(Porque a internet foi criada, afinal, para conectar as pessoas, os mundos…)

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Um blog de amigos, outro de jornalista que há muito acompanho (dos tempos de “Estação Shock”, na tv Manchete, e da revista “Ele & Ela” – devo ser o único freak que LIA TAMBÉM “Ele & Ela” ahah), o Jamari França.

Respectivamente

http://www.hellclub666.blogspot.com/

e

http://oglobo.globo.com/blogs/jamari/

E o quico de vocês estarem lendo esta bagaça?

Ambos os blogs postarem, em 11 de Março último, textos parecidos sobre mp3, ainda que por abordagens diferentes.

Grimal, também baterista do Chakal, postou lá no HELL CLUB algo singelamente intitulado “Mp3 é Igual Punheta”. França postou a notícia do Pink Floyd (modo de dizer) haver ganho causa contra a EMI, que garante a proibição da venda avulsa de suas músicas, sobretudo dos álbuns “Dark Side Of the Moon” e “The Wall”. No que assim resulta: pra comprar Pink Floyd, só os discos integralmente.

***

Em comum, fora a Sincronicidade Junguiana, vejo em ambos algum BRADO CONTRA O MP3, contra as ditas “facilidades” que o meio vem prometendo desde que surgiu.

E que não as cumpre totalmente.

Grimal falava da recente aquisição dum picture disc (só nós velhões sabemos o que é eheh) do “Mob Rules” (Black Sabbath), assim descrevendo: “mp3 é bom, mas é igual punheta: você tem toda a disponibilidade do mundo, afinal está ao alcance das mãos (literalmente), mas nada se compara a uma foda bem tirada e este picture é foda”.

França fechou seu texto assim: “A atual cultura de fragmentação esvazia muito da importância da música como arte. Os dois discos citados seguem um roteiro e propõem ao leitor uma informação enriquecedora do ponto de vista intelectual. Trata-se de forma e conteúdo altamente pertinentes. Com esta decisão, o Pink Floyd deu um “tou fora” da vulgarização fragmentadora da música popular que se vê hoje em dia.

Uma vez entrevistei um maestro africano chamado Ray Lema, acho que no Rock in Rio 2 em 1990, um pesquisador sério que trabalha com música étnica e lhe perguntei o que achava do mainstream americano. Ele respondeu que se aquelas pessoas compreendessem a importância da música, a arte mais abrangente entre todas as artes, teriam maior respeito por ela e não a vulgarizariam daquela maneira. A atutude do Pink Floyd tem o mesmo significado”.

***

Aonde quero chegar, afinal, cacete?

Parece haver um momento de empapuçamento do mp3 e da música baixada. Não como meio condenado ao vinagre, mas enquanto meio tido (vendido) como O meio por excelência.

O das maiores vantagens, o da maior praticidade, o DO FUTURO.

É mesmo?

E tantas vezes confundido com o FIM, que é, e sempre será, caralho, a MÚSICA!

****

Então que tal o ciclo nacional recente, de relançamentos (claro que duvidosos – tipo estréias do Engenheiros Do Hawaii e do Inimigos Do Rei: blargh!) em vinil, ou de promessas de lançamentos vinílicos dos raquíticos Pitty e Cachorro Grande?

Tirando o modismo indie-ota (reforçado em entrevistas dessa gente, que vem descobrindo o prazer de ouvir música no formato, agora tido como mais “verdadeiro” e/ou “autêntico”) e o desespero capitalista das múlti fonográficas envolvidas, parece que o mp3 enquanto NOVIDADE já era.

Parece ter entrado pra vala comum das coisas comuns.

E aí a tendência, embora nostálgica e tida até como reacionária, é REVISITAR O PASSADO: o vinil acaba sendo a bola da vez. Pra nós saudositas, por conta do manuseio, da ansiedade gerada em se comprar um (ter dinheiro pra comprá-lo, conseguir encontrá-lo na loja, essas coisas que todos nós, na adolescência, vivemos, não?), que a internet e o mp3 não geram.

Possíveis objeções:

1) Ah, mas o tempo que leva pra baixar um álbum gera ansiedade também. Sim, mas diferente: ou alguém em sã consciência fica em frente ao computador esperando o álbum – isso quando baixa um álbum inteiro – vir inteiro? Vai cada qual fazer alguma outra coisa: trampar, trepar, tomar banho, pôr o lixo na calçada, fazer um Miojo…

2) Ah, mas a praticidade, o não ocupar espaço. Também não deixa rastro. Enjoou da seleção de sons, deleta-se; e baixa-se outros tantos, no mais impossíveis de se ouvir todos. Enjoávamos do vinil, da fita cassete, passávamos pra frente, vendíamos, jogávamos fora. Ficando LEMBRANÇAS.

Afinal, de que espaço se está falando?

E ainda outra coisa: o que tem de molecada nascida sob a égide internética que considero ALFABETIZADOS FUNCIONAIS MUSICAIS, tá foda. Juro que li isso: uma vez, numa comunidade orkutiana dedicada ao Motörhead, veio moleque perguntar, a sério, se o Ramones tinha surgido a partir da música homônima do “1916″

Neguinho nunca pegou num disco, jamais suou pra ganhar algum pra comprar um, acaba alijado das noções de capa, ordem dos sons, mudanças de formação, anos de lançamento, entre outras tantas coisas.

Importantes tanto assim? Não importa, afinal, a música?

Sim, mas será que o OUVIR MÚSICA como conhecíamos – e que parece vir gerando lacunas de desejo – não envolvia também ler o encarte, se embasbacar com a capa (que o cd, formato descartável anterior, já praticamente assassinou boa parte), manusear o formato para pôr pra tocar?

Apertar botãozinho e pôr fone na oreia não é a mesma coisa.

3) Ah, mas é o futuro.

É mesmo? E a lenga-lenga de que a intenet mataria o jornal e o livro? Não o fez por faltar-lhe o manuseio, o virar a página. E mesmo que inventem o melhor ebook do mundo, não será o mesmo; talvez, sim, pras gerações que nascerem a partir dele. (E que se forem ler ebooks como lêem os sites, blogs, twitter, fóruns, fodeu). Fala-se dos meios como sendo os fins.

O mesmo que se dizia do videocassete matando o cinema, o dvd matando o videocassete (embora tenha feito um pouco, sim), da música eletrônica matando o rock e etc.

Na boa: alguém com mais de 15 anos, 15 bits de QI na cabeça ou 15 neurônios ativos no córtex ainda acredita nessa bobajada?

Eu não!

E a hora em que vier algum ciclo de revalorização da fita cassete, não venham: a) dizer que não o profetizei ahah; b) não ter que agüentar da minha vontade de rir de quem aderir à onda, como tenho tido de quem vem aderindo ao vinil (mesmo que de volta), com a lembrança de tanta gente me pentelhando nos últimos anos com o seguinte rosário:

“Por que você não digitaliza esses discos e fitas, hein?”

Line Break

Autor: txuca (117 Artigos)

Marco Txuca vem tocando o Thrash Com H já há uns anos e é meio autista, pois o tocaria mesmo se ninguém o lesse. É algo ingênuo e idealista, mas com Metallica e Slayer tendo recentemente lançado discos QUASE à moda antiga, não sabe o que fazer com o que sobrou disso; só sabe que não ganha o bastante pra virar fiel da Renascer nem da Universal. /// É tr00 a seu modo, pois se não traja ridículos moletons agarrados no saco escrotal, tampouco anacrônicos canos-altos brancos oitentistas (já anacrônicos em seus "áureos" tempos, por sinal), canaliza essa energia dispendendo boa parte de seu rendimento suado em cd's e dvd's originais, só que não por acreditar que isso ajuda as bandas, mas por fetichismo por entrelinhas e rodapés em encartes e contracapas.

7 respostas para HIPER LINKS

  • Claudio Herring diz:

    Realmente a lembrança material se perde com esse lance de mp3. Quando passo pela estante do meu quarto e olho pra discos e CDs que comprei há mais de 10 anos, eu literalmente viajo pra minha adolescência…..

  • dom casmurro diz:

    eu dei de presente meus vinis pro txuca, vendi meus cds pros amigos, joguei fora as fitas k7.
    sou um homem livre das amarras do passado.

    o grande DEUS MP3 veio para purificar minha alma e abrir espaço na minha estante.

    abençoado seja!

  • guilherme diz:

    rsrsr eu sempre li ELE e ELA era a melhor revista pra vc poder usar as armas contra as mulheres (as armas delas mesmas rsrsr).

  • bonna, generval v. diz:

    o que mais me emputece na nova geração é saber que eles tem a tecnologia e a informação toda a disposição, tem a quem recorrer em caso de dúvida, mas só querem saber de MSN e Orkut. não sabem fazer uma pesquisa sequer antes de falar merda, não sabem diferenciar se uma fonte é ou não confiável, desaprendem a escrever cada vez mais com a “miguxês” desenfreada e tornam-se cada vez mais desinformados e fúteis.

  • Casmurro, teu caso foi peculiar: foi um exorcismo, e o fato de você trabalhar on line todo dia ameniza a sensação de perda de referência, sei lá.

    Referência e “espaço” que você, eu e todos por aqui temos: conhecemos como era e vamos fazendo as transições tecnológicas vigentes. A molecada mais nova não tem a referência pra sacar se está ou não perdendo alguma coisa…

    Que é o que eu junto do comentário do bonna: tem toda uma gente nova que já nasceu com Guitar Hero, com internet, com celular e não se ESFORÇA nem um pouco pra filtrar qualquer coisa. Daí que qualquer boatinho de orkut – como esse da volta do Dave Ellefon pro Megadeth: não deu 1 dia pra daí surgirem especulações sobre Samambaia Friedman e Nick Menza voltarem. Só no imaginário duns tontos, que acabam confundindo querer com conseguir… – vira informação séria.

    Daí que qualquer revistinha formada por paga-paus ganha credibilidade. Daí que seções de resenhas de álbuns ficam todas comprometidas, conforme o selo da banda anuncia mais ou menos na publicação.

    Daí que vem vindo por aí um pessoal assustadoramente estéril e passivo: nunca lutaram por o que tem abundante e gratuito, vão brigar pelo quê?

    Mesmo que toda essa minha arenga fuja um tanto do tema proposto. Mas vai-se e volta-se à vontade: o espaço dum blog foi criado para isso, não foi?

    Twitter de cu é rola!!

    *****

    No mais, Grimal: então já somos 2 que liam a revista. Dá pra montar uma comuna orkutiana saudosista e delirar a respeito da revista voltar ahah

  • dom casmurro diz:

    “exorcismo”

    tá aí uma palavra que define bem o que eu fiz na época! :D

  • Não foi? ahah

    Senão, teríamos que discutir aqui a respeito de você ser homem de Fé (no “grande DEUS MP3″) e não um homem de Razão, que é por onde tentei apelar no texto acima…

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