Judas Priest: Ainda capaz de inovar

Para muitos, a saída de Halford do Judas Priest no início dos anos 90 foi um símbolo de que as coisas estariam mudando para os lados do rock pesado. Mais ou menos no mesmo período, o mundo viu Bruce Dickinson se despedir do Iron Maiden, Vince Neil cortar laços com seus companheiros de Motley Crue e a explosão do grunge. É, as coisas estavam mesmo mudando….

Enquanto Halford se aventurava com sua nova banda Fight, o Judas passou por uma tenebrosa seleção de vocalistas, chegando até Tim “Ripper” Owens, que dividiu opiniões. O resto da história todo mundo já sabe.

A segunda parte da triunfante volta de Rob ao Priest chega em 2008, com o álbum duplo-conceitual “Nostradamus”. Essa descrição pomposa também se reflete no som, completamente diferente de tudo que o grupo inglês já fez.

Aos fãs dos refrães fáceis de “British Steel” ou  das batidas pulsantes de “Pankiller”, um aviso: não há nada disso aqui. Estes com certeza terão uma bela decepção pela frente, e Nostradamus fará companhia ao álbum “Turbo”(1986) na lista dos pecados do Padre.

E quem estiver interessado em acompanhar todo o conceito do trabalho, prepare-se:  uma biografia do profeta Nostradamus é contada de um jeito que envolve o ouvinte que lê todas as letras. De fato, nesse quesito é um dos melhores álbuns da banda.

Orquestras, teclados, pianos e  guitarras acústicas embalam a viagem musical, deixando o fã mais purista de cabelos em pé. Mas nem tudo estará perdido. Faixas como “Conquest”e “Visions” resgatam um pouco da tradição do Priest.

É um álbum a ser ouvido em doses generosas. São muitos detalhes envolvidos. Ponto para a banda, pois mostrou que não é escrava do estilo. Afinal, seria fácil encher o disco com longas introduções de bateria ou refrães onde se repete o título da música, nomeando de “Painkiller 2″. Por outro lado, boa parcela dos fãs nunca mais chegará perto desse álbum novamente. Tudo tem um preço….

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Autor: Claudio Herring (17 Artigos)

Cláudio Herring, quando não está trancafiado em algum escritório do Porto, ou zanzando pela praia, costuma passar seu tempo atormentando a família Exílio Rock com piadinhas infames, tanto no Fórum como no Chat. Mas, na medida do possível, nosso amigo tentará se portar da forma mais profissional possível nos domínios desse Blog.

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