O post é pra dialogar e revisitar post já quase antigo, do amigo Claudio, cometido em 20 de Janeiro último. Sobre o Philips Monsters Of Rock e as lembranças (boas) por ele suscitadas.

Num mero acaso, eis que descobri em minhas tralhas página da Folha De São Paulo de 1996, com resenhas a respeito do Monsters daquele ano em específico. Ano de Maiden com Blaze Baleya, de Sebastian Barbie servindo de alvo humano (ahahah), de Helloween abrindo pra Raimundos, entre outras tantas barbaridades.

Pura e deslavada cópia de texto alheio, pra ver se eu ainda sei ler e digitar ao mesmo tempo. Pois não me considero um saudosista ou nostálgico profundo desse festival, embora boas lembranças tenham ficado.

Quero dizer assim: não sou dessas pessoas que torcem pra que festivais assim voltem à ativa. Prefiro pagar várias vezes pra ver várias bandas tocando sets inteiros a ver várias bandas duma vez tocando pouco e em condições (para o público) beirando o insalubre.

Posto 2 textos desta vez. Numa próxima vez, copio as outras 3 resenhas:

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IRON GANHA NO 2º TEMPO - por Thales de Menezes

Custou, mas o Iron Maiden ganhou o público no Pacaembu. Depois de uma 1ª parte fraca, na qual priorizou o repertório mais recente, a banda apelou para os grandes hits no final de seu show e levantou a platéia.

Na verdade, a imensa maioria da garotada estava lá por causa do Iron Maiden. A preferência podeia ser medida nas camisetas. O morto-vivo Eddie, mascote do Iron, estava em 80% delas.

O azar da banda foi o show que antecedeu sua entrada no palco. O Skid Row esfriou a platéia, que já demonstrava sinais de cansaço devido à maratona de heavy metal.

Quando o Iron Maiden entrou em cena, as expectativas a respeito do novo vocalista se confirmaram. Blaze Bayley perde feio para Bruce Dickinson em voz, carisma e presença de palco.

Baixinho atarracado, Bayley é quase um xerox de outro vocalista heavy, Danzig. Sua voz rende mais nos graves, e o repertório clássico do Iron Maiden é alicerçado nos agudos poderosos de Dickinson.

Tentando fugir das comparações (Dickinson chegou a dizer que seu substituto não consegue cantar os hits “Run to the Hills” e “Aces High”), a nova formação da banda iniciou com músicas tiradas dos álbuns recentes, principalmente “X-Factor”, gravado com Bayley.

A recepção da platéia foi fria. Quem estava junto ao palco pulava e cantava, mas eram os fãs mais radicais. O público na arquibancada, que tinha delirado antes com o Motörhead, permanecia sentado.

Bayley insistiu em agitar os braços e pedir a participação da audiência. Se um vocalista faz esse gestual em demasia, é sinal de que algo não vai bem.

Quando o anticlímax parecia inevitável, a banda tirou o ás da manga. Entoou “Two Minutes to Midnight”, um dos maiores sucessos do grupo. Com Dickinson ficaria melhor, claro, mas é tão boa que nem Bayley compromete.

Para ajudar, o boneco gigante do Eddie fez sua aparição no palco, e a catarse começou. Esperta, a banda emendou “Fear Of the Dark” e transformou a platéia no gramado do Pacaembu num grande coral.

Partida ganha, o grupo tocou a bola para garantir o resultado. O bis foi apoteótico, com “The Number Of the Beast” e “Running Free”. A molecada saiu contente. O Iron Maiden ganhou na tradição, com a força da camisa.

***

MOTORHEAD LEVA O TROFÉU - por Thales de Menezes

Precisa ser muito fã do Iron Maiden para não reconhecer o incontestável: o Motorhead fez o grande show do Monsters Of Rock 96. Curto e grosso, Lemmy e seus capangas deram aula de rock’n'roll.

Durante o dia, os Raimundos foram os maiorais. Depois da apresentação delirante dos brasileiros, a responsabilidade do Biohazard aumentou bastante.

No entanto, os norte-americanos seguraram a barra no 1º show noturno da festa.

A tática foi perfeita. O Biohazard deixou de lado suas fusões com outros ritmos e mandou ver num repertório pesado. Ajudou muito a presença do novo guitarrista, Rob Echeverria (ex-Helmet).

Aí veio o Motorhead. O cinquentão Lemmy ligou seu baixo no amplificador, vriou todos os seletores de volume no máximo e detonou 70 minutos de rock básico em velocidade máxima.

O estilo turbina de avião do Motorhead não deixa espaços para sutilezas. É uma porrada atrás da outra. Poucos grupos têm um repertório tão forte.

Como fazer qualquer crítica a uma banda que abre o show com “Ace Of Spades”, leva o público ao paraíso com “Orgasmatron” e ainda pode deixar “Iron Fist” para o bis alucinante.

No comando de tudo, Lemmy. Alto, todo de preto, com o vento balançando sua cabeleira meio grisalha. Uma imagem clássica, reverenciada há 20 anos por “headbangers” de todas as correntes. A voz, então, continua cavernosa.

Depois do show impecável de Lemmy & cia., a bomba ficou para o Skid Row. A banda entrou no palco debaixo de algumas vaias e uma chuva de objetos variados.

O bonitinho Sebastian Bach é adorado pelas garotas enlouquecidas e odiado pelos garotos invejosos. Como o público no Pacaembu tinha seis homens para cada mulher, a rejeição foi inevitável.

A banda tocou com garra, principalmente Bach, que ficava na beira do palco como um alvo fácil. Durante o show, o coitado fugiu de copos, latas e rolos de papel higiênico. Alguém chegou a atirar uma mochila no cantor, mas o “míssil” passou longe.

Os gritos de “Sao Pólo! Sao Pólo!” não adiantaram muito. A escolha de um repertório bem pesado também não surtiu efeito.

A falta de empatia foi tanta que o Skid Row achou melhor nem voltar para o bis.

****

NO MAIS, A QUEM É DUMA NOSTALGIA:

A revista acima, especial da Revista Bizz sobre o 1º Monsters por aqui (o de 1994), encontra-se à venda – será relíquia? – no Mercado Livre a 24 reais.

Se alguém se interessar, vendo a minha a módicos 10 conto.

Line Break

Autor: txuca (132 Artigos)

Marco Txuca vem tocando o Thrash Com H já há uns anos e é meio autista, pois o tocaria mesmo se ninguém o lesse. É algo ingênuo e idealista, mas com Metallica e Slayer tendo recentemente lançado discos QUASE à moda antiga, não sabe o que fazer com o que sobrou disso; só sabe que não ganha o bastante pra virar fiel da Renascer nem da Universal. /// É tr00 a seu modo, pois se não traja ridículos moletons agarrados no saco escrotal, tampouco anacrônicos canos-altos brancos oitentistas (já anacrônicos em seus "áureos" tempos, por sinal), canaliza essa energia dispendendo boa parte de seu rendimento suado em cd's e dvd's originais, só que não por acreditar que isso ajuda as bandas, mas por fetichismo por entrelinhas e rodapés em encartes e contracapas.

8 respostas para MEMÓRIA

  • Claudio Herring diz:

    Época interressante, essa. O Raimundos foi lá e fez frente a todos os gringos. Maiden com Blaze era foda, ele não aguentava mesmo cantar alguns clássicos. Motorhead fez um puta show, e Skid Row fez o último show com a formação clássica.

    Eu sou a favor desses festivais, eles sempre marcam época….e se fossem transmitidos pelas Globos e MTVs da vida, a exemplo de Hollydood Rock, Skol Rock, Rock in Rio, melhor ainda. Show do Skid Row no Hollywood Rock de 1992 matou a pau, vi tudo ao vivo, dia seguinte fui comprar o k7, e me veio em mãos o clássico primeiro play deles.

  • txuca diz:

    Gosto é gosto, né Claudio?

    (e vice-versa, diria o craque Jardel)

    Eu não suportava o Skid Row na época, e vibrei com o pessoal contando que fizeram o Barbie de alvo de tudo no show. Diziam até que o cara tinha chorado. E que, no único som que não cantou (“Psychotherapy”, do Ramones, que eles conseguiram ESTRAGAR), ninguém tacou nada ahah

    Eu fiz o meu melhor nessa hora: fui ao fundão do gramado (onde não tinha muita gente) e cochilei. Pra agüentar o Iron Maiden.

    Você viu o comentário do Barbie sobre o pior show dele (esse, nesse Monsters), e também o melhor (a abertura recente pro Axl’N'Roses) terem ocorrido justamente aqui em São Paulo? Pois é… o mundo dá vodcas e vodcas!

    *****

    O Raimundos eu achava simpáticos e interessantes, mas como o Skid Row, despropositalmente enfiados no cast do festival (o que o próprio Barbie reconheceu recentemente). Certamente rolava grana da Warner em cima. Como achei um despropósito terem tocado pela 2ª vez no Festival: eles, o Megadeth e o Slayer tocaram duas vezes. Mas o Megadeth e o Slayer são/eram o Megadeth e o Slayer, pôxa!

    Se bem que talvez os próprios Raimundos trouxessem mais público (nisso tenho quase certeza dos organizadores terem pensado) do que Korzus e Dorsal Atlântica, fiasquentos na última edição ocorrida…

    E fiquei puto do Helloween ter aberto pros caras. Ainda que tenha achado castigo pros alemães também, que quando estavam no auge na fase Kiske, não tinham vindo pra cá. Mal se sabia que a turnê deles, na época, do “The Time Of the Oath”, seria uma retomada legal da carreira: eu e vários outros/outras por ali estávamos com o pífio “Master Of the Rings” na cabeça…

    E decepcionante achei também King Diamond ter que fazer os 2 shows DE DIA, com a maquiagem escorrendo.

  • Evander diz:

    Esse festival foi foda. Vários monstros eternos desfilando pelo palco, Steve Harris, Lemmy, King Diamond.. Foi tudo muito foda. Tava lotado demais aquela merda. Lamentável foi o a chuva de tudo em cima do Skid Row. A banda tinha lançado dois discos excelentes e os cu de rola acharam de jogar tudo no povo lá. A única coisa triste desse festival foi me deixar sem grana pra encarar o AC/DC meses depois.

  • Claudio Herring diz:

    Puts, Evander, exatamente o mesmo aconteceu comigo! Eu fiquei duro pro AC/DC e pro Sepultura… e aquele seria o último show com o Max no Brasil, foda, viu….

  • dom casmurro diz:

    estive nesse monsters também.
    foi do caralho, mas festival é uma merda pq cansa demais.
    chega no final vc tá só o fiapo.

    dica pra não cagar no festival: antes de sair de casa, toma meio copo de água, limão e maizena.

    trava total o fiofó! :D

  • Caras, Skid Row no cast do festival, naquela época e com o restante daquele elenco, não combinou, como jamais combinaria. Que tivessem vindo prum show à parte…

  • Claudio Herring diz:

    Bom, em 1992, eles tb tocaram em penúltimo lugar abrindo pro Maiden, no Monsters de Donington. Tocaram depois de WASP, de Slayer, de Thunder e do Almight. E foram mto bem recebidos. Resta saber o que seria se esse Monsters brasileiro tivesse acontecido em 92 e nao em 96…

  • txuca diz:

    Eu acho que daria no mesmo, cara. Em 1992 o Iron Maiden veio com esse Thunder abrindo, e foi um fiasco pros caras.

    Só não foram mais maltratados que a horda do Barbie porque eram uns manés desconhecidos. O Megadeth, pouco depois, pôs esse Almighty ae pra abrir show no finado Olympia: foi uma sinfonia de bocejos e idas ao bar.

    O hard farofa de Skid Row e Blown Jobvi na época vinha muito embalado no disk-mtv. Era som de menina, som pop. E por mais que houvesse macho que curtisse, não iria admitir em público – por mais que admitissem com Mötley Cü e Guns N’Roses – ou não iria curtir em evento dedicado a HEAVY METAL. Lá fora é outra história.

    Basta constar que o próprio Heroes Del Silencio passou batido, assim como o Rata Blanca da outra edição (1995?).

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