Passeio legal aqui em São Paulo é o Centro Cultural São Paulo, vulgo Centro Cultural Vergueiro, de opções culturais as mais abrangentes: cursos de desenho e canto gratuitos, sessões de cinema, de teatro e shows a custo irrisório (R$12 em média, com meia-entrada a R$6), a biblioteca bastante conhecida, a Gibiteca Henfil, farta, e também a Discoteca Oneyda Alvarenga, reativada em março último.

E motivo real deste post: trata-se de lugar onde fui algumas vezes recentemente com sujeito com quem trabalho (salve, Antonio Celso!), que é quase como uma FENDA NO TEMPO.

Explico: em tempos atuais de internet, mp3, iPod e Rock Band, o que pensar dum lugar onde se pode consultar ÁLBUNS como em biblioteca (ficha preenchida, número de tombo, essas coisas) e pedir pra ouví-los ali na hora, confortavelmente sentados em poltronas e a bordo de fones de ouvido?

Com o detalhe anacrônico maior de todos: álbuns que se ouve diretamente de vinis ou fitas cassete!

Tem cd’s (alguns) por ali também, assim como acervo incomensurável de discos de 78 rotações (pra dar idéia do quão antigos: há discos de Aracy de Almeida…), que disseram estarem sendo digitalizados.

Mas esse acervo tem também característica que pode afugentar muita gente por aqui: os álbuns, artistas e músicas são todos brasileiros. Não há nada gringo, por a ênfase ser música brasileira antiga: tanto que Antonio Celso andou por ali pesquisando Chiquinha Gonzaga, Orlando Silva e Carlos Galhardo, o que pra pessoas com igual apreço por PESQUISA, é coisa mais que valiosa.

Pois muitos desses artistas simplesmente não têm álbuns lançados em cd, havendo, quando muito, coletâneas mequetrefes e xexelentas da mesma dúzia de sons óbvios numas e noutras.

Material mais contemporâneo, tipo rock nacional de Titãs, Violeta De Outono ou Legião Urbana, encontra-se também disponível. Coisas mais metal, procurei e achei o “Arise” (Sepultura) vinílico e alguma coisa de Ratos De Porão, embora tenha vaga lembrança de ter também pesquisado Viper e Vodu, sem entretanto recordar haver visto registros ali de fato.

(memória é um troço traiçoeiro)

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Semana passada passamos por lá, e escolhi ouvir “Sonho De Um Anarquista”, do Bocato, álbum lançado pela Baratos Afins nos 80′s e JAMAIS RELANÇADO EM CD. Sons legais, capa genial (segue abaixo) e poltrona confortável tornaram a estada ali na Discoteca momento bastante agradável, o que probleminha básico com os fones (meio mau contato) nem conseguiu estragar.

Enfim: é programa que recomendo pra servir de pit-stop a quem passa por ali correndo e talvez prefira “matar” um pouco de tempo antes de encarar trânsito selvagem e/ou transporte público insalubre da hora do rush, ou mesmo por meros e puros ESCAPISMO e DESENCANAÇÃO. Ainda que a experiência pareça meio um mp3 a lenha.

Não precisa fazer cadastro, tampouco pagar nada.

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Fecho o post com aspecto reforçador da experiência temporalmente deslocada duma ida à Oneyda Alvarenga, assim como da audição do Bocato: uma citação contida na contra-capa desse Lp.

Que, em linguajar e ortografia que parecia já ultrapassado naqueles idos de 1987 (ano de lançamento), e que talvez representasse alguma brincadeira adicional (vai saber se não…), assim diz:

ESTA GRAVAÇÃO DE ALTA FIDELIDADE foi cientificamente planejada de modo a apresentar a mais alta qualidade de reprodução, qualquer que seja o fonógrafo usado, novo ou velho. Se V.S. possui um aparelho de som estereofônico, também êste disco apresentará um som de alta fidelidade perfeita. Em resumo, V.S. pode comprar êste disco sem o mais leve receio de que êle venha a tornar-se obsoleto no futuro.


Tornou-se, afinal?

Line Break

Autor: txuca (132 Artigos)

Marco Txuca vem tocando o Thrash Com H já há uns anos e é meio autista, pois o tocaria mesmo se ninguém o lesse. É algo ingênuo e idealista, mas com Metallica e Slayer tendo recentemente lançado discos QUASE à moda antiga, não sabe o que fazer com o que sobrou disso; só sabe que não ganha o bastante pra virar fiel da Renascer nem da Universal. /// É tr00 a seu modo, pois se não traja ridículos moletons agarrados no saco escrotal, tampouco anacrônicos canos-altos brancos oitentistas (já anacrônicos em seus "áureos" tempos, por sinal), canaliza essa energia dispendendo boa parte de seu rendimento suado em cd's e dvd's originais, só que não por acreditar que isso ajuda as bandas, mas por fetichismo por entrelinhas e rodapés em encartes e contracapas.

2 respostas para FUTURO DO PRETÉRITO

  • Sabrina diz:

    Adoro aquela Discoteca! Há discos por lá, que a gente não encontra em lugar algum! E uma observação, meu caro…Lá não há somente discos brasileiros, há também, e muitos, internacionais…Gnd abço, e parabéns pelo artigo*****

  • eu amei esse texto que bom que ele existe para saber mais sobre futuro do preterio adorei amei naõ sei como explica so sei que amei bj dayane linda

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