Brian Johnson, recém-consagrado pensador, e meu pensador favorito da semana passada, voltou a sê-lo.

Só que desta vez, pra eu discordar.

Muita gente por aqui deve lembrar que, prestes a chegar ao Brasil pra “Black Ice” tour, houve um fã-clube gringo que fez meio um manifesto meio petição meio intimação, pedindo à banda que mudasse um pouco os set-lists de shows, já que há muito alguns fãs (sobretudo os xiitas, que os seguem prum monte de lugares) estavam cansados de ver sempre as mesmas músicas…

Aí, sai no whiplash esta semana que Johnson teria ficado meio puto com isso. Segue o ctrl c + ctrl v da vez:

Ele ficou bravo com os fãs por trás da petição, e disse que eles “devem ficar contentes com os shows e podem ir para a casa felizes, mas eles só vem para ouvir ‘Thunderstruck’. Eles não comem, dormem e cagam AC/DC como nós. Que se fodam!”

Brian continuou: “Há alguns fãs arrogantes. Muita gente com seus computadores, eles sentam as bundas gordas em suas casas e em algum lugar que vão, ‘Oh, eles tocaram aquela música noite passada, eles devem mudar isso.’ Se incomodam. Acho que eles pensam que mudar uma música do set hoje é como antigamente. Você têm que incluir todos os tipos de iluminação, os ajudantes, os técnicos – são 85 pessoas que têm que saber o que acontece se você mudar uma canção. Continuamos tocando algumas das cancões antigas. Não somos estúpidos. Sabemos que os fãs gostam das músicas antigas. Mas cara, isso me deixa puto, quando essas pessoas começam com petições. Não somos um partido político, nós somos apenas uma banda de rock and roll buscando um pouco de diversão.”

Temos que admitir que alguns fãs do AC/DC são um pouco exigentes com a banda e suas apresentações ao vivo, e por vezes você escuta: “O Angus fez todas as poses que sempre fez em outras apresentações”, “Brian Johnson está com a boina muito apertada” ou “A jaqueta do Brian é apertada.”

O último parágrafo acima é opinião do site que noticiou a bagaça, e de quem o whiplash fez o ctrl c + ctrl v. Enfim.

***

Quero ponderar a questão pelos 2 lados que me ocorrem:

I

Acho um SACO ir a show, sobretudo mega-shows, em que as bandas tocam RIGOROSAMENTE o set todo igual ao do show que vem sendo praticado nos outros países. Aconteceu comigo com o Rush (minha banda preferida): antes de chegarem aqui em 2002, fiz a burrada de ver um set list da turnê estadunidense. Foi praticamente o mesmo apresentado aqui, com o meigo acréscimo apenas de “Closer to the Heart”, que falaram (equivocadamente) pros caras ter sido hit por aqui.

E que pra mim não valeu nada: não curto “Closer to the Heart”. Fora haver broxado muito no fator SURPRESA.

E assim se deu nas duas vindas recentes do Iron Maiden (que eu não fui nesta do ano passado. Pra ver duas músicas diferentes no set?), em vindas em anos consecutivos do Megadeth (1997 e 1998, salvo engano), ou do Slayer (nos 2 Philips Monsters, se mudaram DUAS músicas de um show pra outro, foi muito!) e quem estiver lendo isto aqui certamente lembrará de vários outros exemplos. Todos, a mim, sacais e decepcionantes.

E, em suma, motivação suficiente pra eu ter abdicado desses mega-shows. Só irei no Rush quando voltarem, e basta!

*****

Aí o Johnson vem dizer da dificuldade – ô, dó! – de mudarem o set por conta da mega equipe que os acompanha. Por causa dos iluminadores, do povo dos efeitos, da gente que certamente não infla a whore lotta rosie soprando etc.

QUE SE FODA ISSO! O Metallica, nos shows de agora – embora, reconheçamos, a produção de palco destes ser algo menos espalhafatosa que a da horda do Angus – mostrou que, dá sim, pra mudar set list, e a produção que se vire pra acompanhá-los.

Quem pegou o dvd “mexicano” recente certamente viu isso.

Além disso, não sei se “antigamente” era tão mais fácil mudar set list, haja visto que desde 1990 (pelo menos) o AC/DC pouco muda o set. Exceção foi no dvd da turnê “Stiff Upper Lip”, em que perpetraram alguns lados-b…

II

O lado dos fãs arrogantes, malas-sem-alça e metidos a besta também tem que ser considerado. Tá cheio de moleque flácido a bordo dos computadores, que ACHA que tem DIREITO de EXIGIR mudanças de set. Apenas porque querem.

E apenas porque acham que banda de verdade é que nem no Guitar Hero, ou em maquininha de videokê, ou random de iFod: só mexer no botãozinho que muda. Nem tanto.

Gente que às vezes nem nunca foi a um show, e que baixa a soberba de querer interferir com o que nada tem a ver. Do que me ocorre lembrar que o Dream Theater – entenda-se o chefe dali, Mike Portnoy – recentemente brigou com alguns fãs fundamentalistas de araque sobre isso também. Mesmo sendo eles banda que JAMAIS repete set-list

O que gerou, inclusive, um som do “Octavarium”, “Never Enough”. Confiram-no. E ainda uma breve polêmica, anterior a uma vinda recente deles pra cá, em que fãs iam aos fóruns pra já reclamarem de sets que NEM HAVIAM SIDO FEITOS AINDA!…

Fiquem na punheta e no videogame e no Facebook esses nerds!

****

Daí que a conclusão minha, por ora, é: que se fodam esses xiiitas, e que também se foda o AC/DC (que, no mais, penso vir perdendo a noção da hora de parar)!!!

A hora em que a galera-rebanho parar de ir em shows de set-lists idênticos (pq ninguém é obrigado a ir em show), talvez alguns figurões resolvam mudar de idéia… Talvez, ao menos, se encontre um meio-termo.

Ou será que Johnson está certo, e a galera realmente NÃO LIGA de ver shows de repertório idêntico, ainda que passados 13 anos entre 1 e outro???

(Seu depoimento por aqui é muito importante para nós!)

Line Break

Autor: txuca (132 Artigos)

Marco Txuca vem tocando o Thrash Com H já há uns anos e é meio autista, pois o tocaria mesmo se ninguém o lesse. É algo ingênuo e idealista, mas com Metallica e Slayer tendo recentemente lançado discos QUASE à moda antiga, não sabe o que fazer com o que sobrou disso; só sabe que não ganha o bastante pra virar fiel da Renascer nem da Universal. /// É tr00 a seu modo, pois se não traja ridículos moletons agarrados no saco escrotal, tampouco anacrônicos canos-altos brancos oitentistas (já anacrônicos em seus "áureos" tempos, por sinal), canaliza essa energia dispendendo boa parte de seu rendimento suado em cd's e dvd's originais, só que não por acreditar que isso ajuda as bandas, mas por fetichismo por entrelinhas e rodapés em encartes e contracapas.

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