Desenterrando

Salve! Aqui começa a nova seção “Desenterrando”, na qual falarei sobre um disco antigo que, em algum momento, fez parte da minha vida.  A honra de abrir o festival de nostalgia cabe ao play “Utopia Banished”, da banda inglesa de death/grind Napalm Death.

Em 1992, após várias mudanças de formação, o grupo parecia consolidado com Mark “Barney” Greenway nas vozes, Mitch Harris e (o já falecido) Jesse Pintado nas guitarras e a poderosa cozinha formada por Shane Embury (baixo, o único remanescente da formação original) e Danny Herrera (bateria).

Em seu play antecessor, “Harmony Corruption”, o conjunto já tinha dado sinais de que entrara numa fase mais trampada, dando uma certa polida naquele grind  brutal e tosco dos dois primeiros plays.  Em “Utopia”, o que ouvimos é uma banda extremamente rápida e agressiva, mas com um instrumental cheio de classe, o que serviu  e  muito para tornar o material ainda mais mortífero.

A intro “Discordance” é uma das mais angustiantes do metal extremo, onde algumas vozes distorcidas  fundem-se  a  um furioso som de guitarra, criando uma forte expectativa no ouvinte de que algo muito tenso está por vir. Dito e feito: quando menos se espera, “I Abstain” explode nas caixas de som, com riffs ensurdecedores e blastbeats insanos, além de uma letra ácida.

Falando em letras, vale observar que os assuntos  abordados pelo Napalm fogem um pouco de temáticas “gore” ou religiosas, tão caras aos grupos desse estilo. Aspectos políticos e sociais são discutidos à exaustão, provando que existe inteligência no death metal.

O show de pancadaria continua com “The World Keeps Turning”, “Awake”, “Distorting The Medium” e as maravilhosamente  insanas “Aryanisms” e “Got Time to Kill”, duas autênticas pérolas do som extremo, com grandes performances de Pintado e Harris.

Na minha modesta opinião, esse disco é o ponto alto da carreira do Napalm Death. Quem não conhece nada do grupo e é fã de um bom death metal, pode comprar (ou baixar?) “Utopia Banished” sem medo, pois trata-se de um dos melhores momentos do estilo nos anos 90, o que, convenhamos, não é pouca coisa.

Até a próxima!

Utopia Banished

Ano de lançamento: 1992

Gravadora: Earache

Formação:

Mark “Barney” Greenway: voz

Mitch Harris: Guitarra

Jesse Pintado: Guitarra

Shane Embury: Baixo

Danny Herrera: Bateria

Tracklist:

1-Discordance (Intro)

2- I Abstain

3-Dementia Access

4-Christening of The Blind

5-The World Keeps Turning

6-Idiosyncratic

7-Aryanisms

8-Cause And Effect (PT II)

9-Juidicial Slime

10-Distorting The Medium

11-Got Time to Kill

12-Upward And Uninterested

13-Exile

14-Awake (To a Life of Misery)

15-Contemptuous (Outro)

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Autor: Claudio Herring (17 Artigos)

Cláudio Herring, quando não está trancafiado em algum escritório do Porto, ou zanzando pela praia, costuma passar seu tempo atormentando a família Exílio Rock com piadinhas infames, tanto no Fórum como no Chat. Mas, na medida do possível, nosso amigo tentará se portar da forma mais profissional possível nos domínios desse Blog.

2 comentários para “Desenterrando”

  • Evander:

    Cara, que discaço…. Nem comecei a ler a sua review e já botei o dito cujo pra rodar. Valeu aí, Claudiaço!!!

  • Claudio Herring:

    Esse é o melhor play de death metal dos anos 90, na minha opinião. Estilo esse que, infelizmente, se perdeu, mas isso são outros 500….

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