O Slayer pode ser posto naquele patamar de bandas como AC/DC e Ramones, ou seja, você sempre sabe o que esperar de um novo lançamento do grupo. Claro, ao longo dos anos trabalhos como “South of Heaven” (marcado por músicas mais lentas) e “God Hates Us All” ( injustamente acusado de soar modernoso demais) dividiram alguns fâs, mas mesmo assim possuem a característica principal da banda: a brutalidade quase anormal que sempre acompanhou o quarteto californiano.
A lição de violência sonora chega ao seu décimo capítulo com “World Painted Blood”, segundo registro de Dave Lombardo desde o seu regresso ao grupo, em 2001 (o primeiro foi o ótimo “Christ Illusion”, em 2006). A exemplo de seu antecessor, “World Painted…” segue o destino de triturar ouvidos mundo afora.
O álbum abre com a magistral faixa-título, cheia de clima e movida a riffs marcantes, típicos de Kerry King. “Unit 731″ e “Snuff” nos levam de volta aos tempos de “Reign in Blood”: músicas curtas e extremamente rápidas, quase soando como se fosse o clássico de 1986 regravado. A cadência volta a falar mais alto com “Beauty Through Order”, “Playing With Dolls” e “Human Strain”, essa última a faixa mais diferenciada do disco, com Araya arriscando vocais limpos, com resultados primorosos.
Mas, quer queiram ou não, o Slayer ficou famoso principalmente por causa de suas músicas mais rápidas. Sendo assim, é fácil imaginar os fâs mais ardorosos abrindo rodas violentíssimas nas apresentações da nova turnê do grupo ao som de “Public Display of Dismemberment”, talvez a faixa mais agressiva que o quarteto já gravou em toda sua carreira (mesmo!). Impossível não destacar o excelente trabalho de Lombardo, reproduzindo blastbeats insanos, daqueles de fazer Max Kolesne rever seus conceitos. E, como sempre, a dupla Kerry King e Jeff Hannemann mandam ver em riffs e solos pra lá de inspirados.
Enfim, uma verdadeira aula de um dos nomes mais consagrados que o heavy metal já produziu. E, se você não conhece, considere-se um felizardo por poder pegar a banda num dos principais momentos da carreira, o que, convenhamos, está cada vez mais raro em se tratando de artistas com mais de 20 anos de estrada. O último destaque vai para a capa, assustadora.
Ficha técnica:
“World Painted Blood”
Ano de lançamento: 2009
Gravadora: American Records
Tracklist:
1- World Painted Blood
2- Unit 731
3- Snuff
4 – Beauty Through Order
5- Hate Worldwide
6- Public Display of Dismemberment
7- Human Strain
8- Americon
9- Psycopathy Red
10- Playing With Dolls
11- Not of This God
Autor: Claudio Herring (17 Artigos)
Cláudio Herring, quando não está trancafiado em algum escritório do Porto, ou zanzando pela praia, costuma passar seu tempo atormentando a família Exílio Rock com piadinhas infames, tanto no Fórum como no Chat. Mas, na medida do possível, nosso amigo tentará se portar da forma mais profissional possível nos domínios desse Blog.
Sim, “World Painted Blood” é foda. Muito foda.
Apenas discordo da capa “assustadora”. Assustadora achei pelo amadorismo. Muito meia boca.
Mas o que é foda no Slayer não é a capa, é o som.
E o grande EVENTO em se tratando desse álbum novo – que não chega a ser clássico, mas a mim derruba os álbuns anteriores a ele, e posteriores ao foderoso “Seasons In the Abyss” – é que, aleluia aleluia aleluia, o Jeff Hanneman parece ter acordado da hibernação de UMA DÉCADA.
Disco do Slayer sem música do Jeff Hanneman é música de elevador.
gostei desse play também.
e gostei da capa, achei muito bem sacada.
adoraria ter aquele poster na parede do meu quarto quando tinha 17 anos!
World Painted Blood é a continuação perfeita para o Christ Illusion que, a meu ver, já havia sido um disco absurdo de tão bom. O clipe de Psychopathy Red que está rolando por aí, na minha opinião, é o melhor da carreira da banda. Grande texto, Cláudio!!
Na mosca, Claudio!
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