Arquivos mensais:setembro 2010

Muito se discute no Fórum ali ao lado sobre bandas brasucas lendárias ou “seminais”… e aí dá-lhe saudosismos, lamentações e idolatrias pra cima de Sarcófago, Dorsal, Vulcano (!!), The Mist, Vodu e etc.

Mas alguém haverá de se lembrar do Toy Shop?

Banda que surgiu tão subitamente quanto desapareceu: vieram do nada, ao nada voltaram.

Comprei anteontem este “Party Up”, de tanto que um amigo – fala, Rodrigo! – insistiu, fora também motivado pelos 5 contos que custou numa lojinha por aí. A despeito de minhas memórias sobre a banda não serem assim legais.

(lembrava deles tocando um som de filme de John Travolta e Olivia Newton-John num daqueles especiais de Dia Dos Namorados mequetrefes da antiga Mtv)

Geraram algum interesse por conta da aparição súbita e puxa-saco em páginas da Rock Brigade, motivado certamente – fora pelo divulgacional da Roadrunner – por terem 2 integrantes ex-Viper: o baterista Guilherme Martin (tocou no “Theatre Of Fate”) e o guitarrista Val(dério) Santos, já tiozões em 1999, quando “Party Up” saiu.

Martin, uns anos atrás, demonstrou alguma PERSISTÊNCIA ainda: tocava numa bandinha que veio e foi rápido também: o tal Luxúria.

O disco tem 14 faixas que não achei tão punk bubblegum como se alardeava: os guitarristas (o outro, um certo Gabriel Weinberg) tocavam melhor que isso. Diria que estavam mais prum metal desencanado, um pop metal deslocado no tempo e no espaço. Pois existem palhetadas e PEGADA.

Talvez pudessem ter sido um “heavy metal pra meninas”, não tivessem surgido no mercado (“cena”, não!) uns anos depois Nightwish, Lacuna Coil, Theatre Of Tragedy, Within Temptation, Epica e etc. Sons muito felizes e açucarados pro meu gosto.

Diria que se o Pit Passarell tivesse gravado os vocais nele no lugar da Natacha (musa da capa e namorada do baterista. Completava o time o baixista Rodrigo Ferrari), teria saído um bom disco do Viper isto aqui. E bem MAIS DIGNO que aquela pobreza do “Coma Rage” e indigência do “Tem Pra Todo Mundo”. Até menos sizudo e burocrático que o exageradamente incensado e derivativo “Evolution”, em minha morfética opinião.

Tiveram os lojinha de brinquedo uma ESTRUTURA DE DIVULGAÇÃO invejável: clipe besta (a la filminho californiano adolescente estadunidense) na Mtv e aparições no Faustão e no Ronnie Von. Completamente deslocados, no 1º caso, assim como também nalgum programa de pagode em que foram, que tem link lá no You Tube.

Imagem de Amostra do You Tube

Além disso, através de página a eles dedicada na Wikipédia (!!!), soube que tiveram 2 sons – “Run Away” e “Everybody Crazy” – constando em trilha de “Holidays In the Sun” (“Férias No Paraíso”), filme das gêmeas Olsen (Mary Kate e Ashley, aquelas enjoadas). E que encerraram atividades, assim dito seco, “devido a problemas com a gravadora”.

Devem ter ficado devendo as calças (e calçola) pra Roadrunner.

O encarte não tem as letras, preferindo ter 4 páginas de agradecimentos individuais e coletivos a deus e o mundo. O empresariamento era da Monika Bass Cavalera, que não sei até hoje se é irmã de Max e Igor ou 1º esposa do atual dídjêi.

Imagem de Amostra do You Tube

A Natacha dava impressão até de saber cantar, mas é disco que irá lá pro fundo das prateleiras, no que ouvirei novamente só quando estiver a) muito de saco cheio da vida; b) surtando; c) apontarem um cano na minha cabeça e ameaçarem me matar se não ouvir.

E colo mais uma vez a capa de “Party Up”

… apenas pra ponderar acerca de terem ou não sido banda “seminal”.

No sentido musical, não foram: nem dá pra culpabilizá-los pela existência fecal das bandas emo e  – ugh! – happy rock, de molecada tosca mal nascida (duplo sentido!) quando o Toy Shop “existiu”. Mas nos sentidos literal e genital, talvez sim.

Embora tenham emporcalhado a mina nas fotos do encarte, repletas de perucas e maquiagens desnecessariamente glam.

Direto e reto: o melhor de “Party Up”, contrariando o dito de que não se deve julgar um livro pela capa, acaba sendo, sim, a própria!

(Que Doro Pesch o quê…)

Amigo meu – salve, Maurício! – esses dias mandou email intitulado “banda pornô”, me perguntando “como se chama aquela banda que tem uma atriz pornô como vocalista, e que ela aparece com os peitos de fora em todas as capas”?

Intuí se tratar da Wendy O Williams, carreira solo, e que fora do Plasmatics. E mandei montes de links pro cara ir mais a fundo (ui!) no lance.

Devidamente transformados aqui em mais um post pra ninguém ler.

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Curioso que a moça seja muito lembrada como “atriz pornô”. Nunca foi. Nenhuma capa de nenhum disco a tem de peito de fora. O que fez foi cometer umas atuações atrozes nuns filmes-b, o mais famoso, “Reformatório Só Para Mulheres” (ou coisa do tipo), que quem for do tempo que o SBT chamava ainda TVS certamente assistiu umas 3 vezes, sempre com aquela tarja (não soprano) “pela 1ª vez na televisão” ahah

Fez também um episódio do McGyver. Mas isso após encerrada a carreira musical, que durou 10 anos (de 1978 a 1988).

E o que/quem foi então a Wendy?

Praticamente “o Lemmy de saias”, como o Maurício dizia. Estivesse viva, certamente daria jeito de endossar “Rock Out” (do ainda recente “Motörizer”): “rock out / with your cock out” ahah

Cantava no Plasmatics, que tinha o arranque e a postura punk com o som na beirada do heavy metal bruto, áspero, rude. Tipo o Motörhead dos primórdios mesmo. Usava penteado moicano – em cima, com certeza eheh – e cantava de biquíni no palco, às vezes com os peitos de fora mal disfarçados ora com fita isolante, ora com creme de barbear.

Foi presa algumas vezes – e o texto sobre ela no www.allmusic.com tem passagem interessante em que policiais que a prenderam certa vez prestaram queixa de ELA os ter molestado ahah – por meiguices ao palco tais quais simular masturbação com marreta, quebrar televisões, portar metralhadoras de brinquedo.

Gangsta rap? É emo perto dos Plasmatics

Gente boníssima, em suma.

E bem relacionada, pois em alguns momentos na carreira contou com auxílios luxuosos:

* em 1982 gravou single, “Stand By Your Man” (dum certo – certa? – Tammy Wynette) com Lemmy. Consta na coletânea “No Remorse” motörhéadica, junto dela mandando ver em “No Class” e “Masterplan”, também da horda de Lemmy

* também nesse ano, lançou junto aos Plasmatics álbum intitulado “Coup d’Etat”, que fora render a ela indicação ao Grammy (!!!), foi produzido or Dieter Dierks, à época produtor badalado do Accept

* 1984 lançou “WOW”, que além de servir como abreviação do próprio nome foi também artifício pra driblar problemas legais envolvendo o nome Plasmatics, contando com produção de Gene Simmons e participações de Ace ‘manguaça’ Frehley, Eric Carr e Paul ‘bichona’ Stanley nuns sons. Fora 2 ou 3 sons do Kiss na bagaça, aparentemente 1 composto pra ela: “Ain’t None Of Your Business”.

Na seqüência cometeu (em 1986) “Kommander Of Kaos”, o único que tenho, ainda em fita cassete (e que parei de ouvir pra não gastar…), com o som do Kiss acima citado em versão ao vivo e outra versão motörhéadica (“No Class” foi registrada no anterior), “Jailbait”, que pra mim supera a original. E que recomendo veementemente.

Apesar da contundência dos álbuns, parece que acabou nunca vingando comercialmente.

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Links de participações dela com o Motörhead (registrado no dvd “The Birthday Party”):

Imagem de Amostra do You Tube

E de participação de MEIO MotörheadLemmy e Würzel – em show dela:

Imagem de Amostra do You Tube

Em 1988, lançou disco aparentemente equivocado - de rap! – e recolheu-se da cena musical, indo trabalhar com animais abandonados e professando o vegetarianismo, fora ter feito alguns bicos em filmecos e seriados. Sempre em forma.

E a nota triste foi a de seu SUICÍDIO, ocorrido aos 49 anos, em 6 de Abril de 1998. Com um tiro na cabeça. Se diz que andava sofrendo de depressão.

Lemmy dedica “No Class” a ela, no ao vivo “Everything Louder Than Everyone Else” (lançado em 1999), descrevendo-a como “uma grande amiga”. Impressão que dá é que era muito louca, mas no bom sentido. Não tão autodestrutiva, mas confrontadora. Dadaísta. Excêntrica. De feminilidade sexy E impositiva, não vulgar.

E talvez não tão influente – ainda? – como trocentas mulherzinhas surgidas no heavy metal duns 15 anos pra cá. (Que Angela Gossow o quê!…). Até porque a era do Politicamente Correto parece ainda não ter hora pra acabar. Mas que recomendo downloads e procuras biblio e discográficas (2 ep’s e 6 álbuns) porque acho bão demais.

Pouco texto desta vez: apenas uma colaboração pra série “Imagem Tosca Da Semana”, que rola ali no Fórum.

Fica sendo a #33, certo?

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