O Adeus de uma lenda. Será?
Para quem é fâ de MMA e de lutas em geral, o dia 22 de setembro de 2009 será lembrado por um fato triste: Mirko “Cro Cop” Filipovic anunciou sua retirada dos ringues, alegando desgaste físico e falta de motivação para continuar lutando. Considerado um dos strikers mais temidos do mundo, o ex policial começou sua fama no K-1, evento japonês apenas de lutas em pé, com vitórias expressivas sobre Mike Bernardo, Remy Bonjasky, Jerome Le Banner, Peter Aerts, Bob Sapp, entre outros. Mas foi no MMA (sigla para Mixed Martial Arts, o chamado vale-tudo), mas especificamente no também japonês Pride, que Cro Cop assombrou o mundo, colecionando vitórias e derrotas, mas sempre fazendo o mais importante: dar show ao público.
Já em suas primeiras lutas em seu novo evento, contra o brasileiro Wanderlei Silva, Cro Cop anunciou que seria um forte candidato a cinturôes. A disputa terminou num honroso empate, mas os potentes chutes de esquerda desferidos pelo croata ficaram na mente de seus futuros adversários.
E não demorou para a sua devastadora perna esquerda fazer vítimas: Igor Vovchanchyn, Heath Herring e Dos Caras Junior foram alguns dos que sentiram na pele o poder de nocaute de Mirko. Vitórias que o credenciaram ao até então maior desafio de sua vida: o brasileiro e rei das finalizaçoes, Antonio Rodrigo Nogueira.
Após massacrar o brasileiro com socos e chutes, Cro Cop, numa bobeada, acabou entregando de bandeja seu braço para Nogueira finalizar. Seria uma fase tribulada para o lutador. Uma nova derrota, dessa vez um estrondoso nocaute sofrido para Kevin Randleman, deixou em dúvidas seu futuro no evento.
Mas os dirigentes do Pride queriam que Cro Cop fosse o novo desafiante de Fedor Emelianenko, então detentor do cinturão. O croata não desperdiçou a chance. Numa recuperação explêndida, ele bate Mark Coleman, Alexander Emelianenko, Ibrahim Magomedov, além de uma revanche contra Randleman, colocando o mundo do MMA numa forte expectativa para seu combate contra Fedor.
Num emocionante duelo, para muitos a melhor luta de MMA de todos os tempos, Cro Cop acaba derrotado. Em busca da revanche, ele vence o torneio Open Weight de 2006, com impressionantes nocautes sobre Wanderlei Silva e Josh Barnett, e mais uma vez o mundo fica na expectativa do embate entre os dois titâs, até que explode a bomba: o Pride seria vendido ao americano UFC. Foi o fim de uma era.
No octagon do UFC, muito diferente do ringue do Pride, Mirko não se encontrou. Foram apenas duas vitórias, contra os fracos Eddie Sanchez e Mustapha Al Turk. Porém, três contundentes derrotas para Gabriel Napão, Cheick Kongo e Junior dos Santos, fizeram com que o atleta perdesse sua motivação de continuar lutando.
Strikers sempre foram os favoritos do público. Nesse quesito, assistir as lutas de Mirko Filipovic era garantia certa de diversão. Seu potente chute de esquerda colocou vários lutadores para dormir, isso sem contar sua forte defesa de quedas. Alguns apontam a dificuldade de adaptação no octagon o motivo de sua decadência. Outros acreditam que foi uma aposentadoria precoce, citando Randy Couture, com seus 46 anos, como exemplo. Mas peça para qualquer fâ de MMA uma lista de seus lutadores favoritos: tenha certeza que o nome Mirko “Cro Cop” Filipovic estará presente na grande maioria.

Autor: Claudio Herring (17 Artigos)
Cláudio Herring, quando não está trancafiado em algum escritório do Porto, ou zanzando pela praia, costuma passar seu tempo atormentando a família Exílio Rock com piadinhas infames, tanto no Fórum como no Chat. Mas, na medida do possível, nosso amigo tentará se portar da forma mais profissional possível nos domínios desse Blog.




















