Não é a função desse post discutir as qualidades do piloto brasileiro Ayrton Senna, pois qualquer pessoa que já o tenha visto correr está ciente há muito tempo. Tampouco debater se ele foi ou não melhor do que Nelson Piquet, Michael Schumacher ou Alain Prost. São todos grandes pilotos, cada qual genial a sua maneira. Falarei aqui sobre a temporada de 1993, onde Senna teve, talvez, as maiores performances de sua carreira. Não levou o título, mas guiou como nunca.
Era uma época complicada para o brasileiro. A outrora infalível Mclaren, que lhe ajudou a conquistar 3 títulos mundiais, perdera o motor Honda, agora substituído pelo Ford. Mas a pedra no sapato de Ayrton era a hegemonia dos carros de Frank Williams, com um projeto calcado em suspensão ativa e controle de tração que os tornava praticamente imbatíveis.
Em 1993, Alain Prost retornava à F1, justamente para guiar a poderosa Williams Renault, tendo o estreante Damon Hill como companheiro de equipe. Michael Schumacher, que em 1992 foi terceiro colocado no Mundial, faria sua segunda temporada completa na categoria. Esses seriam os adversários principais de Senna no ano.
Com um motor nitidamente abaixo de seus rivais em termos de potência , não restou nada a Ayrton a nao ser ir à luta. E ele foi. Na abertura da temporada, em Kyalami, ele faz uma excelente largada, deixando Prost e Schumacher para trás. O motor, claro, não conseguiu segurar o “carro de outro planeta” do francês, mas o segundo lugar anunciou: Senna não toleraria humilhações.
Já na segunda prova do ano, em Interlagos, Senna arrancou desespero e lágrimas dos torcedores que lotaram o autódromo. Largando em quarto , atrás até da Benneton de Schumacher, ele pula para segundo lugar ainda na primeira volta, enquanto Prost disparava na frente. Claro que seu carro não suportaria a pressão de Schumacher e Hill, mas a chuva chegou para mudar a história. Prost fez jus à sua inabilidade de correr em pistas molhadas, rodando a caminho dos boxes. Schumacher se atrapalhou com retardatários e ficou preso no bolo, lá atrás. Senna, então, só tinha a Williams de Hill pela frente. Tinha. Com uma manobra inesquecível, na descida do Laranjinha, o brasileiro deixou Hill para trás, para não largar mais a primeira posição. Final da prova, invasão de pista. Uma vitória para ficar na memória de muitos, para sempre.
Duas semanas depois, São Pedro, talvez empolgado com a performance de Ayrton no Brasil, resolveu novamente mandar água, dessa feita sobre o circuito de Donington Park, na Inglaterra. Largando em quarto lugar, Senna é espremido por Schumacher antes da primeira curva, caindo para a quinta posição. Os metros a seguir, são inesquecíveis. Antes da primeira curva, para a direita, Senna passa o alemão. Na curva seguinte, o felizardo foi Karl Wendlinger, numa ultrapassagem por fora. A próxima vítima seriam as Williams de Prost e Hill, literalmente “enxotadas” com manobras certeiras. Senna assumiu a ponta já na primeira volta, e assim foi até o fim. Uma primeira volta que recebeu uma placa de homenagem no próprio circuito, tal como o “gol de placa” no futebol.
“Sempre me dei bem com as emoções. Mas essas duas últimas corridas foram de arrebentar!”, declarou Ayrton. Sem dúvida, ele estava certo. Mas teve mais ao longo do ano. Além de conquistar sua sexta vitória em Monte Carlo, Senna teve outra “volta de placa” em Montreal, que só não se tornou famosa como a de Donington porque sua McLaren teve uma pane hidráulica, forçando-o a abandonar a prova.
Claro que uma temporada como essa merecia um “grand finale”. No circuito de Suzuka, no Japão, palco de seus três títulos mundiais, Senna foi novamente ajudado pela chuva para tomar o primeiro lugar de Prost e vencer a corrida. Em Adelaide, ele conquista sua primeira e única pole do ano, e não desperdiçou a chance. Vence a corrida de ponta a ponta. No pódio, após a batalha, o mundo ainda viu a reconciliação entre Senna e Prost, que amargaram uma feroz rivalidade durante anos e anos. Um final de temporada emocionante, sem a menor sombra de dúvida.
Em 1994, Senna finalmente guiaria os “carros de outro planeta” da Williams. O desfecho dessa história, todos nós já sabemos. Mas, enquanto houver pessoas apaixonadas pelo verdadeiro automobilismo, a temporada de 1993 estará guardada em seus corações, com muito carinho.
Autor: Claudio Herring (17 Artigos)
Cláudio Herring, quando não está trancafiado em algum escritório do Porto, ou zanzando pela praia, costuma passar seu tempo atormentando a família Exílio Rock com piadinhas infames, tanto no Fórum como no Chat. Mas, na medida do possível, nosso amigo tentará se portar da forma mais profissional possível nos domínios desse Blog.



































Boa, Claudio! Moçada costuma lembrar dos títulos do Senna, das peripécias com a Lotus preta e dourada e até do Grande Prêmio de Mônaco de 84, mas dessa temporada aí ninguém lembra. Foi a última temporada completa dele e serviu pra ele encerrar a carreira mostrando do que era realmente capaz!
Realmente, essa temporada foi inesquecível. Ele só não fez mais pq o carro não ajudou. Em Silverstone, ele pulou de 4º pra 2ºna largada e ficou segurando a Williams do Prost por 7 voltas, num circuito extremamente veloz. Tinha o terceiro lugar garantido, mas acabou a gasolina. E repare bem no texto que, naquela altura, o Schumacher já era um cara extremamente competitivo. Bem, vc deve se lembrar disso, já que acompanhou a temporada. Abraços!
Eu só sei de uma coisa, as manhãs de domingo nunca mais foram as mesmas.
eu tinha 8 anos e acompanhei toda a tempoorada de 1993 as vitórias Mônaco ,Brasil , gp da Eroupa as perfomances com um carro nitidamente inferior a coragem , garra ,determinação, vontade extrema de vencer. Eut enho25 anos e como hj,as lembranças de 1993 não vão e nunca irão embora , quando um homem mostrou ao mundo que com fé coragem determinação trabalho e amor ao que faz ,o ápice do limite de um piloto. foi inesquecível , para sempre para mim milhores de brasileiros e cidadãos do mundo ,para sempre.
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Não só a temporada de 1993, mas também a de 1992, foram temporadas em que ele demonstrou o que valia. Eram temporadas em que não havia possibilidades de lutar pelo título, pois as Williams eram infinitamente superiores, e mesmo a Benetton era melhor que as Mclaren-Honda em 1992, e à Mclaren-Ford, em 1993.
Até mesmo detratores do Senna, como o jornalista Alan Henry, acharam que 1992 foi sua melhor temporada.
1993 foi o ano dos espetáculos, como o GP Brasil, Mônaco, Japão, Austrália, e claro: Europa, em Donington Park.
Até a imprensa francesa rendeu-se, e o L’Equipe, disse que o campeão mundial daquele ano, não seria necessariamente, o melhor piloto do mundo.
Foram demonstrações de talento puro, superação e determinação, contra um equipamento superior.