Schumacher e Niko Rosberg, seu companheiro de equipe em 2010. Ao fundo, o modelo do carro.

Cada geração tem suas vantagens e desvantagens. Que o diga a de nossos pais, que afortunadamente viram Pelé e cia. jogarem, o nascimento e ascenção de bandas como Queen, Stones, Kiss, para citar só algumas. Pois quem estiver vivo e consciente nesse ano de 2010, irá testemunhar um fato que não acontece com muita frequência: o retorno de um Rei, de um mito, à sua corte. Mais precisamente falando, o retorno de Michael Schumacher, de 41 anos, à F-1. Mal comparando, é mais ou menos como assistir o retorno de Pelé ao futebol, ou de Michael Jordan ao basquete. Um evento que nós teremos o privilégio de presenciar.

Além de inacreditáveis 7 títulos mundiais, o alemão detém todos os recordes da categoria: 68 pole positions, 91 vitórias, 154 pódios,  entre muitos outros. Constantemente acusado de ter se aproveitado de uma época carente de grandes pilotos e de não saber ultrapassar, uma análise rápida sobre sua carreira é suficiente para comprovar: estamos diante de um gênio.

Quase no apagar de luzes da temporada de 1991, Flavio Briattore, chefão da equipe Benetton, encantou-se com a performance do jovem alemão, então empregado da modesta Jordan. Numa manobra de bastidores, Briattore espicha o brasileiro Roberto Pupo Moreno da equipe e traz Michael Schumacher para correr as últimas corridas daquele ano. Seu companheiro de equipe? Nelson Piquet, em fim de carreira, num fato que poucos recordam.

1992 seria a primeira temporada completa de Schumacher pela F-1  e as primeiras peripécias rumo ao estrelato. No GP de Interlagos, o alemão troca ultrapassagens acirradas com Ayrton Senna, levantando a torcida brasileira, curiosos em saber quem era o atrevido piloto da Benneton. Não bastasse a afronta contra o tricampeão em sua própria casa, Schumacher, após a corrida, declarou para a imprensa: “Senna  foi muito barbeiro. Ele é um tricampeão, tem que dar o exemplo, e não cometer manobras perigosas que podem colocar a vida de outros pilotos em risco”. Nascia mais uma rivalidade na F-1.

Ainda em 1992, Schumacher conquista sua primeira vitória na F-1, no GP da Bélgica, deixando para trás as poderosas Williams de Nigel Mansell e Ricardo Patrese, terminando o Mundial em terceiro lugar, com 53 pontos, na frente de Ayrton Senna, o quarto, com 50.

Schumacher iniciou a temporada de 1993 já na condição de estrela na categoria. Conhecido mundialmente e com um motor potente, essa temporada ficaria marcada pelos inúmeros “pegas” com Ayrton Senna, como em Kyalamy (numa tentativa de ultrapassar o brasileiro, Schumacher roda e sai da pista), Espanha ( nova tentativa de ultrapassagem sobre Senna que termina na caixa de brita) e Silverstone, onde, ao lado de  Prost e Senna,  Schumacher foi protagonista de  um inesquecível “racha”, num momento histórico da F-1.

Schumacher persegue Senna no GP da Espanha, em 1993: foram inúmeras as disputas entre ambos

A temporada de 1994 prometia ser a mais emocionante de todos os tempos e, a batalha entre Senna e Schumacher, a mais bela. Mas, infelizmente, Senna morre na terceira etapa do ano, em Ímola. A partir daí, Schumacher fica livre de adversários mais contundentes,  levando fácil seu primeiro título. Mais fácil ainda foi a temporada de 1995, considerada a mais sem graça de todos os tempos pelos fâs da F-1.

Em 1996, já bicampeão do mundo, Schumacher ingressa a equipe Ferrari, onde viveria seus dias de maior glória, pelo menos em termos de números. Todos os recordes citados no início desse artigo foram conquistados sobre o volante do Carro Vermelho. Pena que alguns acontecimentos acabariam manchando sua trajetória, como, por exemplo,  Schumacher sempre ser “protegido” pelo segundo piloto da equipe, no caso o brasileiro Rubens Barrichello. Segundo, a ausência de um adversário à altura (ainda que Mika Hakkinen tenha chegado bem perto) e, principalmente, o fato de mais da metade de suas vitórias nessa fase terem sido conquistadas na base da estratégia.

O ator Sylvester Stallone visita os boxes da Ferrari: sob o comando do Carro Vermelho, Schumacher bateu todos os recordes da F-1.

Acusações como “ele não sabe ultrapassar”, ele é “desleal”, “se o Senna fosse vivo, ele não teria conseguido nem metade do que fez”  tornaram-se gritos de guerra na boca de milhares de torcedores espalhados pelo mundo, de uma forma um tanto exagerada, afinal, o alemão foi, sim, querendo ou não, um genial piloto.

Tudo isso para chegarmos a 2010. 4 anos após abandonar as pistas, Schumacher está de volta, para correr pela equipe Mercedes. Caso semelhante aconteceu com Nigel Mansell, que retornou em 1994 e em algumas corridas de 1995, apenas para passar vexame. Como Schumacher irá se sair? Como ele enfrentará a nova geração? O primeiro capítulo acontece no próximo dia 14 de março, em Bahrein. Estaremos ligados, então.

Line Break

Autor: Claudio Herring (17 Artigos)

Cláudio Herring, quando não está trancafiado em algum escritório do Porto, ou zanzando pela praia, costuma passar seu tempo atormentando a família Exílio Rock com piadinhas infames, tanto no Fórum como no Chat. Mas, na medida do possível, nosso amigo tentará se portar da forma mais profissional possível nos domínios desse Blog.

5 respostas para O retorno do Rei.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

Categorias

Nuvem de tags

Facebook