NÃO SAIU EM CD
“Pegaram Jesus Prá Cristo”, Não Religião, 1991, Estúdio Eldorado
sons: ESTADO DE SÍTIO* / IGREJA COMERCIAL / CENSURA NÃO / TE DÓI / MULHER NO CAOS NO PAÍS DO CARNAVAL / QUALQUER TIPO DE RELIGIÃO* / JESUS CRUCIFICADO NO POSTE DA LIGHT* / A VOZ DA CONSCIÊNCIA / E ELES ATÉ AS PORTAS VÃO LEVAR / PEGARAM JESUS PRÁ CRISTO / GOSPEL
formação: Kley (guitarra), Tatola (voz), Walter (baixo), Norberto (bateria)
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Pra quem não é de São Paulo, ou tão veterano, o Não Religião surgiu – embora já existisse – como “vencedor” dum concurso de bandas num extinto programa da TV Cultura, “Boca Livre“, apresentado por Kid Vinil. Tinha como figura mais proeminente o Tatola, que por ser radialista à época na 89fm (e depois, na Brasil 2000fm, da qual o mesmo Kid Vinil é hoje diretor), conseguiu uma divulgação maior pra banda.
“Pegaram Jesus Prá Cristo” foi o 2º de 3 discos lançados, todos pela Eldorado: o inicial foi “A Verdadeira História De Um Brasileiro” (que chegou a ter hits em rádios-rock daqui, como “Juventude à Vácuo”, “Brasil” e a versão de “Coração de Papel”, de Sérgio Reis [!!]), ao passo que o último, de nome exemplar, “Ninguém Me Escuta” (o ideal talvez tivesse sido sair “Ninguém NOS Escuta”), chegou a render um hitzinho, “Pecado”, fora uma regravação anêmica de “A Face De Deus”, do Inocentes. Além de conter 6 sons dos 2 discos anteriores (nem regravados nem ao vivo: pinçados na cara dura dos outros!) pra encher lingüiça.
Porra, mas e o que Não Religião tem a ver com thrash metal?
Nada tanto assim, mas em seus melhores aspectos e momentos, a estrutura dos sons – sobretudo neste álbum – e alguma ousadia e arroubo técnico ínfimo. Trocando em miúdos: os caras eram punks, mas tentavam estender os próprios limites e inspiração pro metal, mesmo que sem o talento e a pegada dum Ratos De Porão.
Os sons têm palhetadas (nada de acordes soltos), riffs, paradinhas, viradas, partes diferentes (intros/solos/variações de andamento), dobras de guitarras. MUITO MAL TOCADAS, mas têm. O que confere toda a graça em se ouvir a banda e este trabalho. Estivessem ativos, não teria pra CPMerda 22 nem pra esses hardcores melodiCUzinhos fofoletes.
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Entretanto, é nas letras e no vocal que a coisa fica FEIA, e estraga a apreciação de esforços demonstrada. Insisto: instrumentalmente a banda tinha lá sua manha – sobretudo o guitarrista e o baterista (como no final de “Mulher No Caos No País Do Carnaval”) – e química, mas o que dizer de letras que, fora virem com erros de português em pleno encarte (que já começam no “Prá” da capa) e de concordância (uns pra forçar rima como em “Qualquer Tipo de Religião”) – e só não rola isso em “Gospel”, instrumental – apresentam pérolas de absoluta falta de sentido e/ou coerência como “Te Dói”, “E Eles Até As Portas Vão Levar”, “Censura Não” ou “Igreja Comercial”?
“A Voz Da Consciência” é de um ridículo inominável e merece comentário à parte: mistura versos avulsos, e sem alterações, de Legião Urbana (“Monte Castelo”, “Sete Cidades”, “Meninos e Meninas” e “Eu Era Um Lobisomem Juvenil”), de uma forma até genial e dadaísta, porque lhes tiram totalmente qualquer sentido! “Mulher No Caos…”, já citada, antecipa a cafajestice dum Tihuana em uns 10 anos (“eu tenho mulher, não sei prá que/ eu quero mulher só prá comer”), e acho também abjeta.
Os 3 sons acima asteriscados são os que considero absolutamente melhores nos quesitos letra E música juntos. E foram hits.
1) “Estado de Sítio” consegue ser sensível como nunca um CPMerda conseguirá. Soa até poética. Fora o riff dissonante e em contratempo, bastante distinto de andamentos ska de punks que conseguem tocar melhor (pois punk quando descobre um troço chamado CONTRATEMPO, resolve tocar ska a torto e a direito).
2) “Qualquer Tipo de Religião”, a despeito da rima forçada, tem na letra um tratado anarco-libertário que JAMAIS LI em banda nacional. Teve clipe na mtv, tosco tosco, que encerrava com um molequinho nu vestindo de anjo mijando em vela acesa numa Igreja (Noruega perde!). E o som é cadenciado, com solo e palhetada cavalgada. Curioso.
3) “Jesus Crucificado No Poste Da Light”, por sua vez, é duma inspiração ímpar. Crítica à Igreja Universal assumida, tocou muito em rádio, tem o riff + inspirado, e a intersecção letra/vocais produz o melhor resultado (fora a faixa-título, impagável nas subidas de tons literalmente executadas por Tatola). Por ser quase tudo narração – o que de melhor o cara fazia…
Por curiosidade, essa mesma faixa-título e “E Eles Até As Portas Vão Levar” valem um download, caso existam. Já o riff de “Censura Não” é chupim descarado de alguma coisa que eu não consigo lembrar.
“Gospel” encerra o disco, falsamente conceitual, de forma melancólica: trata-se dum dedilhado de guitarra que começa errado já na 1ª palhetada, de inspiração e técnica zero e timbragem medonha. Dedilhado horroroso mesmo. Coisa que qualquer moleque atualmente com duas semanas de IG&T faz melhor.
Um outro motivo razoável prá – ops! – aqui resenhá-lo (o disco) é sua capa, fodida. Teco duma pintura de Hieronymus Bosch, “Cristo Carregando a Cruz”, que os coloca no mesmo patamar do Celtic Frost (cuja capa do “Into the Pandemonium”, retirada de “O Jardim Das Delícias”, também o é)!
E apesar da crítica ruim, vale constar que é todo bem gravadinho. Não tem tosqueira de produção punk amadora. Ouve-se tudo. “Pegaram Jesus Prá Cristo” é daqueles discos únicos: plenos em sua tosquice, encantador pela ruindade e louvável pelas boas intenções abomináveis. Racionalizar demais o priva de qualquer valor.
Torço pra que não demore a hora de revistas consagradas tipo Valhalla (principalmente), Roadie Crew e Rock Brigade o (re)descubram. Pra daí eu arrotar aos 4 ventos o pioneirismo do Thrash Com H [agora o Exílio Rock] em resenhá-lo eheheheh
E que eu saiba, jamais saiu em cd (nem os outros 2; poderiam sair juntos num 3 em 1. Aposto que caberia tudo), mas existem exemplares à disposição por 5 contos lá na Devil Discos, na Galeria. É pegar e NÃO largar!
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PS – resenha publicada originalmente no Thrash Com H em 15 de Outubro de 2004, devidamente recauchutada, corrigida e adaptada nuns pedaços pra cá
PS 2 – a Devil Discos faliu. Virou lojinha de roupinhas e bolsas pra emo e indie. Quem não achar sons na internet, só achará os álbuns dos caras em sebo mesmo, e olhe lá
PS 3 - o baixista Walter, após sair da banda (ou fim dela, não lembro), teve passagem-relâmpago pelo Ratos De Porão, no obscuraço “Just Another Crime… In Massacreland”, sob a alcunha “Bart”
PS 4 – incrível como a banda pouco deixou marcas: vídeos no You Tube praticamente não há, o clipe de “Qualquer Tipo De Religião” não encontrei (os vídeos aqui colados foram os melhores que encontrei), e comunidade orkutiana existe só uma, com meia dúzia de gatos pingados (na verdade, 41. Eu incluso) e apenas 1 post abandonado às traças
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SINCERIDADE ATROZ
Acredito ninguém por aqui ainda ter romantismos acerca de “voltas” de bandas. Sobretudo “voltas triunfais”, que simplesmente inexistem.
Particularmente, os anos vêm me tornando cínico em relação ao assunto, de que já fui até mais radical (SER CONTRA tudo quanto é volta) a respeito… até aquele show do Carcass de 2 anos atrás, simplesmente arregaçante.
Show esse em que Jeff Walker, com desconcertante sinceridade, expôs a todos os presentes os (4) reais motivos daquela volta: “dinheiro”, “garotas”, “cocaína” e ajudarem Ken Owen, baterista ausente (embora presente no fabuloso cartaz da turnê) e ainda às voltas com fisioterapia e regime intenso de reabilitação, por conta dum avc ocorrido já há alguns anos.
Não desacredito de todo que, em meio ao pragmatismo da volta por grana, droga, status, muié, não possa também ocorrer alguma SAUDADE entre os envolvidos, que voltam a se falar, se desculpam por besteiras que causaram rupturas, etc. e tal. No entanto, se trata da volta do Soundgarden este post, que vem pra mim inaugurando outros elementos bastante explícitos e MELANCÓLICOS no assunto.
Daqueles de fazer o fã se sentir um filantropo querendo ajudar.
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A volta já vinha sendo anunciada desde ano passado, em que supostamente sairiam em turnê com os TIOZINHOS PRECOCES do Pearl Jam, algo duma logística razoável, uma vez contarem com os serviços do mesmísssimo estupendo baterista Matt Cameron. Mas não rolou.
Aí a gente vai às notas “Caras” dos whiplash da vida, e vê o Pearl Jam parando com shows por “tempo indetermidado” por conta do vocalista ir casar… Aí a gente vê essa volta tímida e manquitola, de lançamento de coletânea com som inédito (gravado mas não incluído no “Badmotorfinger”, de 1991) e duns 2 ou 3 showzinhos sem mega repercussão (até porque a banda nem parece ter sido tão incensada assim há 18 anos) que não a da dúzia de saudosos em catarse.
Aí vou ao Portal Rock Press e vejo a seguinte nota esclarecedora, desovada por uma – ex? – empresária dos redivivos:
SOUNDGARDEN: BANDA NÃO ESTÁ CONFIANTE SOBRE O RETORNO
Foi uma das reuniões mais aguardadas do ano mas, até agora, o Soundgarden tocou ao vivo somente 3 vezes: em 2 pequenos clubes e no festival Lollapalooza.
Em uma entrevista à revista Spin, Susan Silver, ex-mulher de Chris Cornell, disse que a única razão pela qual o vocalista decidiu se juntar aos ex-companheiros é o pouco sucesso de sua carreira solo.
“Chris já não tinha mais para onde ir. A carreira solo estava tão diluída que começou a mudar o seu comportamento. Mas fazer as pazes leva tempo, por isso é que até agora só fizeram um show num clube e um a nível nacional”, diz Silver, que foi também manager do Soundgarden e continua a representar bandas como o Alice In Chains.
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Fora considerarmos algum “fogo amigo” (cacete: empresária ex-esposa??), vá ser sincera e “tiro no pé” assim lá na puta que pariu!
Além disso, vi a seguinte nota whiplashica…
Soundgarden: baixista “sem casa” e “totalmente quebrado”
O baixista do Soundgarden, Ben Shepherd, revelou que está “totalmente quebrado” e tecnicamente sem casa, mesmo com a reunião da banda este ano.
Em uma entrevista para a Spin Magazine, o baixista confirmou que está tecnicamente sem casa após ter terminado com sua namorada e está dormindo em qualquer lugar que puder.
Quando lhe foi perguntado onde mora, ele disse: “Em lugar nenhum. Literalmente. Tenho dormido em sofás no estúdio e em casas de amigos. Estou totalmente quebrado.”
Shepherd também revelou a dificuldade que passou após a banda ter terminado, admitindo que se viciou em analgésicos. Ele disse: “Parecia que minha vida tinha acabado. O Soundgarden se separou; minha outra banda, Hater, se separou; minha noiva terminou comigo; e então eu quebrei três costelas. Me viciei em analgésicos, bebia em grande quantidade, e usei morfina. Fiquei deitado em minha casa por cinco dias, e ninguém sabia.”
No início do ano o Soundgarden anunciou planos para voltar à ativa após 13 anos. Também foi revelado que a banda unirá forças com a equipe por trás do jogo de video-game Guitar Hero, para firmarem um acordo em que a nova coletânea de hits da banda seja inclusa nas primeiras cópias de “Guitar Hero: Warriors Of Rock”.
Pra chegar a uma impressão:
* os caras voltaram (na verdade, estão TENTANDO voltar. E “The Day I Tried to Live” estranhamente não consta no set da turnê) porque, pelo jeito, são uns losers. Ainda mais losers que o Weezer, uns losers posers se comparados!
A não ser que isso seja tudo estratégia de marketing extravagante.
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CHEIRANDO A FAJUTICE
Alguém mais viu essa?
Confirmado show do Rob Halford, com banda Halford (que se supunha – ou apenas eu supunha? – hibernando) num lugar como o Carioca Club?
Não que eu ache que tivesse que ser em estádio, nada disso: a última vinda do Judas (novembro de 2008), no Credicard Hell mostrou que 2 dias de show foram redundantes. Fui no 2º dia, e tanto eu como a Patroa pudemos andar livremente pela pista: daria até pra ter andado de Harley Davidson ali dentro. Apesar do bom show.
Mas nesse Carioca, que assumo não conhecer, mas me disseram ser BEM MENOR?
Acho estranho.
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A não ser que o ibope do Judas Priest e, por extensão, do Halford, estejam realmente em baixa. A não ser que o Rob Halford ainda nem esteja sabendo disso. A não ser que não role é nada, e na última hora haja cancelamento.
A não ser que eu queime a língua e aconteça mesmo. Mesmo em lugar menor. E mesmo nisso que parece ser ÚNICA DATA confirmada.
Por ora, só me parece ser algo a render MUITA discussão.
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PRA QUEM AINDA NÃO SABE
Foi na quarta passada, 11, que o miguxo Claudio postou tirinha do Pai do Cascão, já meio antiga, ali no Fórum, pra motivo de gerar risos e debate. Acompanhando o mesmo, vi um certo TREVAS opinando a respeito de a tira ser tão antiga que haveria toda uma nova geração que, em a vendo, ficaria achando ser coisa recente.
Aliado a isso, numa discussão esta semana sobre o Helloween lá no Thrash Com H, eu semelhantemente opinava sobre toda uma molecada que vejo que já pegou a banda nos dias e discos Andi Deris e simplesmente desconhece ou ignora “fases” Hansen e Kiske. Ou se não o fazem, não dão tanta importância, nem se portam como órfãos ou viúvos de tais “gloriosos” tempos.
Ambos elementos somados pra postar por aqui algo que talvez quem for mais novo quiçá nem saiba: o chupim que “I Want Out” é DESCARADO de “Out In the Fields”, do Gary Moore. Talvez esteja perdendo tempo – e todo mundo por aqui já sabe disso – talvez não. Mas posto assim mesmo, até pra ver se alguém teria a manha de DISCORDAR!…
O hit germânico, de clipe aloprado:
E agora, a música que serviu de referência:
Pra quem quiser aprofundar o tenro e meigo assunto, no You Tube tem toda uma SAGA dedicada a Kai Hansen e a seus prolíficos chupins, continuados em carreira bandística Gamma Ray.
E pra quem não sacou o tópico ali do Fórum, é o intitulado “Hehheheheehehehe……….”, beleza?
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VERSÃO
(Post contra-indicado pra quem curte Van Canto ou alega “vergonha alheia” como álibi caduco pra vergonha própria de assumir que curte Manowar)
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Ninguém me perguntou, mas dentre as razões por que eu curto Therion, e os considero a MELHOR das bandas de heavy metal “orquestradas”, “sinfônicas”, pinço estas:
1) mesmo tendo tido inúmeras formações ao longo da trajetória, com apenas o líder/dono/chefe Christofer Johnsson permanecendo, ainda assim a banda soa como BANDA, não como projeto umbigo
2) mesmo fazendo uso de lances pré-gravados (né, 14?) ao vivo, acionados pelo baterista em laptop vizinho ao chimbau, a banda é DE VERDADE em show, levando tenores e sopranos pra cima do palco
3) material disponível abundante, sobretudo seus últimos boxes – dos quais recomendo os antepenúltimo e penúltimo “Celebrators Of Becoming” (4 dvd’s + 2 cd’s) e “Live Gothic” (dvd + 2 cd’s) – no mais, pra lá de ace$$íveis: na Galeria encontra-se o 1º a módicos 60 paus e o 2º a uns 40
4) a tradição da banda já de perpetrar uns covers, maioria impecáveis, como “Under Jolly Roger” (Running Wild), “Children Of the Damned” (Iron Maiden), “Fight Fire With Fire” (Metallica), “Iron Fist” (Motörhead, mesmo sem orquestrações) e ousados (porque tornados diferentes. Ou a cara da banda), como nos casos de “Seawinds” (Accept) ou “Summernight City” (ABBA) e etc.
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Os caras, pra quem ainda não viu ou sabe, também coverizaram o Manowar.
“Thor”, no “Live Gothic” (show na Polônia) acima citado. Embora registrada em estúdio anteriormente no mezzo coletânea “Crowning Of Atlantis” (de 1999), de modo não tão bombástico. Pois esta abaixo, devido à vibração e formação menos austera no palco, ficou, pra mim, ainda MELHOR QUE A ORIGINAL. Pra quem duvidar ou se dispuser a contra-argumentar, ei-la:
Com uma observação por ora adicional:
percebe-se claramente, da parte da banda como também do público, a ambivalente postura a um só tempo SARRISTA e SÉRIA durante o som. Risos pra todo lado, estupefação coletiva e cúmplice, execução esmerada, maneirismos vocais propositais, martelo de brinquedo jogado ao público no final, cambalhotas no palco e ainda um bônus:
a parte em que o baterista Petter Karlsson canta a última estrofe, antes do solo. Hilária. Memorável.
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Não saiu em cd – Vodu: “Seeds of Destruction”
Blá blá blá trivial, clichê, porém, necessário: quase tudo que foi feito na década de 80 em termos de heavy metal no Brasil, o foi na base da raça!! Discos, demos, fanzines, camisetas, shows, tudo… Não era questão de porquice. Ninguém sabia ao certo como fazer o negócio de maneira profissional. O que não impediu que víssemos grandes shows, ouvíssemos grandes discos e demos…. todos eles na base da raça. Basta ver algumas entrevistas de músicos gringos que citam um sem número de discos brasileiros daquela época como muito bons.
O disco que é título desse texto nunca foi citado como referência. Na verdade, eu nem sei (e nem quero saber) o que o povo pensa dele após todos esses anos. Porque, pra mim, o “Seeds of Destruction” é um puta disco!!!

Eu ouvi esse disco no exato momento do seu lançamento, porque eu tinha visto a banda ao vivo em um histórico programa Boca Livre, numa segunda-feira quente do ano de 1989 (se não me engano). Todo mundo que era banger, matou aula no colégio técnico onde eu estudava para assistir ao programa em um posto de gasolina ao lado da instituição de ensino, comendo pastel de carne murcho com um guaraná da terrinha bem gelado. Foi difícil, mas convencemos o senhorzinho por detrás do balcão a sintonizar a televisão na antiga RTC (Rádio e Televisão Cultura, atual Cultura). Estávamos em uns 8 caras. Cada um com seu “uniforme” (ah, minha velha camiseta do Endless Pain). Alguns com cabelos compridos. E essa fauna, que era bastante diferenciada para a época, despertou olhares e comentários nos caminhoneiros que comiam o seu marmitão nos balcões do posto, prontos para se dirigirem aos seus caminhões para puxar um ronco e seguir estrada na madrugada seguinte…
A gente nem sabia ao certo o que ia rolar e se o negócio ia realmente acontecer pois, naqueles tempos, o boca-a-boca nem sempre era eficiente. Mas eis que surge o dinossáurico (já na época) Kid Vinil, trajando a sua mais ridícula fantasia de metaleiro e todos ficaram alvoroçados porque, pelo jeito, o programa especial sobre “metal” ia realmente acontecer. E nunca é demais lembrar que ver heavy metal na tv naqueles tempos era algo tão difícil quanto encontrar a Ana Hickiman nua na sua cama. Portanto, nada mais natural que a ansiedade de todos pelo que estava por vir…
E ali, no meio de um Viper (cujo vocalista André Mattos perdeu a voz na segunda música), de um Korzus (que destruiu tudo com as músicas do Pay for your lies – que estava pra sair) e de um Golpe de Estado burocrático (pero, eficiente), eu vi e ouvi a nova formação do Vodu pela primeira vez. Era um troço bem mais legal que aquilo que eu tinha ouvido no primeiro disco (The Final Conflict que, aliás, eu ouvi uma vez só e sempre achei fraquinho de dar pena).
As músicas executadas foram as três primeiras do lado B do disco que, poucos dias depois, eu viria a ter: “From this time”, “Flag of Truce” e “Keep fighting”. Porra, foi uma apresentação insana e lá fui eu comprar o disco assim que recebi o meu próximo salário no emprego de ourives no qual eu trabalhava à época. Eu gostei do disco de primeira. Eu soube exatamente na hora da primeira audição que o disco era “meio torto”, “manco” e “gago”. Mas, porra, qual não era? E a graça no “Seeds of Destruction”, na minha opinião, foi que o Vodu quis dar um salto diferente das bandas à época: todos os músicos de todas as bandas, em diferentes níveis, estavam aprendendo a lidar com seus instrumentos mas, mesmo que soubessem como fazê-lo, o intuito final era fazer um metal bem “raw” e orgânico (fosse thrash, fosse death). O Vodu não: o Vodu queria fazer um metal mais técnico. Nada a ver com Viper, nada a ver com melódico… Na verdade, um troço meio intrincado, com mudanças de tempo (ouçam “Slaves of System”)…. Algo como Metallica estava fazendo. Alguns podem dizer que os caras eram pretensiosos… Onde está escrito que eles não podiam tentar? Lógico que o produto final ficou longe de qualquer coisa que pudesse ser chamado de benchmarking à época. Foda-se!!! Do seu jeito peculiar, “Seeds of Destruction” ficou massa pacas!
Eu gosto de todas as músicas, com destaques evidentes para a “hardcoriana” “Keep fighting”, a ótima “From this time”, as trampadas “What’s the reason” e “Slaves of System”… Sérgio Facci era um puta baterista e dá show nessa bagaça. Entendo tranquilamente todos aqueles que não gostam do vocal do Cláudio Victorazzo. Eu gostava, mesmo com alguns exageros como em “Many things to do”. O resto da banda tinha competência suficiente pra conduzir o barco sem maiores percalços.
Que algum iluminado prontifique-se para prensar esse disco em cd, de preferência com o EP “No Way” de bônus.
NÃO SAIU EM CD
“First”, Volkana, 1991, Eldorado
sons: DARKNESS / TO DIE IS NOT TO DIE / PET SEMATARY [Ramones] / THAT’S MY VICTORY / DESCENT TO HELL / SCRATCH NOISE / WAR? WHERE MY ENEMY LIES / SILENCE CITY / HIDE / VOLKANAS
formação: Karla Carneiro (guitar), Marielle Loyola (vocal), Mila Menezes (bass).
Special appearances: Sergio Facci (drums), Mariel Loyola (voice in “That’s My Victory”), Thayde (rap in “War? Where My Enemy Lies”), DJ Hum (scratch in “War?…”, “Descent to Hell” e “Scratch Noise”), Carlos Eduardo Miranda (noise guitar in “Descent to Hell”, tambourine in “That’s My Victory”)
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Em 1989 eu estudava na 8ª série e começava a ouvir metal. Por conta dos headbangers do fundão, começavam a me soar familiares nomes como Metallica, Slayer, Sepultura, Testament. (Gravei meus primeiros Slayer em fita, e ganhei no Natal daquele ano o vinil duplo do “…And Justice For All”). Gente que conheço hoje viu o Testament e o Nuclear Assault ao vivo naquele ano. E o Metallica no Ginásio do Ibirapuera (porra, foram 3 shows!). Tem gente que também viu o Nasty Savage, que voltou (e parece que não virou) e eu nem teria feito questão.
E eu ainda não lia a Rock Brigade. Revista de música que eu acompanhava era a extinta – e já decadente – Bizz. Que na edição de agosto de 89 (já tá acabando a introdução), em uma exígüa seção de ‘bandas novas’, falava e mostrava (em uma foto), o Volkana. Banda de metal só de mulher.
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Claro, eu ainda era novato na coisa, e tinha 14 anos. Portanto, a foto influiu BASTANTE na vontade de querer ver algum show ou comprar o disco delas logo que saísse. O disco, este “First”, só foi lançado em 1991, mas até aquele momento já tinha ido a uns 2 ou 3 shows delas. O 1º, no Centro Cultural Vergueiro, abrindo pros Inocentes (e ainda com uma baterista, Débora); outro, no Dama Xox, abrindo pro Vodu (que era horroroso – isso eu já falei aqui – e lançava um ep tosco, o “No Way”), e algum outro sei lá onde (abrindo pro Golpe de Estado?). Ambos já com o sumido Sérgio Facci, jamais efetivado, sempre dado como ‘músico convidado’.
Hoje vejo que nem eram tão gostosas. Jeitosinhas talvez (a baixista Mila tocando de shortinho, meiões e botas de boxe ainda considero uma ÓTIMA IDÉIA, e me chamava mais atenção). Mas por conta do ineditismo – “a 1ª banda feminina de thrash metal de que se tem notícia no Brasil”, “nova coqueluche (sic – argh!) roqueira do Planalto e tem levado mais de 300 pessoas a seus shows”, dizia o texto que acompanhava a foto na revista – elas até que tiveram ótima divulgação: tocavam direto no “Matéria Prima” e no “Som Pop” (tv Cultura), tiveram show transmitido em rádio (89 fm).

O som era thrash, mas não o Bay Area (palheteiro, técnico e seco), muito menos o europeu (de mais riffs e pegada): diria ser um thrash metal bem idiossincrático. Pois a Karla compensava limitações (apenas 3 sons no disco têm “tentativas” de solos) em palhetadas semi-punk, cujos buracos eram preenchidos pelo baixo motörheadiano da Mila (que usava Tagima – era endorsse; foram dos primeiros casos por aqui – que soava como Rickenbacker). O toque metal era cortesia do baterista, que longe de ser firulento ou carregado de 2 bumbos (usava pedal duplo na maioria das vezes), tinha uma pegada firme, viradas de acordo, um estilo próprio. E era titular no Vodu.
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E o vocal, em que se pesassem outras limitações, era o verdadeiro CALCANHAR DE AQUILES. Até hoje não consigo precisar se era um tom de voz inadequado (muito agudo, feminino demais, sei lá), ou se pelas linhas melódicas – em sua maioria bem aleatórias – mas Marielle segurava as pontas com algum carisma e boas letras. Embora destoando um pouco do som.
Sons mais rápidos como “Descent to Hell”, “War? Where My Enemy Lies” e “Silence City” (com vocalizações também mais graves) ainda descem redondo nesse quesito. Essas duas últimas, junto a “Hide”, “That’s My Victory” e “To Die Is Not to Die” [hit por aqui na Rádio Exílio] ainda contam com refrões marcantes que também compensavam. Porém, “Volkanas” e “Pet Semetary” (desnecessária – inclusive em suas vozes sobrepostas) ficaram estranhas.
Essas 2 últimas citadas são as que considero as mais fracas dum disco bastante homogêneo e até experimental. Não era tão moda ainda fundir metal e rap, e “Descent to Hell” e “Scratch Noise” (vinheta construída com scratches a partir de bases e grooves da banda), contêm intervenções do DJ Hum. “War?…” contém um rap em português entoado pelo Thayde que, salvo engano, é alguma citação de Shakespeare. Em “That’s My Victory”, o que rola é uma vocalização árabe próxima ao refrão, em época ainda anterior às fusões do heavy metal com tantos outros estilos. Legal.
“Darkness” tratava de aids e teve um clipe razoável, filmado ao vivo (mas com áudio do disco) nalgum show em Santo André, que passou bastante no Fúria Metal. Não só essa, mas também as demais letras, têm assuntos um algo mais interessantes que a média de clichês que a maioria das bandas brasucas apresentava. [E ainda apresenta]
“First” retratava uma banda inexperiente, porém promissora que, sei lá por que (só me resta hipotetizar), não deslanchou. Apesar dos pesares, um disco interessante que, inexplicavelmente – ainda – não saiu em cd (puta omissão da Eldorado essa), e que apontava caminhos pra banda. Exemplo: “Volkanas” tem uma levada meio “Kill ‘Em All” e ficou bastante heterogênea em suas várias partes, em estilo de composição que talvez se aperfeiçoasse em futuros lançamentos.
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E os futuros lançamentos FOI um 2º disco, “Mindtrips”, bastante descaracterizado dessa proposta raçuda inicial. Contava já com uma 2ª guitarrista mais técnica – uma tal Selminha – e uma vocalista idem (Cláudia França, que pra não soar perfeita ia muito na escola dos vocais James Hetfield pigarreados). As músicas vieram mais concisas, letras idem – e bem mais clichês – e meio que dali elas foram sumindo…
Da última que soube delas, tinham uma formação toda feminina novamente (talvez tivesse sido sempre o objetivo, o que acho meio besteira), com aquisição da ex-baterista do Kleiderman, Roberta Parisi, mas nem de show se ouvia falar mais. Uma última gravação que da banda tenho é versão fiel da mediana “I Love Rock’n'Roll” (Joan Jett), incluída numa coletânea indie obscura e metida a cult (pleonasmos…), “No Major Babies”, que ainda tinha uns sons válidos de Ratos de Porão, Gangrena Gasosa, Killing Chainsaw, entre outros.
Sei que Mila e Karla ainda trabalham em lojas de instrumentos lá na Teodoro Sampaio; da Marielle, lembro de tê-la visto em programas da tv Cultura (pra variar), como o Musikaos e o Turma da Cultura, tocando um som mais pop, num certo Cores D’Flores, legalzinho. Quanto a Sergio Facci, pra mim um desperdício e um mistério: provavelmente parou de tocar, pois nunca mais ouvi falar dele, nem de alguma outra banda de que fizesse parte. Será que virou crente?
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PS – Carlos Eduardo Miranda (aquele) não participou apenas guitarreando numa faixa e tocando pandeirinho noutra: foi também o PRODUTOR de “First”
PS 2 – “FUCK THE NEIGHBORS! PLAY IT LOUD”, consta maiúsculo na contracapa do disco
PS 3 – resenha publicada originalmente no meu blog solo, Thrash Com H, nos proterozóicos idos de 2004 (em 15 de Junho, precisamente), e reeditada aqui no Exílio Rock com sutis correções e adaptações
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A QUEM TIVER EMPREENDORISMO
E também algum juízo lábil e Crédito no Banco.
Idéia que tem a ver com o Big Four…
… mas não só. Também com o documentário do Rush lançado no Cinemark, em sessão exclusiva com direito a pipoca e Heinekens à venda na sala.
Que, conforme o post de semana passada, vão configurando a mim TENDÊNCIA DE MERCADO. Haja visto a reprise do Big Four em trocentas outras salas (mesmo que cancelada em cima da hora em algumas) semana passada, pra aproveitar a receptividade da idéia genial em que um dipositivo tecnológico dito obsoleto (sala de cinema) acaba servindo a propósitos mercadológicos rentáveis e lúdicos em plena era de download.
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Conversava bestamente com vendedor da Paranoid Records, na Galeria (que também se diz promotor de show) e externei a idéia: e se alguém, com os requisitos acima listados, arrendasse – ainda que por aluguel – algum daqueles cines pornôs do centrão pra exibição de dvd’s exclusivos a serem lançados? Tipo sessões em 1ª mão.
Estaria aí oportunidade interessante pra lojas/selo como a Paranoid, Hellion, Die Hard, lançarem dvd’s a público interessado, cobrando-se 10 contos na porta, com venda de pipoca e breja lá dentro.
Creio o investimento nem precisar ser vultuoso: apenas grana pra arrancar as cadeiras e carpetes todos, e para compra de Pinho Sol suficiente pra tirar o cheiro de esperma. Fora isso, se pagar um ou 2 seguranças pra conterem os true mais exaltados e… eis um investimento que talvez trouxesse algum lucro. E legítima satisfação.
Já que soube de pessoas organizando grupos para ver a reprise Big Four, mesmo o mesmo estando disponível pra download já. Porque se trata, a meu ver, de EVENTO SOCIAL – embora nostálgico pra cacete – que ultrapassa a gana de se ver o barato em telinha plana.
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Ganhos adicionais, a público e investidores seriam:
1) o re-relançamento daquele mesmo dvd da Doro Peste, com capinha de outra cor ahah
2) um trabalho profilático DIGNO de se coibir o surgimento de mais uma seita-cheque
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PS – quem, olhando a foto Big Four acima, não perceber em duas olhadas, no máximo, qual o integrante faltante na foto, não merece ser chamado de headbanger ou coisa assim!
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LEE, LIFESON E PEART
Foi já há mais de mês, em 17 de Junho passado, que tive oportunidade de ir ao Cinemark do Shopping Santa Cruz assistir, em 1ª mão, “Rush: Beyond the Lighted Stage”, em sala lotada de nerds comovidos a cada cena, cada depoimento, e a toda e cada passagem do documentário.
A única coisa de que me arrependo não ter feito naquele dia foi não ter aplaudido o filme ao final, como a maioria ali o fez. DEVERIA tê-lo feito.
Pra quem ainda não sabe de que se trata, é documentário realizado por Sam Dunn, antropólgo headbanger canadense outrora realizador de “Metal – A Headbanger’s Journey” e de “Flight 666″ *, documentário sobre o Iron Maiden, que chegaram a ter também seletas seções em cinema, no que vai se configurando alvissareira TENDÊNCIA DE MERCADO como, no mais, a reprise do “Big Four” prometida pro fim de semana atesta.
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Só que, ao contrário do do Maiden, no qual a banda representou e depôs nitidamente a contragosto (não?), “Beyond the Lighted Stage” contou com colaboração e imagens PRECIOSAS de arquivo de Lee, Lifeson e Peart.
Pra citar duas: 1) há o jantar em família em que Lifeson, visivelmente hippie e hormonal, anuncia aos pais e irmãos que não seguiria rumo tradicional de emprego convencional, carro do ano e alto salário (os últimos, não tinha como ele adivinhar eheh); 2) imagens da banda anterior, mais pra jazz, onde Peart tocava, em que o flagramos como o arquetípico adolescente desproporcional e desengonçado. Nerd puro, freak de doer.
Trunfos inequívocos do filme, que particularmente coloco na prateleira dos melhores já comentidos sobre uma banda, no nível do “End Of the Century”, póstumo polêmico dedicado ao Ramones, p.ex.
Chama atenção também, mesmo a banda tendo em torno de 40 anos ativa, e de 35 anos – minha idade! – com a formação consolidada em questão, NUNCA SE HAVER FEITO um documentário sobre a banda seriamente.
Claro que “Rush In Rio” tem lá um pseudo-documentário sobre a passagem em 2002 deles por aqui (mais um relato de turnê e bônus pra fã comprar o dvd oficial, que qualquer outra coisa) e o dvd comemorativo “R 30″ tenha lá seus trechos documentais e valiosas imagens de arquivo (tipo o Juno Awards canadense). Mas filme a eles dedicado, com aprofundamento de questões, revelações dos integrantes e depoimentos, foi a 1ª vez mesmo.
E depoimentos dos mais variados: para além dos óbvios Mike Portnoy e Les Claypool (que aparecem, feliz e infelizmente, bem pouco), passagens emocionadas do metidão Billy Corgan (Smashing Pumpkins, contando ter ficado 1 ano trancado no quarto tirando “2112″), Vinnie Paul (Pantera), Kirk “funcionário do mês” Hammett (fazendo caras e bocas que aprendeu direitinho com Lars Ulrich), Jack Black, Trent Reznor (do Nine Inch Nails), Gene Simmons (Banda Beijo; na 2ª passagem mais hilária do filme), e também das mães de Geddy Lee e Alex Lifeson e pai do Peart (revelando que, se não desse certo o teste dele no Rush, poderia voltar para trabalhar na loja de ferramentas da família), coisa e tal.
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Histórico disco a disco, fase por fase, também comparece suculento, de modo a agradar o fã mais fiel, embora eu particularmente lamente terem enfocado por cima os álbuns do fim dos 80’s (“Hold Your Fire” e “Presto”) e início dos 90’s (“Roll the Bones” e “Conterparts”), que talvez futuramente pudessem gerar, cada qual, seu próprio documentário específico. Sei lá, nerdice da minha parte.
Dunn não amenizou, tampouco o trio, a passagem ominosa vivida por Peart no fim dos 90’s, quando, por meses de diferença, perdeu a esposa devido a câncer e a filha num acidente de trânsito. É explicitada a legítima preocupação dos outros 2 com o cara, como também com os rumos da banda (sem a menor hipocrisia), assim como a mega viagem de moto por Peart empreendida para elaborar algum luto. E a difícil porém gratificante retomada (pra eles também), geradora do denso “Vapor Trails”.
O fato de serem banda relegada pela crítica, até hoje, também é bastante contemplado, com a passagem mais hilária sendo a dos adjetivos consagrados à voz de Lee, sempre o TABU e aspecto mais incômodo do Rush, mesmo pra alguns fãs. “Mickey Mouse com gás hélio” é uma das pérolas citadas, e todos na sala racharam de rir.
E o que se vê (ao menos, eu vi) é a coesão dos três, verdadeiramente amigos, tremendamente respeitosos entre si, com uma ligação que excede/transcende o musical – cuja cena final, que achei também memorável, dos 3 jantando nalgum lugar enquanto riem de si mesmos como objeto dum documentário – pois parece ter sido o caso de 3 sujeitos completamente desajustados (freaks mesmo) que se encontraram e encontraram rumo na vida.
Assim como auxiliaram, e auxiliam, muita gente a encontrar o seu.
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É muita coisa contida, coisa demais pra ficar citando por aqui, por isso encerro o post recomendando a COMPRA do dvd, já lançado e devidamente legendado – acredito não ser só eu portador de “inglês intermediário II” por aqui – até como aperitivo do show anunciado para outubro. Do qual já consegui ingresso (ufa!).
Em suma: muito foda!
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* entre “Metal” e “Flight 666″, Dunn realizou também um chamado “Global Metal”, sobre o heavy metal no 3º Mundo (“país em desenvolvimento” é o cacete!), que francamente não vi (só uns tecos em You Tube) e não conheço, mas deve ser bão.
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DIA MUNDIAL DO ROCK
Acho uma merda o Dia Do Rock, no que quem objetar por aqui “e eu com isso?” certamente terá toda razão.
Questão de opinião, já que acho RIDÍCULO o marco ser o dia do Live Aid há 25 anos.
O que o Live Aid teve a ver com Chuck Berry usurpado pelos roqueiros branquelos, com Elvis Presley morrendo afogado em colesterol e sedativos, com Jerry Lee Lewis catando a priminha menor de idade? Nada. Fora não ter legado absolutamente nada.
Acabou a fome na África por acaso? Nem.
Pra deixar de mau humor: até que teve show legal do Queen e do Black Sabbath com Ozzy. (Não vi, mas li a respeito). Mas alguém lembra disso? Lançou em dvd? Botou no You Tube?
Bah, então foi em vão essa merda mesmo.
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Só que a data, mesmo assim, não poderia passar em branco. Mesmo que pra nós todos aqui o “Dia do Rock” seja todo dia. E mesmo que algum comercialismo implícito à data ainda não tenha gerado o alvissareiro e compulsório costume de se presentear filhos e filhas com guitarras, baixos ou baterias.
(Deixaria de haver muito pagodeiro e sertanojo nesta terra desolada)
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E aí que, aliando as duas únicas coisas úteis da internet, que são 1) baixar música e 2) ver mulher pelada (fórum e blog são a 133ª e a 987ª coisas úteis), eis que desejo…
… um belo Dia Do Rock a todo mundo aqui!
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