Copa 2006: Favoritismo esbarra em velho carrasco
Desde 1982 o Brasil não chegava tão favorito a uma Copa do mundo. O clima de “já ganhou” era quase unânime entre torcedores e especialistas. Também, pudera. O ano de 2005 trouxe uma humilhante goleada sobre a Argentina na Final da Copa das Confederações e uma boa campanha nas Eliminatórias. Mas foi a presença do “quarteto fantástico”, formado por Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Robinho e Kaká, o que mais motivou o otimismo generalizado. Mas, assim como na Copa da Espanha, as coisas não saíram como o imaginado.
O pontapé inicial foi dado no dia 13 de junho, contra a Croácia, e já naquela tarde em Berlim, a torcida voltou à realidade. Foi um jogo com pinta de amistoso, com os jogadores brasileiros batendo cabeça, errando passes e não demonstrando nem metade de suas qualidades técnicas. Kaká acabou salvando a pátria da Seleção, com um chute de perna esquerda, na entrada da área, no final do primeiro tempo.
O clima esquisito continuou no segundo jogo, apesar do adversário ser a apenas esforçada seleção australiana. Após um soturno 0×0 no primeiro tempo, Adriano, já uma estrela do futebol mundial na época, e o estreante Fred, garantiram a vitória e a classificação antecipada para a segunda fase.
Com a vaga garantida nas oitavas de final, o Brasil acabou se soltando no jogo contra o Japão. O técnico Carlos Alberto Parreira , sabiamente, modificou o time, mandando à campo Rogério Ceni, Robinho, Juninho Pernambucano e Ricardinho, desmascarando o “quarteto fantástico”, o que foi suficiente para a torcida exigir a permanência definitiva das novas apostas. O mais criticado era Ronaldo, visivelmente acima do peso.
O ambiente festivo e otimista da véspera da estréia seria trocado por uma névoa negra, inclusive com boatos sugerindo que Ronaldo estava ameaçando deixar a delegação por causa de desentendimentos com alguns de seus companheiros. Diante desse clima, a Seleção, de volta com seus titulares, despachou os africanos de Gana por 3×0, com direito a gol de Ronaldo, dando um chega pra lá nas críticas. Apesar do placar sonoro, não foi nem de longe uma boa atuação das camisas amarelas.
Tudo isso para esbarrarmos mais uma vez com a seleção francesa, carrasco brasileiro em 1986 e 1998, ainda contando com remanescentes de seu primeiro título, como Barthez, Thuram, Henry e Zidane. Esse último, por sinal, aprontou um verdadeiro salseiro no gramado do WM Stadium, em Frankfurt, com direito a chapéu e drible da vaca, culminando com o lançamento nos pés de Henry, que fuzilou o goleiro Dida. Sem dúvida, a maior atuação individual de um jogador desde 1986, quando Maradona só não fez chover na partida contra o English Team.
Em 1978, na Copa da Argentina, o então técnico da Seleção, Claudio Coutinho, denominou o Brasil como “campeão moral” naquela ocasião, devido aos erros de arbitragem que prejudicaram o Escrete; em 1982, todos consideraram a derrota para a Itália como “injustiça” ; em 1986, teve a desculpa dos penaltis, entre outros fracassos “justificáveis”. Mas, em 2006, não teve o que argumentar: uma seleção sem raça, apática, foi engolida por um gênio chamado Zinedine Zidane.

Autor: Claudio Herring (17 Artigos)
Cláudio Herring, quando não está trancafiado em algum escritório do Porto, ou zanzando pela praia, costuma passar seu tempo atormentando a família Exílio Rock com piadinhas infames, tanto no Fórum como no Chat. Mas, na medida do possível, nosso amigo tentará se portar da forma mais profissional possível nos domínios desse Blog.





















Acho que não houve decepção maior do que essa de 2006… Não houve sequer um lampejo de bom futebol e de comprometimento por parte dos jorgadores brasileiros em nenhum momento da competição. Vamos ver se Dunga, com sua postura de “disciplinador a qualquer custo”, consegue algo melhor nesse ano. Aliás, Claudio, que tal assinar um texto fazendo algumas previsões sobre nossa trajetória na África do Sul?? Seguras a bronca???
Valeu pela sugestão, Tony. O texto em questão já está a caminho, será o próximo.