OK, nerdisse tem limite. Sou geek assumido, gosto muito de tecnologia, testar um software novo pra mim é um prazer orgásmico. Mas casar com um personagem de game não é coisa de geek. Ou é patologia ou é falta de mulher. Em qualquer um dos casos, esse japonês tem que se tratar…

Nerd

Esse é o cara que não tem mais o que fazer...

Sim, é possível. Um japonês se casou em novembro de 2009 com uma personagem de videogame. Tudo oficial, bonitinho, com a cerimônia transmitida pela internet e com o “casal” saindo até para lua-de-mel em Guam.

O homem se chama SAL9000 (nickname que usa na internet, pois ele não fornece seu nome verdadeiro), um fanático por games que se casou com a personagem Nene Anegasaki, do game Love Plus, que simula encontro românticos.

Após o casamento, que contou até com depoimentos emocionados dos amigos dele, o “casal” viajou para passar a lua-de-mel em Guam. Legalmente, o casamento não tem validade no Japão, mas já causou um tremendo alvoroço na imprensa.

“Eu amo a personagem, não a máquina”, disse SAL9000 à rede de TV CNN. “Entendo perfeitamente que se trata de um game e entendo perfeitamente que não posso estar legalmente casado com ela.”

O “noivo” se apaixonou por Nene em setembro último, quando começou a jogar Love Plus. Desde então, ele a leva pelas ruas de Tóquio e para passeios, como na Disneylândia nipônica.

“Ela não fica brava comigo nunca se eu me atraso. E se fica chateada, logo me perdoa”, justifica SAL. “Estou com ela e não preciso de uma namorada humana.”

Hiroshi Ashizaki, escritor japonês especialista em internet e em casos de vício em games, não acha o caso de SAL tão complicado quanto parece. “Conheço diversos casos de pessoas que sequer conseguem se comunicar com outras. Isso não acontece com SAL”, defende ele. “A juventude japonesa de hoje em dia não consegue expressar seus sentimentos verdadeiros, não conseguem traduzir isso para a realidade. Eles só conseguem fazê-lo em mundos virtuais. É o reverso da realidade. Esses casos são mais sérios que o do SAL.”

Olhando sob essa ótica, a gente até entende a posição do cara. Entender é uma coisa, aceitar é outra. Será que falta mulher no Japão? Não. Bem, pode faltar homem… Também não. Então, que diabos acontece???

As relações hoje em dia estão complicadas demais, as mulheres estão exigentes demais. Por isso, SAL diz que não precisa de uma namorada humana. Mas há limite para tudo. A “humanidade” das relações passa por isso, passa pelos altos e baixos de qualquer relação humana.

Não é a mesma coisa que a FIFA, por exemplo, que se recusa a aceitar a tecnologia para evitar erros da arbitragem. O Futebol Americano usa isso muito bem, porque o futebol “de verdade” também não poderia fazê-lo? A tecnologia, nesse caso, é uma ferramenta. Já no caso de SAL, ela é o fim, não o meio. Ela deixa de ser uma ferramenta para se tornar um objetivo.

Dificilmente passo mais de 48 horas sem jogar um videogame. Antes, por diversão; agora, porque faz parte de meu trabalho. Tenho contato diário com códigos binários como parte de meu sustento. Mas tem que saber a hora de parar, não se pode transformar isso em rotina de vida.

Tem hora para ir ao cinema, ao teatro, ao estádio de futebol. Tem hora para aproveitar o (pouquíssimo) tempo com minha filha de 5 anos de idade, que já chega pedindo para jogar videogames. Tem hora pra tudo. O dia em que eu anunciar meu casamento com a Lara Croft (não a Angelina, é claro), por favor, me suicidem…


[Essa notícia foi publicada originalmente no MSN Tecnologia]

Line Break

Autor: Fernando Filho (9 Artigos)

Editor da revista EGW (Entertainment + Game World) e editor-executivo da revista Nintendo World. Foi editor do canal MSN Tecnologia do portal da Microsoft entre 2009/2010 e editor da revista PC Magazine entre 2008/2009. Foi editor da revista Rock Brigade de 1990 a 2007. Atuou como correspondente internacional da revista Rock Brigade nos EUA (em 1994) e foi colaborador nos anos 1990 das revistas Burnn! (Japão), Young Guitar (Japão), Metal Hammer (Inglaterra), Headbangers Ball (Alemanha), Flash (Itália), Rock Hard (França), Epopeya (Argentina) e Mad House (Argentina), entre outras.

18 respostas para O homem que se casou com um personagem de videogame

  • mano, que freak esse japonês!

  • Marco Trevas diz:

    Eu casava fácil com a super girl … =/

  • A Mulher-Gato então… Huuummmmm…

  • Havia um colaborador da Rock Brigade que batia uma para a Vilma dos Flintstones… E não era do filme não, era do desenho mesmo!!!

    Esse colaborador ia passar final de semana com uma gostosona no sítio e quando a dita-cuja colocava um fio dental para ir pra piscina, ele corria pra cozinha pra ficar batendo uma pra ela escondido atrás da porta…

  • nossa que B.O.!!! hauhuahuahuahuahu

  • Onihime diz:

    Para os que não conhecem o universo otaku, esse caso pode parecer sem explicação. Já para os mais familiarizados com o tema, trata-se de um caso de complexo bidimensional, ou complexo 2-D (termo usado para definir a preferência afetiva ou sexual por personagens de histórias em quadrinhos/mangás, desenhos animados/animes, videogames, jogos de computador etc. Personagens que só existem na ficção, na imaginação e nas obras audiovisuais e gráficas). Geralmente, as pessoas adeptas do complexo 2-D são do sexo masculino, mas há também pessoas do sexo feminino que também têm esse complexo. Alguns chegam ao extremo, como é o caso citado acima, mas a maioria não chega a tanto, muitas vezes mantendo em segredo a sua preferência afetivia/sexual, porque no Japão, a sociedade é muito discriminatória e repressiva. No Brasil, infelizmente a maioria dos brasileiros não são tão diferentes assim, há muito preconceito e discriminação por parte de pessoas que ainda têm um modo de pensar um tanto pré-histórico, que não conseguem entender muito menos aceitar a paixão por um(ou uma)pessoa que não existe de verdade. Já para os mais cultos, é algo compreensível. Há pessoas que se apaixonam por personagens de romances literários, quadros, gravuras, enfim, qualquer representação gráfica do ser humano. Com os adeptos do complexo 2-D não é diferente.
    Platão, famoso filósofo grego da Antiguidade, criou um termo que pode se aplicar muito bem ao caso atual: “amor platônico”. O termo refere-se à paixão por uma pessoa que,por um motivo ou outro, não pode ser realizado fisicamente/carnalmente: por exemplo, paixões por pessoa da família ou parente, por pessoa de classe social diferente (hoje em dia não é tão impossível, mas antigamente uma pessoa da classe baixa não poderia namorar e nem sequer casar com uma de classe alta), ou por personagens de obras literárias/artísticas, etc.
    Sendo assim, apaixonar-se por uma personagem de anime/mangá/videogame/jogo de computador é apenas uma nova versão do amor platônico, apenas muda de nome. Como naquela frase: “Nada de novo sob o Sol.” O mundo e os humanos continuma os mesmos.
    E para quem não sabe, até no Ocidente o complexo 2-D está presente. Tempos atrás, a Playboy colocou num de suas capas não uma modelo de verdade, mas uma personagem de desenho animado. A personagem era a noiva do coelho Roger, Jessica Rabbit, do longa-metragem “Uma Cilada para Roger Rabbit”. Isso antes de colocarem a Margie Simpson, da série Os Simpsons, na capa da dita revista. Ambas foram escolhidas para aparecerem na capa da revista depois que os leitores as escolheram, deixando de lado modelos de carne e osso.
    É claro que o feminismo e o aumento das cobranças femininas em relação ao sexo masculino têm alguma cota de explicação para o complexo 2-D, mas o que dizer das que preferem personagens do sexo masculino dos quadrinhos, desenhos animados e videogamens aos homens de carne e osso?
    Ao que tudo indica, a paixão afetiva ou sexual por personagens inexistentes no mundo real é uma forma de idealização do namorado/namorada ou parceiro/parceira ideal, seja por suas características físicas (no caso citado pelo autor acima, dá para entender sob o ponto de vista otaku: olhos grandes, cor de pele e dos cabelos, características que não são encontradas no mundo real), seja por suas características de personalidade, etc, tudo num mesmo corpo, algo impossível num ser humano de verdade. Ainda mais num mundo em que a realidade não corresponde com as nossas expectativas.
    Para encerrar o assunto, leiam o texto que foi publicado abaixo, e leiam as opiniões e comentários dos que leram o artigo, para terem uma idéia melhor do que escrevi aqui:
    http://sakecomsal.com.br/sobre-o-complexo-2-d.html

  • Marco Trevas diz:

    Onihime colega, nao tem argumentaçao para explicar temanha imbecilidade desse cara ai , por favor.

  • Fernando Filho diz:

    Na boa, pra mim é só falta de b… oas coisas pra fazer na vida.

  • Borndead diz:

    Daqui a pouco o japa pega uma furadeira epara fazer um sexo virtual-real gostoso com o vídeo-game.

  • E aí, se broxar, periga procurar um terapeuta pra tentar saber se a falha não foi por (pouco) tamanho da broca ahah

  • Sávio. diz:

    Personagem é palavra feminina: vem de “persona” ou pessoa em espanhol, italiano e latim e, palavras acabadas em “agem” são geralmente femininas; pode crer?

    E que me dizem do cara que foi denunciado à polícia por seu cão ou, o homem que faleceu sufocado pelas tetas da namorada dele (Risos!)?

  • orozblack diz:

    o cara da viajando na Hellmanns coitado agora quando ele sai pra rua as crianças ficam cutucando os pais falando:pai pai olha akele e o pervertido donzelo
    Tomara ki as futuras gerações não sigão oq ke ele fes si não a humanidade esta indo pra estição

  • Vitor diz:

    Ah, sinceramente, o cara casa-se com quem ele quiser, isso não tem nada demais, de prejudiciail nem para vcs e nem pra o Japão, eu achei uma noticia curiosa, não quer dizer que eu apoio, mas isso que vcs estão fazendo é tempestade em copo d’agua, na boa.
    Assim vcs estão agindo como se a humanidade corresse risco de extinção, por falta de pessoas se reproduzindo, o que é uma tremenda idiotice, vcs teriam que falar era da vulgaridade brasileira, de mulecas 11 a 14 que estão engravidando de mulequinho de 12e por aí vai… Isso sim é uma verdadeira sacanagem, perversidade essas pessoas terem suas infancias roubadas, pelas condições sociais parcas tipicas do brasil e terem seus futuros arruinados, devido a gravidez indesejada e despesas com filhos, quando não tem preparado nem para se sustentarem.
    E vcs aí se preocupando com a futulidade desse japones, pelo menos ele não está expondo mais pessoas a calamidades socias que nem aqui no brasil, pessoas vivendo perto de esgoto a seu aberto e respirando merda o dia todo!!!!! Isso é o que teremos sempre por aqui e é mil vezes mais absurdo que a futilidade do japinha aí.

  • Vitor diz:

    E o online tem argumentos sim, vcs é que são xenofobicos, isso não leva vcs a nada e nem faz o carinha mudar de idéia. Eu mesmo se fosse ele não mudava de idéia não, mesmo preferindo minha namorada mesmo, tá ótimo como está.
    Vcs(incluindo o autor da noticia) muda de opinião ou de atitude sempre ou sobre as coisas que vcs mais gostam, pq alguém não concorda com vcs??????????????

    Obs: Olha, por favor, não levem a mal isso foi uma opinião tão sincera quanto a de vcs, não vim aqui para xingamentos e baixaria, se responder faça com dignidade, sem descer o seu nivel!

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  • loko diz:

    mano esse cara ta fumando maconha virtual,concerteza é virgem,

  • Mariana diz:

    não critico ele, sou apaixonada por um personagem, mais bizarro ainda porque é de um livro.
    inclusive terminei com meu namorado porque me sentia traindo esse personagem!

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