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Não saiu em cd – Vodu: “Seeds of Destruction”
Blá blá blá trivial, clichê, porém, necessário: quase tudo que foi feito na década de 80 em termos de heavy metal no Brasil, o foi na base da raça!! Discos, demos, fanzines, camisetas, shows, tudo… Não era questão de porquice. Ninguém sabia ao certo como fazer o negócio de maneira profissional. O que não impediu que víssemos grandes shows, ouvíssemos grandes discos e demos…. todos eles na base da raça. Basta ver algumas entrevistas de músicos gringos que citam um sem número de discos brasileiros daquela época como muito bons.
O disco que é título desse texto nunca foi citado como referência. Na verdade, eu nem sei (e nem quero saber) o que o povo pensa dele após todos esses anos. Porque, pra mim, o “Seeds of Destruction” é um puta disco!!!

Eu ouvi esse disco no exato momento do seu lançamento, porque eu tinha visto a banda ao vivo em um histórico programa Boca Livre, numa segunda-feira quente do ano de 1989 (se não me engano). Todo mundo que era banger, matou aula no colégio técnico onde eu estudava para assistir ao programa em um posto de gasolina ao lado da instituição de ensino, comendo pastel de carne murcho com um guaraná da terrinha bem gelado. Foi difícil, mas convencemos o senhorzinho por detrás do balcão a sintonizar a televisão na antiga RTC (Rádio e Televisão Cultura, atual Cultura). Estávamos em uns 8 caras. Cada um com seu “uniforme” (ah, minha velha camiseta do Endless Pain). Alguns com cabelos compridos. E essa fauna, que era bastante diferenciada para a época, despertou olhares e comentários nos caminhoneiros que comiam o seu marmitão nos balcões do posto, prontos para se dirigirem aos seus caminhões para puxar um ronco e seguir estrada na madrugada seguinte…
A gente nem sabia ao certo o que ia rolar e se o negócio ia realmente acontecer pois, naqueles tempos, o boca-a-boca nem sempre era eficiente. Mas eis que surge o dinossáurico (já na época) Kid Vinil, trajando a sua mais ridícula fantasia de metaleiro e todos ficaram alvoroçados porque, pelo jeito, o programa especial sobre “metal” ia realmente acontecer. E nunca é demais lembrar que ver heavy metal na tv naqueles tempos era algo tão difícil quanto encontrar a Ana Hickiman nua na sua cama. Portanto, nada mais natural que a ansiedade de todos pelo que estava por vir…
E ali, no meio de um Viper (cujo vocalista André Mattos perdeu a voz na segunda música), de um Korzus (que destruiu tudo com as músicas do Pay for your lies – que estava pra sair) e de um Golpe de Estado burocrático (pero, eficiente), eu vi e ouvi a nova formação do Vodu pela primeira vez. Era um troço bem mais legal que aquilo que eu tinha ouvido no primeiro disco (The Final Conflict que, aliás, eu ouvi uma vez só e sempre achei fraquinho de dar pena).
As músicas executadas foram as três primeiras do lado B do disco que, poucos dias depois, eu viria a ter: “From this time”, “Flag of Truce” e “Keep fighting”. Porra, foi uma apresentação insana e lá fui eu comprar o disco assim que recebi o meu próximo salário no emprego de ourives no qual eu trabalhava à época. Eu gostei do disco de primeira. Eu soube exatamente na hora da primeira audição que o disco era “meio torto”, “manco” e “gago”. Mas, porra, qual não era? E a graça no “Seeds of Destruction”, na minha opinião, foi que o Vodu quis dar um salto diferente das bandas à época: todos os músicos de todas as bandas, em diferentes níveis, estavam aprendendo a lidar com seus instrumentos mas, mesmo que soubessem como fazê-lo, o intuito final era fazer um metal bem “raw” e orgânico (fosse thrash, fosse death). O Vodu não: o Vodu queria fazer um metal mais técnico. Nada a ver com Viper, nada a ver com melódico… Na verdade, um troço meio intrincado, com mudanças de tempo (ouçam “Slaves of System”)…. Algo como Metallica estava fazendo. Alguns podem dizer que os caras eram pretensiosos… Onde está escrito que eles não podiam tentar? Lógico que o produto final ficou longe de qualquer coisa que pudesse ser chamado de benchmarking à época. Foda-se!!! Do seu jeito peculiar, “Seeds of Destruction” ficou massa pacas!
Eu gosto de todas as músicas, com destaques evidentes para a “hardcoriana” “Keep fighting”, a ótima “From this time”, as trampadas “What’s the reason” e “Slaves of System”… Sérgio Facci era um puta baterista e dá show nessa bagaça. Entendo tranquilamente todos aqueles que não gostam do vocal do Cláudio Victorazzo. Eu gostava, mesmo com alguns exageros como em “Many things to do”. O resto da banda tinha competência suficiente pra conduzir o barco sem maiores percalços.
Que algum iluminado prontifique-se para prensar esse disco em cd, de preferência com o EP “No Way” de bônus.
Estrebuchando antes da morte
A indústria da música está conseguindo adiar com sabedoria o fim da sua vida (ao menos da maneira como ela existia). Afinal, enquanto alguns “dinossauros” continuarem caminhando sobre a terra (entenda-se o termo “dinossauro” como sendo o consumidor de música da geração pré-MP3), tal indústria continuará a captar alguns trocados valiosos para se manter na ativa. Seria como se ela, a indústria musical, fosse aquele empresário que ganhava rios de dinheiro, viajava para a Europa uma vez por ano, tinha um ou dois carros novinhos na garagem e, de repente, tudo desmoronou. Vieram a quebradeira, a crise e a sua quase inequívoca falência. Hoje, ele sobrevive honestamente como corretor de imóveis, com os filhos estudando em colégio público e tendo um Gol 1000 ano 2002 financiado. Pior: todos aqueles funcionários, que foram por ele explorados por anos a fio, não fazem questão nenhuma de disfarçar o sorriso irônico quando o encontram na rua.
Mas o faro comercial continua intacto. E, mesmo em um nicho de mercado extenuado, as indústria musical desenterrou um jeito prático de arrancar mais alguns tostões valiosos de quem gosta de música: os boxes!
Afinal, não há nada mais convidativo do que compilar duas dúzias de b-sides e faixas inéditas, um livreto bem acabado com fotos nunca vistas antes e mais alguma quinquilharia, de acordo com o gosto do fã do artista “encaixotado”, dentro de um belíssimo box.
É claro que tudo isso tem um preço. E como tem!! O problema é que, geralmente, esse tipo de produto vale cada centavo… Duvida? Veja abaixo alguns lançamentos desse tipo de produto:
- QUEEN: ABSOLUTE GREATEST

Vinte grandes sucessos da banda inglesa distribuidos em 3 vinis de 180 gramas, embalados em um pacote belíssimo com um livro de 52 páginas, com comentários especiais de Braian May e de Roger Taylor. Algo absolutamente imprestável para qualquer fã do Queen, não fosse a apresentação, no mínimo, brilhante. - PREÇO ESTIMADO: 90 dólares; Ler o resto deste artigo »
A história de um clássico na minha história
Chamar um disco de “universal” (nada a ver com a famosa seita satânica liderada por um brasileiro) é um negócio arriscado. Para que um disco possa receber essa denominação, o dito cujo tem que ter passado pelo crivo de diversos tipos de “ouvintes”. Caso contrário, fica parecendo um negócio forçado dito por alguém querendo aparecer.
E hoje, enquanto aproveito esse feriadão chuvoso e frio para dar um descanso ao corpo e ao espírito, ouvindo boa música uma atrás da outra, cheguei a uma conclusão mais do que definitiva: “Frampton comes alive” é um desses discos.

Frampton Comes Alive vendeu 8 milhões de cópias no primeiro ano do seu lançamento só nos EUA.
Vinte e nove anos depois d’eu tê-lo ouvido pela primeira vez, ouvi hoje, acho pela trigésima vez desde que a comprei, a versão dupla remasterizada desse título. Durante a audição, a minha cabeça virou um turbilhão. Porque ao mesmo tempo em que eu prestava atenção à execução das músicas, acabei fazendo um involuntário exercício de reflexão. E lembrei-me de diversos momentos onde esse disco me acompanhou, e cujas impressões deixadas a quem estava ao meu lado, ouvindo-o junto comigo ou “de carona”, sempre foram as melhores possíveis. Ler o resto deste artigo »
Porque torcer para “time pequeno”…
1)… é uma merda:
* nunca tem a camisa do teu time pra comprar em loja nenhuma. Geralmente, você tem que ir vinte e duas vezes no clube e ver quando é que vai chegar um lote para vender para os torcedores;
* quando te perguntam “Para que time você torce?” e você responde, ninguém acredita ou então perguntam: “De onde é esse time?”;
* a porra do Playstation tem time até da terceira divisão turca, menos do seu time..(Que se foda! Nem gosto de vídeo-game);
* em jogos contra times grandes, mesmo que teu time esteja na frente na pontuação, vão sempre gritar “ão, ão, ão, segunda divisão!”… Você vai ficar puto, vai pedir para os seus amigos responderem aos gritos junto com você.. Daí, você se dá conta que dezoito pessoas não gritam tão alto quanto cinco mil…;
* em pleno século XXI, você fica lá, colado no radinho de pilha, comendo a unha até à cutícula, ouvindo aqueles narradores se esgoalarem até em tiro de meta, enquanto você quase enfarta do outro lado, imaginando que o teu time não vai segurar aquele zero a zero fora de casa… Tv a cabo? Torcedor de time pequeno não sabe o que é isso.
* você aprende a rir da desgraça que é a vida quando, a grande contratação alardeada pela diretoria do seu clube, um garoto revelação do futebol alagoano de 1 metro e 30 cm, tropeça na bola pela sexta vez em vinte minutos e cai dentro do vestiário de cabeça..;
* o tio da cerveja não tem troco pra dez reais porque “a freguesia tá fraca hoje, fio”. Daí, você bebe os dez reais em cerveja pra não perder o troco, chega em casa meio passado e escuta a “muié” falando: “Foi encher o cu de cachaça ou assistir ao jogo?”
Isso é que é vídeo-clipe de Metal, porra!
Grim Reaper – Fear no Evil – Clássico dos Clássicos!!!
Os caras chegam montados num tanque anfíbio anti-satânico com IPVA vencido (provavelmente desenvolvido pelas Forças Armadas do Brasil) num galpão onde, lá dentro, os headbangers estão todos acorrentados numa engenhoca, provavelmente moendo café. Os caras da banda invadem o galpão com cara de poucos amigos. Vão invadindo e quebrando as correntes dos metaleiros, como se fossem sindicalistas do heavy metal, libertando a maconheirada das garras sujas de patrões que não pagam 13o salário e/ou vale-transporte.
Não contentes por interromperem a linha de produção do Café Solúvel Grim Reaper, chamam pro pau o próprio patrão e o gerente do mesmo, um Monstrão com cabeça de Lobo (que, antes, tava descendo a chibata nos metalheads com produtividade comprovadamente menor). Os bangers, agora livres das correntes, ficam uriçados prevendo a treta que estava por iniciar. O guitarrista aponta a guitarra pro Lobão e os riffs vão arrebentando com o bicho… Os bangers vão à loucura.
Enquanto isso, a banda vai tocando o seu hino em louvor à classe operária headbanger. Como o bichão ficou só meio atordoado, o vocalista cata um paralelepípedo camarada e manda no meio da fuça do cabra. O bichão prancha de costas… Nessa hora, o Grim Reaper chefão já tava embucetado da vida. Só que ele arrega e se teletransporta sabe-se-lá-Deus pra onde… E a banda termina a música e o clipe.
Grim Reaper rules!!!
Torcedor de futebol: como fazer de seu domingo um dia mais ordinário…
Baseado em fatos reais (ocorrido num domingo, dia 29 de março):
1) Acorde no domingo, às 6 da manhã, pra fazer o café. Em estado semi-catatônico, derrube o pote de café inteiro no chão de porcelanato (quanto mais limpa, mais suja)
2) Acorde a família às 7 hrs e conclua que mesmo uma criança de 2 anos, já sabe o que é mal-humor.
3) Arrume a mochila e coloque-se na estrada a caminho de uma cidade à 100 km de onde vc mora. Sem ver um guarda rodoviário federal escondido atrás de um arbusto com o radar móvel na mão, vc observa em pânico que está a 110 km numa estrada de 80 km de limite de velocidade. Obviamente, não adiantou eu brecar. Obviamente, nem contei pra patroa o que estava acontecendo;
Documentários: porque, afinal, quem é que não gosta de um bom “causo”?
Desde que os dinossauros viraram petróleo e nós, seres-humanos, tomamos conta dessa bagaça, é inerente à nossa raça o gosto por uma boa história. Desde aquelas contadas por nossos pais até alguma aula mais inspirada de algum professor de estudos sociais no primeiro grau, ninguém pode negar: quando o enredo é bom, não tem quem não fique com a “orelha em pé”.
No mundo da música a coisa não é diferente. Roqueiro pode até fazer pose de fodão mas, mesmo que lá no fundo, ele tem uma “comadre fofoqueira” dentro de si. Ele também gosta de um bom “causo”, de histórias de tretas épicas, de pessoas que beijaram o fundo do poço e que deram a volta por cima…
Colocadas essas peças do quebra-cabeças sobre a mesa, fica fácil entendermos o porque do sucesso e da redescoberta de um filão que tem história recente dento da música e que ficou anos inexplorado: o dos documentários.
Longe demais das capitais…
Houve uma época em que, no período de um ano, shows internacionais de heavy metal no país não enchiam os dedos de uma mão. Hoje, não há conta-corrente que consiga acompanhar a alta frequência de shows dos gringos por aqui. Mas, no passado, cada oportunidade de ver um show de metal era “A oportunidade!”. E, para alcançar o paraíso (o show), você tinha que passar pelo purgatório: a viagem de excursão até o local do show.

Homem, normalmente, já é um bicho tosco. 50 homens que gostam de metal dentro de um busão, invariavelmente, são a visão do inferno. Atire o primeiro “Load” usado quem nunca passou por isso:
- FEDENTINA DE SUOR: filho da puta comprava um vinil triplo importado do Metallica na Bélgica, que custava duas córneas, mas não gastava 5 reais num frasco de Avanço. Pelos cascos do meu cavalo, tinha neguinho que parecia que estava morto e só faltava enterrar. É lógico que a combinação “calor infernal” + “camiseta preta” era o ingrediente principal desse prato indigesto, mas se o Simancol fosse vendido nas melhores farmácias a um preço acessível, estaríamos privados de sentir o cheiro do inferno.
- FEDENTINA DE MACONHA: nada contra quem fume essa nhaca aí… Mas, porra, dentro do busão? Se cheiro de cigarro já é insuportável pra tanta gente, cheiro de merda de vaca por 400km é de embrulhar o estômago…
- OS PAUS D’ÁGUA: a maioria dos bangers toma a sua cervejinha. O problema são os cabras que se acham um integrante do Tankard e que, na verdade, não passam de um tongos criados com o Toddy da vovó: ou seja, não agüentavam um copo de Tang e davam um baita trabalho. Nessas excursões, era mais fácil alguém esquecer o ingresso para o show do que o isopor com as latinhas de cerva. Portanto, nada mais natural que, na primeira centena de quilômetros, alguns dessa corja dessem o ar da graça: “Ow, motorista!! Nóis qué mijá!!!” (obs.: ônibus com banheiro é tecnologia recente). O que não é nada tão horrível, pois qualquer acostamento virava o banheiro de casa… Mas a porca torcia o rabo quando alguns desses iluminados enchia o radiador desde bem antes de embarcar, “apagava” no banco do busão e acordava pra vomitar no corredor ou no colo de alguém… Ah, o cheiro de flores do campo que corria por todo o ônibus.. Dependendo do estômago de mais algum iluminado que estivesse nessa “Highway to hell”, a brincadeira não acabava por aí: lá vinha mais ânsia, lá vinha mais vômito… Só Carlos Drummond de Andrade consegue traduzir em palavras a cena de neguinho catando terra na beira da estrada pra jogar na arte contemporânea feita dentro do ônibus.
- THE FORGOTTEN ONES: eis que o motorista para a condução em algum posto show de bola para o povo comer alguma coisa. A avalanche humana em busca do banheiro é tão degradante que pais pegam os filhos nos colos, velhos fazem o sinal da cruz… Desafogada a bexiga, hora de bater um rango. E eis que tem uns que fazem um prato que se assemelha à imagem do Everest. Até aí, nada demais. O problema é fazer um prato como se fosse um caminhoneiro e comer como se fosse o Clodovil: demoram um tempão. Junte-se a isso os “cozidos de cachaça” que se espalham pelos bancos do lado de fora do posto de gasolina (e você não consegue identificar quem é) e temos um atraso de proporções épicas. Quando o saco de todo mundo está com elefantíase e o motorista fecha a porta e sai com o busão, parece ensaiado: lá vem os três ou quatro viados que estavam sabe-se-lá-Deus onde…
A coisa melhorou hoje? Com toda a certeza do mundo!! Qualquer turística fuleira oferece ônibus com banheiro e ambiente climatizado. Tem sempre um monitor pra falar certinho a regra do jogo e aplicá-la. Ou seja, chega desse tipo de agrura por hora. Deixemos pra descrever cenários que continuam os mesmos de décadas passadas em textos futuros.





















