Arquivo de junho de 2010
MITO ERRONEAMENTE CRIADO
Creio todo mundo por aqui ter idade pra ter lido a Rock Brigade nos 80’s.
Em tempo que talvez seja particular de cada um achar melhor que posteriormente (meu caso), e ainda melhor que nos tempos de hoje em dia, de publicação tornada zine bissexto e trôpego, léguas atrás dos tantos sites informativos disponíveis.
De tempo em que a coluna Banger News vinha em papel de jornal (pra ser cult?) no meio da revista, e em que o logotipo era mais tr00 e, portanto, mais condizente com o nome tirado de música do Def Leppard véio e ainda não babão e babado. E em que a numeração vinha em algarismos romanos!
Eram tempos de resenhas interessantes, por vezes prolixas, de Antonio Carlos Monteiro e de André Pompa Cagni. E de resenhas alvissareiras, por vezes exageradas – ah! – de lançamentos novos ditos clássicos (e que o “teste do tempo” posterior encarregou de apropriadamente revisar) de Dio, Deep Purple, Uriah Heep e Black Sabbath feitas por – oh! – Vitão Bonesso.
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Black Sabbath que atravessava a “fase Tony Martin”, momento mais subestimado, vilipendiado e outros ‘ados’ pejorativos, de sua trajetória, de álbuns como “The Eternal Idol” (que adoro), “Headless Cross” (que não curto) e “Tyr” (que odeio, mas ouço uns sons).
Tony Martin esse que considero dos piores vocalistas que ao vivo já tive desprazer de testemunhar. E ainda pior pela absoluta e ABSURDA falta de carisma.
Tem menos carisma, pra mim, que Blaze Bayley, Vince Neil e Derrick Green juntos.
O escopo do post é, afinal, relembrar e questionar o FATO de, nas resenhas oitentistas da Brigade, ele vir sempre citado, pejorativamente, como sendo um “Dio Cover”. Era mesmo?
Conversa fiada essa que engoli por muito tempo, sempre depreciando o sujeito pelo motivo errado. Motivos certos, aprendi, seriam (e são) os discos irregulares (o “Forbidden”, de sua 2ª passagem sabbáthica, jamais encontrei alguém que defenda), algumas músicas constrangedoras e, insistindo ainda nisso, os momentos completamente VERGONHA ALHEIA dele ao vivo. Em que estragava, sem nenhuma piedade, clássicos do Black Sabbath de outros vocalistas, e também de sua fase.
Quem esteve no Philps Monsters Of Rock de 1994 certamente lembra disso.
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Fica o vídeo de “The Shinning” e uma pergunta (a)final:
* de onde, por onde, por que devaneios diligentes e falsamente criativos, ou releases gringos porcamente traduzidos, se tirava a idéia de Tony Martin como “cover de Dio“?
Não me parece, hoje, que tivesse a ver.
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ECOCÔLOGIA
Notícia ecológica da vez, que vi no Yahoo ontem e da qual copio apenas parte por aqui por
1) destacar trecho que considero crucial;
2) não aborrecer quem lê com a prolixidade da coisa.
(falando sério: quem escreveu conseguiu ser mais prolixo que eu!)
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O link, pra quem quiser ler tudo é:
http://br.noticias.yahoo.com/s/afp/100615/saude/ambiente_clima_esp__cies
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E o teco de texto:
Fezes de baleia ajudam no combate ao aquecimento global
Ter, 15 Jun, 08h30
PARIS (AFP) – As baleias cachalote do Oceano Austral são aliados inesperados na luta contra o aquecimento global, por removerem o carbono equivalente ao emitido por 40 mil carros a cada ano graças a suas fezes, revela um estudo que será publicado esta quarta-feira no periódico britânico Proceedings of the Royal Society B.
Anteriormente os cientistas acusavam os cetáceos como culpados porque, na respiração, expiram dióxido de carbono (CO2), o tipo mais comum de gás de efeito estufa.
Mas esta era apenas uma análise parcial, demonstra o novo estudo.
(…)
Meu ponto, com este post é:
* questionar a VERACIDADE da notícia, com base nos copiosos dados oferecidos: se fala em merda de baleia aliviando a barra de 40 mil carros poluentes. E ainda mais, pra quem arriscar ler o texto todo: toda uma série de equivalências das mais precisas.
Dúvida: como chegam a essas conclusões os infelizes que, supostamente, realizaram o – fértil – estudo?
* e também levantar a seguinte bola: são citados periódicos científicos, universidades e cientistas. Na real: quem, usuário habitual de internet, irá atrás de informação pra conferir se de fato tal estudo procede?
Minha impressão é a de se tratar de mais uma PALHAÇADA CIENTÍFICA divulgada. Provavelmente com intuito de preservar baleias. Não haveria meio mais eficaz de fazê-lo, catso?
E o trecho que acima negritei, o faço citando Raul Seixas em “Todo Mundo Explica”. Em que ele dizia: “O que é que a ciência tem?/Tem lápis de calcular/Que mais é que a ciência tem?/Borracha pra depois apagar”.
Os “estudos anteriores” culpavam o exalar das baleias pelos danos ambientais. Agora, sendo menos “parciais”, as isentam, fora enobrecerem a merda delas. Quem é que garante que as informações são agora fidedignas, verossímeis, confiáveis?
Causas pra histerias atrozes, isso me parece que gerará.
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HØRDA
Ah, quanto da periculosidade do heavy metal nos últimos 10 a 15 anos não devemos aos nórdicos!… Aos finlandeses agorafóbicos, aos suecos aloprados e, sobretudo, aos noruegueses psicóticos e psicopatas.
Que às vezes, mais que com os sons e álbuns, causaram comoção e repulsa mundo afora com condutas edificantes tais quais: incendiar e profanar igrejas cristãs e cemitérios (e “Inner Circle“, pra mim, sempre foi coisa de horda – digo, banda – de reggae), assassinato de colegas/rivais de bandas, entre outras coisas envoltas em marketing macabro.
Falemos a verdade: não causa calafrios o suicídio do tal Dead ter virado capa de disco do Mayhem? Não proporciona ojeriza o racismo declarado dum Varg Vikernes da vida, que nem tentou aprender a tocar melhor enquanto ficou preso?
Coisa mais estranha o Mayhem ainda fazer show com integrantes se auto-mutilando ao vivo, ou metendo faca em cabeças de porco… Ou o tal Gorgoroth tendo tido dvd referente a show na Polônia, com mulherada pelada crucificada + encapuçada no palco, censurado.
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Entretanto, querem saber duma coisa? Tudo isso é tudo coisa de vendido. De cristão enrustido. De poser ridículo. De menininha mimada.
O vídeo abaixo é de horda mais antiga que todas as citadas e, se não exatamente mais blasfema, ao menos de mais culhão em perpetrar coisa desse calibre.
E sei lá se não também influenciador de arte de cd do Dimmu Borgir (vide encarte de “Death Cult Armaggedon”). Vejam:
Ah, e se você que começou a ver, viu de que se trata, trate de arrefecer alguma vergonha, alheia ou não, APENAS VENDO o vídeo: não precisa ouvir o som, beleza?
(que por aqui tem pouca gente que lê ou vê mesmo, e ninguém vai queimar teu filme te delatando pra nenhum tr00 da Galeria ahahah)
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NÃO SAIU EM CD
“The Final Conflict”, Vodu, 1986, Rock Brigade Records
sons: CONTRADICTIONS / WHAT AN IRONY / HOW CAN YOU BELIEVE? / THIS IS NOT YOUR WORLD / ENDLESS NIGHTMARE / NUCLEAR DELIRIUM / FINAL CONFLICT / LET ME LIVE (I DON’T WANNA DIE)
formação: Andrews Góis (vocal), Bruno Bontempi (guitarras), André ‘Pomba’ Cagni (baixo, backing vocals), Sérgio Facci (bateria)
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Esta é uma das vezes em que voltar ao material da banda resenhada (e, neste caso, à fita Basf gravada há anos), obrigou-me a rever conceitos e a reconsiderar a banda em questão.
Porque o Vodu, das bandas oitentistas brasucas, sempre foi o patinho feio. O tipo da banda que eu muito agradecia não entrar no embalão das voltas das bandas que foram sem nunca ter sido [ainda que em meados de 2006 tenham feito alguns shows de retomada que, ao que consta, deram em nada. De novo]. Os motivos principais pra desdém, fora o que dizem das capas toscas (e só acho a de “Endless Trip”, último deles, realmente ruim) eram musicais propriamente: metade da banda era ruim. Muito ruim. Estamos falando dos vocalistas – aqui o tal Andrews Góis, mas Cláudio Vitorazzo, sucessor, foi quem se “consagrou” à frente da banda, e queimou o filme sem perdão – e do guitarrista Bontempi, que se não era assim um horror completo, eu achava… ahn… um tanto inexpressivo.
A outra metade, já não: mesmo ostentando os cacoetes mais steveharísticos duma banda nacional (esqueçamos o Fates Prophecy, que busca copiar, na cara dura, o Iron Maiden, e ainda acha legal) em todos os tempos – o que garante até hoje umas risadas descrentes (até pôr pés nos PA’s fazia) da parte de quem lembra – o baixista André ‘Pomba’ Cagni segurava MUITO bem as pontas. E Sérgio Facci, o baterista…
Não eram tempos ainda dos IG&T’s da vida, de molecada a granel distribuindo técnica a rodo, ostentando patrocínios e de músicos de workshop louvados como gênios entre nós privilegiados mortais (faça sua associação com quem quer que apareça de monte nas colunas sociais das revistas e sites musicais). À época Igor Cavalera já vinha sendo falado, e Ricardo Confessori passava pelo Korzus, mas embora não portasse aquela técnica dantesca e embasbacante, considero Facci o melhor baterista do metal nacional oitentista. Pois não a tôa, fora o trampo no Vodu, era integrante temporário-que-ficou-definitivo no Volkana e tocou no incensado (sei lá por que) “Theatre Of Fate”, do Viper. Sujeito requisitado que nunca mais se ouviu falar. Por onde andará Sérgio Facci?
Os tempos eram outros também em termos de promoção e/ou jabá. Ainda que Pomba escrevesse na Rock Brigade, a publicação pouco louvava a banda – preferiam, ao contrário, apostar nas ‘revelações’ Viper – em atitude que, se foi de resguardo do próprio Cagni, palmas pra ele, enquanto que, por outro lado, poderia ter se dado um pouco mais. (Terão sido também tempos de maiores pudores editoriais?).
“The Final Conflict” não é esse horror de trampo que as lembranças do Vodu deixaram. E o digo por 2 aspectos chamativos à 1ª ouvida: 1) foi trampo de gente que conhecia heavy metal bem mais que superficialmente (em tempos atuais, de gente que monta banda e mal conhece bandas com mais de 15 anos ou 3 álbuns, é dado deveras considerável), com idade e bagagem, o que dá alicerce a uma banda; 2) e por mesmo eu não tendo as letras (se à época em que gravei as copiei, perdi…), perceber o inglês utilizado ser mais do que os “Ccearás” ainda muito em voga, e bastante típico do metal oitentista. Aquele de se fazer a letra em português e passar pro inglês com dicionário a tiracolo.
Ainda sobre o conhecimento de causa: chama positivamente atenção um disco de 1986 – quando não havia Internet e cuja solução pra muitos dos problemas de querer se conhecer uma banda era comprar cassete pirata na Woodstock – conter referências tão claras a Metallica (como “This Is Not Your World”, bem “Kill ‘Em All” ), Ozzy fase Rhandy Roads (em muitas das palhetadas, ainda não propriamente thrash), Judas Priest, Helloween “era Kai Hansen” e, claro, Iron Maiden fase Paul D’Ianno (“How Can You Believe”, na altura de seus 3’20” deixa isso BEM CLARO, e a faixa-título contém um “au-au” final característico).
Os dotes steveharrísticos de Pomba citados têm seu componente bastante apreciável: muitos são os trechos de solo em que a base foi feita por ele, assim como trechos harmonizados guitarra-baixo bastante competentes e não exatamente xerox de sons do Maiden (“What an Irony” acho não menos que fantástica).
Volto a especular por um não reconhecimento devido: talvez porque fossem feios e o baterista, japonês. Talvez cheirassem mal. Não sei, não entendo um álbum como “The Final Conflict” sequer ser resenhado como dos álbuns clássicos do metal nacional. Reverência a bandas ditas pioneiras (tipo Dorsal Atlântica, Sarcófago ou Stress – que só gravou 1 álbum) ou às tidas como clássicas e/ou sobreviventes (Necromancia, Korzus) ou ainda às q vêm voltando (Holocausto, Chakal, Atômica, Viper) abundam, sendo que, para comparar com os tão bem-falados Viper, o álbum aqui apresenta produção muito superior a de seus 2 primeiros e clássicos álbuns, no mais bastante derivativos de Maiden, Helloween e do metal melódico que nascia. O Vodu ficou num limbo, em que não foram pioneiros nem revelação…
Tá certo que alguém pode objetar quanto a um certo modo abafado com que foi gravado ou mixado, mas é álbum muito mais audível do que nossa memória teima em lembrar dos discos metálicos brasileiros da época. E não é tão cru como um “Simoniacal” (MX). Nada assim gritante mesmo, e que talvez tivesse ocorrido devido ao EQUIPAMENTO disponível na época, já que inexistiam instrumentos de qualidade, muito menos pedais como os de hoje (e aí volto à inexpressividade do guitarrista possivelmente por conta disso, como ainda por a mim faltar uma 2ª guitarra propriamente solo na formação dos caras: teria dado uma encorpada).
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Um outro dado que talvez tenha impossibilitado assimilação ou reconhecimento adequado do álbum é o fato de muitos sons serem compostos dum número excessivo de partes: coisa de quem claramente tinha excesso de idéias e não atinava em poder decompor certos sons em 2 ou 3 fácil fácil. “How Can You Believe” é exemplar nesse aspecto: em seus 6’20” – que parecem ter 10’ – é um ir e vir de partes bastante interessante pros mais atentos ou músicos, mas que talvez ao vivo impossibilitassem um bangear seguro e confortável… “Let Me Live (I Don’t Wanna Die)” vai nessa onda também, com requintes técnicos guitarrísticos a despeito do equipamento. E mesmo em seu início contendo algo como o guitarrista querendo mostrar mais do que sabia ou conseguia fazer (umas coisas meio harmônicos q ficaram meio chôchos).
“This Is Not Your World”, que passa de 5 minutos, fica mais adequada nesse sentido, e embora alterne partes rápidas (a la speed metal) com outras mais na manha (como aquelas ‘lentas’ em “Phantom Of the Opera”, do Maiden) e cavalgadas maidenianas, soa mais como gente talentosa buscando compor baseado em padrões das bandas preferidas e almejando identidade própria. “Endless Nightmare”, que apresenta 4 partes diferentes ainda antes de entrar o vocal também atesta a impressão. Já os 2 primeiros sons vão numa veia mais direta – não chegam a 3 minutos – e calha serem os primeiros a se baixar (haverá na net?) ou ouvir.
E quero deixar claro, a quem conhecer o trampo e a quem vir a fazê-lo, que estou descontando o TRAMPO VOCAL, repleto de cacoetes hoje consagrados pelo Massacration e Massacrations Cover (Primal Fear, Hammerfraco, essas nhacas): seja os gritinhos épicos-heróicos ao início ou ao fim (“Contradictions”, “This Is Not Your World”) ou um excesso de “Ô-ô-ô” ou “Ô-ô-Ô-ô’s” (que em “Let Me Live (I Don’t Wanna Die” é até constrangedor) meio Manowar.
Som ruim ou dispensável, a meu ver, apenas “Nuclear Delirium”, com intro de guitarra limpa + voz (numa outra referência ao Metallica?) em que o “Ô-ô-ô” cansa. No mais, e no geral, notadamente se percebe uma temática social-política dos tempos de Guerra Fria vigente. Nada de demo, castelos, princesas, enfim.
Pra concluir, o seguinte: se proximamente nalguma revista ou site metálico legal por aí rolar alguma resenha sobre o Vodu ou sobre a IMPORTÂNCIA de qualquer um de seus 3 álbuns (“The Final Conflict”, “Seeds Of Vengeance”, “Endless Trip”) ou ep (“No Way”), lembre-se que o Exílio Rock revisitou a banda ANTES! ahah
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PS – André “Pomba” Cagni é hoje editor da Dynamite (revista e site), como também duns zines GLS e ataca de DJ na noite paulistana em casas de tecno, GLS ou não. Somado isso ao sumiço dos outros integrantes (só tinha ouvido falar que o Vitorazzo entrara pro 365 tempos atrás), é líquido e certo que o Vodu não volta. Mas poderia ter os álbuns relançados em cd…
PS II – resenha publicada originalmente em janeiro de 2006 no meu blog solo, o Thrash Com H, que à época era num provedor ruim (weblogger) que posteriormente sucumbiu
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