano) falando daquele Philips Monsters e do Sebastian Barbie. Ei-lo:
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ALL THEY NEED IS LOVE TOO?
Alguém lembra do Laser Disc? E do Magiclick? Da Bic 4 cores?
Na seara esportiva, alguém lembra de quando os jogos de vôlei duravam horas? Porque, pra se fazer pontos, existiam as “vantagens” anteriores a cada qual.
E aí, pra tudo isso (exceções talvez ao Magiclick e à Bic, que talvez ainda existam), olhando hoje, a pergunta que me fica é: SERVIRIAM PRA QUE ISSO, AINDA?
O mesmo penso eu da Igreja Católica.
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Que com milênios nas costas, vejo dividida entre a ÂNSIA de se atualizar, pra arrebanhar mais gente, e a CONVICÇÃO DÚBIA para com dogmas tatibitates.
Vez ou outra eles vêm com uns “perdões”. Como recentemente, que com quatrocentos e poucos anos de atraso, “perdoaram” Galileu Galilei.
Lembro haver lido na Folha De S.Paulo ano passado, dalgum movimento revisionista deles pra cima de Nietzsche. Que também era filho de “Deus”, né não?
A nova é eles estarem “absolvendo” os Beatles. Ah, pára!
(tirado do UOL)
Vaticano perdoa Beatles por mensagens “satânicas”
da BBC Brasil
O Vaticano elogiou os Beatles por ocasião dos 40 anos da dissolução da banda britânica, lembrados neste ano.
Em um artigo intitulado “Sete Anos que Abalaram a Música”, o jornal do Vaticano “L’Osservatore Romano” chamou o grupo de “joia preciosa”.
O texto lembra que, segundo alguns comentaristas, os Beatles divulgavam mensagens misteriosas, tidas por alguns até como “satânicas”.
“É verdade que eles tomaram drogas, viveram uma vida de excessos por causa do seu sucesso, e até disseram que eram mais famosos do que Jesus”.
“No entanto, ao ouvir suas canções, tudo isso parece distante e insignificante.”
“Eles podem não ser o melhor exemplo da juventude da época, mas não eram, de maneira nenhuma, o pior. Suas belas melodias mudaram a música e continuam a dar prazer”, diz o artigo.
Referindo-se à dissolução da banda em abril de 1970, o texto diz que “mais do que expressar tristeza pela separação deles, talvez a questão (a se refletir) deveria ser como a música pop teria sido sem os Beatles.”
Surpresa
Os elogios ao grupo britânico podem surpreender muitos católicos, já que a banda chegou a criticar religiões organizadas.
John Lennon causou grande polêmica em 1966 quando disse em uma entrevista à imprensa britânica que os Beatles eram mais populares do que Jesus.
“O cristianismo vai acabar (…) Eu não preciso argumentar, eu estou certo e isso será comprovado. Nós somos mais populares do que Jesus hoje em dia. Eu não sei o que vai acabar primeiro –o rock n’ roll ou o cristianismo.”
Há dois anos a Igreja Católica perdoou Lennon por este comentário. “A declaração de John Lennon, que provocou tanta indignação nos Estados Unidos, depois de todos estes anos soa como uma bravata de um jovem proletário inglês às voltas com um sucesso inesperado”, disse artigo publicado no “L’Osservatore Romano” em 2008.
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Para além do ridículo e do delay oportunista descarados, ponho pra debate umas questões:
1) se estão ainda nos 60’s, por que não absolver os Rolling Stones, bem mais malvados, satânicos e drogados? Talvez por estarem ainda na ativa?
2) se estão em busca de maior rebanho, estão atrás de fãs de Beatles? (Melhor que fossem atrás da torcida do América-RJ ou da Portuguesa). Não deveriam estar um pouquinho mais atualizados, e tentar converter fãs de Black Eye Peas, Shakira e outros descartáveis?
3) se nada disso trouxer mais fiéis, vão tornar Paul McCarney São McCartney, alguém duvida?
4) perdão mais anticristão, impossível: “absolveram” os caras, “absolveram” Lennon, mesmo não sendo gentes boas, nem bons exemplos à época. Arrogante e prepotentemente mordendo e assoprando a um só tempo.
5) de todo modo, uma coisa me soa certa: em pegando o “perdão”, beatlemaníacos e católicos teriam já uma Madalena filha da puta em comum, a compartilharem. Quer a chamem de Maria Madalena mesmo, ou de Yoko Ono…
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E se nada disso realmente der certo, em prol de maior arrebanhamento de otários, talvez fosse o caso de absolverem satânicos de verdade. Tipo o Venom, e ae?
Vai levar uns 600 anos pra rolar, isso se a mesma magna Igreja já não tiver virado seita secreta. Já headbanger e beatlemaníaco acho que continuarão existindo.
Já pensaram isto aqui entoado em uníssono na Missa do Galo?
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TROTES ANTOLÓGICOS EM VIDEOCLIPES
Falemos hoje novamente em videoclipes. Não necessariamente toscos – embora o 2º realmente o seja – mas possuidores em comum duma característica que exponho por aqui pra ver se há concordância.
Ou se seria viagem da minha cabeça apenas.
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Falemos em bateristas, gente muito agradável, afável e saudável. [O fato de eu ser um é mero acaso e não interfere em nada neste meu parecer isento (eheh)]. E que em não poucas bandas funciona como o gente boa, o amigão, o desopilador de plantão.
(o que não acontece nas bandas em que toco, mas porque sou um ogro, só por isso)
MEMÓRIA
O post é pra dialogar e revisitar post já quase antigo, do amigo Claudio, cometido em 20 de Janeiro último. Sobre o Philips Monsters Of Rock e as lembranças (boas) por ele suscitadas.
Num mero acaso, eis que descobri em minhas tralhas página da Folha De São Paulo de 1996, com resenhas a respeito do Monsters daquele ano em específico. Ano de Maiden com Blaze Baleya, de Sebastian Barbie servindo de alvo humano (ahahah), de Helloween abrindo pra Raimundos, entre outras tantas barbaridades.
Pura e deslavada cópia de texto alheio, pra ver se eu ainda sei ler e digitar ao mesmo tempo. Pois não me considero um saudosista ou nostálgico profundo desse festival, embora boas lembranças tenham ficado.
CABRESTO OPINATIVO
Que a Veja seja a revista de maior circulação do país e, portanto, a de mais leitores (será mesmo?), por muito tempo eu jamais entendi.
Até formar uma hipótese a respeito: sendo a maioria da população gente pouco crítica e conservadora, nada mais natural abundarem leitores que consumam OPINIÃO TRAVESTIDA DE INFORMAÇÃO, como faz a citada revista.
Questão de adequação de produto a seu público-alvo, enfim.
Não generalizo: até existem articulistas interessantes (e não o Diogo Mainardi) por ali, com espaços DE FATO dedicados a opinião. Aí tudo bem.
E nem me estenderei em recordar momentos sensacionalistas da revista, como o mais consagrado/recordado, daquela capa apelativa com o Cazuza de trocentos anos atrás: fico só na da morte da Cássia Eller, dada como ocorrida por overdose que, quando não confirmada, não deram nova capa retratando. (Se o fizeram, o foi em 3 ou 4 linhas nalguma página perdida). Ler o resto deste artigo »


























