Não foi exatamente tranquila a trajetória da Seleção nos 4 anos que separaram a conquista do Tetra e o ano da décima sexta Copa do Mundo. As polêmicas da vez foram as derrotas para o Uruguai na Copa América de 1995, a avassaladora eliminação para a Nigéria nas Olimpíadas de Atlanta e, como sempre, o próprio treinador, Mario Jorge Lobo Zagallo.
1997 foi o ano decisivo para a preparação do time que disputaria a Copa no ano seguinte, alternando bons e maus momentos. Na primeira lista, temos a excelente conquista da Copa América, num jogo inesquecível contra a Bolívia em La Paz, onde, após a partida, uma entrevista de Zagallo ficou mundialmente conhecida, com seu hilariante “Vocês vão ter que me engolir!” berrado exaltadamente aos jornalistas, num desabafo contras as sucessivas críticas sobre sua permanência no comando da Seleção. Na segunda lista, o fraco desempenho no Torneio da França (3 empates diante de Itália, Inglaterra e dos donos da casa) e uma vexatória derrota de 4×2 para a pouca expressiva Noruega.
Mesmo assim, a Seleção contava com bons nomes como os laterais Roberto Carlos e Cafu, o meio campo César Sampaio, os meias Leonardo e Rivaldo e a então maior estrela do futebol mundial, o atacante Ronaldo. Com o reforço de veteranos como Dunga, Taffarel, Aldair e Bebeto, o Brasil chegava em 1998 com um time nitidamente superior ao de 1994.
Às vésperas do pontapé inicial na Copa, o atacante Romário foi cortado devido a uma contusão na coxa, num epísódio até hoje mal explicado, pois o Baixinho demonstrou estar em condições de jogo duas semanas após o ocorrido. Apesar de tudo, a estréia foi razoavelmente tranquila, com uma vitória por 2×1 diante da fraca Escócia, com gols de Cafu e César Sampaio.
No segundo compromisso, o Brasil se soltou em campo e teve sua melhor exibição numa partida de Copa em muitos anos, destruindo o Marrocos por 3×0, com excelentes atuações de Rivaldo e Ronaldo. Mas, como era de praxe, as críticas à Seleção retornaram diante da derrota para a Noruega (sim, de novo eles), onde mais uma vez Zagallo mandou ver suas declarações de impacto: “Essa derrota veio na hora certa, pois ainda nos classificamos em primeiro lugar no grupo”. Quem iria discordar?
As críticas surtiram efeito, pois, na segunda fase do Torneio, brilhou a estrela de vários jogadores: César Sampaio marcou dois gols na goleada de 4×1 sobre o Chile, Dunga comandava magistralmente o meio campo com sua conhecida raça, enquanto Rivaldo e Ronaldo atormentavam a vida dos zagueiros adversários. Até o veterano Bebeto teve seu papel, marcando o gol do empate na emocionante vitória de 3×2 sobre a Dinamarca.
A vitória sobre a Holanda foi considerada a melhor partida da Copa de 1994. Quatro anos depois, dessa vez na semi final, os holandeses estavam novamente frente a frente com os brasileiros. Os laranjas contavam com craques como Bergkamp, Davids, Overmars e Kluivert. Um timaço, e o jogo não poderia ter sido diferente: uma empolgante disputa que terminou num honroso empate de 1×1. Nas penalidades, o goleiro Taffarel marcou história, defendendo os tiros de Cocu e Ronald de Boer, classificando o Brasil para sua segunda Final consecutiva. O adversário seria a França, responsável pela ruína brasileira em 1986.
Horas antes do apito inicial, explode a bomba: Ronaldo estava fora, tendo Edmundo como substituto. Boatos sobre a saúde do jogador circulavam, inclusive que ele sofrera uma convulsão na noite anterior. Quando os dois times surgiram em campo, o atleta foi visto entrando com a Seleção, o que causou um estranhamento geral. Durante o jogo, Ronaldo zanzou em campo com uma fisionomia abatida, sendo espectador passivo de um massacre de 3×0 diante dos novos campeões do mundo.
O que aconteceu com Ronaldo naquele fatídico domingo permanece um mistério até hoje. Uma declaração de Leonardo, onde ele diz que “a verdade enojaria a todos”, serviu ainda mais para tornar aquele 12 de julho de 1998 um dos dias mais enigmáticos da história da Seleção. Mas, a despeito de tudo isso, o Brasil perdeu para um time que teve a defesa menos vazada e o ataque mais produtivo da competição. A Copa de 1998 teve, sim, um campeão digno.
Autor: Claudio Herring (17 Artigos)
Cláudio Herring, quando não está trancafiado em algum escritório do Porto, ou zanzando pela praia, costuma passar seu tempo atormentando a família Exílio Rock com piadinhas infames, tanto no Fórum como no Chat. Mas, na medida do possível, nosso amigo tentará se portar da forma mais profissional possível nos domínios desse Blog.



































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