Copa 1994: O tetra em solo americano

Duelo de estrelas: Romário passa por Maldini

Depois do fracasso na Copa de 1990, e da tumultuada passagem de Paulo Roberto Falcão, a CBF escalou uma dupla conhecida do torcedor brasileiro para comandar o Escrete: Carlos Alberto Parreira e Mário Jorge Lobo Zagallo.

Eliminatórias

Já na convocação dos 22 jogadores que disputariam as Eliminatórias, a dupla fez jus à fama de teimosa, deixando Romário, que atravessava sua melhor fase atuando pelo PSV da Holanda, de fora do grupo, contrariando a torcida e os demais técnicos brasileiros. Jogadores desacreditados como Dunga (para muitos o símbolo do fiasco de 1990) o lateral direito Jorginho, o atacante Bebeto e o goleiro Taffarel, teriam segunda chance, ao lado de novas apostas como Palhinha, Evair e Zinho.

Após um tétrico 0×0 com o Equador em Guayaquil, a Seleção deixou escapar uma invencibilidade que durava mais de 50 anos em Eliminatórias de Copa, perdendo para a Bolívia em La Paz, cidade localizada a 3.600 metros de altitude. Para complicar ainda mais as coisas, o goleiro Zetti foi pego no exame anti-doping, que acusava traços de cocaína em sua urina. Esse fato logo foi desmentido pela equipe médica brasileira, que conseguiu provar a inocência do jogador alegando que tais substâncias não passavam de restos de chá de coca, bebida muito usada pelos bolivianos para aliviar os efeitos da altitude.

Terminada a partida, o técnico Parreira, acuado pelas críticas, deixou seu cargo à disposição, mas o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, resolveu dar uma última chance ao treinador. O segundo turno seria inteiramente disputado em território brasileiro.

Ligeira melhora pôde ser conferida com 3 sonoras goleadas em cima de Equador, Bolívia e Venezuela. Bastava apenas bater o Uruguai, no Maracanâ, para carimbar a vaga para a Copa. Foi quando Parreira resolveu ceder às pressôes do Brasil inteiro, convocando Romário para a derradeira partida.

Como Romário se adaptaria a um time já entrosado? Será que ele seria capaz de se tornar um herói em apenas um jogo? A resposta veio numa atuação inesquecível do “Baixinho”, marcando dois gols no segundo tempo, classificando o Brasil e livrando a cabeça de Carlos Alberto Parreira.

Copa do Mundo

A Seleção desembarcou nos EUA como favorita ao título, ao lado da então atual campeâ Alemanha (mesmo com um time envelhecido), a Itália de Roberto Baggio, e a Argentina, que contava com a volta de Diego Armando Maradona em grande fase.

Após duas convincentes vitórias sobre Rússia (2xo) e Camarôes (3×0), a Seleção voltava a ser alvo de críticas ao empatar com a Suécia por 1×1 num jogo que pareceu ter sido “combinado”, pois um empate garantia o Brasil em primeiro lugar do grupo e classificava os suecos. O bombardeio de críticas retorna com força total, mas dessa vez Parreira foi rápido ao anunciar uma alteração para o desafio seguinte: Mazinho no lugar de Raí.

O Brasil teria pela frente a Seleção dos EUA, em 4 de julho, dia da Independência Americana. Foi um jogo dramático. Após perder o lateral esquerdo Leonardo, expulso ao acertar Tab Ramos com uma incrível cotovelada, a Seleção garantiu a vitória aos 27 minutos do segundo tempo, com um gol de Bebeto, numa jogada iniciada magistralmente por Romário.

Mais drama nas quartas -de- final  diante da forte Holanda. Depois de marcar com Bebeto e Romário, a Seleção cedeu o empate ao adversário. Tudo indicava que o jogo iria para a prorrogação, mas, aos 36 do segundo tempo, o  veterano Branco, que havia substituído Leonardo, usou sua experiência para cavar uma falta. Ele mesmo se encarregou da cobrança, resultando num míssel que explodiu nas redes holandesas. Vitória por 3×2 no  melhor jogo da Copa do Mundo.

Na Semi- Final, a famigerada Suécia aparece de novo no caminho da Seleção. Cientes que já haviam chegado longe demais,  os suecos usaram sua melhor arma, ou seja, a defesa. Apenas aos 35 minutos do segundo tempo que o Brasil  conseguiu furar o bloqueio “viking”, quando Romário, sempre ele,  usou  seus parcos 1.68m de altura para fuzilar o gol de Tomas Ravelli com uma certeira cabeciada. O Brasil estava novamente numa Final de Copa, tendo a Itália como rival, numa repetição de 1970.

Todos esperavam um jogo à altura do de 24 anos antes, mas a história foi bem diferente. Foi uma partida pragmática, onde um time apenas jogava nos erros do outro,  com algumas  poucas oportunidades de gol aqui e ali. Era a primeira Final da história que terminava em 0×0, e também a primeira decidida nos pênaltis.

No tira teima, Branco, Dunga e Romário acertaram suas cobranças.No lado da Itália, Evani e Albertini marcaram, enquanto Baresi e Baggio mandaram tiros a metros de distância do gol, dando o título ao Brasil.

Foi um triunfo sem o sabor dos 3 anteriores. A torcida não engoliu muito tamanho pragmatismo. A Seleção vencia uma Copa sem mostrar uma nítida superioridade sobre seus adversários. A realidade é que o futebol havia mesmo mudado, numa tendência já apontada em 1990. A Final foi um triste 0×0, numa conclusão perfeita para a Copa de 1994, que foi considerada com justiça a mais fraca de todas as edições. Mas um nome se consagrou ali: Romário de Souza Faria.

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Autor: Claudio Herring (17 Artigos)

Cláudio Herring, quando não está trancafiado em algum escritório do Porto, ou zanzando pela praia, costuma passar seu tempo atormentando a família Exílio Rock com piadinhas infames, tanto no Fórum como no Chat. Mas, na medida do possível, nosso amigo tentará se portar da forma mais profissional possível nos domínios desse Blog.

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