Sebastião Lazaroni assumiu em 1989 o comando da Seleção Brasileira com uma difícil missão pela frente: a conquista do tetra campeonato, cujo treinador anterior, Telê Santana, havia falhado por 2 torneios seguidos (1982 e 1986). Era a substituição do chamado “futebol arte” pelo futebol de resultados.
O treinador não hesitou em impor seu estilo, inclusive resgatando a posição de líbero, há muito em desuso. Mauro Galvão e Mozer se revezavam na função. Não tardou para vir a enxurrada de críticas da imprensa especializada, que pregavam que a Seleção estava fadada a não ir muito longe.
Mas o símbolo maior do time de Lazaroni acabaria sendo o meio-campo Dunga. Devido às suas performances raçudas na posição, aliadas a sua personalidade forte, o técnico declarou que via no jogador “um exemplo a ser seguido pelos demais”. Nascia a “era Dunga”, que acabou virando sinônimo de futebol mal jogado.
Apesar do clima não muito favorável, a Seleção teve resultados satisfatórios naquele ano, como a conquista da Copa América (realizada no Brasil) e a boa campanha nas Eliminatórias, onde assegurou a vaga para a Copa sem grandes tropeços.
Em abril de 1990, a delegação embarcou para a Itália deixando para trás um país atordoado pelo Plano Collor, sendo o último compromisso antes da estréia na Copa um amistoso contra o Combinado da Umbria, região italiana. O resultado: derrota por 3×1 para um time que se tornou lenda local. Claro que tudo era parte do jogo, e todos sabiam que daquela partida não se poderia esperar muita coisa. Mas este revés foi um prato cheio para os críticos, que continuavam alardeando que o destino do Escrete seria a ruína. Ainda mais com favoritos poderosos como a anfitriã Itália, a Alemanha Ocidental de Lottar Mathaus e a Holanda de Rudd Gullit e Van Basten.
Diante de toda essa tensão, a Seleção entrou em campo no dia 10 de junho de 1990, na cidade de Turim, para realizar sua estréia contra a Suécia, velha fregueza em copas do mundo. Foi um jogo estranho. Careca fez dois gols para o Brasil, após isso o time se fechou, tomou um gol de Tomas Brolim e por pouco não cedeu o empate. O sofrimento continuou perante as fracas Costa Rica e Escócia: vitórias pelo placar mínimo e com gols esquisitos. Apesar de tudo, o Brasil foi a única seleção além da Itália a conseguir os (na época) 6 pontos possíveis na primeira fase do torneio. Era o tão falado futebol de resultados….
O time teria pela frente nas oitavas-de-final a então atual campeã Argentina, que exibiu um futebol medíocre na primeira fase, com direito a um Maradona fora de forma e sem nem metade da genialidade de 4 anos antes. Inexplicavelmente, a Seleção deslanchou: partiu para o ataque e só não goleou já no primeiro tempo devido à falta de pontaria dos atacantes Careca e Muller, que bisonhamente desperdiçaram diversas oportunidades claras de gol. O castigo foi justo. Num revival de 1986, Maradona aprontou um verdadeiro carnaval no gramado, driblando Deus e o mundo e deixando Caniggia na cara do gol, onde este driblou Taffarel e fuzilou as redes, deixando incrédulos os jogadores e a torcida.
Logo após a derrota, a CBF anunciou a dispensa do técnico Sebastião Lazaroni. A malfadada “Era Dunga” teve um fim trágico, deixando o próximo treinador com uma verdadeira bomba nas mãos. Seria possível reconstruir toda a moral das outrora temidas camisas amarelas?
Autor: Claudio Herring (17 Artigos)
Cláudio Herring, quando não está trancafiado em algum escritório do Porto, ou zanzando pela praia, costuma passar seu tempo atormentando a família Exílio Rock com piadinhas infames, tanto no Fórum como no Chat. Mas, na medida do possível, nosso amigo tentará se portar da forma mais profissional possível nos domínios desse Blog.



































A pergunta que não quer calar sobre o jogo com a Argentina: será que se o Alemão não jogasse no mesmo time do Maradona (o Napoli) ele não entraria com um um pouco mais de vontade no lance que deu origem ao gol do Canniggia???
Eu também me pergunto o por que do Taffarel não ter feito o penalti no Caniggia, ah se eu fosse o goleiro…o psico não faria aquele gol, não.
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