Que a Veja seja a revista de maior circulação do país e, portanto, a de mais leitores (será mesmo?), por muito tempo eu jamais entendi.
Até formar uma hipótese a respeito: sendo a maioria da população gente pouco crítica e conservadora, nada mais natural abundarem leitores que consumam OPINIÃO TRAVESTIDA DE INFORMAÇÃO, como faz a citada revista.
Questão de adequação de produto a seu público-alvo, enfim.
Não generalizo: até existem articulistas interessantes (e não o Diogo Mainardi) por ali, com espaços DE FATO dedicados a opinião. Aí tudo bem.
E nem me estenderei em recordar momentos sensacionalistas da revista, como o mais consagrado/recordado, daquela capa apelativa com o Cazuza de trocentos anos atrás: fico só na da morte da Cássia Eller, dada como ocorrida por overdose que, quando não confirmada, não deram nova capa retratando. (Se o fizeram, o foi em 3 ou 4 linhas nalguma página perdida).
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Isso pra introduzir a capa NOJENTA da revista esta semana.
Sobre o assassinato do Glauco Villas-Boas, em chamada de capa dum desserviço imenso, gratuito, desproporcional.
Preconceituosa? É pouco.
Intolerante? É pouco.
Desinformativa? É pouco também.
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Por que, afinal? Porque nesse reles cabeçalho vejo – ah! – a revista apenas induzir umas 3 coisas: 1) que psicótico é necessariamente violento, ou assassino; 2) que o assassinato foi motivado pela seita do Santo Daime; 3) que a “seita”, pejorativamente sugerida, é algo menor e perigoso.
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Ponho minha colher nisso:
Nem todo psicótico é violento ou predisposto a assassinar quem quer que seja. Misturar psicótico com psicopata (ou sociopata) é coisa que nem novela global mais faz. Pode acabar matando alguém? Estatisticamente alguns poucos, minoria dessas pessoas portadoras de DOENÇA MENTAL. E se o fazem, o é por responsabilidade (ou, na maioria dos casos, por omissão) alheia que tem que ser apurada.
Segundo ponto: a droga alucinógena em questão – a ayahuasca – não é obrigatoriamente nenhum elixir que incita pessoas a matar. Quantos seguidores do Santo Daime matam ou mataram alguém até hoje? Caso isolado não requer generalização. Tem que se proibir a “droga alucinógena” e/ou, por conseqüência, a seita?
Então se espere que algum psicótico assassino mate alguém após ser benzido com água benta pra se proteger do mal. E se dizendo “Jesus Cristo”, como esse aí do Glauco: gostaria de ver a Veja pondo em capa a OPINIÃO de não se ter que tolerar mais “líquidos mágicos usados em rituais de religião consagrada”. Duvido que rolasse.
Passando ao heavy metal: vejo nessa generalização o mesmo que a mídia estadunidense de anos atrás tentou fazer com os serial killers e freaks sociopatas de high schools, que mataram, se mataram, chacinaram, torturaram, oras, porque ouviam Ozzy Osbourne, Judas Priest etc. E aí fundaram o PMRC…
Por outro lado, penso que está mais do que na hora de as seitas e religiões (todas elas, hegemônicas ou menores) adotarem procedimento de TRIAGEM de seus adeptos. Para encaminhar a TRATAMENTO SÉRIO – médico, psicológico, social – as pessoas desviantes (certamente várias) que surgem nos cultos/rituais/cerimônias. São responsáveis por milagres, curas, exorcismos? São responsáveis por todos os seus arrebanhados também!
Pois pra mim é bem claro que o tal assassino já era problemático anteriormente (a Veja cita isso, afinal?), tendo a ayahuasca talvez colaborado com a “gota d´água” do evento. Gente insana usando substâncias alucinógenas está longe de ser a combinação mais salutar.
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Acho que só o Casmurro por aqui sabe que na minha vida civil (útil?) sou psicólogo clínico e trabalho justamente com essa parcela de pacientes difíceis (no jargão do meio chamam “trabalho em Saúde Mental”), com que tantas vezes batalho para des-estigmatizar – valer-me dos argumentos usados 6 parágrafos ali atrás – e conduzir à estabilização de suas vidas e condições (e até retomarem trabalho, casamento e/ou estudos), mediante manutenção de acompanhamento médico-psiquiátrico e tratamentos como psicoterapia individual e familiar, Acompanhamento Terapêutico, terapia ocupacional, hospitais-dia ou CAPES e etc.
Já trabalhei uma época com paciente – embora não tão grave – que freqüentou o Daime algumas vezes. E com o qual pude, inclusive, alertar para os riscos do uso do tal chá, tanto como utilizar os conteúdos e visões suscitadas no meu trabalho de interpretação e re-significação de assuntos e memórias. Não houve, felizmente, qualquer conseqüência funesta.
Ano passado, por outro lado, trabalhei brevemente com sujeito perturbado que freqüentava um lugar chamado Johrei, que oferece alívio e tratamento mediante passes. Para o que quer que seja, indiscriminadamente. E com o maior PERIGO exposto: pois recomendam a quem recebe os passes a ABANDONAREM medicação, por conta de as mesmas “intoxicarem” o organismo.
O rapaz corre sérios riscos de se suicidar e de piorar ainda mais: se ocorrer, não se pode culpar o Johrei (afinal o sujeito tem pai e mãe), mas sim, RESPONSABILIZAR a instituição. Pela omissão, falta de critérios e irresponsabilidade explícita.
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Não é o mesmo, pra mim, que adotar postura intolerante para com “seita” que se vale de “droga alucinógena”. Apontar culpados de forma parcial e pré-concebida. Dou exemplo reverso: aqui em São Paulo, a Federação Espírita do Estado de São Paulo oferece tratamento espiritual a quem quer que seja, gratuitamente, para diversas condições. No entanto, frisam em suas palestras e cartões de atendimento que “a assistência espiritual não dipensa tratamento médico”. Bingo.
Não acredito que o alertem para não serem processados, ou caluniados por revista semanal. Mas por entenderem um básico: doença mental é coisa grave e séria. Não surge do nada, não é fingimento nem mau-caratismo, e apenas tratamento espiritual ou religioso não dá conta.
Fora requerer trabalho duro e implicado. Não capas apelativas e ALARMISTAS a torto e a direito, que não levam a lugar algum.
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Autor: txuca (118 Artigos)
Marco Txuca vem tocando o Thrash Com H já há uns anos e é meio autista, pois o tocaria mesmo se ninguém o lesse. É algo ingênuo e idealista, mas com Metallica e Slayer tendo recentemente lançado discos QUASE à moda antiga, não sabe o que fazer com o que sobrou disso; só sabe que não ganha o bastante pra virar fiel da Renascer nem da Universal. /// É tr00 a seu modo, pois se não traja ridículos moletons agarrados no saco escrotal, tampouco anacrônicos canos-altos brancos oitentistas (já anacrônicos em seus "áureos" tempos, por sinal), canaliza essa energia dispendendo boa parte de seu rendimento suado em cd's e dvd's originais, só que não por acreditar que isso ajuda as bandas, mas por fetichismo por entrelinhas e rodapés em encartes e contracapas.





































bom, o fato eh que o doido foi pro santo daime pra ficar mais doidao ainda. e eu infelizmente, conhecia uma pessoa que fumava, cheirava e injetava tudo que fosse possivel, hora que soube desse alucinogeno, a primeira coisa que fez foi correr atras disso. a ultima noticia que se soube do cara eh que apos beber um caminhao desse negocio, pulou num rio la no acre. nunca mais foi visto.
É, cara, Santo Daime e Bola De Neve são as igrejas de doidão. A diferença é que a 2ª – salvo engano – não tem droga, apenas vicia em Jesus, como tantas por aí. Pessoa troca um vício pelo outro…
Mas daí a proibirem a “droga alucinógena”? Você não acha que se proibirem, aí sim é que aumentarão os doidões em busca do chá??
“Punishment Fits the Crime”, diziam os Ramones.
longe de proibir ou nao, viciado vai cheirar, beber ou fumar qquer merda que descobrirem que da barato. drogas proibidas ou nao, doidoes vao continuar a fazer merda.
Exatamente, cara. Daí meu ponto: vai adiantar algo proibir o Daime, ou o chá deles? Ficar inventando bode expiatório desse jeito?
Neguinho que quiser chapar vai correr atrás de qualquer jeito. E, por outro lado, os adeptos pacíficos acabam pagando pelo erro de outro…
Agora, alguém no Daime tem que cair a ficha pra começar a triar a malucada. Mesmo que os adeptos caiam à metade.
excelente texto txuca!
é sempre bom esclarecer e não generalizar qualquer assunto que seja.
e concordo com o lance das religiões arrebanharem indiscriminadamente ignorando problemas sérios de cada individuo, achando que só Jesus cura.
quanto ao espiritismo citado e que conheço razoavelmente bem, há sim essa preocupação pois parte-se do principio que as forças espirituais tem forte influência positiva nos tratamentos, mas não adianta se a própria pessoa não facilitar o caminho.
Foucault falava uma coisa do hospital psiquiátrico (enquanto conceito) q aplico, parafraseando, às religiões:
quando se juntam, pelo próprio propósito de ligar as pessoas entre si, ou ligá-las a uma fé e etc. (“religião” parece que vem de “religare”, no latim algo significando reunião etc.) vão indo muito bem. Aglutinam gente de mesmas concepções, e aí vai.
A merda é quando se institucionalizam. Daí pra começarem a querer “expandir”, converter outros, é um passo. Acabam subvertendo o próprio propósito inicial, na busca de SE MANTEREM. Acho que nesse ínterim é que alguma coisa seriamente se perde…